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Louvre, e os retratos da história.

Louvre Paris

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10 replies to this topic

#1 J.Leo

J.Leo
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Posted 27 de August de 2014 - 12:45

Ir à Europa significa passar por Paris, uma vez lá, o Louvre se torna uma obrigação. Nesse "Trip Report", de apenas um local, mas que nos remete aos mais diversos e longínquos lugares, tentarei descrever algumas curiosidades expostas nesse enorme Museu. 

 

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Peço a  compreensão dos colegas, uma vez que a câmara usada foi uma compacta, e em Museus é praticamente impossível de se conseguir um ângulo e uma luz boa para fotos. Paris em época do outono é envolta por uma névoa quase que constante. Enquanto aguardava na fila para a entrada no Louvre, pude registrar, (abaixo), o Sol por entre essa névoa.

 

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Na mitologia grega Mercúrio e vênus, (também conhecidos por Hermes e Afrodite), cometeram adultério. Desse relacionamento nasceu um menino, extremamente bonito, que recebeu o nome de Hermafrodito, que é a junção dos nomes dos pais. Em função da traição do casal, a criança foi entregue para ser educada pelas ninfas do monte Ida, mas aos 15 anos, aborrecido com a vida que levava, abandonou suas educadoras e saiu a percorrer o mundo. 

 

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Em suas andanças, um certo dia, ao parar para se banhar em um lago, encontrou Salmacis, (ninfa das águas), extasiada pela beleza do jovem, tentou seduzi-lo, mas Hermafrodito era indiferente com as mulheres e a rejeitou. Louca pela paixão que lhe aflorou, Salmacis implorou aos Deuses que unissem seus corpos. Salmacis é atendida e Hermafrodito transformou-se em um ser intersexuado, ou seja, passou a ter as caracteristicas dos dois sexos.

 

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Essa escultura de Bernine de 1516, “O Hermafrodita”, retrata essa passagem mitológica, ao visualizarmos as lindas nádegas de um corpo feminino de bruços, nos surpreendemos com seu oposto, a genitália masculina.

 

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Sebastião de Narbonne, (São Sebastião), foi Comandante da Guarda pessoal do Imperador Romano Diocleciano, em suas horas de folga, visitava seus irmãos cristãos, encarcerados nos porões de Roma. Levava aos aflitos e perseguidos, seu consolo. O Imperador, àquela época, expulsava de suas legiões todo e qualquer cristão. Sebastião acabou sendo delatado por um soldado, Diocleciano enfurecido ordenou a renuncia de seu Comandante ao cristianismo, em vão. Sebastião firmemente se negou a renunciar de sua fé. Tomado pela fúria, o Imperador ordenou aos seus soldados que o matassem a flechadas. A ordem foi cumprida e o corajoso Comandante Romano foi deixado ao largo, crivado por flechas, para que sangrasse até a morte. A pintura abaixo de Andrea Mantegna de 1456, retrata essa passagem.

 

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Hamurábi foi o sexto Rei da primeira dinastia babilônica, governou de 1792 a 1750 a.C., foi ele quem estampou em uma estela de diorito o mais antigo código de leis escritas pelo homem, e que ficou conhecido como, “O Código de Hamurábi”. Essa peça foi encontrada por franceses em 1901 no Irã, bem conservada, está hoje exposta no Museu.

 

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A coroação de Napoleão Bonaparte como Imperador Francês em 1804, pintura de Jacques-Louis David, retrata o momento em que o Imperador coroava Josefina, (de joelhos), sua esposa, após ter sido por ele mesmo coroado Imperador.

 

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Essa pintura de 6,21 x 9,79 metros, evidência a contrariedade do Papa Pio VII, de braços cruzados, quem não pode coroar o Imperador, um recado dado por Napoleão ao clero à época, sobre quem de fato comandava a França. Outro ponto de destaque, de acordo com os relatos históricos, foi a presença da mãe de Napoleão na pintura, (no centro, acima de Josefina, um pouco à esquerda, sentada), uma vez que ela não participou da coroação, por não concordar com o casamento do filho. O pintor recebeu ordens de Napoleão para que colocasse a mãe em evidência, pois, como indagou: “como explicar para a história que o homem que colocou a Europa de joelhos não conseguiu convecer sua mãe a estar presente em sua coroação?”

 

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Escultura, “ninfa picada por um escorpião”, de Bartolini de 1845, pertence ao movimento neoclássico, que foi influenciado pelo iluminismo e inspirado nas obras da antiguidade, (grego-romanas), deixando à época o estilo barroco de lado.

  

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Outra escultura neoclássica, “Psiché reanimada pelo beijo do amor” de Canova, que se inspirou na mitologia grega.         

 

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Escultura do mesmo período, “moça faminta deitada na cama”. Essas três últimas esculturas valem mais pela beleza de detalhes que propriamente suas histórias.

 

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Essa escultura cadavérica, de autor desconhecido, datada de 1530, ficava no centro do Cemitério dos Inocentes em Paris. 

