Jump to content


Photo

Eis um relato para contribuir com a segurança de voo: A importância do Não.


  • You cannot start a new topic
  • Please log in to reply
No replies to this topic

#1 jambock

jambock
  • Membro Honorário
  • 22,696 posts
  • Gender:Male
  • Location:Porto Alegre/RS/Brasil
  • Interests:aeronáutica, militar em geral, informática, fotografia
  • Cidade/UF/País:Porto Alegre/RS/Brasil
  • Data de Nascimento:13/10/1941

Posted 28 de July de 2017 - 10:23

Meus prezados
Quando foi preciso dizer NÃO em uma operação de salvamento
Leonardo Batista Simão
Major da Polícia Militar de Minas Gerais
Comandante de Aeronave da 3ª BRAvE – COMAVE
Esse é um relato para contribuir com a segurança de voo: A importância do Não.
Minas Gerais, Comando de Aviação do Estado (COMAVE) – Neste domingo (23/7), fomos acionados para apoiar Militares do Corpo de Bombeiros nas proximidades da cidade de Monte Azul, Norte de Minas, o famoso pico da Formosa, ponto mais alto da Serra Geral.
Algumas pessoas da cidade de Monte Azul se juntaram e foram para o conhecido pico realizar uma caminhada.
Um dos integrantes da caminhada, por ter ficado pra trás, tentou cortar caminho por um local mais íngreme e caiu de uma altura de aproximadamente 12 metros, o que resultou em TCE e em diversas escoriações.
A queda aconteceu por volta das 10:00 da manhã, equipes do SAMU e Corpo de Bombeiros de Minas Gerais conseguiram chegar ao local da queda e prestar os primeiros socorros, contudo não conseguiram remover a vitima do local.
A equipe do helicóptero Pegasus do COMAVE, acionada por volta das 14:00hs, deslocou-se para o local e lá chegando verificou que o local da queda estava a 4.500 fts, com ventos acima dos 10 kts e rajadas que atingiam os 20kts.
Tripulação treinada, equipamento apropriado, aeronave em condições, chegamos ao local da ocorrência e fizemos uma varredura e o mapeamento do local, verificou-se a altitude e vento no local. Deslocamos até a cidade de Monte Azul onde retiramos todo o peso desnecessário (fonte externa e bagagens) e montamos as amarrações necessárias ao salvamento.
Todos os elementos para efetuar a retirada da vítima do local do acidente estavam presentes, entretanto, a serra geral, com ventos fortes e os ventos orográficos não permitiram a realização do voo pairado próximo a vítima, pois a todo instante a aeronave era chacoalhada com as rajadas de ventos.
Feito contato com o acampamento base dos caminhantes, sugeriu-se que todos fossem se aproximando da vítima para retirá-la por terra, pois a chance de retirarmos com a aeronave só diminuía à medida que vento aumentava. Após a última tentativa de aproximação, já às 17:20 horas local, os tripulantes operacionais subiriam a pé para ajudar.
Durante duas horas de voo tentou-se a aproximação para o ponto de extração, sem sucesso e, após a última tentativa, os tripulantes desembarcaram e subiram para auxiliar.
Porque a narrativa tão detalhada?
Durante as duas horas que tentamos aproximar para extrair a vítima, cada detalhe era analisado, peso da aeronave, a quantidade de combustível e a melhor posição para aproximação.
Os riscos envolvidos eram muito grandes, a vítima se encontrava entre dois paredões, o que colocaria a aeronave em situação delicada no caso de uma emergência ou de extrapolar um parâmetro. Em razão das rajadas de ventos ora de baixo pra cima, ora de cima pra baixo, as pancadas eram sentidas no cíclico e sempre que uma aproximação para o pairado era realizada era necessária a arremetida.
Apesar disso a maior pressão era da própria guarnição, tínhamos tudo para conseguir realizar um belo salvamento, apesar disso a mãe natureza não concordava, pois as rajadas de vento tiraram da tripulação qualquer possibilidade de fazer uma aproximação com segurança.
A sensação de frustração foi enorme, mas a guarnição não se abateu, estávamos cientes que havíamos feito todo esforço ao alcance e dentro da segurança de voo. Entretanto, ao realizar a última tentativa de retirada e ver que não seria possível, desembarcamos os “caveiras aéreas”, Sgt Edmar e Sgt Barbosa. Com a chegada dos dois militares ao local o ânimo das pessoas que já estavam executando o salvamento por terra se elevou e a vítima foi retirada e levada ao hospital consciente, apesar do TCE e vários cortes.
Foi necessário dizer não, prudente e inserido num contexto técnico de julgamento para salvaguardar os militares e a aeronave. Uma das mais difíceis decisões que tomei nos meus 14 anos de aviação, decisão conjunta com os integrantes desta honrada guarnição.
5-IMG-20170723-WA0053.jpg
14-IMG-20170723-WA0028.jpg
Fonte: site Piloto Policial 27 JUL 2017

Curiosidade: o resgatado envolvido na bandeira brasileira. Pode?!


Edited by jambock, 28 de July de 2017 - 10:25 .

  • Bonotto likes this