
Só pra complementar, um pouco da vida do Ten Cel Av. César Bombonato, o qual sou amigo do seu filho Vitor Bombonato, que hoje está na FAB tentando repetir os grandes passos de seu pai.
“O ÚLTIMO VÔO: TEN. CEL. AV. CÉSAR BOMBONATO”
Desde seu ingresso em Barbacena, o aluno César Bombonato chamava a atenção pela felicidade com que desenhava caricaturas engraçadíssimas dos companheiros de turma. Com o passar do tempo, contudo fomos percebendo que o Bombonato não era apenas um criador de caricaturas. tendo um talento ímpar para realizar desenhos que eram verdadeiras obras de arte.
Um de seus famosos desenhos foi um grande painel em comemoração ao Dia do Aviador que decorou uma parede inteira do refeitório dos alunos da EPCAr, onde foi realizado o baile comemorativo àquela data.
Outras qualidades logo percebidas forma os trabalhos realizados com fotografia e sua cultura aeronáutica. O Bombonato apreciava muito o assunto Aviação Militar e, em conseqüência , lia muitos artigos sobre a matéria, destacando-se entre nós o seu vasto conhecimento na área da História da Aviação Militar.
Desde os tempos de aluno já possuía um bom conhecimento de língua inglesa, o que lhe facilitava ainda mais obter informação acerca dos assuntos que eram de sua preferência. Como fotógrafo criou belíssimas obras, captando com verdadeira alma de artista imagens que a oportunidade de vôo lhe oferecia. Muitas de suas fotos e desenhos foram reverenciados como estampas em camisetas de Esquadrões da F.A.B., ou como quadros, e até mesmo com “bolachas”, sendo o maio exemplo a do 1º/16º Gav. Esquadrão Adelfi, sua última unidade, onde veio a falecer.
Como cadete, o Bombonato foi um daqueles destaques: passou por todo o período de instrução de vôo sem jamais receber qualquer conceito deficiente ( ficha ROSA par os íntimos), o que foi uma das maiores provas de sua habilidade como piloto. O mesmo aconteceu no CATRE, onde foi selecionado para Aviacão de Caça, tendo posteriormente prosseguido para o 1º/4º Gav, em Fortaleza. Nesta Unidade, ao final de dois anos, foi declarado Líder de Esquadrilha de Caça, e por lá permaneceu com instrutor. Foi em Fortaleza que conheceu sua esposa, D. Solange, com quem se casou e teve dois filhos, Vitor e Artur.
De Fortaleza, Bombonato seguiu para Canoas, onde veio a voar o F-5 no 1º/14º Gav, Esquadrão Pampa. Nesta Unidade teve a chance de criar uma das seções pioneiras de Guerra Eletrônica em Esquadrões de Caça da F.A.B. O curso de especialização realizado na França aumentou ainda mais sua cultura aeronáutica, agora sobre um assunto em que começávamos a nos aprofundar
Suas qualidades levaram-no a ser escolhido para compor o time das equipagens fundadoras do Esquadrão Adelfi, o 1º/16º Gav., primeira Unidade a operar o A-1, cuja “bolacha”, com já dissemos, foi desenhada pelo próprio Bombonato.
Em novembro de 93 surgiu-lhe a chance de ser Observador Militar na Força de Proteção das Nações Unidas, missão de paz na ex-Iugoslávia, onde mais uma vez nosso amigo veio a ter destaque entre seus pares. A missão possuía uma duração prevista de um ano e, ao final de seis meses, o Bombonato recebeu a função de Observador militar Senior, o que lhe dava a chefia sobre todos os Observadores de seu setor. Vale ressaltar que tal função exigia que fossem selecionados para executá-la, oficiais que tivessem desempenho destacado em liderança, em uso de recursos materiais e pessoais, domínio da língua inglesa, entre outros atributos.
Foi-lhe confiada a chefia do setor BHAC, enclave muçulmano cercado pelas forças sérvias, dentro da Bósnia Herzegovina, uma das regiões de maior atividade bélica dentro de todo aquele contexto.
A atividade bélica era de tal ordem que, ao final de um ano de missão, o Bombonato foi impedido de abandonar o seu setor, ficando todo o pessoal da ONU ali alocado, refém das forças sérvias, sendo então vividas várias experiências dramáticas, não só pela ameaça das armas, como também pela escassez de suprimentos de toda ordem, que não podiam se repostos. Houve fome, falta de remédios, feridos e doentes eram operados sem anestesia, e foi neste ambiente que nosso amigo teve, por motivo de força maior, que estender sua missão por quase dois meses, tendo merecido a Force’s Commanders Comendation , uma menção especial do Comando daquela missão.
Após retornar ao Brasil, o mérito deste seu feito foi mais uma vez reconhecido pela condecoração da Ordem do Rio Branco , a qual recebeu das mãos do próprio Presidente da República.
Serviu então no COMGAR, fez a ECEMAR e foi designado para comandar o Esquadrão ADELFI.
O Bombonato tinha a honra de comandar a primeira Unidade da F.A.B. a participar do exercício RED FLAG, manobra realizada nos Estados Unidos, onde é criado um ambiente de guerra aérea muito próximo da realidade.
Seu falecimento gerou uma imensa quantidade de manifestações escritas por amigos, conhecidos e autoridades. Dentre estas manifestações, uma que talvez possa melhor sintetizar o sentimento de todos nós, foi enviada pelo Exmo. Sr. Chefe do Estado Maior da Aeronáutica, Ten.Brig. Ronald Jaeckel, com as seguintes palavras:
“A CAÇA PERDEU UM PRÍCIPE DOS ARES ,
AS BELAS ARTES PERDERAM UM ARTISTA.
EU, INFELIZMENTE, PERDI UM AMIGO.”
( contribuição de Antônio Donizeti Sávio – Ten.Cel. Av. – GSB da BASC)