 

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Em 1780 esse cemitério, depois de mais de mil anos de uso constante, foi fechado e destruído pelo governo, que edificou uma Praça em seu lugar. Naquela ocasião a quantidade de cadáveres era tanta, que o nível do solo do cemitério estava 2,5 metros acima do nível da rua, o mau cheiro era insuportável e as doenças faziam vitimas todos os dias. O governo em 1786 passou a transferir todos os ossos do cemitério para o subsolo da cidade, trabalho que foi terminado em 1788, hoje esse local no subsolo da cidade é conhecido como as catacumbas de Paris. (Obs.: a foto abaixo foi retirada da internet, para se ter uma ideia de como foram alocados as centenas de milhares de ossos sob Paris).

 

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Essa pintura abaixo de Theodore Géricault retrata o naufrágio da Fragata Medusa da marinha francesa em 1816, naquela ocasião, 147 homens que não conseguiram lugares nos botes salva-vidas, fizeram dos destroços do naufrágio uma jangada nominada por eles mesmos, “A Balsa da Meduza” que também foi o nome dado à pintura. Após alguns dias no mar, vários sobreviventes haviam morrido de sede ou fome, um oficial médico assumiu o controle da situação e passou a dissecar os corpos dos mortos, que passaram a servir de alimento. Depois de quase 15 dias à deriva, finalmente foram resgatados, mas somente 15, dos 147 homens, conseguiram sobreviver. Há de se levar em consideração o grande escândalo que esse canibalismo provocou à época, tempo onde o fevor religioso era ultra significativo.

 

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Davi contra Golias, pintura de Daniele da Volterra de 1555. Essa história é amplamente conhecida, portanto, não há a necessidade de explorá-la. O que me impressionou nessa pintura foi o olhar aterrorizado de Golias, na iminência de ser morto pela espada de Davi.

 

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Esfinge de Tanis, a maior esfinge exposta fora do Egito, encontrada em 1825 nas ruinas do Templo de Amon. Mede cerca de 1,90 metros de altura e 5 metros de comprimento, sua datação é considerada de 2600 a.C. É a imagem de um leão estendido com uma cabeça humana, geralmente a representação de um Faraó, demonstrando seu poder e domínio. 

 

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A pintura abaixo de Paul Delaroche retrata Napoleão Bonaparte em 1800, montado em uma mula, atravessando os Andes, à frente de seu exército, para atacar as tropas austríacas na Itália.

 

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Escultura, “A Tumba de Philippe Pot”, de autor desconhecido, mede 1,80 x 2,60 metros, é de um realismo que impressiona, retrata o funeral desse governador da Borgonha no século XV. Oito cavaleiros, (que representam as oitos províncias que comandava), carregam nos ombros uma laje, onde está depositado o corpo, dentro de uma armadura, em tamanho natural do nobre, líder militar e diplomata. 

 

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Uma das obras mais procuradas do Museu, Mona Lisa, é impraticável aos que têm pouco tempo, na foto abaixo dá para se ter uma ideia dessa profusão de pessoas a procurá-la, fora o aparato de segurança e o empurra-empurra que não nos permite aproximar ou fotografá-la como deveria, motivo da foto ter saído tremido.

 

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Na grande Praça em frente ao Louvre encontra-se o Arco do Triunfo do Carrossel, data de 1809, autores Charles Percier e Pierre Fontaine, localizado em frente ao Louvre, representa as vitórias de Napoleão Bonaparte nas campanhas de 1805 a 1807.

 

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Mais à frente saindo das cercanias do Museu, chegamos ao Obelisco de Luxor de 23 metros de altura, tem 3.300 anos de idade, feito de granito rosa e pesa cerca de 230 toneladas. Foi retirado do Templo de mesmo nome no Egito e doado pelo Vice-rei Mehmet Ali em 1829 à França. É todo decorado com hieróglifos da época do Faraó Ramsés II, foi instalado no centro da Praça da Concórdia em Paris, que dá inicio à avenida Champs-Élysées, no mesmo lugar onde, durante a Revolução Francesa, ficara a guilhotina, que decapitou mais de 2.490 pessoas, entre elas o Rei deposto Luís XVI e sua esposa Maria Antonieta.

 

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Não poderia deixar de mencionar o monumento mais conhecido e importante de Paris, a Torre Eiffel, construída para a Exposição Universal de 1889, projeto do Engenheiro Gustavo Eiffel. Situa-se no Campo de Marte, local onde se deu os primeiros voos do brasileiro Santos Dumont, que inclusive a contornou com uma de suas invenções. Tem 324 metros de altura é a mais alta edificação de Paris, pesa 7.300 toneladas e recebeu desde a sua inauguração perto de 245 milhões de visitantes, pessoas de todos os cantos de nosso planeta. Gera anualmente cerca de 80 milhões de Euros, que são deixados pelos visitantes em seu caixa. No inicio do século passado estava para ser demolida, mas a presteza de sua altura, nos serviços de rádio, a salvaram da demolição. 

