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Boeing negocia compra da Embraer, diz jornal

Boeing Embraer aquisição

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#101 jambock

jambock
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Posted 10 de January de 2018 - 09:38

Meus prezados

Conheça os obstáculos para a união entre Boeing e Embraer
Sindicatos de metalúrgicos e de engenheiros de São José dos Campos vão lançar campanha contra parceria, mas especialistas afirmam que país só tem a ganhar se o negócio for fechado

São Paulo – Além das restrições decorrentes da ação de classe especial (golden share) do governo brasileiro, que tem poder de vetar o negócio, um eventual acordo entre a Boeing e a Embraer terá que enfrentar também a oposição dos trabalhadores. O Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, outras entidades de trabalhadores da região e o Sindicato dos Engenheiros de São Paulo marcaram para próxima semana o início de uma campanha nacional contra qualquer tipo de transação que represente a transferência do controle acionário da empresa brasileira para a norte-americana.

Os sindicalistas consideram que a venda da principal empresa da região pode transformar São José dos Campos (SP), em uma espécie de Detroit brasileira, a cidade americana que pediu falência em 2013 depois da crise que atingiu a indústria automobilística.

A confirmação das negociações entre as duas fabricantes de aviões, em 21 de dezembro, pegou os trabalhadores de surpresa na véspera do tradicional período de paralisação da fábrica para as festas de Natal e final de ano. Nas unidades de São José dos Campos, no Vale do Paraíba, e Gavião Peixoto, no interior paulista, que empregam mais de 25 mil trabalhadores, o clima desde o retorno ao trabalho, na quarta-feira passada, é de apreensão e preocupação com o futuro da empresa e dos empregos.

“A maioria dos funcionários vê com muita preocupação essa movimentação, porque a história das fusões tem mostrado que a empresa maior acaba destruindo a menor”, diz Herbert Claros da Silva, vice-presidente do sindicato, e mecânico ajustador da Embraer. Segundo ele, o sindicato já enviou carta ao governo federal cobrando uma posição contrária à venda da empresa à Boeing.

Na fábrica de São José dos Campos são produzidos os modelos da família 190, utilizados na aviação regional. O setor de montagem de jatos executivos ficou bem reduzido, desde que a produção dos jatos Phenom 100 e 300 foi transferida para uma nova unidade nos Estados Unidos. Na área militar, alguns componentes ainda são produzidos em São José, mas a maior parte do trabalho dos aviões militares (os modelos Tucano e o cargueiro KC-390) é realizada pelos trabalhadores da unidade de Gavião Peixoto. No total, a Embraer emprega cerca de 18 mil pessoas nas duas fábricas e escritórios do país.

CONFLITO DE INTERESSES Outro ponto que começa a surgir como um empecilho à negociação é a parceria da Embraer com a sueca Saab, que venceu a concorrência internacional para fornecer os caças do programa FX-2 do Brasil. Na época, a Boeing foi a grande derrotada na licitação, que acabou vencida pelos franceses. Agora, uma parceria entre Embraer e Boeing pode gerar um conflito de interesses, já que americanos e franceses concorrem no mercado internacional. A questão foi colocada pelo ex-ministro da Defesa e das Relações Exterior, Celso Amorim: “A Suécia concordará em passar um segredo tecnológico para uma empresa que estará coligada a uma concorrente direta dela nesta área?”, questionou em artigo ao portal GGN.

O professor da Fundação Getulio Vargas (FGV) e especialista em regulação, Cleveland Prates, não vê problemas ou conflito entre franceses e americanos. Segundo ele, a Embraer e a Saab têm um contrato que prevê uma série de situações com exigências para a possível entrada de um sócio em uma das empresas. “Não vejo problema, até porque a Boeing já sabia que a Embraer tem o contrato com a Saab”, diz Prates.

Para o especialista, ex-integrante do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), a Embraer só tem a ganhar com o negócio. A empresa brasileira, diz ele, é muito mais uma desenvolvedora de tecnologia do que propriamente uma geradora de recursos para o país. “Cerca de 70% da venda de uma aeronave equivale a insumos importados, ou seja, a Embraer desenvolve tecnologia e monta, mas para fazer isso compra componentes do resto do mundo. Mais importante que o símbolo nacional é a geração de riqueza. E se a Boeing está vindo para o Brasil para gerar riqueza e desenvolver tecnologias junto com a Embraer, só temos a ganhar com isso.”

A Embraer em números

Faturamento em 2016:
» US$ 7,1 bi

Receita por unidade de negócio
Aviação comercial 57%
Aviação executiva 18%
Defesa e segurança 15%

Participação no capital*
BNDES 15%
Brandes 10,1%
Mondrian 10,1%
BNDESPar 5,1%
BlackRock 5%
Outros 64,5%

*O governo brasileiro é dono de uma ação especial “golden share”, que lhe dá o direito de vetar qualquer negócio

Estrutura
» 18 mil funcionários
» 2 fábricas em São Paulo

Principais aviões
Militares
» Super Tucano
» KC – 390

Jatos executivos
» Phenom 100 e 300
» Legacy 500

Aviação comercial
» E195
» E195 – E2

Fonte:  Lino Rodrigues para Estado de MInas via CECOMSAER 10 JAN 2018


Edited by jambock, 10 de January de 2018 - 09:40 .


#102 jambock

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Posted 14 de January de 2018 - 17:25

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Governo federal não venderá controle da Embraer à Boeing, diz ministro
RIO DE JANEIRO (Reuters) — O ministro da Segurança Institucional, Sergio Etchegoyen, afirmou nesta sexta-feira (12) que o governo federal decidiu que não venderá o controle da Embraer à rival norte-americana Boeing, mas defendeu uma parceria entre as duas companhias.
“O governo não cederá o controle acionário da Embraer. Como vai ser a parceria, ainda não sabemos”, disse Etchegoyen a jornalistas durante evento de segurança no Rio de Janeiro.
“A essência é garantir o interesse nacional e a partir daí xenofobia não vale à pena porque de repente a gente perde o bonde da história. E pode perder uma boa oportunidade”, disse o ministro sem dar detalhes sobre as negociações.
O governo detém ‘golden share’ na Embraer que garante poder de veto em decisões estratégicas da companhia. As empresas admitiram no mês passado que estavam discutindo uma potencial combinação de negócios.
Etchegoyen defendeu que o governo deveria garantir o controle da empresa, mas abrir brecha para uma associação com a norte-americana “naquilo que nos for conveniente e sintonizado com o interesse nacional”.
Fonte: UOL via site Poder Aéreo 12 jan 2018

Já  foi o tempo em que dava para se acreditar no governo. O pessoal de Rio Grande /RS, com o Polo Naval, que o diga!  



