Companhia aérea Azul já estuda abertura de capital (Estadao - 29/05)
Empresa também pretende iniciar vôos internacionais em dois ou três anos
Lorena Vieira
A Azul Linhas Aéreas Brasileiras, a nova empresa aérea do País, deverá abrir capital no futuro, segundo seu presidente-executivo, David Neeleman. Na avaliação do executivo, porém, a companhia não tem a necessidade de realizar uma oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) no curto prazo. Segundo o executivo, a companhia, cujas operações devem ser iniciadas em meados de janeiro de 2009, está bastante capitalizada.
A empresa já conta com recursos no total de US$ 150 milhões, fornecidos por sete investidores, entre eles três brasileiros - incluindo Neeleman, filho de pais americanos, mas nascido no Brasil. "Temos investidores muito fortes, com bastante dinheiro", disse, sem identificá-los. Segundo ele, a companhia está em negociação com cerca de 20 instituições financeiras para obtenção de financiamento necessário para compra das aeronaves - grupo que inclui o BNDES.
De acordo com Neeleman - que apresentou ontem em São Paulo o logotipo da nova empresa -, a Azul receberá o primeiro avião, a ser fornecido pela Embraer, no dia 5 de dezembro. No mesmo mês, outros dois serão entregues. Em 2009, a companhia receberá mais 10 aviões, e em 2010, outros 12. Posteriormente, a entrega passará a ser de um avião por mês em média.
Inicialmente, a companhia possui encomendas firmes de 37 aviões, um a mais do que o divulgado originalmente. Nos meses de setembro e outubro, de acordo com a Azul, deverão ser iniciadas as avaliações da Agência Nacional da Aviação Civil (Anac) sobre a empresa. Depois do recebimento do primeiro avião, no início de dezembro, será feito o vôo-teste para obtenção do Certificado de Homologação de Empresa de Transporte Aéreo (Cheta).
A Azul avalia que tem oportunidade de operar vôos diretos entre 20 grandes cidades brasileiras, onde apenas 25% do mercado é atendido com operações sem escalas pelas empresas que já atuam no País. "A Azul entra no mercado para fazer o bolo crescer. Nossa intenção é ganhar dinheiro", disse Gianfranco Beting, diretor de marketing da empresa. Segundo o executivo, a Azul trabalhará com uma faixa extensa de tarifas, que serão cobradas de acordo com horários, dias e destino de cada vôo. "A Azul vai conseguir trazer maior flexibilidade de preços. Sabemos que os concorrentes virão atrás de nós, mas não somos loucos de entrar em guerra suicida de preços."
David Neeleman não informou as rotas que deverão ser operadas inicialmente nem a participação de mercado que o grupo pretende atingir. "Queremos ter lucro, o market share não importa", afirmou. Segundo ele, a empresa pretende registrar uma ocupação média de 75% nas aeronaves, que contam com 118 lugares. O executivo acrescentou que em um prazo de 2 a 3 anos a empresa poderá lançar rotas para outros países da América do Sul.
COMBUSTÍVEL
Na avaliação de Beting, a alta do preço do petróleo não deverá impedir que a Azul possa ter tarifas competitivas ao entrar no mercado em janeiro. Para ele, o planejamento de negócios foi feito considerando que o preço do barril de petróleo chegue a US$ 200. "Acreditamos que o barril possa subir até os US$ 200 e depois caia. As nossas contas fecham de qualquer forma", afirmou.
Para Beting, a Azul terá preços abaixo das concorrentes brasileiras. A empresa pretende atender usuários de ônibus com tarifas próximas às cobradas por empresas de transporte rodoviário. No entanto, diz que terá também a liberdade de praticar tarifas consideradas mais elevadas em relação à sua tabela de preços. Essas tarifas seriam voltadas para um público corporativo e em vôos diretos.
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