Jump to content


Photo

Conheça a Verdade Sobre o Projeto do VLS-1

Programa Espacial Brasileiro

This topic has been archived. This means that you cannot reply to this topic.
5 replies to this topic

#1 RodrigoRS

RodrigoRS
  • Usuários
  • 235 posts

Posted 26 de January de 2015 - 12:44

O texto a seguir foi publicado hoje no blog Brazilian Space, do Duda Falcão, que se dedica a acompanhar o Programa Espacial Brasileiro há muitos anos.
 
Resolvi reproduzí-lo aqui, pois muitos colegas que acompanham o Fórum tem interesse nessa área porém pouco conhecimento do histórico do nosso programa espacial.
 
Além disso, quanto mais pessoas tomarem conhecimento da negligência deste desgoverno com relação ao nosso Programa Espacial, melhor.

 
Conheça a Verdade Sobre o Projeto do VLS-1
 

Olá leitor!
 
Mesmo estando cansado de toda esta situação, de ler na mídia diversos artigos (alguns até com teorias mirabolantes e completamente fora de contexto), sobre o motivo do atraso de um dos mais importantes projetos tecnológicos do país, resolvi tirar estes três dias para escrever este extenso artigo sobre o Projeto do VLS-1. Portanto leitor se sente confortavelmente e leia com calma e atenção este artigo esclarecedor sobre este projeto do VLS-1.

O Veículo Lançador de Satélites (VLS-1) foi um dos projetos incluídos nos planos do governo brasileiro durante a criação da antiga “Missão Espacial Completa Brasileira (MECB)”. Proposta então pela "COBAE - Comissão Brasileira de Atividades Espaciais" (organização vinculada naquela época ao "Estado-Maior das Forças Armadas (EMFA)" que possuía a atribuição de coordenar a execução do Programa Espacial Brasileiro) foi aprovada em 1979 com o objetivo de promover a geração de tecnologia espacial no Brasil.

Em sua concepção original, a MECB contemplava além do desenvolvimento do VLS-1, o desenvolvimento de dois Satélites de Coleta de Dados Ambientais (meta alcançada com o desenvolvimento e lançamento bem sucedido dos Satélites SCD-1 e 2), de dois Satélites de Sensoriamento Remoto por Imageamento, denominados na época de SSR-1 e 2 (meta jamais alcançada e que hoje se espera alcançar com o lançamento do tão aguardado Satélite Amazônia-1 e de seu sucessor Amazônia-2, este ainda no campo da ficção científica) e por fim a criação de uma Base de Lançamento para o veículo lançador proposto (meta também alcançada com a criação do Centro de Lançamento de Alcântara – CLA). Em resumo, o objetivo da MECB era prover o país com um programa espacial completo, ou seja, com um centro de lançamento para satélites, um veículo lançador e evidentemente cargas uteis (satélites), para assim colocar o Brasil entre as nações que dominam o ciclo completo das atividades espaciais.

Com metas estabelecidas foi determinado então que o desenvolvimento dos satélites ficaria sob a responsabilidade do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais – INPE (órgão civil atualmente vinculado ao Ministério da Ciência,Tecnologia e Inovação - MCTI), enquanto que o desenvolvimento do veículo lançador ficaria a cargo do então Instituto de Atividades Espaciais – IAE (hoje denominado Instituto de Aeronáutica e Espaço) órgão este ligado ao atual Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial – DCTA, este subordinado ao Ministério da Defesa (MD), e por fim a Base de Lançamento que ficaria sob a responsabilidade do então Ministério da Aeronáutica (hoje Comando da Aeronáutica – COMAER), ligado também ao atual Ministério da Defesa.

Com o fim da MECB após a criação da “Agência Espacial Brasileira – AEB” em 10 de fevereiro de 1994 (autarquia federal atualmente ligada ao MCTI) em substituição a COBAE, o PEB que durante a MECB havia lançado exitosamente o “Satélite de Coleta de Dados 1 - SCD-1” (lançado ao espaço em 09 de fevereiro de 1993) e criado o CLA, vinha realizando já com grandes dificuldades tecnológicas, orçamentárias e logísticas (acentuadas com a eleição do ex-presidente Fernando Collor) os projetos dos Satélites SCD-2, CBERS-1 (lançado ao espaço em 14/10/1999) e evidentemente o do VLS-1.