#103 jambock

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Posted 14 de January de 2018 - 17:33

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Em reunião sobre Embraer, governo entrega lista de dúvidas à Boeing

A Boeing fez nesta sexta-feira (12) o primeiro contato oficial com o governo brasileiro acerca de sua intenção de formar algum tipo de parceria com a Embraer que envolva aquisição de ações da empresa brasileira.
Os americanos saíram da reunião com uma lista de questionamentos sobre aspectos sensíveis das negociações, como o futuro dos programas militares da Embraer. E ouviram o que já era sabido: o governo usará o seu poder de veto para evitar a perda de controle nacional da fabricante de aviões paulista.
No encontro, os americanos não expressaram detalhes da proposta que pretendem fazer. Segundo a Folha apurou, a impressão do governo foi a de que eles queriam mais ouvir do que falar.
O ministro Raul Jungmann (Defesa), acompanhado do comandante da Força Aérea, Nivaldo Rossato, e de assessores, recebeu os executivos da Boeing. Jungmann reafirmou o interesse do governo no negócio, ressaltando as ressalvas relativas a soberania.
A negociação da Boeing foi anunciada no fim de 2017, sendo vista como uma resposta de mercado à aquisição da linha de jatos regionais da canadense Bombardier por sua rival europeia Airbus. A Embraer domina o nicho, que não é atendido por produtos da Boeing. Além disso, interessa aos americanos a carteira de defesa da brasileira.
Fonte: Igor Gielow para a Folha de São Paulo via site Poder Aéreo 13 jan 2018



#104 jambock

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Posted 14 de January de 2018 - 17:46

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Futuro da Embraer é assunto de reunião de emergência entre FAB e fabricante sueco de caças
O encontro ocorreu nesta quinta-feira (11) em Brasília
O Comando da Força Aérea Brasileira (FAB) e diretores da empresa sueca Saab se reuniram em Brasília, nesta quinta-feira (11), para tratar das negociações para a compra da Embraer pela americana Boeing. Fontes ouvidas por EXPRESSO revelaram que o clima na FAB e na companhia europeia é de irritação com a empresa americana, que passaria a ter atuação no andamento do projeto FX-2.
O projeto prevê a produção de 36 caças suecos Gripen com transferência de tecnologia para o país, além de permitir ao Brasil vender as aeronaves com a nova tecnologia para outros países.
Por parte da Saab também pesam a preocupação de perder espaço nas futuras aquisições de aviões pelo governo federal e até a possibilidade de as instalações criadas para o desenvolvimento dos caças suecos no Brasil ficarem paradas após a entrega das 36 aeronaves, já que não interessaria à Boeing produzir o modelo concorrente.
GDDN (Gripen Design and Development Network) em Gavião Peixoto – SP
Fonte: Mateus Coutinho para Época/Coluna Expresso via site Poder Aéreo 13 jan 2018



#105 J.Leo

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Posted 18 de January de 2018 - 07:55

Boeing será sócia da Embraer - Governo daria aval, desde que controle continue brasileiro

 

KENNEDY ALENCAR 

A negociação entre a Boeing e a Embraer caminha para que a empresa americana se torne sócia relevante da companhia brasileira. O governo Temer já decidiu que daria aval a essa fórmula, que passaria pela compra de participação acionária da Embraer, mas sem a entrega do controle à Boeing.

 

Ou seja, haveria uma participação significativa, suficiente para justificar a influência da Boeing nos rumos da Embraer, mas sem a perda do controle brasileiro.

 

A área de defesa faria parte do pacote, apesar do interesse maior dos americanos pela tecnologia de produção de jatos médios da Embraer. Haveria ressalvas em relação a projetos militares já em andamento entre a Embraer e outras empresas.

 

Esse é o formato que contaria com o apoio do presidente Michel Temer.



#106 Sandro

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Posted 18 de January de 2018 - 10:12

Boeing será sócia da Embraer - Governo daria aval, desde que controle continue brasileiro

 

KENNEDY ALENCAR 

A negociação entre a Boeing e a Embraer caminha para que a empresa americana se torne sócia relevante da companhia brasileira. O governo Temer já decidiu que daria aval a essa fórmula, que passaria pela compra de participação acionária da Embraer, mas sem a entrega do controle à Boeing.

 

Ou seja, haveria uma participação significativa, suficiente para justificar a influência da Boeing nos rumos da Embraer, mas sem a perda do controle brasileiro.

 

A área de defesa faria parte do pacote, apesar do interesse maior dos americanos pela tecnologia de produção de jatos médios da Embraer. Haveria ressalvas em relação a projetos militares já em andamento entre a Embraer e outras empresas.

 

Esse é o formato que contaria com o apoio do presidente Michel Temer.

Tipo, a Tam nao foi comprada pela Lan...


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#107 Seahawk

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Posted 18 de January de 2018 - 15:59

Bobagem essa discussão sobre controle. A Embraer é uma empresa privada que teve após privatização diversas mudanças na estrutura societária, inclusive com sócios estrenageiros com participação relevante no bloco de controle. O que a Boeing pode oferecer como sócia vai além do que um fundo de private equity aporta, vem junto tecnologia, mercado, etc. O interesse é um sinal positivo, não uma ameaça. O que ameaça a Embraer é a fuga de talentos, devido às condições do país, é a burocracia fiscal, é o ambiente de negócios a cada dia mais tóxico para as nossas empresas. Se a questão é realmente de soberania, deveríamos fazer algo para que as nossas empresas sejam competitivas, que tenham um ambiente político econômico que permita o acesso a capital com custo adequado, que tenham código trabalhista e fiscal que não comprometa nem entrave o investimento, que a pais tenha uma orçamento para defesa da para investir em equipamentos, e em pesquisa e desenvolvimento. Se não tiver nada disso vamos continuar assistindo a fuga de talentos e não há nada que comprometa mais a soberania do que isso, e a capacidade de crescer e inovar do que falta de gente. O resto é bobagem.
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#108 jambock

