O presidente da Federação Brasileira de Convention & Visitors Bureaux, João Moreira, aborda nesta entrevista o risco que representa para o país a abertura do céu para a entrada das companhias aéreas estrangeiras. Ele reclama também da atuação da Infraero e sugere sua privatização, seguindo uma tendência mundial. Moreira fala ainda da atuação dos conventions no Brasil, cobra maior investimento no turismo dos setores tidos como beneficiários e fala ainda da criação de um banco de dados sobre os eventos realizados no país. Veja a entrevista:
MERCADO & EVENTOS - Quais os próximos passos do Projeto de Competitividade dos CVBx?
João Luiz dos Santos Moreira - Nossas etapas aconteceram até a fase de lançamento em Brasília, quando foram apresentados dois livros: um Manual de Boas Práticas e um Código de Ética. Nós temos que trabalhar daqui para frente os públicos interno e externo e a nossa relação com o governo e com meio ambiente. Mas isso precisa ter continuidade. Temos hoje uma rede com mais de 100 convention bureaux, num desequilíbrio de performance entre um e outro. Através do projeto de competitividade vamos cada vez mais potencializar os conventions e as federações para a captação, geração e apoio de eventos nacionais e internacionais.
M&E - Em relação ao Banco Brasileiro de Eventos, como está esta ação?
João Moreira - O Banco Brasileiro de Eventos, é uma parceria do Ministério do Turismo, com o Sebrae e a Confederação Brasileira de Convention & Visitors Bureaux, é um projeto que conta com consultores identificando todas as oportunidades na formação de um banco de dados, a exemplo de um banco de dados Icca, inserindo todos os eventos, mostrando sua história, a condição futura, os recursos, orçamento. Ao fazermos o somatório de tudo isso teremos condições de saber que movimento gerou para o Brasil. A classificação será não só de eventos internacionais mas de todos os eventos que estão registrados. É estratégico e estruturante para o sistema, e nada melhor do que nós definirmos este projeto. Temos os próximos 12 meses para o estudo dos aspectos da consultoria, meio ano para desenvolver o software, mais um ano para implantar. Acredito que a partir daí será possível ter a clara visão do que é o setor de eventos no país.
M&E - Como vai funcionar o acordo com a New Mind?
João Moreira - Assinamos durante o Salão do Turismo este acordo com a Nem Mind, uma empresa de Liverpool, na Inglaterra, que trabalha o Visit Britain, e atua na gestão de destinos, desenvolvendo uma ferramenta para convention e para visitors. Estamos trabalhando no que diz respeito aos conventions, agregando isso como ferramenta do Banco Brasileiro de Eventos, pois chegamos a um momento onde há convergência das ações. O projeto de competitividade, o BBE, a plataforma de eventos, os projetos de qualificação, o projeto da análise dos destinos que devemos entregar em breve ao governo, nos leva a uma condição, como Confederação, a prestarem às federações estaduais, aos conventions bureaux, na gestão, o controle e a governanaça dos eventos que acontecem no país. Não adianta o BBE ter essa concepção, sem ferramenta. Entendemos que a New Mind tem essas condições. Assinamos um protocolo de intenções. Ela precisa identificar ainda um parceiro brasileiro para fazer a operação técnica, mas com concepção e inteligência, nos parece ser muito apropriado o seu projeto. Eles nos apresentaram mapas, informações, Google Maps, fotos e imagens tridimensionais que, efetivamente, vamos oferecer como serviço para aquele participante de evento no Brasil.
M&E - Como está a consolidação da rede dos CVB’x?
João Moreira - A rede é composta por mais de 100 CVB’x que estão organizadas em dez federações estaduais, compondo as agências macro-regionais do Sul, Sudeste e Centro-Oeste. Agora estamos criando um trabalho, com apoio do secretário do Acre, na criação da agência macro-regional do Norte. Estamos crescendo de forma consistente, cada vez mais exercitando nossa ação cooperada com os demais integrantes do sistema, que são a Abeoc, Abraccef e Ampro (Ubrafe), tanto que assinamos o nosso protocolo de realização da Semana Nacional dos Eventos, de 2 a 5 de dezembro, no Anhembi, em São Paulo. Estamos dando seqüência ao nosso planejamento estratégico e junto com as demais entidades temos a visão de sistematizar, organizar, investir e dar competitividade ao segmento de turismo de eventos, que é nossa área de atuação.