Vale lembrar antes de entrarmos no projeto do VLS-1, que após a criação da AEB e o fim da MECB, foram efetivamente incluídos outros projetos de satélites no PEB, como o “Satélite SCD-2A” (destruído no lançamento do “VLS-1 - VO1 / Operação Brasil”, em 02/11/1997), o “Satélite de Aplicações Científicas 1 – SACI-1” (lançado em conjunto como CBERS-1 em 14/10/1999 através de um foguete chinês, mas que apesar de entrar em órbita infelizmente não funcionou), o “SACI-2” (destruído no lançamento do “VLS-1 - VO2 / Operação Almenara”, em 11/12/1999), e o “Satélite Tecnológico 1 - SATEC-1” (infelizmente destruído no acidente do “VLS-1 – VO3 / Operação São Luís” em 22/08/2003) o Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres 2B - CBERS-2B (lançado ao espaço em 19/09/2007), o CBERS-3 (lançado ao espaço em 09/12/2013, mas infelizmente destruído após entrar na atmosfera devido a um problema com o foguete lançador), o CBERS-4 (lançado em 07/12/2014), o Primeiro Cubesat Brasileiro, NanosatC-Br1 do INPE/UFSM (lançado ao espaço em 19/06/2014) e também do Primeiro Cubesat Integralmente Desenvolvido no Brasil, o AESP-14 do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), que já se encontra abordo da Estação Espacial Internacional (ISS n sigla em inglês) esperando ainda o seu efetivo lançamento ao espaço, além do CBERS-2 (lançado ao espaço em 21/10/2003), este ainda fruto da época da MECB,  e por fim o primeiro nanosatélite brasileiro, o “Undergraduate Orbital Student Satellite - UNOSAT-1” (também infelizmente destruído no acidente do “VLS-1 – VO3 em 22/08/2003), nanosatélite este que foi na época fruto de uma parceria inovadora e histórica entre a Universidade Norte do Paraná (UNOPAR) e a Universidade Estadual de Londrina (UEL), mas que infelizmente foi perdido neste acidente com o VLS-1 em 2003.

Seguindo agora com o tema deste artigo, o projeto Veículo Lançador de Satélites 1 (VLS-1) como já falamos acima, foi estabelecido quando da criação da MECB em 1979 sob a coordenação do saudoso e competentíssimo Eng. Jaime Boscov, mas efetivamente só teve suas atividades de desenvolvimento iniciadas a partir de 1982 partindo da experiência adquirida pelo IAE no desenvolvimento dos foguetes de sondagens da família SONDA (SONDA-I, II e III) e do último foguete desta família (o SONDA IV) que teve seus primeiros estudos de viabilidade iniciados ainda em 1976 e que foi efetivamente utilizado para desenvolver as primeiras tecnologias necessárias para chegarmos ao VLS-1. Foi justamente neste período do SONDA IV (um fantástico foguete de sondagem) que as dificuldades para o Brasil começavam a aparecer, pois os americanos que até então não haviam criados problemas, começaram a criar empecilhos toda vez que os pesquisadores brasileiros precisavam importar algo ou realizar testes em instalações americanas (quando não havia jeito de realizá-los no Brasil) ou até de outros países (usavam de pressão política)  dificultando o andamento do projeto do SONDA IV e consequentemente das tecnologias que o Brasil precisava para o VLS-1.

Vale dizer que, além disso, o PEB como um todo ainda sofria naquela época de dificuldades orçamentárias (o Brasil de hoje não é o década de 80, onde o país vivia dificuldades sociais e financeiras extremamente grandes), mas havia um apoio logístico e político bastante satisfatório dos governos militares, bem como os institutos do programa (IAE e INPE) contavam com uma massa de profissionais preparados e motivados para atingir seus objetivos.

Apesar de todos estes problemas (graças ao apoio dos militares) o Brasil lançava exitosamente em 21/11/1984 (quando eu estava nos EUA como estudante de intercambio cultural), o primeiro foguete SONDA-4, lançamento ocorrido durante a realização das atividades da  “Operação Parangaba”, ocorrida pouco messes depois das atividades da “Operação Sonda IV” destinada aos testes estáticos completos do foguete com o lançador e a base de lançamento, operação esta leitor que foi realizada em junho do mesmo ano.

As dificuldades se intensificaram durante o resto da década de 80, mas felizmente não impediram que mais três exitosos lançamentos deste foguete (“Operação São José dos Campos” em 19/11/1985, “Operação Petrópolis” em 08/10/1987, onde foram qualificados dispositivos e aparatos científicos do veículo visando aprimorar a tecnologia que seria utilizada no VLS-1, e a última delas, a “Operação Rio de Janeiro” em 28/04/1989, onde foram qualificados os dispositivos de separação dos estágios do foguete, tecnologia que também seria usada no VLS-1) finalizando assim com “chave de ouro” a trajetória histórica deste fantástico foguete de sondagem brasileiro, né verdade Dr. Waldemar?