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Posted 18 de January de 2018 - 20:17

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Por que o risco para Embraer é ficar só no mercado
Há pelo menos quatro modelos em estudo para a Embraer se unir à Boeing sem descontentar o governo. O que não dá é para a empresa brasileira virar as costaselos em estudo para a Embraer se unir à Boeing sem descontentar o governo. O que não dá é para a empresa brasileira virar as costas

Maria Luíza Filgueiras e Gian Kojikovski
Há negócios que mudam não só o destino das empresas envolvidas mas também a dinâmica de todo um setor. Foi o que aconteceu no dia 16 de outubro, quando foi selado o futuro das quatro maiores fabricantes de aviões do planeta. Nessa data, a gigante francesa Airbus anunciou a compra do controle da divisão de aeronaves comerciais da canadense Bombardier.

A transação criou uma empresa definida no mercado como “pacote completo”, capaz de fornecer aviões que vão de 100 a 525 assentos. Duas outras empresas concorrentes foram indiretamente afetadas: a americana Boeing, que fabrica aviões a partir de 150 assentos, e a brasileira Embraer, que lidera o segmento de aeronaves para 37 a 130 pessoas. No mesmo dia, analistas e consultores perguntavam-se como e quando viria uma reação. Essa hora chegou.
Embraer e Boeing começaram a discutir uma possível combinação de seus negócios há pouco mais de dois meses — e querem chegar a uma decisão até fevereiro. A Embraer é a maior exportadora de produtos manufaturados do Brasil, com mais de 6 bilhões de dólares anuais em vendas e 18 000 funcionários. Vale 15 bilhões de reais na bolsa.

A Boeing é a maior fabricante de aviões do mundo, com 95 bilhões de dólares em receitas, 140 000 funcionários e valor de mercado de 200 bilhões de dólares. As duas empresas se aproximaram com uma série de parcerias nos últimos anos, que vão de desenvolvimento de pesquisa a estratégias de vendas — a Boeing é, por exemplo, parceira na comercialização e responsável pelo suporte operacional do KC390, cargueiro militar desenvolvido e fabricado pela Embraer. EXAME- apurou que as empresas estudam pelo menos cinco estruturas de associação — quatro podem passar no crivo do governo brasileiro.
Uma das alternativas seria fazer uma cisão das divisões da Embraer em comercial, executivo e defesa, e negociar cada uma separadamente. Assim, a Embraer poderia, por exemplo, vender o controle da família de aeronaves comerciais E-Jet, num modelo de transação semelhante ao feito pela concorrente Bombardier com a Airbus.

Outra opção seria juntar todas as áreas, inclusive a militar, numa joint venture com uma nova composição acionária intermediária entre as duas empresas. Há ainda a opção mais remota de um acordo da Boeing com o governo brasileiro para que a americana compre na bolsa até 30% das ações da Embraer, fatia que dispensaria uma oferta por 100% do negócio mas permitiria à Boeing ser a maior acionista.

A quarta alternativa seria a transformação da Embraer numa holding sem o controle das subsidiárias, modelo já utilizado em outros setores — como a empresa de corretagem de seguros BB Seguridade, que é controlada pelo Banco do Brasil, mas tem sob seu guarda-chuva empresas de controle privado.

E a última opção seria uma hoje improvável aquisição da Embraer pela Boeing. “Qualquer associação que preserve os conhecimentos de cada uma e mantenha as culturas corporativas separadas será ótima, pois os produtos são complementares. A compra não é o melhor negócio”, diz Richard Aboulafia, sócio da consultoria americana Teal Group, especializada em aeronáutica.
O maior empecilho para uma aquisição vem mesmo do governo brasileiro. A Embraer é uma empresa com capital pulverizado em bolsa, da qual a União não tem ações diretas (o BNDESPar detém 5% do capital). Na prática, já está nas mãos de estrangeiros, pois quase 85% de suas ações são detidas por investidores internacionais.

Mas a União tem uma goldenshare, ação especial criada na época das privatizações para que o governo tivesse poder de veto em temas como mudança de controle acionário. Nesse caso, a decisão, em última instância, cabe ao presidente da República. Em dezembro, o governo ainda não tinha sido notificado sobre a transação, já que não houve proposta formal, mas achou por bem se adiantar quando algumas informações se tornaram públicas. EXAME apurou que o Planalto começou a organizar um comitê com três ministérios — Defesa, Fazenda e Segurança Institucional.

A Força Aérea Brasileira também participa do debate, mas dentro do Ministério da Defesa, comandado por Raul Jungmann. Em janeiro, a Boeing teve reuniões em Brasília e a Embraer tentou acalmar as emotivas reações imediatas. O governo americano fica fora das conversas.
Bonde da história
Há uma resistência ferrenha no governo em vender a Embraer, mas é consenso que fazer negócio com a Boeing pode ser crucial para o futuro da empresa. “A aquisição da totalidade da Embraer está fora de questão. Não é apenas discurso”, diz um alto funcionário do Ministério da Defesa.

Ao mesmo tempo, no Gabinete de Segurança Institucional, a avaliação é que uma aversão a grupos internacionais pode fazer a Embraer “perder o bonde da história”.Para viabilizar o negócio, EXAME apurou que a Embraer tem dito ao governo que qualquer transação considera que ela continuará sendo brasileira e manterá a marca, os empregos e as fábricas.

Boeing e Embraer também preparam uma lista de exemplos de parcerias que deram certo preservando a soberania dos governos locais na área militar. Na lista estão as estruturas da Boeing na Austrália e na Inglaterra, onde a empresa criou subsidiárias de defesa para assegurar empregos e facilitar o relacionamento com os ministérios de Defesa.
Para a Boeing, juntar-se à Embraer seria um contra-ataque certeiro aos avanços da Airbus. A empresa americana tem um projeto para uma aeronave média, chamada de 797, que ganharia velocidade com a engenharia e a tecnologia da Embraer. Com a consolidação global de fornecedores, a empresa entende que ser mais verticalizada será uma vantagem — a Embraer fabrica, por exemplo, trem de pouso, o que não faz parte da produção da Boeing.