M&E - Como está o desenvolvimento da plataforma de eventos e qual seu objetivo?
João Moreira - A plataforma de eventos está em teste e é um sistema também em cooperação com o MTur pelo qual vamos identificar e ter um índice de custos de eventos. Por exemplo, que uma mesa custa X no Norte, Y no Nordeste, Z no Centro-Oeste, que uma locação de uma certa metragem quadrada tem um preço, que um serviço tem outro preço diferenciado. Hoje a construção civil tem um índice, nós também teremos um índice de custo da realização de eventos no país, no que diz respeito à prestação de serviços, não no que diz respeito à inteligência. Dentro de seis meses deveremos entregar este projeto.
M&E - Como está o desenvolvimento da Pesquisa de Dimensionamento?
João Moreira - Estamos conversando com a Fundação Getúlio Vargas e a Diretoria de Estudos e Pesquisas do MTur/Embratur, no sentido de definirmos a metodologia e os custos de participação, certamente com custo majoritário sendo nosso, no sentido de que nós possamos entender os dados do segmento de eventos. A primeira e última pesquisa foi em 2001, com dados absolutamente satisfatórios à época, entretanto temos fatos novos, já que em 2003 tivemos a criação do Ministério do Turismo, a política de promoção nacional e internacional, entramos no ranking da Icca, o segmento de eventos no Brasil teve um salto muito grande apesar de todas as dificuldades, da crise aérea. O segmento está em expansão, e precisamos tirar uma fotografia dele novamente, para ver qual é o seu PIB, afora isso, estamos elaborando com a FGV e o MTur pesquisas trimestrais de análises de tendências. Entendemos que na participação de uma entidade no Conselho Nacional do Turismo, ela precisa dizer como está seu mercado e o que vai acontecer com ele, para isso precisamos de institutos de pesquisas confiáveis e que os dados estejam corretos, para, inclusive, definir políticas. A Lei Geral de Turismo vai possibilitar novos investimentos, movimentações e a inclusão de outros atores no segmento de turismo de eventos e aí precisamos acompanhar essa mobilidade. Se a OMT diz que essa atividade representa 11% no mundo e se nós temos indicadores de que no Brasil está entre 3,5% e 3,8%, é hora de agir com seriedade, fazer pesquisas, planejamento estratégico, metodologia, porque o mercado está à nossa frente, a oportunidade está passando e nós precisamos captar todas as oportunidades, neutralizar todas as ameaças e nada melhor do que pesquisar.
M&E - A questão da malha aérea é uma das que mais preocupa o trade brasileiro e ficou latente na última reunião do Fornatur. Como você encara esta questão?
João Moreira - É de uma complexidade absoluta. Primeiro nós estamos numa crise de demanda que leva a elevação de preços e insatisfação dos clientes. Não é bom o que acontece no setor aéreo, com diminuição de rotas e aeronaves. As companhias aéreas, embora todo o controle que a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) possa ter, como empresas, visam ao lucro e fazem aquilo que é mais rentável, e aí é muito comum os cancelamentos de vôos, as ausências de justificativas, o desrespeito ao usuário. De outra ordem nós vivemos o paradoxo do crescimento, gerando uma demanda forte e as companhias não conseguem, por que são de um segmento da economia que não tem uma reação muito rápida, colocar mais aviões, aumentar a frota e tudo mais. Esse paradoxo é uma grande ameaça ao setor e nós temos que protegê-lo. Como empresários do setor de eventos, uma atividade que depende muito do avião, vemos o risco de a Anac liberar as tarifas aéreas, possibilitando que companhias aéreas entrangeiras venham para cá.
M&E - Que risco é esse?
João Moreira - Essas companhias são altamente capitalizadas. Diferentes da nossa capitalização, lá elas têm custos em dólar e receita em dólar, aqui nós temos custos em dólar e receita em real. O custo de uma companhia aérea com equipamentos nos Estados Unidos é em torno de 3% a 4%, no Brasil é de quase 25%. As companhias brasileiras são obrigadas a deixar dinheiro parado, uma vez que a liberação dessas importações são complexas e demoradas. Mas se permitirmos liberar o céu às companhias áreas internacionais, quebraria o mercado brasileiro. Uma companhia aérea americana, cujo faturamento para voar para a América Latina é de 1%, se decidir voar durante um ano com passagem de graça, ou US$ 1, para ir e para voltar, mexe em apenas 1% no seu faturamento. Temos que nos indignar com isso. O serviço aéreo não está bom, a administração aeroportuária não está boa. Temos que privatizar a Infraero. O mundo inteiro passa pela privatização dos serviços aeroportuários. Temos que fazer esse debate. Nos aeroportos não há assentos, cadeiras dignas, banheiros limpos, chove fora e chove dentro. Mas tudo pode piorar se liberarmos as tarifas e abrirmos o céu para as companhias estrangeiras.