Com o fim dos governos militares, pelo menos durante o Governo Sarney houve um certo apoio, e o PEB pode avançar (não como gostaríamos, é verdade), permitindo assim que o Projeto do SONDA IV fosse finalizado com êxito, bem como foi durante o Governo Sarney que foi criado o Laboratório de Integração e Testes (LIT) do INPE, assinado o acordo do CBERS com a China, e também um grande avanço no Projeto do Satélite SCD-1 foi alcançado. Já a partir do Governo Fernando Collor de Mello até o primeiro Governo do LULA, o Programa Espacial Brasileiro teve de enfrentar dificuldades herculanas, não só de ordem financeira, de infraestrutura física e humana, má vontade política, bem como também de gestão inadequada, principalmente de uma Agência Espacial omissa e incapaz de agregar em torno de si a força política necessária para fazer valer os interesses do PEB. Houve é verdade a partir do segundo Governo LULA uma liberação de recursos financeiros maior para o programa (chegou-se a pouco mais de 400 milhões de reais em seu último ano de governo), mas também foi durante o seu primeiro governo que se estabeleceu o maior erro da história do PEB, ou seja, a assinatura do acordo com a Ucrânia que gerou a mal engenhada empresa bi-nacional Alcântara Cyclone Space (ACS), um verdadeiro desatino que torrou irresponsavelmente até agora mais de um bilhão de recursos públicos que poderiam ter sido investidos no verdadeiro PEB (inclusive no VLS-1 e no Projeto do VLM-1), e tudo isto leitor motivado por questões políticas de ordem partidária, uma tradição desta classe política de energúmenos que vem colocando o futuro do Brasil em cheque há décadas.

Mas voltando ao VLS-1, ainda durante a década de 80 outros lançamentos com miniaturas do VLS-1 denominadas de VLS-R1 (lançada ao espaço em 14/12/1985, durante a realização da “Operação VLS-R”) e VLS-R2 (lançada ao espaço em 01/04/1989, durante a realização da “Operação Bahia”) foram realizadas para testar procedimentos e novas tecnologias do projeto do VLS-1 e com o fim Projeto do SONDA IV em 1989, no inicio da década de 90 o IAE deu prosseguimento ao desenvolvimento do lançador brasileiro criando uma fase intermediária onde foi desenvolvido um novo foguete de sondagem que tinha como objetivo realizar um único lançamento experimental, e assim qualificar em condições de voo o quarto estágio do VLS-1 (motor S44). Tratou-se do foguete de sondagem VS-40 que, em seu primeiro voo, ocorrido em 02/04/1993, durante as atividades da “Operação Santa Maria”, além de cumprir sua missão exitosamente, demonstrou ao IAE ser o mesmo altamente promissor como foguete de sondagem, tanto do ponto de vista de performance (tempo de voo no vácuo) como também de volume disponível de carga útil. Diante deste sucesso este foguete voltou a ser utilizado uma segunda vez durante o lançamento realizado para testar o ignitor do VLS-1 e também para transportar uma carga útil da empresa holandesa Fokker Space de 483 quilos, lançamento este ocorrido exitosamente em 21/03/1998 durante as atividades da “Operação Livramento”.  Após sofrer uma atualização a pedido do DLR alemão, o VS40 teve sua denominação modificada para VS-40M e foi utilizado pela última vez em 22/06/2012 na “Operação SHEFEX II”, quando lançou exitosamente para o DLR alemão, da Base de Andoya, na Noruega, a carga útil SHEFEX  II, e agora se prepara para realizar seu quarto voo, quando se espera que o mesmo coloque em um voo suborbital a primeira cápsula espacial brasileira para experimentos em ambiente de microgravidade, ou seja, o SARA Suborbital-1. Lançamento este que deverá ocorrer do Centro de Lançamento da Barreira do Inferno (CLBI) ainda este ano durante as atividades da “Operação São Lourenço”.

Enquanto testava em voos as tecnologias para o VLS-1, o IAE começou a se preocupar com a parte do veículo lançador que o Brasil ainda não dominava e que não podia adquirir no exterior devido às restrições impostas pelo ITAR (International Traffic in Arms Regulations), do Departamento de Defesa dos EUA, ou seja, mais especificamente em relação à Plataforma Inercial (Sistema de Navegação do Veículo). Diante disto em meados dos anos 90 o DCTA enviou secretamente (numa missão perigosa alá James Bond) uma pequena comitiva formada por servidores do IAE para negociar com os russos a compra desta plataforma, e de lá felizmente voltaram exitosamente e secretamente com quatro unidades da mesma, dais quais três foram perdidas nos testes de voo do VLS-1, e a quarta segundo se comenta extraoficialmente, foi perdida numa tentativa de Engenharia Reversa ainda nos anos 90. Isto fez com que o IAE, em meados dos anos 2000, viesse em parceria com o INPE e outras instituições brasileiras dar início ao Projeto SIA (Sistemas Inerciais para Aplicação Aeroespacial) que tinha como objetivo desenvolver e integrar protótipos de sistemas de navegação inercial para aplicação aeroespacial com participação da indústria nacional. Foi justamente este Projeto SIA, sob a coordenação do Dr. Waldemar Castro Leite, que desenvolveu não só Plataforma SISNAV (que se espera seja testada no voo do VLS-1 VSISNAV ainda este ano), bem como também a Plataforma MARINS para mísseis.