A empresa brasileira, por sua vez, se beneficiaria em diversas frentes. “Sozinha, a Embraer vai cair no ocaso em dez anos”, diz Francisco Lyra, diretor da consultoria de aviação C-Fly. Seu volume de encomendas tem sido fonte de preocupação dos analistas.

Em 2017, bancos como Santander e Bradesco passaram a recomendar a venda das ações, diante de um cenário mais desafiador de competição e rentabilidade. Se não concluir o negócio com os brasileiros, a Boeing poderá decidir crescer sozinha no segmento médio ou fechar parceria com outra empresa.

Nas contas do Bradesco, essa possibilidade tiraria 30% do valor das ações da Embraer. Com a expectativa do negócio com a Boeing, as ações da empresa dispararam mais de 20% nas bolsas brasileira e americana desde dezembro.
Dentro da Embraer, uma operação com a Boeing é considerada a chance de uma terceira onda de crescimento da companhia. A primeira foi logo após sua criação em 1969; a segunda veio com a privatização em 1994. O negócio poderia fazer a empresa ganhar fôlego em todas as áreas de negócio em que atua.
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Na defesa, traria recursos extras e influência diplomática. No segmento comercial, a parceria colocaria a Embraer à mesa de grandes negociações em salões internacionais. “Na aviação, não é necessariamente o melhor produto que ganha”, diz Shailon Ian, presidente da consultoria Vinci Aeronáutica. Escala, preço, manutenção, reposição de peças, tudo isso entra na negociação.

A empresa aérea brasileira Azul é um exemplo do risco à frente. Ela é compradora no país de aviões de médio porte da Embraer, mas, como começou a fazer rotas comerciais mais longas, adquiriu recentemente jatos da Airbus. “É bem razoá-vel pensar que, na próxima rodada de negociações, a Azul poderá fechar um pacote completo com a Airbus e a Bombardier”, diz um conselheiro da Azul (questionada, a empresa diz que está satisfeita com seus atuais parceiros).

Com a Boeing, a Embraer poderia também usar os centros de serviço dos americanos para fazer a manutenção das aeronaves, o que permitiria a venda para países que hoje estão fora de seu radar.
Empresas que dependem do próprio caixa, como a Embraer, já vêm encontrando dificuldade competitiva num mercado cada vez mais influenciado por governos. A Bombardier, uma empresa privada, foi turbinada com 3 bilhões de dólares do governo canadense — um financiamento questionado pelo Brasil na Organização Mundial do Comércio. Grande parte das inovações que chegam aos jatos comerciais é desenvolvida no setor de defesa, também financiado por grandes contratos com governos.

Estatais da China e da Rússia são os exemplos mais recentes. Somente em 2017 o orçamento chinês para a defesa foi de 150 bilhões de dólares. Fabricantes estatais do país uniram-se para lançar um jato para 160 pessoas e finalizaram o projeto de um avião para 70 a 105 passageiros, o nicho da Embraer. A China ainda está trabalhando com a Rússia no desenvolvimento de um avião maior, para 250 pessoas, segmento da Boeing e da Airbus.

A estimativa é que a China demandará 6 800 aviões até 2035 (mais de 1 trilhão de dólares em compras). Perder esse mercado afetará qualquer empresa.
Pela pressão de clientes e fornecedores, a Embraer e a Boeing dizem ao governo brasileiro que a discussão deve ser rápida. A empresa, investidores, analistas e até o governo concordam que esse negócio precisa sair — só falta saber como.
Fonte: revista EXAME via site Defesanet 18 jan 2018



#109 jambock

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Posted 20 de January de 2018 - 12:04

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Boeing propõe até US$ 6 bilhões pela Embraer e ‘golden share’ mantida, diz Reuters

SÃO PAULO – A Boeing está estudando como superar as condições dos militares brasileiros para conseguir chegar a um acordo com a Embraer (EMBR3), disse a agência de notícias Reuters nesta quinta-feira (18). Diante disso, a empresa americana estaria disposta a manter a “golden share” do governo brasileiro e ainda garantiria salvaguardas aos programas de defesa do Brasil, disseram quatro fontes.
A companhia foi obrigada a voltar a fazer um novo planejamento depois que as autoridades brasileiras recusaram na semana passada a ideia de transformar a Embraer em uma subsidiária, como a Boeing opera na Austrália e Reino Unido, segundo a Reuters.
“A Boeing veio para comprar a Embraer, não para uma parceria ou uma joint venture que estaríamos dispostos, mas para assumir o controle da empresa. Isso foi rejeitado”, disse uma das fontes, que é funcionário do governo. “A Boeing que volte com uma nova proposta”, completou.
Ainda segundo uma fonte da agência de notícias, a proposta da Boeing precificaria a Embraer em algo entre US$ 5 bilhões e US$ 6 bilhões. Atualmente, a companhia brasileira tem um valor de mercado de cerca de US$ 4,7 bilhões, o que coloca o “prêmio” sobre o preço atual entre 6,5% e 28%, considerando o piso e o teto proposto pela americana.
Por outro lado, há preocupações em Brasília de que, no fim, Washington tenha poder de decisão sobre os programas brasileiros de defesa. A empresa norte-americana estaria disposta a preservar a “golden share” do governo brasileiro na Embraer, disseram as pessoas familiarizadas com o assunto, mas isso pode não ser suficiente para ganhar apoio para a prosposta.
Fonte: InfoMoney via site Poder Aéreo 19 jan 2018



#110 Seahawk

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Posted 20 de January de 2018 - 21:17

A dívida líquida brasileira, a vinculação de receitas as despesas constitucionais impõe restrição orçamenaria as Forças Armadas tal já é uma vitória manter a estrutura atual funcionando como todos sabem. Isso sim representa risco a soberania. Essa discussão sobre Golden share é uma piada. Quais programas estariam em risco? Upgrade dos F5/AMX? KC-390? Aliás o que repreeenta risco maior a Boeing ou orçamento das Forças Armadas comprarem as aeronaves?

