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Aeroporto histórico de Berlim será fechado este ano


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#1 Tabbex

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Postado 24 de maio de 2008 - 13:57

Sábado, 24 de maio de 2008, 11h54 Atualizada às 11h53

Aeroporto histórico de Berlim será fechado este ano

Michael Kimmelman



Ocasionalmente é possível ler uma cidade por meio de um marco cultural. O aeroporto de Tempelhof é o livro aberto de Berlim. Às vésperas do aniversário da histórica ponte aérea liderada pelos Estados Unidos para manter abastecida a capital alemã cercada pelos soviéticos, o prefeito da cidade está mantendo os planos de fechar o aeroporto antes do final do ano.

É triste. Uma campanha de último minuto pelos adversários políticos do prefeito para salvar o lugar, apesar de uma vitória em referendo realizado no mês passado, não contou com a participação de berlinenses em número suficiente para oficializar o resultado.

Uma grande feira aérea internacional que acontecerá aqui dentro de alguns dias celebrará o aniversário da ponte aérea - mas não em Tempelhof.

O evento será realizado no aeroporto de Schönefeld, cuja expansão iminente é a causa do fechamento de Tempelhof. No passado, um campo de paradas militares prussianas e o local no qual Orville Wright demonstrou aos alemães suas máquinas voadoras, Tempelhof, "a mãe de todos os arquitetos", nas palavras do arquiteto Norman Foster, foi um dos primeiros aeroportos comerciais do mundo.

Nos anos 30, o aeroporto Ernst Sagebiel comandou sua expansão sob as ordens de Adolf Hitler, e projetou o que era então o maior edifício da Europa, um portal triunfal de entrada para a nova Germânia, bem no coração de Berlim.

E lá o aeroporto continua, a apenas 15 minutos de táxi da Porta de Brandemburgo, adormecido ao sol da primavera, o mais belo exemplo de arquitetura berlinense daquela era a sobreviver à guerra.

Um espaço amplo, iluminado e surpreendentemente acolhedor, o terminal principal atende agora a apenas cerca de uma dúzia de vôos regionais ao dia; trata-se de uma gloriosa cápsula do tempo para a era da metade do século, com janelas altas, uma placa em néon datando dos anos 50 anunciando um restaurante que já não funciona e um punhado de funcionários sonolentos reclinados sobre suas mesas, olhando para o vazio ou folheando jornais.

No silêncio ensurdecedor, era possível em uma manhã recente ouvir o ruído das patas de um cachorro nos reluzentes assoalhos de linóleo. Um morador idoso das redondezas estava levando seu cachorro a passear no terminal vazio.

Fotos em branco e preto afixadas à parede mostram Gary Cooper e Erroll Flynn desembarcando e acenando para os fotógrafos. O funcionário de uma locadora de automóveis, na ausência de clientes, estava recostado em posição de cochilo, no seu balcão.

A maior parte do imenso edifício, que se estende por quarteirões, está vazia, agora. Diz-se que o limbo em que Tempelhof vive custa US$ 15 milhões ao ano à cidade (US$ 185 milhões nos últimos 10 anos).

Dada a péssima reputação de que os Estados Unidos desfrutam hoje em dia na Alemanha, o aeroporto prefere relembrar dias mais alegres. Em 26 de junho de 1948, em resposta ao bloqueio pelos soviéticos das vias terrestres de acesso à cidade, aviões de transporte C-47 começaram a desembarcar milhões de toneladas de alimentos, carvão e outros suprimentos, em uma operação para a qual Tempelhof servia de pólo.

Em seu momento de maior atividade, a ponte aérea operava um pouso a cada 90 segundos em Berlim Ocidental, e ao longo do caminho os pilotos lançavam pacotes de doces para as crianças da cidade com a ajuda de pára-quedas feitos com lenços.

Com o tempo, Berlim Oriental e Berlim Ocidental desenvolveram aeroportos separados. Além de Tempelhof, Berlim Ocidental passou a contar com Tegel, no setor então ocupado pelos franceses.

Com a reunificação da Alemanha, foi decidido que Tegel e Tempelhof seriam desativados, e que o tráfego aéreo da cidade seria consolidado em um único local, Schönefeld.

O edifício principal de Tempelhof será preservado para algum uso que ainda não foi determinado - um museu, escritórios (bem indefinido, à típica maneira berlinense).

A meta seria atrair mais vôos intercontinentais e fazer da cidade um destino mais atraente parta as empresas. Os dois principais partidos políticos alemães, os Democratas Cristãos, conservadores, e os Sociais Democratas, aprovaram a idéia.

E então começaram os atrasos - como as coisas costumam acontecer por aqui. Berlim é uma cidade verdadeiramente gloriosa, e sempre uma bagunça. Está falida e sofre de falta de população.