Com os testes bem sucedidos de partes do VLS-1 e também depois da exitosa missão secreta a Rússia que trouxe a plataforma inercial, o IAE então dispunha naquele momento de tudo que necessitava para realizar o primeiro voo teste do veículo, mas foi obrigado a esperar até que os recursos fossem liberados. Finalmente as 10h25 (hora de Brasília) do dia 02/11/1997, sob o olhar do mundo e principalmente dos americanos, o VLS-1 era lançado da Base de Alcântara, no Maranhão, durante as atividades da “Operação Brasil” (veja abaixo a reportagem da época sobre a missão realizada pela Rede Globo). Infelizmente para nós Brasileiros esta primeira missão ‘deu xabu’ devido à falha de um dos motores do primeiro estagio, obrigando o controle da missão destruir o foguete há apenas 65 segundos após o seu lançamento. Com isto o Brasil não só perdeu o Satélite SCD-2A que estava abordo, bem como também a primeira das quatro plataformas inerciais adquiridas junto aos russos.

 

Pouco mais de dois anos depois, exatamente as 16h40 (horário de verão) do dia 11/12/1999, o Brasil realizava sob a atenção de todo o mundo o lançamento do segundo voo do veículo, durante as atividades da “Operação Almenara” (veja o vídeo abaixo). Entretanto infelizmente para o nosso país uma falha apresentada no segundo estágio do foguete fez com que o mesmo voasse numa situação anômala e assim não suportasse os esforços estruturais impostos pela atmosfera, vindo a se quebrar em pedaços 29 segundos após o segundo estágio entrar em combustão. Com isto o Brasil perdeu naquela oportunidade o Satélite SACI-2 e evidentemente a segunda plataforma inercial comprada dos russos.

 

Quase quatro anos depois, já no Governo do Humorista LULA, estava sendo realizada na Base de Alcântara pelo IAE a terceira tentativa brasileira de colocar o Brasil no “Clube das Nações que Dominam o Ciclo Completo de Acesso ao Espaço”, quando infelizmente há três dias do lançamento do veículo (previsto para uma segunda-feira, 25/08), exatamente às 13h30 do dia 22/08/2003, durante as atividades da “Operação São Luís”, o veículo explodiu na plataforma de integração matando 21 técnicos do Programa Espacial Brasileiro e ao mesmo tempo destruindo os satélites SATEC-1 e UNOSAT-1 que se encontravam abordo do veículo e a última plataforma inercial de origem russa disponível. Pelo que se sabe este foi o maior acidente com vitimas de toda história da Astronáutica Mundial e na opinião do Blog foi fruto do descaso governamental que se estabeleceu na condução do programa desde o Governo do Ex-Presidente Fernando Collor de Mello.

Após o trágico acidente com o VLS-1, o humorista LULA, então presidente da república por apenas pouco mais de sete meses, apareceu abatido (a TV precisa sempre de atores assim) na solenidade em homenagem aos heróis mortos, prometendo perante a mídia (nacional e internacional) e aos familiares dos heróis presentes, de que o Projeto do VLS-1 seguiria e que uma nova tentativa de lançamento seria realizada em 2007. Entretanto chegou-se a 2007 e a promessa passou para 2008, 2009, 2010, e não se concretizou, coisa que já era esperada pelo Blog, afinal não se constrói nada com promessas e sim com atitudes e o LULA jamais realmente moveu um dedo se quer em prol do projeto do VLS-1.

Não obstante as promessas fantasiosas deste Garoto Propaganda do PT que na época exercia infelizmente o poder no Brasil, após o acidente o IAE criou uma comissão formada por militares, pesquisadores do instituto, representantes da comunidade científica e um representante dos familiares dos heróis mortos, para realizarem conjuntamente um relatório sobre o acidente. O relatório em questão foi apresentado a Sociedade Brasileira em fevereiro de 2004 (veja aqui), mas infelizmente no final das contas foi considerado inconclusivo pelos especialistas, já que não apresentando uma resposta concreta do que realmente causou o acidente, apesar de apontar diversos erros de procedimentos e de gestão na preparação do foguete, bem como também a conhecida falta de recursos financeiros adequados exigidos para um projeto deste porte.