#111 jambock

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Posted 31 de January de 2018 - 22:53

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PT - Aciona PGR contra possível transferência da EMBRAER para a BOEING
O líder do PT na Câmara, deputado Paulo Pimenta (RS), e o deputado Nelson Pellegrino (PT-BA) protocolaram nesta terça-feira (30), representação na Procuradoria-Geral da República (PGR) solicitando providências ao Ministério Público Federal para impedir, ou ainda, anular uma possível operação de transferência do controle acionário da Empresa Brasileira de Aeronáutica (EMBRAER) para a empresa norte-americana BOEING.

Segundo notícias veiculadas pela imprensa nas últimas semanas, a empresa de aviação estadunidense tem manifestado interesse na compra de ações para controlar a EMBRAER.

Os petistas sustentam que uma possível transação iria contrariar um acerto realizado na ocasião do processo de desestatização da empresa, quando ficou acordado que o controle acionário da empresa não poderia ser transferido para grupos estrangeiros. Pimenta e Pellegrino observam que, além de vários investidores privados (nacionais e estrangeiros) a União – via o Comando da Aeronáutica  –  também participa do controle acionário da empresa, e por isso tem poder de vetar a transação.

A maior preocupação do líder do PT e de Nelson Pellegrino – expressa na representação – é com os prejuízos ao País se houver essa possível transação, principalmente em relação aos danos à soberania e à segurança nacional. Eles lembram que a EMBRAER também possuiu uma unidade que fabrica produtos militares.

Sobre esse tema específico, os parlamentares observam que a Constituição Federal estabelece a competência exclusiva da União (Art. 21, VI) para autorizar e fiscalizar a produção e comércio de material bélico no país. Sendo assim, ressaltam os deputados, “o domínio dessas questões estratégicas militares, de que tem acesso a EMBRAER, deve ser mantido exclusivamente pelas nossas forças armadas, o que reforça a potencialidade lesiva do acordo anunciado”.

Os parlamentares também afirmam na ação que a possível negociação do controle acionário da Embraer pode até mesmo “afetar o fornecimento dos caças Gripen comprados pela Força Aérea Brasileira em 2014, após um longo processo que visa a reequipar e fortalecer a defesa aérea brasileira”. Pimenta e Pelegrino observam que essa foi uma decisão do Estado Brasileiro “e não pode ser vulnerada por mudanças negociais de conveniência, de modo a privilegiar interesses privados em detrimento do interesse público do país”.

Pedido – Diante da ameaça aos interesses estratégicos do País, o líder do PT e o deputado Nelson Pellegrino pedem na ação endereçada à Procuradora-Geral da República, Raquel Dodge, a abertura de Inquérito Civil Público para apurar a legalidade da operação de transferência do controle acionário da EMBRAER, “observando a legislação que fundamentou o processo de privatização da empresa e os acordos firmados à época com os controladores nacionais e a União”.

Também faz parte do documento a solicitação ao Ministério Público Federal para propor cautelarmente, mediante Ação Civil Pública, “a anulação de eventuais acordos lesivos ao interesse nacional”. Por fim, a representação solicita ainda que a PGR ouça o Ministério da Defesa, o Comando da Aeronáutica, a Advocacia-Geral da União, a Procuradoria da Fazenda Nacional, o Tribunal de Contas da União e o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) sobre as operações em curso.
Fonte: Defesanet 30 jan 2018



#112 raverbashing

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Posted 01 de February de 2018 - 04:22

Quais programas estariam em risco? Upgrade dos F5/AMX? KC-390? Aliás o que repreeenta risco maior a Boeing ou orçamento das Forças Armadas comprarem as aeronaves?


Gripen. Pois a Saab não vai querer transferir tecnologia para sua concorrente direta, a Boeing

Ou o Brasil pode acabar comprando um KC-390 feito em SJC mas "capado" por limitações de exportação de tecnologia

Recomendo esse vídeo aqui, postado pelo colega Jambock em outro tópico

Edited by raverbashing, 01 de February de 2018 - 04:23 .

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#113 jambock

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Posted 10 de February de 2018 - 08:50

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Boeing e Embraer traçam um rumo
Empresas avançam nas negociações sobre fusão e parceria. Em um ambiente de mercado positivo para a brasileira, a dúvida é como fica a área de defesa no acordo

Boeing e Embraer estão, oficialmente, negociando um acordo para unir as operações das duas companhias – e, a julgar pelos recentes acontecimentos, esta união está cada vez mais próxima. As duas empresas afirmam que as tratativas, conduzidas desde o ano passado, ainda não resultaram em nenhum fato concreto. “A Embraer não aceitou e tampouco recebeu proposta da Boeing”, afirmou a empresa brasileira, em fato relevante enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), órgão que regula o mercado de capitais no País. O motivo da manifestação está no fato de que começam a vazar as primeiras informações sobre como está se configurando o acordo, que deve envolver a formação de uma nova companhia.

A Embraer já teria aceitado um modelo de parceira, segundo o jornal O Globo. Uma terceira empresa seria criada, englobando as operações comerciais de ambas as fabricantes. Procuradas, Embraer e Boeing negaram a informação. Essa nova companhia, que não inclui as operações militares da Embraer, ficaria sob controle da Boeing, com até 90% de participação. O acordo envolveria, ainda, um investimento de US$ 6 bilhões dos americanos na empresa brasileira. Hoje, o valor de mercado da Embraer é de um pouco menos de US$ 5 bilhões.

As tratativas acontecem em um contexto em que as duas empresas comemoram bons resultados. Em janeiro, a Boeing divulgou que produziu um total de 763 aeronaves em 2017, o maior volume da história da companhia. A expectativa é de que sua receita no ano passado alcance até US$ 98 bilhões. Ao mesmo tempo, a maior fabricante de aviões do mundo anunciou que deve aumentar seus investimentos, graças à reforma tributária aprovada pelo presidente americano Donald Trump, que reduziu a carga tributária para pessoas jurídicas de 35% para 21% – no caso da Boeing, a carga tributária efetiva caiu para 16%. Segundo Dennis Muilenburg, CEO da companhia, esses recursos devem ser utilizados, primordialmente, em projetos de inovação.