M&E - Diante deste cenário, como você entende a relação de quem é investidor e quem é beneficiário no turismo brasileiro?
João Moreira - Isso é outro assunto grave. Hoje quem investe na promoção turística do Brasil é o governo. Em 2007 foram R$ 173,880 milhões. Se identificarmos qual o efeito multiplicador que isso tem pontualmente em alguns segmentos, significa que cada R$ 1,00 investido pelo Ministério do Turismo permite o faturamento de R$ 74,00. E quem são esses setores? Alimentos, bebidas, comércio, combustível, telefonia fixa, telefonia móvel, energia, cartões de crédito, sistema financeiro. As 92 maiores empresas do país gastaram R$ 34 bilhões em cartões de crédito no ano passado. Se somarmos tudo isso dá bilhões e bilhões de reais que passam pelo sistema financeiro e ninguém investe nada no turismo. Outro exemplo: para as viagens ao exterior é cobrado US$ 36 ao passageiro, US$ 18 vão para a Infraero, para ela prestar esse serviço deficiente que presta, outros US$ 18 vão para o caixa do Tesouro Nacional. Agora, com 3,300 milhões de pessoas pagando US$ 18, são cerca de R$ 100 milhões que o turismo coloca no Tesouro Nacional. Qual o efeito que produz os 43% dos 283.562 automóveis locados para o turismo no Brasil, segundo dados da Abla? As montadoras de automóveis investem no turismo? Não. A indústria do petróleo investe no turismo? Não. A telefonia fixa? Não. A móvel? Não. Colaboram para o Sistema S, mas precisam colaborar mais. A indústria da comida, da bebida, do cafezinho, da roupa, da energia elétrica são beneficiárias. Precisamos ter estrutura e organização para mostrar quem realmente investe no turismo e enfrentar essa questão. No mundo inteiro já existe isso, com as confederações ajudando a pagar a conta do turismo.
Mercado e Eventos
MERCADO & EVENTOS - Quais os próximos passos do Projeto de Competitividade dos CVBx?
João Luiz dos Santos Moreira - Nossas etapas aconteceram até a fase de lançamento em Brasília, quando foram apresentados dois livros: um Manual de Boas Práticas e um Código de Ética. Nós temos que trabalhar daqui para frente os públicos interno e externo e a nossa relação com o governo e com meio ambiente. Mas isso precisa ter continuidade. Temos hoje uma rede com mais de 100 convention bureaux, num desequilíbrio de performance entre um e outro. Através do projeto de competitividade vamos cada vez mais potencializar os conventions e as federações para a captação, geração e apoio de eventos nacionais e internacionais.
M&E - Em relação ao Banco Brasileiro de Eventos, como está esta ação?
João Moreira - O Banco Brasileiro de Eventos, é uma parceria do Ministério do Turismo, com o Sebrae e a Confederação Brasileira de Convention & Visitors Bureaux, é um projeto que conta com consultores identificando todas as oportunidades na formação de um banco de dados, a exemplo de um banco de dados Icca, inserindo todos os eventos, mostrando sua história, a condição futura, os recursos, orçamento. Ao fazermos o somatório de tudo isso teremos condições de saber que movimento gerou para o Brasil. A classificação será não só de eventos internacionais mas de todos os eventos que estão registrados. É estratégico e estruturante para o sistema, e nada melhor do que nós definirmos este projeto. Temos os próximos 12 meses para o estudo dos aspectos da consultoria, meio ano para desenvolver o software, mais um ano para implantar. Acredito que a partir daí será possível ter a clara visão do que é o setor de eventos no país.
M&E - Como vai funcionar o acordo com a New Mind?
