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Os voos limpos decolam


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#1 jambock

jambock
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Posted 30 de August de 2015 - 10:58

Meus prezados
Os voos limpos decolam
Empresas Aéreas buscam reduzir a emissão de gazes do efeito estufa e estimulam o desenvolvimento de combustíveis menos agressivos à natureza. o Brasil tem potencial para ser um dos líderes na fabricação do bioquerosene.

ÀS 12h42 de 23 de outubro de 2013, o Boeing 737-800 da Gol partiu de Congonhas, em São Paulo, com destino a Brasília. Quando compraram seus bilhetes, os passageiros não imaginavam que participariam de um momento histórico.*
Pela primeira vez, acontecia um voo comercial no Brasil em uma aeronave abastecida por Bioquerosene. Simbólica, aquela viagem de 1.176km representou a decolagem do país rumo a um céu mais verde, livre dos malefícios dos gases de efeito estufa.
Se, em terra firme, parece evidente a necessidade de buscar substitutos ao combustível baseado em petróleo, essa também é uma preocupação de quem opera nas alturas. Em termos percentuais, as emissões de CO2 da aviação não parecem tão expressivas: 2% do total de dióxido de carbono proveniente de atividades humanas.

Contudo, no mundo inteiro, esse mercado está em expansão, com projeções de aumento de 3% no impacto ambiental até 2030. No Brasil, 9,2 milhões de passageiros voaram pelas companhias nacionais em julho, um crescimento de 11,52% em relação ao mesmo período do ano passado, de acordo com a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear). O consumo de combustível de aviação foi de 7 milhões de metros cúbicos em 2011.
A avaliação do setor é que não há alternativa, a não ser investir na substituição gradual do querosene de aviação, de origem fóssil, por fontes alternativas, 2 menos poluentes. “Essa é uma preocupação que começou ainda na Rio 92”, recorda Pedro Scorza, diretor de Biocombustíveis de Aviação da União Brasileira do Biodiesel e Bioquerosene (Ubrabio) e assessor técnico para combustíveis renováveis da Gol. Quatro anos depois do evento carioca, o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas das Nações Unidas (IPCC) publicou as primeiras diretrizes para a Quantificação das emissões da aviação civil, embora sem fazer recomendações sobre metas de redução. Há expectatIvas de que agora, na Conferência do Clima de Paris, a COP 21, a importância da adoção dos combustíveis sustentáveis volte a agenda de debates.
Ao longo dos últimos anos, a discussão a respeito da necessidade de as companhias aéreas procurarem meios de mitigar a pegada de carbono foi incentivada pela Organização da Aviação Civil Internacional (Icao), agência da ONU que regulamenta o setor, e pela Associação Internacional de Transportes Aéreos (lata), organização que representa 256 companhias de 117 países, incluindo o Brasil. “As empresas aéreas fizeram seu dever de casa e pensaram em como poderiam fazer a mitigação”, afirma Scorza.
Metas
A solução encontrada baseou-se em um tripé de metas voluntárias, tendo 2005 como referência: melhorar a efl- ciência energética em 1,5% até 2020, estabilizar as emissões de carbono nesse mesmo ano e reduzi-las em 50% até 2050. Para isso, as companhias terão de apostar na mistura do querosene tradicional ao biocombustível, uma prática que, para o Brasil, que instituiu em 1975 o Proálcool, não chega a ser novidade.
O programa de substituição da gasolina pelo etanol, contudo, baseava-se na cana-de-açúcar, matéria-prima que já vinha sendo explorada desde a colonização portuguesa. Hoje, apesar dos avanços científicos, ainda não há conhecimento técnico suficiente em nenhum país do mundo para a produção de combustível de aviação em escala comercial.
O que existe, por enquanto, são voos experimentais, que misturam um pequeno percentual de biocombustível ao querosene.
Para Ricardo Borges Gomide, coordenador-geral de Desenvolvimento da Produção e do Mercado de Combustíveis Renováveis do Ministério de Minas e Energia (MME), as metas da lata são audaciosas. “Uma coisa é a vontade da indústria de aviação em reduzir emissões de carbono; outra é a disponibilidade efetiva de recursos para isso”, observa.
“Particularmente, do ponto de Vista de matérias-primas, inexiste hoje, no Brasil e no mundo, produção e oferta de camelina, pinhão-manso e babaçu em quantidade compatível com o compromisso da indústria mundial da aviação”, diz. Gomide destaca que, para resolver o problema das emissões do setor aéreo, é preciso uma forte expansão da agroindústria.
“ Se, por um lado, isso é um desafio, por outro, é uma oportunidade para o Brasil. Temos terras agricultáveis, vocação agrícola e uma experiência muito positiva com outros biocombustíveis, como etanol e biodiesel”, ressalta.
Até agora, nos voos experimentais ao redor do mundo, já foram utilizadas diversas matérias-primas: óleo de cozinha reciclado (caso do voo da Gol em 2013), camelina, pinhão-manso, macaúba, coco e babaçu, por exemplo. Há muitas outras fontes promissoras, como microalgas e até lixo - a americana United anunciou, em julho, um acordo de US$ 30 milhões com a Fulcrurn BioEnergy, da Califórnia, para desenvolver 180 milhões de galões de um biocombustível feito da gordura extraída de resíduos domésticos.
“Existem inúmeras espécies com potencial para serem matéria-prima de um monte de coisa: para química verde, para novos materiais, para biocombustíveis... Mas elas precisam ser trabalhadas e estarem com todo um pacote tecnológico associado para que, de fato, possam ser adotadas”, observa o agrônomo Gui de Capdeville, chefe adjunto de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Agroenergia.
“Esse é o grande desafio que a indústria de aviação tem ho je. Eles sabem os caminhos, sabem quais são as culturas, mas as culturas ainda não estão preparadas para aten der a escala de demanda que virá. Estamos falando de bilhões e bilhões de litros de bioquerosene", observa.
O agrônomo, porém, não tem dúvidas do potencial do Brasil de se transformar no maior produtor mundial de  biocombustível de aviação do planeta. “Outros países, como Alemanha, Estados Unidos e Inglaterra, vêm desenvolvendo muitas pesquisas, mas a diversidade genética, a matéria-prima está aqui. Eles, mais cedo ou mais tarde, vão começar a importar da gente”, aposta. Entre as principais vantagens brasileiras está a extensa área para plantio. “O Brasil tem disponível para cultivo, seja de alimento. seja de energia, mais de 220 milhões de hectares de são área de pastagens degradadas . Podemos crescer por toda essa área, sem ter que derrubar uma única árvore nem afetar o sistema de produção que lá existe hoje”, afirma Capdeville.
Fonte:  Paloma Oliveto para Correio Braziliense via CECOMSAER 30 AGO 2015