Essa é uma boa notícia para a empresa brasileira, que bateu a meta de entregas de aeronaves no ano passado. A Embraer entregou um total de 210 aviões, sendo 101 jatos comerciais e 109 jatos executivos. Ao final de dezembro passado, a carteira de pedidos da companhia somava US$ 18,3 bilhões. Mas é no desenvolvimento de novas aeronaves que a brasileira tem mais a ganhar com a parceria. “Embraer e Boeing podem fazer coisas ainda mais grandiosas juntas e gerar muita riqueza para o Brasil”, afirmou Paulo Kakinoff, presidente da Gol Linhas Aéreas, ao programa MOEDA FORTE na TV DINHEIRO. Isso porque suas atuais famílias de jatos já completaram seu ciclo de desenvolvimento e possuem uma boa demanda garantida para o futuro.

Um estudo da Federal Aviation Administration (FAA), entidade que regulamenta o mercado de aviação nos EUA, aponta que praticamente toda a frota de aviões regionais no país será substituída nos próximos 20 anos por jatos com capacidade entre 70 e 90 lugares. “Especialmente da família E2 (da Embraer), a partir de 2020”, diz o documento. Essas aeronaves, mais modernas, substituirão a frota de aviões turboélice e de jatos menores, de até 50 lugares. O que ainda não está claro é se a Boeing, de fato, deixará a área de defesa da Embraer de fora do acordo. Esse parece ser o ponto mais delicado para o governo brasileiro, que tem o poder de vetar o negócio graças a uma “golden share”.

“Nosso problema é que, se o controle passa para um terceiro país, as nossas decisões ficam subordinadas àquele país, por exemplo, ao Congresso americano”, afirmou o ministro da Defesa, Raul Jungmann. “Se o Congresso americano amanhã decidir que não é de seu interesse o desenvolvimento de um reator nuclear ou o ciclo completo nuclear que a Marinha faz, se ele tem o controle da Embraer, isso está rompido.” Ao mesmo tempo, Jungmann disse que o governo “torce” para que as duas empresas cheguem a um acordo e pediu, em encontro com executivos da Boeing, para que eles sejam “criativos”.

Enquanto a solução não é encontrada, a Embraer segue negociando seus aviões militares. Na semana passada, a empresa anunciou a assinatura de uma carta de intenções para a venda de até seis cargueiros KC-390. O cliente em questão é a SkyTech, uma empresa luso-australiana que fornece serviços para o setor militar – curiosamente, ela opera uma frota de aviões da Airbus, maior concorrente da Boeing. Criada há pouco mais de um ano, a SkyTech é fruto de uma parceria entre a portuguesa HiFly e a australiana Adagold Aviation. As duas já operavam conjuntamente em um contrato com as Forças Armadas da Austrália, país que é o maior cliente da sueca Saab, que tem uma parceria com a Embraer no desenvolvimento da versão brasileira do caça Gripen. Nesse mercado, opções de sinergia não faltam. Mas, como diz a sabedoria popular, o diabo mora nos detalhes. Num acordo desse tipo, é preciso cautela e paciência.

Fonte: Rodrigo Caetano para revista IstoÉ Dinheiro via CECOMSAER 10 FEV 2018



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Posted 22 de February de 2018 - 18:18

Meus prezados
Fusão entre Boeing e Embraer é fundamental neste exato momento para ambas as empresas
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REVISTA FORÇA AÉREA
Editorial

A tão propagada fusão entre Boeing e Embraer, é fundamental neste exato momento para ambas as empresas. O planeta é o tabuleiro do eterno jogo de xadrez do mercado aeroespacial e este movimento é desejoso, crucial talvez, para ambos.
Explico.
A empresa de Chicago e o governo norte-americano deflagraram a crise ao apertar a Bombardier, impondo à ela 300% de taxas se quisesse vender aeronaves à Delta Airlines e, por tabela, o governo canadense na eterna questão dos subsídios governamentais àquela empresa – uma perene reclamação da Embraer mas que migrara para a Boeing à medida em que o tráfego aéreo aumentou, fazendo com que as aeronaves regionais encostassem cada vez mais nas áreas de atuação das gigantes Boeing e Airbus.
No Canadá de Justin Trudeau, questões nacionais são tratadas com entusiasmo, principalmente se identificadas desvantagens à província de Quebec, coincidentemente onde se encontra a maior parte da Bombardier. A pressão acabou levando à absorção pela Airbus da linha da Série C de 100-150 lugares, um segmento que deve demandar cerca de 6.000 novos aviões nos próximos 20 anos. No papel a Airbus terá 50,01% da linha, mas na realidade o controle será total sobre os aviões comerciais da Bombardier.
De repente, a Boeing se viu diante do fortalecimento de sua maior rival e sem um produto para enfrentá-la. Qualquer desenvolvimento de uma aeronave nova levaria tempo demais e o único avião que garantiria à empresa norte-americana uma rápida resposta no quesito time-to-market era o esperado E-2 da Embraer, considerado o melhor avião de sua classe antes mesmo de entrar em serviço.
Além disto, desenvolver e fabricar aviões no Brasil é mais barato do que montá-los no primeiro mundo, e isto é uma vantagem competitiva. Assim, o que já vinha se configurando há alguns anos para aqueles que ousavam olhar para a frente de forma analítica, se torna emergencial, hoje, para a Boeing.
No caso da Embraer, a joint venture Airbus-Bombardier também a coloca em situação difícil. Se para a gigante americana, enfrentar o novo conglomerado é essencial, para a empresa brasileira, cujo grosso da venda vem da aviação regional, e que vinha, assim como sua rival canadense, evitando invadir o mercado dos dois gigantes, o futuro se torna muito complicado. Os cachorros grandes finalmente chegaram à briga. Estima um dos mais capazes especialistas do mercado aeroespacial brasileiro que neste cenário a Embraer sentirá os efeitos de sua limitada posição neste novo desenho de mercado, no máximo, nos próximos três ou quatro anos, o que resultaria no início de uma queda acentuada de market share. Um outro efeito muito interessante e positivo da associação da Embraer com a Boeing é a possibilidade de a empresa brasileira participar do desenvolvimento da família de aviões que sucederá a linha 737. As equipes de engenharia da Boeing voltadas à área de aviação comercial estão se aposentando ou concentrando em aviões maiores. Assim, diante deste cenário, a associação em discussão deve se consolidar em curto espaço de tempo.
Mas existe um problema.
O braço de defesa da Embraer corresponde hoje a não mais do que 20% do faturamento total da empresa. É uma área crítica para a manutenção da soberania do país no mercado aeroespacial do futuro, porque é a que diz respeito à sua aptidão de desenvolver suas próprias soluções, uma situação da qual o Brasil não abre mão desde o início dos anos 50, quando compreendeu que uma dependência em relação à indústria de Estados hegemônicos não permitiria jamais uma capacidade de defesa e dissuasão real e efetiva.
Por mais que tenha se destacado ao capitanear produtos bem pensados e desenvolvidos, a verdade é que a área militar da empresa nunca foi uma campeã de vendas, esbarrando na concorrência de gigantes do setor e na pequena projeção geopolítica do país naquele campo. Uma associação com a maior empresa aeroespacial do planeta poderá trazer um crescimento na exportação de produtos de defesa não estratégicos, abrindo caminho também para uma elevação de nível da força de trabalho brasileira.Assim, quando o governo brasileiro diz que “...não se examina” a transferência do controle da empresa para o capital estrangeiro, não está inviabilizando o negócio.

