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[LEILÃO] Safety Cards

O leilão de Safety Cards da TRANSBRASIL e da VASP foi encerrado. Em breve teremos novos leilões! Portanto aguardem pelas novidades!

Erros em série levaram a Gol à crise atual


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#1 Mastercaptain

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Postado 13 de agosto de 2008 - 12:26

Este cronista nunca acreditou que a administração da Gol, linhas aéreas, fosse livre das influências rodoviárias de sua origem mais remota. Teve um início brilhante, debutando no mercado de transportes aéreos com agilidade, dando a impressão que seria uma low cost/low fare à altura das mais famosas congêneres estrangeiras. De fato, conseguiu manter baixos seus custos, mas suas forças de trabalho, as vezes escassas em alguns setores, afetou a qualidade dos serviços de bordo e também em terra, nas relações com os usuários. Mas no debute, houve o impacto de seus Boeing novos em folhas criando uma imagem antes desconhecida na aviação comercial do país, pois nenhuma outra empresa havia antes oferecido uma rede doméstica a tarifas mais baratas, operada por aviões tão modernos. Na comparação, os Fokker 50 da Tam pareciam, juntos com outras marcas que ainda voam nas aéreas menores, pouco mais que sucatas. Mas aos poucos aconteceu que enquanto zelava pela manutenção de custos baixos, suas tarifas eram mais baixas das normais somente em algumas promoções, quando o mercado andava meio parado , nas épocas de tráfego menor.



Os primeiros anos, logo no início deste século, foram tão bem administrados por Constantino Jr. e seus familiares, que a Gol foi reconhecida como um raro exemplo de crescimento acelerado e rentável, merecendo diplomas e títulos que serviram como imãs para atrair os capitais necessários para seu crescimento. O lançamento das ações foi um sucesso, a solidez operacional da aérea era confirmada pelos resultados anuais, pela compra de mais aeronaves, pelos planos de crescimento e pela distribuição de lucros. Nos últimos quatro anos, nada menos de R$ 664,7 milhões em dividendos foram entregues aos acionistas.



Bem no meio desse período de vacas gordas, três episódios interferiram e deram um novo rumo às atividades da Gol. Aconteceu o desastre com o pequeno jato americano, evento trágico sem a menor responsabilidade por parte da aérea brasileira; ouve a longa crise baseada na pouca eficiência dos controles de vôos, que culminou com centenas de atrasos e cancelamentos que revolucionaram os principais aeroportos do país; e veio a enorme alta do preço do petróleo, que se refletiu no custo do querosene de aviação e afetou a rentabilidade operacional das empresas, derrubando aquelas de menores reservas financeiras. A Gol reagiu de maneira bastante passiva aos efeitos negativos que a colisão aérea teve sobre sua imagem. Não criticou, nem opinou, como deveria. Em relação aos atrasos e cancelamentos tentou tirar proveitos deles, praticando over-booking, altamente prejudiciais para seus usuários. E quando a escalada dos preços do petróleo levou além de 30% o índice de participação do combustível nos custos operacionais, demorou meses para alterar seus planos e bloquear a vinda de mais aviões.



Entretanto, numa decisão em contraste com sua política de progressiva e prudente expansão, acreditando nos palpites de analistas mal informados em questões aviatórias, depois de ter demonstrado desinteresse total na compra da velha Varig, não participando no leilão que oferecia a tradicional aérea por menos de US$ 25 milhões, decidiu depois adquiri-la da VarigLog, a compradora que fez o repasse por US$ 320 milhões. Para justificar o gasto afirmou que a VRG lhe abriria o caminho nas rotas para o exterior, onde pretendia competir com a Tam, mas depois de vôos inaugurais pífios, utilizando aviões quase obsoletos, saiu do mercado internacional. A operação abriu buracos de centenas de milhões no seu orçamento e acabou quando as perdas haviam chegado ao bilhão e os acionistas começavam a revender em Bolsa títulos que continuavam em baixa.