*http://forum.contato...l +bioquerosene



#2 jambock

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Posted 06 de December de 2016 - 10:15

Meus prezados

Uso de bioquerosene na aviação será debatido na Comissão de Mudanças Climáticas

A Comissão Mista de Mudanças Climáticas promove audiência pública na quarta-feira (7), às 14h30, para debater o uso do bioquerosene em aeronaves e as mudanças climáticas.

Em setembro, o Brasil ratificou a adesão ao Acordo de Paris, documento que estabelece metas a serem adotadas pelo país com o objetivo de frear o aumento da temperatura no planeta. O senador Fernando Bezerra Coelho (PSB-PE), que propôs a audiência, lembrou que o governo se comprometeu, oficialmente, a cortar as emissões de gases do efeito estufa em 37% até 2025, e em 43% até 2030, tendo como base o ano de 2005. Segundo ele, diante desse cenário, torna-se necessário discutir as alternativas que o país dispõe para o cumprimento das metas e o bioquerosene é uma delas.

- O bioquerosene surge como uma relevante alternativa de contribuição para a diminuição das emissões de gases do efeito estufa, que tem no setor de aviação a sua principal utilização - argumentou.

O bioquerosene de aviação é derivado de biomassa renovável destinado ao consumo em aeronaves. É um combustível complementar ao querosene de origem fóssil. As principais matérias-primas com potencial para substituir o querosene de origem fóssil são, em sua maioria, obtidos a partir de óleos vegetais – como milho, soja e palma – e matérias açucaradas – como a cana-de-açúcar.

Foram convidados para a audiência pública o ministro de Minas e Energia, Fernando Coelho Filho; o diretor de Biocombustível de Aviação da União Brasileira do Biodiesel e Bioquerosene, Pedro Scorza; o diretor-presidente da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), José Ricardo Botelho de Queiroz; e o presidente da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Maurício Antônio Lopes.

Também participarão da audiência o diretor-presidente da Empresa Brasileira de Aeronáutica (Embraer), Paulo Cesar de Souza e Silva; o presidente da Associação Brasileira das Empresas Aéreas, Eduardo Sanovicz; e o presidente da Boeing América Latina e Caribe, Donna Hrinak

Fonte: portal Senado Federal via CECOMSAER 6 DEZ 2016