Na verdade, a Embraer já pertence em sua maior parte ao capital estrangeiro de forma pulverizada, uma vez que a maioria de suas ações está em bolsa. O que o governo detém e deve defender, é o controle sobre as decisões que recaem sobre os programas de defesa estratégicos para o país.

Programas estes, que, até aqui foram salvaguardados desde a privatização da Embraer pelos representantes apontados pelo governo brasileiro no Conselho de Administração da empresa e pelas sucessivas levas de executivos e diretores quase que exclusivamente brasileiros comprometidos com a soberania do país.
É importante que, desde já, fique muito claro que muito mais importante do que a empresa, é a capacidade industrial aeroespacial brasileira e o discernimento que foi adquirido por todos os seus integrantes ao longo dos anos, desde que o Marechal-do-Ar Casimiro Montenegro teve que pousar em pane nos pastos de São José dos Campos, o que acabou resultando no CTA, no ITA e, posteriormente, na própria Embraer.
Entre todos os programas de defesa atualmente sendo levados a cabo pela Empresa Brasileira de Aeronáutica, o mais importante, de longe para a Força Aérea é o do caça F-39 Gripen, um projeto que, diga-se de passagem, não era o mais popular para a companhia. Há quem diga que ela preferia o F/A-18, da Boeing num possível prelúdio a ações futuras, ou ao menos uma predisposição de quem já então queria ser vendido.
Mas a verdade é que, assim como o avião leve de ataque A-29, e o cargueiro KC-390, a mola mestra que impulsiona estes programas não é a indústria, mas a Força Aérea Brasileira, que vem gerenciando cada um deles de perto, vislumbrando a indústria como meio de supri-la de vetores necessários ao cumprimento de seus objetivos estratégicos e suas missões e não como um fim em si.
Inteligentemente, a Força Aérea dividiu o programa entre diversos polos de tecnologia visando evitar a concentração do aprendizado e assim abrindo caminho para um futuro no qual novas soluções terão que ser adequadas às suas necessidades operacionais. Por exemplo; o desenvolvimento da estrutura do avião se concentra na empresa Akaer, a aviônica é desenvolvida na AEL, em Porto Alegre, a logística e manutenção dos motores e sistemas já possuem solução. E mesmo a montagem final, o programa de ensaio e a homologação da aeronave hoje previstos para as dependências da Embraer em Gavião Peixoto poderiam alternativamente ser feitos em São José dos Campos.
O item estratégico mais importante para o país no que diz respeito ao Programa Gripen reside no domínio do desenvolvimento e manutenção de todo o software e a integração de sistemas da aeronave. É este o fator que irá possibilitar uma visão de raios X sobre cada faceta do programa e isto afeta não só a aeronave, seus sensores e armamento no estado atual, mas, talvez até mais importante, a sua capacidade de crescimento futuro.

Para abrigar estas atividades foi criado, em Gavião Peixoto, o Gripen Design Development Network (GDDN). É ali que será desenvolvida toda a integração de sistemas, sensores e armas da aeronave. Integrada diretamente às redes computacionais da Saab, na Suécia, esta rede será responsável por adquirir e gerir o grosso da tecnologia transferida daquele país para o Brasil ao longo do programa, elevando o nível tecnológico da Força Aérea bem como da indústria como um todo.

Dificilmente uma empresa que disputa o mercado mundial de aeronaves de combate irá abrir seus segredos e procedimentos para outra, controlada por um concorrente. Aprendemos isto durante os programas AMX, A-29, F-5M e A-1M. Sentimos isto de perto no Brasil durante a discussão dos famosos “códigos-fonte” cujas informações e segredos alguns fabricantes não estavam dispostos a passar durante a concorrência do programa F-X2.

O GDDN poderia também, no futuro, servir como base para o desenvolvimento de novos produtos de maior interesse comercial para a controladora da nova empresa, mas não necessariamente para a Força Aérea Brasileira.
Portanto, segregar as atividades do GDDN transferindo-o hierárquica, lógica e fisicamente para o Departamento de Ciência e Tecnologia da Aeronáutica (DCTA) parece ser uma decisão estratégica fundamental e uma solução de custo baixo, se comparada com a dimensão e o potencial do negócio em pauta.

A Embraer seria evidentemente mantida no programa com grande carga de trabalho, inclusive com participação no GDDN, mas sem, no entanto, colocar em risco questões relativas à segurança nacional.
É importante que o país não se deixe levar no futuro por ofertas comerciais capazes de afetar o Programa Gripen e assim atrapalhar os objetivos da FAB, que são os de construir sua defesa aérea de agora e das próximas décadas sob a égide da eficiente dissuasão, operando nas mais diversas áreas da guerra aérea com seu bem planejado e provisionado vetor.