João Moreira - Assinamos durante o Salão do Turismo este acordo com a Nem Mind, uma empresa de Liverpool, na Inglaterra, que trabalha o Visit Britain, e atua na gestão de destinos, desenvolvendo uma ferramenta para convention e para visitors. Estamos trabalhando no que diz respeito aos conventions, agregando isso como ferramenta do Banco Brasileiro de Eventos, pois chegamos a um momento onde há convergência das ações. O projeto de competitividade, o BBE, a plataforma de eventos, os projetos de qualificação, o projeto da análise dos destinos que devemos entregar em breve ao governo, nos leva a uma condição, como Confederação, a prestarem às federações estaduais, aos conventions bureaux, na gestão, o controle e a governanaça dos eventos que acontecem no país. Não adianta o BBE ter essa concepção, sem ferramenta. Entendemos que a New Mind tem essas condições. Assinamos um protocolo de intenções. Ela precisa identificar ainda um parceiro brasileiro para fazer a operação técnica, mas com concepção e inteligência, nos parece ser muito apropriado o seu projeto. Eles nos apresentaram mapas, informações, Google Maps, fotos e imagens tridimensionais que, efetivamente, vamos oferecer como serviço para aquele participante de evento no Brasil.
M&E - Como está a consolidação da rede dos CVB’x?
João Moreira - A rede é composta por mais de 100 CVB’x que estão organizadas em dez federações estaduais, compondo as agências macro-regionais do Sul, Sudeste e Centro-Oeste. Agora estamos criando um trabalho, com apoio do secretário do Acre, na criação da agência macro-regional do Norte. Estamos crescendo de forma consistente, cada vez mais exercitando nossa ação cooperada com os demais integrantes do sistema, que são a Abeoc, Abraccef e Ampro (Ubrafe), tanto que assinamos o nosso protocolo de realização da Semana Nacional dos Eventos, de 2 a 5 de dezembro, no Anhembi, em São Paulo. Estamos dando seqüência ao nosso planejamento estratégico e junto com as demais entidades temos a visão de sistematizar, organizar, investir e dar competitividade ao segmento de turismo de eventos, que é nossa área de atuação.
M&E - Como está o desenvolvimento da plataforma de eventos e qual seu objetivo?
João Moreira - A plataforma de eventos está em teste e é um sistema também em cooperação com o MTur pelo qual vamos identificar e ter um índice de custos de eventos. Por exemplo, que uma mesa custa X no Norte, Y no Nordeste, Z no Centro-Oeste, que uma locação de uma certa metragem quadrada tem um preço, que um serviço tem outro preço diferenciado. Hoje a construção civil tem um índice, nós também teremos um índice de custo da realização de eventos no país, no que diz respeito à prestação de serviços, não no que diz respeito à inteligência. Dentro de seis meses deveremos entregar este projeto.
M&E - Como está o desenvolvimento da Pesquisa de Dimensionamento?
João Moreira - Estamos conversando com a Fundação Getúlio Vargas e a Diretoria de Estudos e Pesquisas do MTur/Embratur, no sentido de definirmos a metodologia e os custos de participação, certamente com custo majoritário sendo nosso, no sentido de que nós possamos entender os dados do segmento de eventos. A primeira e última pesquisa foi em 2001, com dados absolutamente satisfatórios à época, entretanto temos fatos novos, já que em 2003 tivemos a criação do Ministério do Turismo, a política de promoção nacional e internacional, entramos no ranking da Icca, o segmento de eventos no Brasil teve um salto muito grande apesar de todas as dificuldades, da crise aérea. O segmento está em expansão, e precisamos tirar uma fotografia dele novamente, para ver qual é o seu PIB, afora isso, estamos elaborando com a FGV e o MTur pesquisas trimestrais de análises de tendências. Entendemos que na participação de uma entidade no Conselho Nacional do Turismo, ela precisa dizer como está seu mercado e o que vai acontecer com ele, para isso precisamos de institutos de pesquisas confiáveis e que os dados estejam corretos, para, inclusive, definir políticas. A Lei Geral de Turismo vai possibilitar novos investimentos, movimentações e a inclusão de outros atores no segmento de turismo de eventos e aí precisamos acompanhar essa mobilidade. Se a OMT diz que essa atividade representa 11% no mundo e se nós temos indicadores de que no Brasil está entre 3,5% e 3,8%, é hora de agir com seriedade, fazer pesquisas, planejamento estratégico, metodologia, porque o mercado está à nossa frente, a oportunidade está passando e nós precisamos captar todas as oportunidades, neutralizar todas as ameaças e nada melhor do que pesquisar.