Diante deste quadro inconclusivo começou aparecer nos bastidores do PEB, na internet e na mídia, comentários, supostas histórias e reportagens (veja esta de 2005 da revista Superinteressante) de que havia ocorrido sabotagem internacional nesta terceira tentativa de lançar o VLS-1, principalmente após se tomar conhecimento que um Coronel do Exercito (integrante na época do “Estado Maior das Forças Armadas – EMFA”), Roberto Monteiro de Oliveira, tinha previsto com um ano de antecedência (o Blog não teve na época acesso a esta previsão do Coronel Oliveira), ou seja, em Agosto de 2002, de que Base de Alcântara sofreria sabotagem dos EUA, divulgação esta que começou a circular em um vídeo produzido em Agosto de 2002 e postado no youtube em novembro de 2013 (veja abaixo) e posteriormente se intensificaram devido a outras denuncias feitas num site de reconhecimento internacional.

 

Indiferentes às denuncias de suposta sabotagem e talvez ainda acreditando nas promessas do “Garoto Propaganda do PT”, o IAE logo após a apresentação do Relatório a sociedade deu início ainda em 2004 (com a participação de uma empresa russa contratada) a “Revisão Crítica do Projeto” com o intuito de aprimorar e modernizar o projeto do veículo. Em 2005 foi aberta uma concorrência para a construção da nova “Torre Móvel de Integração (TMI)” para substituir a que havia sido destruída no acidente, e em 2006 foi divulgado que o Consórcio Jaraguá-Lavitta era o vencedor da concorrência e que o tempo de realização da obra seria de 18 meses a um custo previsto de R$ 43 milhões. Vale dizer que a nova plataforma teve o projeto básico desenvolvido pelo DCTA e contou com uma consultoria técnica dos russos, mais precisamente da empresa Space Rocket Center Makeyev.

Entretanto, o que ninguém esperava na época era que a Brasilsat, de Curitiba (uma das empresas que participaram da concorrência), viesse na justiça questionar o resultado da mesma, atrasando assim o início das obras em mais de dois anos.  O impasse só veio a ser realmente resolvido em meados de 2008, depois que o Tribunal de Contas da União (TCU) se pronunciou considerando correto o processo de contratação do consórcio vencedor. Assim sendo, em fevereiro de 2009, o DCTA e o Consórcio Jaraguá-Lavitta assinaram um termo aditivo ao contrato da torre, para que ele voltasse a ter validade e assim as empresas pudessem finalmente dar início às obras, coisa que ocorreu a partir de julho daquele ano. Finalmente então em meados de 2011 foi anunciado o término da construção do novo Sistema de Plataforma de Lançamento do VLS-1, ou seja, a nova Torre Móvel de Integração (TMI).

Enquanto se desenrolava o imbróglio da TMI, o IAE tentava avançar com o projeto do veículo apesar dos parcos recursos disponíveis, e prevendo que o objetivo de deixar pronto o veiculo já não mais ocorreria no Governo do humorista LULA, em meados de 2010 uma pequena comitiva do DCTA foi a Brasília para cobrar apoio ao projeto e estabelecer uma nova programação de lançamento baseada nas considerações feitas pelos russos durante a revisão do veículo. Ficou então estabelecido que seriam realizados dois voos tecnológicos denominados de VLS-1 XVT-01 (posteriormente mudado para VLS-1 VSISNAV) e VLS-1 XVT-02, para assim testar partes do veículo antes do voo de qualificação com um satélite abordo que foi denominado de VLS-1 VO4. Para tanto também foi estabelecido que este cronograma seria iniciado no segundo semestre de 2011 com a realização de uma operação de lançamento simulada para testar a integração da plataforma, com as redes elétricas do veiculo, seu sistema de navegação e o controle de lançamento da base com uma mock-up (maquete completa do veículo com os motores descarregados) que seria criada especialmente para este fim, operação esta que viria a ser denominada de “Operação Salinas”. Ficando assim definido também que os lançamentos previstos, ou sejam, o VLS-1 XVT-01, o XVT-02 e o tão esperado VO4, seriam realizados nos segundos semestres de 2012, 2013 e 2014 respectivamente.

Vale dizer que naquele momento a comitiva do DCTA na realidade estava estabelecendo junto aos representantes do governo um plano de ação e objetivos bastante factíveis, mas a sua realização dependeria do apoio incondicional do governo ainda em curso e do novo governo vindouro (naquela época já se acreditava que esta debiloide seria eleita) não só na questão da liberação de recursos financeiros contínuos e necessários neste período, mas também e principalmente numa logística que permitisse agilizar os processos contratuais junto as empresas participantes do projeto, isto devido a uma legislação completamente inadequada existente para o setor. Era um claro recado do DCTA para os dois governos de que apesar de tudo não havia mais empecilho tecnológico que não pudesse ser resolvido pelos pesquisadores do IAE e pelas empresas participantes do projeto, e que estava na hora do Governo deixar as promessas de lado e se decidir se queria ou não um verdadeiro programa espacial.