Grandes empresas como a Sony, a Samsung e a Mercedes, atraídas a se instalar na cidade depois da reunificação por subsídios cujo objetivo era estimular os negócios, aproveitaram as vantagens oferecidas e depois abandonaram a nova capital.

Não existe um plano urbanístico digno de uma grande capital, em parte devido a antigas rivalidades que continuam a fervilhar. Anos atrás, as autoridades decidiram demolir o Palácio da República, um imenso edifício de bronze e vidro erigido nos anos 70 no centro da velha Berlim Oriental.

Os berlinenses ocidentais consideram horroroso o prédio, que abrigava o Legislativo da extinta Alemanha Oriental. Já os berlinenses orientais o recordavam com afeto, porque os teatros, restaurantes e pistas de boliche que oferecia eram o local que lhes permitia escapar ao tédio da vida sob o comunismo.

Quanto a Tempelhof, o popular prefeito da cidade, Klaus Wowereit, comandou a campanha pelo fechamento imediato, sem esperar pela expansão de Schönefeld.

Isso explica, em parte, porque seus oponentes conservadores na política municipal decidiram reverter o curso e combater o fechamento. Eles procuraram o apoio dos berlinenses ocidentais nostálgicos e também obtiveram a adesão do grupo jornalístico Springer, uma empresa afeiçoada às causas conservadoras.

A chanceler primeira-ministra Angela Merkel é outra das oponentes do fechamento. E a posição desfavorável dos Estados Unidos junto aos alemães também influencia o debate de maneira sutil.

Mas, ao longo de todo o processo, nenhum dos dois lados ofereceu um plano concreto quanto ao que fazer com Tempelhof, quer seja fechado, quer continue em funcionamento.

Tradução: Paulo Migliacci ME
The New York Times
fonte> http://noticias.terra.com.br/mundo/interna...o+este+ano.html


#2 A345_Leadership

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Postado 24 de maio de 2008 - 16:45

É uma pena que estão fazendo com Tempolhof, mantem-se apenas para vôos de curta duração e executivos, não podem fechar este prédio!

Espero que Berlim consiga renascer terceira vez (primeira no pós-guerra e segunda na reunificação). É uma cidade com áreas interessantíssimas (Tiergarten, torre de TV, Brandenburg e região de Potsdamer Platz, onde fica a sede de várias empresas como Sony e Mercedes), tanto que alguns chamam a cidade de "Paris alemã".

Abs

#3 Electra

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Postado 24 de maio de 2008 - 17:32

QUOTE(Tabbex @ May 24 2008, 01:57 PM) <{POST_SNAPBACK}>
Nos anos 30, o aeroporto Ernst Sagebiel comandou sua expansão...
O aeroporto Ernst Sagebiel?!?! uhm.gif Não seria o arquiteto, o engenheiro ou coisa assim?
QUOTE(Tabbex @ May 24 2008, 01:57 PM) <{POST_SNAPBACK}>
(bem indefinido, à típica maneira berlinense)... E então começaram os atrasos - como as coisas costumam acontecer por aqui. Berlim é uma cidade verdadeiramente gloriosa, e sempre uma bagunça. Está falida e sofre de falta de população... Não existe um plano urbanístico digno de uma grande capital, em parte devido a antigas rivalidades que continuam a fervilhar.
unsure.gif Não sabia que a capital da Alemanha tinha uma fama e uma realidade bem diferente da própria Alemanha.
QUOTE(Tabbex @ May 24 2008, 01:57 PM) <{POST_SNAPBACK}>
E a posição desfavorável dos Estados Unidos junto aos alemães também influencia o debate de maneira sutil.
De que modo? Contra ou a favor do fechamento?
QUOTE(Tabbex @ May 24 2008, 01:57 PM) <{POST_SNAPBACK}>
Mas, ao longo de todo o processo, nenhum dos dois lados ofereceu um plano concreto quanto ao que fazer com Tempelhof, quer seja fechado, quer continue em funcionamento.
Isso é que é pior! Se não plano concreto para o que fazer, com ou sem fechamento, como discutir o fechamento?

Editado por Electra, 24 de maio de 2008 - 17:33 .


#4 C010T3

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Postado 24 de maio de 2008 - 18:15

QUOTE(Electra @ May 24 2008, 05:32 PM) <{POST_SNAPBACK}>
Não sabia que a capital da Alemanha tinha uma fama e uma realidade bem diferente da própria Alemanha.


É assim, infelizmente. Obviamente, isso seria um exageiro para os padrões brasileiros. O próprio prefeito já disse que Berlim é pobre, mas sexy.

#5 MD-11F

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Postado 24 de maio de 2008 - 19:02

Assim como Kai Tak
Assim como Meigs Field
Que dó...

#6 PR-GOK

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Postado 24 de maio de 2008 - 19:54

Espero que SXM nunca deixe de funcionar, pq os aeroportos romanticos do mundo tão acabando...





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