M&E - A questão da malha aérea é uma das que mais preocupa o trade brasileiro e ficou latente na última reunião do Fornatur. Como você encara esta questão?
João Moreira - É de uma complexidade absoluta. Primeiro nós estamos numa crise de demanda que leva a elevação de preços e insatisfação dos clientes. Não é bom o que acontece no setor aéreo, com diminuição de rotas e aeronaves. As companhias aéreas, embora todo o controle que a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) possa ter, como empresas, visam ao lucro e fazem aquilo que é mais rentável, e aí é muito comum os cancelamentos de vôos, as ausências de justificativas, o desrespeito ao usuário. De outra ordem nós vivemos o paradoxo do crescimento, gerando uma demanda forte e as companhias não conseguem, por que são de um segmento da economia que não tem uma reação muito rápida, colocar mais aviões, aumentar a frota e tudo mais. Esse paradoxo é uma grande ameaça ao setor e nós temos que protegê-lo. Como empresários do setor de eventos, uma atividade que depende muito do avião, vemos o risco de a Anac liberar as tarifas aéreas, possibilitando que companhias aéreas entrangeiras venham para cá.
M&E - Que risco é esse?
João Moreira - Essas companhias são altamente capitalizadas. Diferentes da nossa capitalização, lá elas têm custos em dólar e receita em dólar, aqui nós temos custos em dólar e receita em real. O custo de uma companhia aérea com equipamentos nos Estados Unidos é em torno de 3% a 4%, no Brasil é de quase 25%. As companhias brasileiras são obrigadas a deixar dinheiro parado, uma vez que a liberação dessas importações são complexas e demoradas. Mas se permitirmos liberar o céu às companhias áreas internacionais, quebraria o mercado brasileiro. Uma companhia aérea americana, cujo faturamento para voar para a América Latina é de 1%, se decidir voar durante um ano com passagem de graça, ou US$ 1, para ir e para voltar, mexe em apenas 1% no seu faturamento. Temos que nos indignar com isso. O serviço aéreo não está bom, a administração aeroportuária não está boa. Temos que privatizar a Infraero. O mundo inteiro passa pela privatização dos serviços aeroportuários. Temos que fazer esse debate. Nos aeroportos não há assentos, cadeiras dignas, banheiros limpos, chove fora e chove dentro. Mas tudo pode piorar se liberarmos as tarifas e abrirmos o céu para as companhias estrangeiras.
M&E - Diante deste cenário, como você entende a relação de quem é investidor e quem é beneficiário no turismo brasileiro?
João Moreira - Isso é outro assunto grave. Hoje quem investe na promoção turística do Brasil é o governo. Em 2007 foram R$ 173,880 milhões. Se identificarmos qual o efeito multiplicador que isso tem pontualmente em alguns segmentos, significa que cada R$ 1,00 investido pelo Ministério do Turismo permite o faturamento de R$ 74,00. E quem são esses setores? Alimentos, bebidas, comércio, combustível, telefonia fixa, telefonia móvel, energia, cartões de crédito, sistema financeiro. As 92 maiores empresas do país gastaram R$ 34 bilhões em cartões de crédito no ano passado. Se somarmos tudo isso dá bilhões e bilhões de reais que passam pelo sistema financeiro e ninguém investe nada no turismo. Outro exemplo: para as viagens ao exterior é cobrado US$ 36 ao passageiro, US$ 18 vão para a Infraero, para ela prestar esse serviço deficiente que presta, outros US$ 18 vão para o caixa do Tesouro Nacional. Agora, com 3,300 milhões de pessoas pagando US$ 18, são cerca de R$ 100 milhões que o turismo coloca no Tesouro Nacional. Qual o efeito que produz os 43% dos 283.562 automóveis locados para o turismo no Brasil, segundo dados da Abla? As montadoras de automóveis investem no turismo? Não. A indústria do petróleo investe no turismo? Não. A telefonia fixa? Não. A móvel? Não. Colaboram para o Sistema S, mas precisam colaborar mais. A indústria da comida, da bebida, do cafezinho, da roupa, da energia elétrica são beneficiárias. Precisamos ter estrutura e organização para mostrar quem realmente investe no turismo e enfrentar essa questão. No mundo inteiro já existe isso, com as confederações ajudando a pagar a conta do turismo.
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