Chegamos assim à atual decisão da Gol de não distribuir mais, neste 2008, os dividendos trimestrais aos acionistas, para poder utilizar esses recursos num reforço de caixa, indispensável para atender os investimentos de curto prazo. Mas a anunciada decisão de reduzir em 5% seu crescimento, terminando este ano com 104 aviões e 2009 com 108, como conseqüência de sua desistência do recebimento de sete aeronaves 737-800, evidenciou que a empresa estava começando a sentir a falta de capital. E com vôos demais para manter em atividade suas aeronaves, foram apenas paliativos as medidas para reduzir o consumo de combustível. Seus dados estatísticos do mês de julho confirmam a evolução da crise :1) com mais 25% de oferta, em comparação com o mesmo mês de 2007, o aproveitamento (assentos quilômetros ocupados) foi de 13%, representando uma taxa de ocupação consolidada de vôos domésticos de apenas 62%, que chega a 74% nos internacionais, dando uma média de 65% no inteiro sistema. E haveria também problemas nas relações entre os funcionários da Gol e da Varig, motivando recomendações do Sindicato Nacional de Aeronautas para a administração investir mais no relacionamento de suas forças de trabalho.



A crise na Gol pegou de surpresa os investidores nacionais, que estariam agora exigindo a cabeça de Constantino Jr. Na quarta-feira houve a baixa de 13,96% no valor das ações negociadas em Bolsa e no exterior a agência de classificação de riscos Moody´s decidiu rebaixar todos os ratings de dívida da Gol, de Ba3 para B1, sem excluir a possibilidade de novos rebaixamentos, evidenciada por ter adotado a avaliação “em revisão”. A agência afirma que o rebaixamento foi causado pela “continua deterioração da solidez financeira da Gol”, prevendo ainda “novo declínio das medidas financeiras”, se não houver “uma melhora significativa na estrutura de custos da companhia”. A Moody´s atribui grande importância ao sucesso do plano de integração com a Varig, formando uma única empresa, anunciado na semana passada pela Gol. Somente maiores liquidez, rentabilidade, fluxo de caixa e capacidade de acessar linhas de crédito poderão justificar a revisão das notas agora atribuídas à Gol.



O momento é delicado e a pressão dos acionistas é grande. Houve erros e, entre eles, a pretensão de adquirir uma empresa sobre medida, para com ela competir no mercado internacional, representou a prova evidente da pouca experiência da Gol no setor aéreo.

Como se constatou em poucos meses, não bastava contar com o prestígio da Varig sem aeronaves adequadas, sem uma equipe treinada para atuar no mercado internacional (tendo sido dispensados a maioria de ex-variguianos), sem integração das forças de trabalho, sem plano de marketing e com uma fraca campanha promocional. Precisava muito mais para reconquistar posições de mercado e competir com congêneres que, no longo intervalo operacional, se haviam instalado firmemente nas rotas entre o Brasil e o exterior. E deu no que deu, deixando em aberto ainda muitas incógnitas.


(O redator do informativo, Guido Sonino, trabalhou durante quase 35 anos na aviação comercial e é jornalista profissional (Registro 6.3107 de 28/06/56, no Serviço de Identificação Profissional da Delegacia Regional do Trabalho de São Paulo). A marca e o logotipo " Aeroconsult " são registrados no INPI sob o n. 815878362, desde 01/09/92.)

fonte aeroconsult.com.br

#2 Lucas.F

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Postado 13 de agosto de 2008 - 13:14

Brilhante Análise!

Gostaria de acrescentar que ao contrario do que muitos acreditam ou pensam, os presentes prejuízos da Glai não são em função exclusivamente da compra da Varig. ( E vamos deixar claro aqui que eu não sou defensor da empresa X ou Y, ou que tenho mais afeição pela marca A ou B; as analises são completamente neutras)
Os atuais prejuízos da Glai são em função de erros primários cometidos por sua administração.(sim, trivial)
Até 2007, a empresa se apresentava como um fenômeno, em virtude da sua excelente estrutura de custos, e sua aceitabilidade pelo passageiro no mercado domestico. Entretanto, ao invés de se preparar para uma eventual crise, recessão, aumento da concorrência, ou pior, se preparar para o dia que suas concorrentes conseguissem copiar suas vantagens competitivas, ela simplesmente se acomodou.
Hoje(exclui-se aqui a compra da Varig), a bolha estourou ( em outras palavras, os passageiros já não conseguem mais ver vantagem em voar Gol. A equação Benefícios – Custo(Preço) já é menor que as concorrentes; Em suma a Tam). Ou seja, a estrutura de custos das outras empresas também estão possibilitando que menores preços sejam cobrados sem corroer a rentabilidade. Hoje, Barioni colhe os frutos plantados(corte de custos) por Bologna em sua gestão; Entretanto, o foco hoje é na qualidade do serviço prestado ao passageiro; O resultado está ai: Boas margens de lucros e participação de mercado cada vez maiores.

