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Conheça como funciona um Cindacta - O controle de tráfego aéreo


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#1 jambock

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Posted 06 de February de 2019 - 10:07

Meus prezados
Conheça como funciona um Cindacta - O controle de tráfego aéreo

ACC – Controle do Cindacta 1

Em 2018 visitamos o Cindacta 1, localizado em Brasília, nas proximidades do principal aeroporto da cidade. O local é responsável por um dos maiores tráfegos de aeronaves do Brasil, gerenciado pelo ACC, e também por um centro de aproximação para a cidade, o chamado APP. Além disso, o Cindacta 1 é um importante centro para a integração de meteorologia e dados de tráfego aéreo.
O ACC é sempre responsável por uma grande área de monitoramento, pois nessa região há o monitoramento das aeronaves que estão em rota, ou seja, em voo estabilizado.
No caso do Cindacta 1, essa área de monitoramento é uma das mais movimentadas do Brasil, já que há um controle de boa parte do tráfego entre São Paulo, Minas Gerais, Goiás e Distrito Federal, se alongando até boa parte do Norte e Centro-Oeste, como Mato Grosso.
Vamos facilitar sua vida, o mapa abaixo detalha essa cobertura do Cindacta 1, e também de outros locais. Vale lembrar que temos no total 5 cindactas no país, mais o controle do Atlântico.
Mapa_FIR.jpg
Sistema e computadores
O sistema que a Força Aérea Brasileira usa em todos os computadores desse centro de controle é o SAGITARIO, um software de desenvolvimento nacional, e que aprimorou as capacidades
A imagem abaixo representa boa parte dos equipamentos disponíveis para os controladores trabalharem.