Como se esperava infelizmente em janeiro de 2011 esta caricatura de presidentA desmiolada e irresponsável (para não dizer coisa pior) assumia o poder em Brasília e dava início a um boicote não só ao Projeto do VLS-1, bem como em todo programa espacial do país, além de dar sustentação ao desastroso Acordo Espacial com a Ucrânia, um resquício de ordem política dos oito anos de governo de seu mentor humorista.

Diante deste boicote financeiro e dos esperados atrasos causados por esta legislação estúpida (fora evidente o tempo necessário para o desenvolvimento dos protótipos pelas empresas contratadas) a tal operação simulada que havia sido prevista para ser realizada em 2011 (Operação Salinas – veja o vídeo abaixo) acabou sendo somente realizada entre junho e julho de 2012 e mesmo assim de forma incompleta, já que tanto as redes elétricas do veículo (contratada com atraso junto à empresa MECTRON para o primeiro voo tecnológico do veículo, ou seja, o VLS-1 VSISNAV) quanto o “SISNAV - Sistema de Navegação”, não ficaram prontos para a operação, obrigando então o instituto estabelecer uma nova operação simulada que foi recentemente denominada de “Operação Santa Bárbara I”, e que se espera seja realizada ainda este ano, esperança esta não compartilhada pelo Blog.

 

Vale dizer leitor que em nossa opinião a “Operação Salinas” foi somente realizada nestas condições por existir ainda no IAE pessoas preocupadas em mostrar resultados para Sociedade Brasileira, apesar das dificuldades herculanas (acreditem) que esses pesquisadores e gestores tem de enfrentar em seu dia-a-dia desde o governo do ex-presidente Fernando Collor de Mello. De lá para cá a situação só fez degradar-se chegando agora a uma realidade insustentável e gerando um ambiente de tantas incertezas quanto ao futuro do Programa, que a desmotivação se instalou consistentemente em todos os laboratórios dos órgãos responsáveis pela execução do PEB como um todo, e evidentemente não sendo diferente no IAE.

É preciso dizer que num universo sem compromisso como o vivido diariamente por esses profissionais do IAE e do INPE, onde quem deveria estabelecer uma política de estado condizente com o setor, demandas espaciais governamentais contínuas, desafiadoras e mobilizadoras para o desenvolvimento de nossas empresas espaciais, condições operacionais em recursos humanos e de infraestrutura física adequada, estabelecimento de uma legislação ágil para o setor e principalmente a cobrança por resultados, ou seja, parar com a conversa fiada e partir para ação, na verdade não o faz e jamais o fará enquanto esta cultura política populista continuar existindo no país, e isto por um simples fato, ou seja, Programa Espacial num país de povo ignorante não gera voto. Diante disto é natural que distorções comportamentais ou de decisões de gestão às vezes estranhas para aqueles que ainda estão motivados apareçam em todos os órgãos de execução e de gestão. Afinal, onde não existe comando, vira baderna, e todo mundo passa a se virar como pode e de acordo com os seus interesses, atrasando assim ainda mais as atividades do programa. Em resumo, não há como conduzir objetivos concretos e factiveis num universo com este.

A verdade leitor é que diferentemente das teorias mirabolantes que vez ou outra aparece na mídia, é que desde o governo do ex-presidente Fernando Collor de Mello, ou seja, a partir do segundo governo civil após a ditadura militar, jamais houve o interesse de realmente transformar o PEB num programa estratégico e prioritário, isto é conversa fiada, pois se assim fosse desde aquela época o mesmo já teria sido transformado num Programa de Estado e não mais de Governo como é até hoje. Fazer promessas, dizer que vai fazer e acontecer é a postura de pessoas que não tem o menor compromisso com o que dizem, e isto leitor é infelizmente a cultura política dos energúmenos que há décadas militam os bastidores políticos de nossa obscura e corrupta capital federal. Portanto a situação atual do PEB como a do VLS-1 é fruto desta falta de interesse político, sendo as distorções que vem surgindo nos órgãos gestores (segundo denuncias que chegam ao Blog) o resultado desta falta de compromisso para com o programa, mas de fácil solução desde que haja este compromisso do governo. Vale lembrar que um bom exemplo disto, ou seja, de que quando existe compromisso (mesmo na esfera pública) as coisas acontecem, foi dado recentemente pelo próprio Governo da “Ogra”, quando foi estabelecido o lançamento do CBERS-4 um ano após o desastre com o CBERS-3 (coisa que o vale lembrar o Blog na acreditava). Para tanto a “Ogra” deu a ordem, o MPOG repassou ao MCTI os recursos em tempo, o MCTI criou as condições logísticas e legais necessárias para o INPE, e num esforço admirável dos pesquisares do instituto o objetivo foi alcançado até mesmo antes do prazo de um ano.