 

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Já estive  três vezes no Louvre, sua imensidão obriga-me a dizer que, dessas poucas vezes, consegui conhecer apenas 1/3 de seus corredores, obras e galerias. Mas o pouco que até aqui conheci, me faz afirmar que valeram cada minuto despendidos.

 

J. Leo.


Edited by J.Leo, 27 de August de 2014 - 12:50 .


#2 borrachasaovento

borrachasaovento
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Posted 27 de August de 2014 - 14:14

Show, post mto enriquecedor!

 

Abraço!



#3 Rafaelguimaraes

Rafaelguimaraes
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Posted 27 de August de 2014 - 14:20

Aplaudo de pé. Só uma correção: Napoleão estava cruzando os Alpes e não os Andes.



#4 J.Leo

J.Leo
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Posted 27 de August de 2014 - 14:24

Aplaudo de pé. Só uma correção: Napoleão estava cruzando os Alpes e não os Andes.

 

"O uso do cachimbo, faz a boca torta". Grato pela correção e desculpe a vergonha que passei... (rsrsrs).



#5 Stratocruiser

Stratocruiser
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Posted 27 de August de 2014 - 19:19

Ótimo tópico! O Louvre é fantástico e de fato, vale cada visita. A única pequena tristeza, especialmente ao ver a foto do Arco do Triunfo do Carrossel, é saber que o museu poderia hoje ser maior e mais harmonioso com a incorporação do antigo Palácio das Tulherias, que completaria o pátio central. O palácio foi incendiado por ordem dos comunistas que tentavam tomar o poder em 1871. Parte do próprio Louvre foi igualmente destruída e, apenas por sorte, não foi o museu todo engolfado pelas chamas.

#6 alferreira

alferreira
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Posted 28 de August de 2014 - 14:01

Visitar todo o Louvre em um dia? Challenge accepted! Em 10 de julho, em Paris, verão que parecia inverno paulista. Lá vai eu e minha esposa. Eu apertando-a para chegarmos com uma hora de antecedência a abertura. Conseguimos chegar só meia hora. Uma hora de fila (programem-se), isso com ela andando direto. Lá dentro parecia que estávamos na China, de tantos chineses que estavam visitando o Louvre naquele dia. Entradas na mão, escolhemos aleatoriamente uma das alas/entradas (não me recordo o nome), mas que foi para a parte do Antigo Egito.

Dezenas de paradas, senta, descansa, banheiro. Parada para almoço. Senta, descansa, banheiro. As 17h, com os pés arrebentados e pernas doendo, bateria da camera esgotada, encerramos a visita. Apenas 2/3 visitados...

Dica: vejam primeiro a ala das pinturas clássicas, onde está a Monalisa, porque depois enche muito e é como  o colega falou: fica um sufoco... 

Deixa ver se minha foto saiu menos pior:

 

monalisa_zpsafc40d8b.jpg?t=1409245202



#7 A345_Leadership

A345_Leadership
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Posted 29 de August de 2014 - 18:56

Para quem quiser evitar as filas, é possível comprar o ingresso pela internet e retirar (ou imprimir) em alguma Fnac na França.



#8 -600-

-600-
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Posted 30 de August de 2014 - 11:51

Ja fui 2 vezes, sempre no mês de Março, e a fila não deu nem 10 min. La dentro tb não tinha muita muvuca. Torre Eiffel tb, sem muita fila nessa época, mas é melhor subir bem no fim do mês, pq o frio já deu uma aliviada.

Edited by -600-, 30 de August de 2014 - 11:52 .


#9 Bruno Holtz

Bruno Holtz
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Posted 29 de November de 2015 - 20:48

Paris sem visita ao Louvre fica incompleta.
Estive por la no final de outubro (duas semanas antes dos atentados).
Muitos chineses. Muitos mesmo. Educacao dessa galera aquem do pre sal. Saem se esbarrando e empurrando a todos.
Visita a Monalisa cheia como sempre. O resto do museu tambem cheio, mas nao intoleravel.
Dica para quem quiser eliminar filas de compra de ingresso: Paris Museum Pass. Um passe de 2, 4 ou 6 dias que te da entrada direta a todos os museus nacionais em Paris e no seu entorno (vale para o palacio de Versailles tambem). Pode ser adquirido nos museus que participam do programa, mas tambem nos aeroportos e locais diversos.
Vale a pena nao so pela economia financeira, como pela praticidade. E lembrando que menores de 21 anos acompanhado dos pais nao pagam entrada nos museus e monumentos nacionais da Franca. Meu filho de 13 anos entrou colado conosco em todos os locais que fomos, e digo a vocês que a visita com ele a esses locais foram licoes de cultura que nao tivemos como dimensionar.

#10 Hermano P Carvalho Filho

Hermano P Carvalho Filho
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Posted 04 de December de 2015 - 10:15

Obrigado pela aula de historia..... e pelas belas fotografias...



#11 jambock

jambock
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Posted 10 de February de 2016 - 22:11

Prezado J. Leo

Muito obrigado por compartilhares tão bela visita e conhecimento sobre as obras expostas e que te chamaram a atenção.