A compra da Varig pela Gol realmente foi um passo ousado; mas a Glai cometeu erros primários no mercado internacional ( amplamente discutidos aqui no fórum ), Mas o que levou ela a cometer tais erros ? Arrogância? Prepotência? Despreparo ? Realmente fica difícil definir por que decisões tão errôneas foram tomadas. É importante frisar que a Gol tinha pouca ou nenhuma experiência no mercado internacional. Ai eu pergunto: por que cortar funcionários da velha Varig experientes e com um excelente Know-How?
Outra coisa, se o foco na compra da Varig era seguir a mesma estratégia da Gol, ou seja, oferecer preços baixos e serviços idem,seria melhor então que lançassem a marca Gol Premium. Mas não “Varig é mais que voar” com aviões velhos, pouco ou nenhum entretenimento, poucas possibilidades de conexões entre outras pérolas.
Hoje, todas as variáveis negativas possíveis se convergiram num mesmo espaço de tempo, e o resultado está ai: Prejuízos e Prejuízos. Parece que o “Ascensão, Apogeu e Queda” realmente se fez verdade no caso da Glai.

Em contrapartida, creio, e torço para que a Glai se recupere. Turbulências não são eternas. Erros cometidos não são irreversíveis.
Todos os pontos citados pelo Lipe são medidas eficazes e obvias para que a Gol contorne parte dos problemas.
Excluir a marca Gol ? Tambem acho difícil isso ocorrer. A minha opinião é que a Varig cresça num ritmo superior a da Gol; Já afirmei isto em posts passados.
Através da Varig, será possível voltar a oferecer um valor superior ao passageiro. Hoje, como que a Gol vai continuar a oferecer este valor superior de outrora? Cortando mais ainda os custos? Ou oferecendo um serviço melhor ? Mas lembrem-se a Gol foi posicionada ao longo de 7 anos para ser vista como um empresa Low Cost/Low Fare; como que de uma hora pra outra ela vai mudar tão bruscamente sua preposição de valor e posicionamento frente ao passageiro? A resposta se encontra na marca Varig. A estrutura operacional, o esqueleto é Gol ( onde se encontra as core competences do grupo Glai) Já o serviço, o atendimento, vai ser oferecido através da marca Varig. É somente uma questão de melhor distinção na mente do passageiro. Ao passo que os mesmos perceberem que realmente vale mais a pena voar Varig, ( Beneficios-Preço >concorrência) a empresa voltará a ganhar market share.

Resumindo: A gol foi pega senão de surpresa, de maneira que a mesma não estava prevendo. Erros primários foram cometidos, Houve falta de planejamento, a empresa sofreu com a saída do Barioni, e diversas variáveis e externalidades afetaram sobremaneira seus negócios.
Mudanças terão que ser feitas, e cortes serão inevitáveis.
A torcida fica realmente para que haja uma mudança na alta administração, e que o petróleo volte a dar uma trégua.


Uma marca construída ao longo de 80 anos, e uma empresa que em 7 anos se consolidou como um dos maiores fenômenos de crescimento no mundo dos negócios, não podem simplesmente perpetuar essa trajetória descendente.


Torço de coração, que tal momento difícil passe logo, e que o time de águias volte restaurado, voando ainda mais alto.

Abraços!!


#3 4NDRE

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Postado 13 de agosto de 2008 - 15:01

Lembro-me há 4 anos atrás de gente comentando que a gol poderia amargar prejuízos a longo prazo. A profecia foi concretizada.

Editado por 4NDRE, 13 de agosto de 2008 - 15:01 .