Programa Espacial leitor não diferente de qualquer outro, se faz com seriedade, com planejamento, com presença do governo em todas as suas áreas, seja na Área Legislativa (criando leis e procedimento legais ágeis e adequados), seja na Área Financeira (provendo o programa com os recursos necessários), seja na Área Educativa (estabelecendo políticas que incentivem a formação de novos profissionais), seja na de Área de Planejamento (estabelecendo demandas continuas que estimulem o desenvolvimento das indústrias do setor), seja na Área de Gestão (cobrando por resultados). É assim em qualquer lugar do mundo onde o programa espacial é conduzido com seriedade e nos Estados Unidos, por exemplo, onde se encontra a maior Agência Espacial de mundo, a NASA, o diretor da mesma, o ex-astronauta Charles Bolden, dispõem de duas linhas telefônicas diretas que são utilizadas pelo menos duas vezes por semana, sendo uma com o Presidente OBAMA e sua acessória e outra com o parlamentar presidente da bancada que defende os interesses da NASA junto ao Congresso Americano. Daí sem tem a ideia da importância que a Sociedade Americana e seus Políticos dão a questão espacial em seu país, e isto, não acontece por acaso.

Finalizando leitor, neste momento toda a Comunidade Espacial Brasileira vive a expectativa de que a tal operação simulada, ou seja, a “Operação Santa Barbara I”, seja realmente realizada ainda em 2015 (numa previsão extremamente otimista na visão do Blog) e que a “Operação Santa Barbara II” (a mesma que qualificará em voo as redes elétricas do veículo, o próprio SISNAV, bem como toda parte baixa do VLS-1 composta pelos dois primeiros estágios), possa ocorrer em realmente em 2016, para que assim outros projetos de veículos lançadores previstos pelo instituto (VLS-Alfa e Beta), que dependem da qualificação de todos esses subsistemas e equipamentos, possam então avançar significamente e assim finalizar definitivamente o Projeto do VLS-1. Pelos menos este (na visão do Blog) parece ser o caminho que o instituto adotará nos próximos anos. Em resumo, para um melhor entendimento do leitor, pelo que parece não serão mais realizados os voos previstos do VLS-1 XVT-02 e também do VLS-1 V04, e todos os esforços dos pesquisadores do instituto serão agora concentrados da realização deste voo do SISNAV e no desenvolvimento do VLM-1. Bom leitor, foi cansativo, mais está ai a verdade sobre o Projeto VLS-1 e por tabela sobre o Programa Espacial Brasileiro, o resto e conversa fiada e estórias contadas por gente que não entende do assunto, ou por pessoas que tentam desinformar a população e assim colher frutos políticos ou pessoais do caos.

Duda Falcão
 
Via: http://brazilianspac...o-do-vls-1.html



#2 jambock

jambock
  • Membro Honorário
  • 23,457 posts

Posted 02 de November de 2016 - 17:45

Prezado RodrigoRS

Parabéns pela apresentação de tão interessante e esclarecedor texto sobre o VLS-1

1045m3o.jpg

 

2hs7xva.jpg



#3 jambock

jambock
  • Membro Honorário
  • 23,457 posts

Posted 29 de December de 2016 - 18:29

Meus prezados
EDITORIAL - O Fim do VLS
34190_resize_620_380_true_false_null.jpg
S-1 V02, em 1999. Por falha, estruído em voo.

O Fim do VLS

Há quase um ano, no dia 29 de fevereiro 2016, a direção do Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), do DCTA, reuniu os funcionários no auditório do ITA. A pauta era variada, mas o ponto principal foi o “Fim do VLS”.

Na ocasião, o Cel. Antonio H. Blanco Ribeiro realizou uma apresentação sobre a atual situação do VLS e propostas de novos lançadores, sondas e Veículo Lançador de Microssatélites (VLM).

O então Chefe Interino do IAE, Cel Blanco iniciou a palestra com as palavras de que “era o momento de colocar o coração de lado”. A introdução deixou clara a proposta: o fim do projeto VLS.

Não foi mencionado, mas o VLS morreu pelas causas:
- Falta de recursos financeiros;
- A perda de 21 técnicos no acidente, em 2003, e grande perda com aposentadorias não repostas;
- Mesmo com a revisão pela Rússia de todo o projeto VLS, as incertezas permaneciam;
- O conflito sideral entre: AEB x INPE x FAB (IAE) x MCTI (agora MCTIC), e,
- O impasse no desenvolvimento do Sistema Inercial de Navegação (SISNAV) denominado VSISNAV.