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O principal, e de maior destaque inicialmente, é a tela, que tem tecnologia touchscreen e uma alta resolução, permitindo mostrar todos os detalhes das várias aeronaves. O sistema é bem ágil, e mostra conflitos de planos de voo, altitudes idênticas para aeronaves em direções contrárias, aviões sem plano de voo e até mesmo a rota da aeronave, se essa função for selecionada.
Um monitor lateral serve para a comunicação em rádio do controlador, ele também é touchscreen e pode ser comandado facilmente pelo controlador para alterar a forma de comunicação.
Uma segunda tela mostra os voos em curso, os previstos e até qual setor cada controlador está trabalhando, possibilitando uma rápida transferência.
Além disso, uma impressora de etiquetas e telefones estão disponíveis para o repasse de informações.
Todo esse arranjo sempre está presente de forma duplicada, que é chamado de console. Nesse local até dois controladores podem trabalhar ao mesmo tempo, de uma forma que explicaremos abaixo.
Divisão interna de trabalho
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A área coberta é tão grande que dentro do Cindacta eles dividem essa área em vários setores e regiões, separando-as cada em consoles específicas, que são utilizadas quase fixamente. Por exemplo, os setores 18 e 19, no Cindacta I, geralmente ficam lado a lado no mapa, e também no Cindacta.
Esse arranjo só é alterado caso haja uma maior demanda, e o setor sob alta requisição começa a se dividir em vários. Mesmo assim a organização do espaço se mantém, dificilmente você verá o setor 18 extra longe do setor 19, por exemplo. Vale ressaltar que um setor por ter um ou dois controladores, depende da demanda.
Um exemplo, o setor 18 pode trabalhar somente com um controlador na console, mas se precisar abrir um extra devido ao número de voos, a mesma console passa a ter 2 controladores. Cada controlador deve cuidar de 7 a 8 aeronaves simultaneamente, no máximo, em uma conversa com o militares do Cindacta conseguimos obter a informação que um setor pode ter até 13 a 15 aeronaves, durante um horário de pico.
Você deve perguntar agora como eles coordenam isso internamente, é simples, através de um sistema de comunicação interna e de etiquetas, que são repassadas para outra console.
Dessa forma é simples, basicamente, coordenar um voo de Brasília para São Paulo, ou de São Paulo para Manaus, mesmo que esse último exija a transferência do tráfego para outro controle. Por aqui é tudo integrado, e agiliza bastante a comunicação entre os próprios controladores, mesmo que estejam em várias partes do Brasil.
Para conferir todo o trabalho, em um plantão eles também mantém um administrador do Cindacta, uma função que foi incorporada há pouco tempo. E também há os gerentes, que fiscalizam o trabalho no local.
Redundância
Durante nossa visita os responsáveis pelo local fizeram questão de destacar a redundância para os sistemas de controle do tráfego aéreo.
Aqui o backup vai desde a transmissão das informações, até mesmo no gerenciamento de energia, para o funcionamento dos computadores.
Há vários meios de transmissão das informações entre outras unidades do Cindacta e antenas, localizadas em todo o país para uma maior abrangência, de forma a evitar certos “buracos” na comunicação.
APP – Controle de Aproximação em Brasília
O controle de aproximação cuida do tráfego que está em nível de descida para um aeroporto, ou na fase inicial de subida para o nível de cruzeiro. É uma divisão que cuida de aeronaves em rápido trânsito, e de essencial importância em muitos centros urbanos, como São Paulo, que conta com 3 aeroportos nas proximidades.
O APP tem um claro tamanho reduzido, em comparação com o próprio ACC, que fica ao lado, isso é devido ao menor tráfego que esse setor precisa cuidar, principalmente em Brasília.
Aqui o sistema é o mesmo encontrado no ACC, assim como as consoles, que são os computadores. A redundância presente é a mesma, e a comunicação com o ACC e o Setor de Meteorologia é facilitada devido ao ambiente compartilhado.
Um destaque é a capacidade do ACC Brasília ser capaz de coordenar duas aeronaves para pouso simultâneo, devido à capacidade de pista do aeroporto.
Meteorologia
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A aviação é diretamente dependente da meteorologia, por voar através da velocidade relativa do vento, por isso o avião precisa de um empuxo para ser capaz de voar em alta velocidade.
Praticamente solto no ar, e voando em alta velocidade, o avião é muito suscetível à ventos gerados pela própria atmosfera terrestre, que podem afetar drasticamente uma operação aérea crítica, como os pousos e decolagens.
Essa área é bem estruturada na FAB, lá no Cindacta 1 há um sistema integrado, com várias imagens obtidas a partir de satélites, além de outras compostas pelos radares meteorológicos espalhados pelo país.
A qualquer momento um controlador do Cindacta pode informar para o piloto uma determinada condição meteorológica em qualquer lugar do país, inclusive com previsão.
O METAR é atualizado a cada 15 minutos para os principais aeroportos do país, e a cada 1h para os demais, esse é um sistema de informação, disponível via rádio ou mensagem, que informa através de uma linguagem única como estão as condições de vento, visibilidade e temperatura do local.
Treinamento
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Rotineiramente os controladores passam por um período de treinamento, onde se deparam com situações corriqueiras ou algumas que eventualmente podem ocorrer, isso reforça o conhecimento do controlador e aprimora o serviço prestado pela FAB.
O treinamento geralmente é dividido da seguinte forma: Serviço de Controle de Área convencional, conhecer e aplicar a fraseologia para operação convencional, aplicar técnicas de sequenciamento de tráfego aéreo envolvendo aeronaves com performances diferentes, aplicar as regras e técnicas de vigilância e vetoração radar e utilizar as comunicações com as devidas prioridades diante de condições de degradação. Também estão sendo treinadas situações especiais, como suspeita de bomba a bordo, interferência ilícita, emergência, falha de comunicações e suspensão do espaço.
Divisão dos Cindactas
Mapa_FIR.jpg
Além do Cindacta I que é sediado em Brasília, existem mais três Cindactas espalhados pelo país. Cada Cindacta está voltado para regiões específicas do Brasil.
Cindacta I: Com sede em Brasília-DF, cobre a área Central do país.
Cindacta II: Com sede em Curitiba-PR, cobre a região Sul e parte do estado de São Paulo;
Cindacta III: Com sede em Recife-PE, cobre o Nordeste e uma extensa área do Oceano Atlântico;
Cindacta IV: Tem sede na capital do Amazonas, Manaus e cobre a extensa região amazônica.
Dimensão 22
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A Dimensão 22 representa uma área de 22 milhões de km2 nos quais a Força Aérea Brasileira (FAB) cumpre as missões de CONTROLAR, DEFENDER e INTEGRAR. A Dimensão 22 sintetiza a responsabilidade de atuação da FAB no cumprimento da sua missão:
Controlar:
– A FAB é responsável por controlar voos e prestar serviços de busca e salvamento em mais de 10 milhões de km², até o meridiano 10º W, sobre o Oceano Atlântico, além da área de responsabilidade da defesa aeroespacial.
– Devido a acordos internacionais, a área de abrangência do controle de tráfego aéreo alcança grande parte do Atlântico Sul. A FAB tem o compromisso de prestar serviços de Busca e Salvamento aos aviões que cruzam o oceano e o território brasileiro, além dos serviços de informação de voo e alerta.
– Por meio das torres de controle em aeródromos, Destacamentos de Controle do Espaço Aéreo e dos Centros Integrados de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo, são empregados cerca de 12 mil profissionais acompanhando rotas, prestando serviços de informações aeronáuticas e garantindo o controle do tráfego aéreo.
Defender:
– A FAB é responsável por defender o espaço aéreo que compreende os 8,5 milhões de km² de extensão de todo o território brasileiro somado ao espaço aéreo sobrejacente às águas territoriais.
– A missão de defender é realizada por meio de uma ampla estrutura de defesa aeroespacial e das aviações de Caça, Transporte, Patrulha Marítima, Reconhecimento e de Asas Rotativas. As unidades aéreas estão em alerta permanente para que nenhuma ameaça coloque em risco a segurança do País.
– Além da aviação, a instituição complementa essas atividades com ações de defesa antiaérea, contraterrorismo e de Garantia da Lei e da Ordem em todo o território nacional.
Integrar:
– Ajuda humanitária, ações de saúde, construção de pistas, transporte de órgãos, apoio aos Pelotões de Fronteira, às comunidades indígenas e às populações ribeirinhas são ações feitas com aeronaves da FAB por todo o Brasil. Pousar numa área de difícil acesso exige a habilidade dos pilotos e a competência de um grupo expressivo de militares que apoia e ampara toda essa estrutura.
– Integrar sempre fez parte da missão da FAB. Nos 8,5 milhões de km² do nosso território, militares cruzam o país para garantir que seja possível levar direitos fundamentais à população carente em áreas inóspitas, contribuindo, assim, para manter os laços que mantém a nação brasileira unificada.
Futuro
A Dimensão 22 é a consolidação da responsabilidade de atuação da FAB. Uma instituição com grande capacidade dissuasória, operacionalmente moderna, que atua de forma integrada para a defesa dos interesses nacionais, sustentada pelos pilares da Disciplina, Patriotismo, Integridade, Comprometimento e Profissionalismo.
A equipe do Portal Aeroflap gentilmente agradece a Força Aérea Brasileira e toda a equipe do Cindacta 1 pela visita.
Artigo desenvolvido conjuntamente por Pedro Viana e André Magalhães.
Fonte: Pedro Viana – portal AEROFLAP  via CECOMSAER 6 fev 2019