Ao longo do ciclo de vida de três a quatro décadas em que o F-39 operará na FAB, serão necessárias novas capacidades ainda não cobertas pelo atual contrato de desenvolvimento e fornecimento. Ocorrerão inúmeras atualizações de software e a integração de novos equipamentos e capacidades, bem como novos avanços tecnológicos hoje sequer vislumbrados.
A associação atualmente na mesa tem tudo para andar muito rapidamente nas próximas semanas, e seu fulcro ainda não é o Programa Gripen. Mas se a necessária segregação dos pontos focais do programa não for endereçada imediatamente, ele logo entrará num imbróglio que tem tudo para se tornar um pântano comercial e político. E se terá jogado fora o mais bem desenhado programa de defesa jamais montado no país.
Fonte: Revista Força Aérea via site Defesanet 20 FEV 2018



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Posted 25 de February de 2018 - 16:18

Boeing to have 51 percent stake in venture with Embraer: paper

 

BRASILIA (Reuters) - Boeing Co (BA.N) will have a 51 percent stake in a joint company currently being negotiated with Brazilian aircraft maker Embraer (EMBR3.SA), O Globo newspaper columnist Lauro Jardim reported on Sunday.Boeing has agreed to a Brazilian government demand that the U.S. company have no more than a 51 percent controlling share, Jardim said, without citing sources.

Embraer said it would not comment on the matter. Boeing did not respond to a request for comment.

Boeing has sought Brazilian government approval of the partnership with Embraer that would create a new company focused on commercial aviation, excluding Embraer’s defense unit, Reuters reported three weeks ago.

The Valor Economico newspaper later reported that Boeing’s proposal would give it an 80 percent to 90 percent stake in a new commercial jet business with Embraer.

Embraer is the world’s third largest planemaker and the leader in the 70-seat to 130-seat regional jet market.

With the proposed tie-up Boeing would be the market leader in the smaller passenger jet market, creating stiffer competition for the CSeries aircraft program designed by Canada’s Bombardier Inc (BBDb.TO) and backed by European rival Airbus SE (AIR.PA).

Boeing’s initial plan to buy Embraer was rejected by the Brazilian government because it did not want a foreign company to control its defense unit for strategic security reasons.

The government maintains a so-called golden share in Embraer, a former state enterprise, that gives it veto power over strategic decisions, including Boeing’s push for a tie-up.

On Thursday Brazilian Defense Minister Raul Jungmann told reporters that Boeing had understood Brazil’s refusal to give up control of Embraer. He said negotiations on the creation of a third company were advancing well.

 

Reporting by Anthony Boadle; Editing by Jeffrey Benkoe

 



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Posted 26 de February de 2018 - 03:14

Boeing to have 51 percent stake in venture with Embraer: paper

 

BRASILIA (Reuters) - Boeing Co (BA.N) will have a 51 percent stake in a joint company currently being negotiated with Brazilian aircraft maker Embraer (EMBR3.SA), O Globo newspaper columnist Lauro Jardim [...]

 

Parei de ler no Lauro Jardim...



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Posted 02 de March de 2018 - 10:41

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Embraer afunda na Bolsa com ministro contra parceria com a Boeing
Segundo o jornal, o general Joaquim Silva e Luna é contra a criação da joint venture entre a Boeing e Embraer
Por Karla Mamona
São Paulo – As ações da Embraer ampliaram queda na tarde desta quarta-feira. Os papéis registravam perdas de 5,87%, sendo negociadas na casa dos 21 reais.
Uma nota publicada pela coluna do Lauro Jardim, no jornal O Globo, afirma que o novo ministro da Defesa, general Joaquim Silva e Luna, é contra a criação da joint venture entre a Boeing e Embraer.
Segundo o jornal, em reuniões das quais participou sobre o tema, como representante do ministério da Defesa, nunca deixou qualquer margem à dúvida sobre sua posição.
Parceia entre Boeing e Embraer
Ontem, o secretário de comunicação da Presidência, Marcio de Freitas afirmou à Reuters que Michel Temer está avaliando se apóia uma proposta de criação de uma empresa conjunta de aviação comercial entre Boeing e Embraer e que ainda não existe uma definição do governo sobre a parceria das empresas.
O governo se opôs a uma aquisição da Embraer pela Boeing e uma nova proposta envolve a criação de uma terceira empresa que inclui a unidade de aviação comercial da Embraer, excluindo sua unidade de defesa.
“O Ministério da Defesa recebeu e reportou ao presidente. Mas ainda há avaliação sobre a proposta e ainda restam dúvidas sobre o tema”, finalizou Freitas.
Fonte: Exame via site Poder Aéreo 28 FEV 2018



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Posted 02 de March de 2018 - 12:36

É o fim da picada o palpite de um general se sobrepor ao interesse dos acionistas das empresa.

 

A Embraer não terá condições de seguir sozinha. Russia, China e Japão estão chegando com seus concorrentes. Com a "união" Airbus/Bombardier, é melhor se juntar a Boeing logo. Ou se juntar a Fokker e Dornier. 

 

Vejam o exemplo da Inglaterra que tinha uma industria de aviação de ponta no final da II Guerra. As empresas De Havilland, Howker, BAC, Vickers, Bristol, hoje existem dentro da BAE System. 

 

sds



#119 Landing

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Posted 02 de March de 2018 - 14:28

Por isso que sou contra militares no ministério da defesa!

Nossas forças armadas estão muito longe de ser um exemplo orçamentário e administrativo.

Não que o governo seja o exemplo para alguma coisa, mas no mundo perfeito, essa pasta deveria ser ocupada por um bom administrador que provocasse uma restruturação e reformas profundas nesse setor.



#120 A345_Leadership

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Posted 02 de March de 2018 - 17:50

A Embraer é um ativo importante em um país que se orgulha de ser exportador de matéria-prima (sic).

 

Por mais que diversificada seja, ela não responde a 10% do tamanho da Boeing. Os chineses, russos e japoneses estão entrando não para tomar o lugar da EMB e BBD, mas para protegerem seus mercados, imagina os bilhões de dólares que a Embraer pode perder em encomendas na China? E a chave será financiamento, tanto para os fabricantes quanto para os operadores.

 

Vai ser preciso ter escala. Esta realidade que Brasília não vê, fica preso no orgulho nacional inflexível, sem atualizar com a realidade. 

 

Há formas de manter empregos de altamente qualificados, contribuir para as exportações e ampliar o peso do setor aeronáutico no PIB. Imagina que a Boeing produza parte do B797 aqui, ou seus componentes? O que use a EMB para criar uma aeronave concorrente de fato com o C-Series? E eu vejo a Boeing com disposição de ceder. 







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