A questão do VSISNAV é recorrente em outros Projetos Estratégicos de Defesa que dependem de componentes de alta tecnologia e conhecimento acumulado.

E também um ponto que ficou claro, a escada tecnológica e o crescimento em complexidade das família de foguetes de sondagem desenvolvidos com sucesso pelo IAE (Sonda 1,2, 3, 4 e VS-40) e pulo tecnológico com desenvolvimento do VLS, em muitos pontos foi no vácuo, a distância entre o Veículo Suborbital VS-40 e o Veículo Lançador de Satélites (VLS).

A proposta oferecida era a construção do de uma escala de complexidade tecnológica com VS-43, VS-50 e VLM.

O primeiro deles, o VS-43 seria um veículo simples, com subsistemas menores e com dimensão mais próxima da parte alta do VLS (aproveitando o grande estoque de material do VLS). Desta maneira, conseguiriam um voo mais rápido do que o desenvolvimento do VSISNAV.

Entre as missões do VS-43, de microgravidade e reentrada da atmosfera, o foguete também faria ensaio e voo do VSISNAV (sistema de navegação de foguetes em desenvolvimento no DCTA), ensaio de eventos para satelização e preparação para o VS-50 e VLM.

O VS-50 teria dois estágios e seu principal objetivo seria o desenvolvimento do motor. Com o VS-43 e o VS-50, poderiam realizar diferentes combinações de montagens de motores e estágios, abrindo o leque de possibilidades para o VLM.

Para os lançamentos, a Torre Móvel de Lançamento (TMI) em Alcântara poderia ser utilizada, tanto porque os novos lançadores seriam de dimensões próximas ao VLS, como pela TMI ter sido projetada para ajustes de alturas nas plataformas, visando novos modelos de lançadores.

Mas o gosto amargo ficou na boca. O fim da Missão Espacial Completa Brasileira (MECB), programa criado na década de 1980 com vistas a dotar o país dos meios necessários para se colocar um satélite nacional em órbita da Terra, utilizando-se um foguete também fabricado no país, a partir de uma base de lançamento situada no território nacional.

Gosto mais amargo para a comunidade técnico-científica brasileira que muitos trabalharam toda a sua vida no VLS e MECB, e para os familiares que tiveram seus entes queridos mortos no acidente do VLS V03.

Nem curadas as feridas do fim do VLS, abrem-se desafios enormes. O desenvolvimento do motor S50 impõe metas gigantescas para o IAE e IFI e em especial para a empresa AVIBRAS.

Esta terá que mostrar um real planejamento e vontade em ações diretivas para adquirir um novo patamar tecnológico necessários para o motor S50. Um investimento pesado em capacitação. E ao IAE e IFI a coragem de ser o real indutor destas tecnologias na Base Industrial de Defesa e Espaço. Ao Comando da Aeronáutica o apoio aos seus comandados.

A todos os envolvidos e presentes, na alegre assinatura no dia 22 DEZ 2016, deverão ser cobrados pelo desenvolvimento do S50. A comunidade Espacial Brasileira e o Brasil acompanharão este último sopro de vida dos anseios brasileiros no Espaço.
34189_resize_620_380_true_false_null.jpg
A alegre assinatura de contrato da industrialização do Motor S-50. Liderados pelo , o diretor do Instituto de Aeronáutica e Espaço,IAE, Brig. Eng. Augusto Luiz de Castro Otero  e o Eng. João Brasil Carvalho Leite, presidente da AVIBRAS. Foto – IAE
Fonte: Defesanet 29 DEZ 2016



#4 RodrigoRS

RodrigoRS
  • Usuários
  • 235 posts

Posted 30 de December de 2016 - 17:57

Depois de muita lenga-lenga, depois de muita grana desviada (Mectron = Odebrecht), depois de muito descaso dos parasitas republicanos que ocuparam/ocupam os cargos comissionados da AEB...

 

...o projeto VLS-1 está finalmente morto e enterrado!

 

Descanse em paz foguetinho. :cry:



#5 Landing

Landing
  • Usuários
  • 11,629 posts

Posted 01 de January de 2017 - 08:00

mais um exemplo da incapacidade chamada governo brasileiro



#6 raverbashing

raverbashing
  • Usuários
  • 2,646 posts

Posted 01 de January de 2017 - 10:04

mais um exemplo da incapacidade chamada governo brasileiro


Se fosse estádio de futebol já estaríamos na Lua, mas já viu

Enquanto isso até a Índia chegou a Marte.