#4 marcela taha

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Postado 13 de agosto de 2008 - 23:16

é como disse um grande amigo meu

""""" a preopcupação era tão grande em apenas em converter a soberbas dos Variguianos na elegancia,que esquecerem que nao tinham elegancia pra administrar a própria soberba!!""

agora eu acho que fora tudo isso ,o Constantino provou e deficieente em admintração e que quem mandava e fazia mesmo era o Barioni!!!

culpa a VRG esta facil,como a Tam culpa os pilotos pelos acidentes...eles detem o poder da prova!!!Mas tenho ceretza que a Vrg e Gol sao vitimas da am administração do Conastntino e familia e seu colaborador Marco Piller em golalizar e perder VARIG e GOL e deixar o Barioni ir!!

ainda da tempo e espero que achem a solução do velho mundo!!!quem sabe o que penso sabe o que estou falando.
Bausssessssssssssss


#5 Rodney Soares

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Postado 14 de agosto de 2008 - 02:18

A coisa tá séria: Por duas vezes, estive no aeroporto essa semana e a fila da TAM, dava voltas enquanto a da Gol, se resumia a poucas e raras pessoas.

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#6 le1

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Postado 14 de agosto de 2008 - 02:53

Mas existiu também por parte da Gol, uma grande dificuldade para tentar manter os vôos internacionais por conta justamente, das DÍVIDAS que a Varig acumulou em alguns aeroportos de destino internacional e com as empresas de Leasing de aeronaves.

Lembrando trechos de matéria publicada no período :

" A Gol enfrenta outro obstáculo para fazer decolar a operação internacional da Varig, depois de descobrir e pagar velhas dívidas, de US$ 17,5 milhões, nos aeroportos internacionais. A nova dona da Varig está com dificuldades em conseguir aviões.


Por isso, a Varig já suspendeu uma linha para Frankfurt, saindo do Rio, e ainda não retomou a rota para Buenos Aires, inoperante há dois meses.

A falta de aviões tem duas explicações. A primeira delas é que o mercado está aquecido e existem poucos aviões para serem vendidos ou arrendados no mercado internacional. A outra razão é que as empresas de arrendamento de aviões estão cobrando parte das velhas dívidas de leasing da Varig, que chegam a R$ 2 bilhões.

As empresas de leasing estariam cobrando a Gol para poder liberar aviões de grande porte em seu poder. A Gol não quer pagar para não abrir um precedente de sucessão de dívidas. Ou seja, não quer assumir que é responsável por honrar débitos da velha Varig.

Sem fazer qualquer alarde, a nova Varig, cuja razão social é VRG, suspendeu a rota para Frankfurt desde 20 de setembro, quando remanejou o avião que voava para a Alemanha para poder reinaugurar a linha São Paulo-Paris-Roma.

A Gol, que comprou a Varig em março por US$ 320 milhões, substituiu a linha direta do Rio pela rota Rio-São Paulo-Frankfurt. A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) informou que a VRG pode suspender seus vôos no exterior, mas tem seis meses para retomar a rota, sob pena de perdê-la.

"A Gol, com certeza, não imaginava que o pepino da Varig fosse tão ruim", afirma um executivo do setor, que pediu para não ser identificado. Segundo outra fonte, ainda não se sabe se a Varig terá aviões para fazer o seu retorno à Cidade do México, no fim de outubro, ou para Londres, em novembro.

Segundo uma pessoa que acompanha os planos da VRG no exterior, essa foi a fórmula encontrada para não perder os intervalos de pouso e decolagem (slots) no exterior: suspender alguns vôos e retomar outros enquanto ainda há escassez de aviões. "É para tapar o buraco mesmo", diz uma fonte.
.....

A VRG, que esteve proibida de voar para a Argentina do dia 9 de agosto a 21 de setembro, principalmente por causa de problemas trabalhistas, havia marcado o retorno a Buenos Aires para o último dia 10, o que não aconteceu. Já faz mais de dois meses que não voa para a Argentina. A VRG foi procurada, mas não retornou até o fechamento desta edição."

Agencia do Estado 17/10/2007

Editado por le1, 14 de agosto de 2008 - 02:55 .






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