Quando eu comparei o mercado Brasil-África do Sul em relação a Estados Unidos-China e Holanda-Índia, o fiz pura e simplesmente pelas grandes diferenças de dimensões dos mercados. Um não atinge mais do que 100 mil/pax ano e os outros dois são muito maiores do que isso. Nessas circunstâncias, uma descentralização não é só possível como também proveitosa, o que não é o caso de Brasil-África do Sul
EUA é muito maior sem dúvida, e tem $$$. Os outros, não vejo diferença. Holanda e Africa do Sul não são muito diferentes e se for para comparar tamanho, o mercado Chinês seria imbatível, e não é.
Não, SP não tem cerca de 37% do comércio exterior brasileiro com a África do Sul, tem muito mais que isso, quase 50%. Os 37% correspondem apenas à parcela de exportações de São Paulo no volume total de comércio exterior (eu ainda coloquei entre parênteses que comércio exterior é igual a exportações mais importações). Os outros estados devem ter, portanto, apenas metade desse comércio.
Uma vez mais, exportação e importação pelo site do MDIC não quer dizer nada. Se você pesquisar vai ver que tem umas 10 Gerdau com 10 endereços diferentes.
Business, especialmente nesse caso, com certeza representa no mínimo 70% da rota. O turista comum quer conhecer destinos sofisticados, que estão a todo tempo nas revistas especializadas no assunto, como a Europa, os Estados Unidos e o Caribe. A África ainda é o destino de uma minoria de brasileiros que viaja à turismo. Na parcela de turismo incluem-se os intercambistas que se dirigem à Austrália pela SAA, que formam um número considerável. De resto, a maioria mesmo é de pessoas que viajam a negócios.
Você está supondo. E no caso da Africa do Sul, acessar os Estados Unidos requer 1 escala ou um vôo extremamente longo. Caribe demanda posterior conexão, só a Europa está mais perto mas não tem nada no inverno IATA a oferecer.
Entendo que você fala do mercado Brasil-Africa, mas esquece que existe um mercado Africa-Brasil.
Quem estuda um pouquinho de Economia do Setor Público sabe que os dados de comércio exterior da produção de um estado não pode ser repassada para onde as mercadorias entraram/saíram do país. Nesse caso, os dados de São Paulo são mesmo de São Paulo, os que são de Goiás são de Goiás. Mesmo assim, a produção pode até se dar em Goiás, mas onde é que estarão os executivos para fechar os negócios? Em São Paulo. A comparação que você fez com a Petrobrás é interessante, mas se você pegar as 500 maiores empresas do Brasil verá que São Paulo sedia bem mais empresas do que o Rio de Janeiro. São Paulo é o grande centro tomador de decisões do país e o Rio de Janeiro, nesse caso, é apenas uma metrópole secundária.
Você não entendeu minha colocação ou não pareceu interessado em compreender. Não precisa estudar economia do setor público, basta trabalhar com comércio exterior. Eu citei que tem empresa que apesar de exportar via filial a matriz está em outro lugar. O fato de estar numa lista de um estado não quer dizer que isso vá gerar viagem de lá.
O fato de A ou B sediar mais empresas não comprova nada além de dizer que existe demanda. Tem empresa com escritório de 30 pessoas e tem empresa que tem mais de 10 mil no escritório... quem demanda mais viagem .. 100 empresas de 30 ou uma empresa com 10 mil ? Há produtos e mercadorias mais intensivas em mão de obra e contratação de serviços que outros. Os setores de petróleo e financeiro são os maiores agregadores de serviços.
Os maiores geradores de viagens aéreas neste país, atendem pelo nome de Governo Federal, Petrobrás, Bradesco, Itaú, Caixa Econômica, Banco do Brasil, Vale e Telemar.
Estes tem operações de grande escala em mais de 5 estados, com posições estratégicas, muita demanda de viagem de técnicos especializados e executivos.
SP tem muita multinacional e bancos, um setor de serviços 2,5x maior que o do Rio... mas em empresas de capital aberto ou nacionais, recomendo verificar a movimentação da Ibovespa e avaliar dentro do Ibovespa o que tem sede fora de SP... tem um estado que sozinho tem mais de 42% do indice, e não é São Paulo. Aliás concentração nefasta... só aparecem 6 estados na lista: São Paulo, Rio, DF, Minas, Bahia (se considerarmos a Braskem) e Rio Grande do Sul
Enfim, indicador tem de todo tipo, uns tem melhor uso outros são péssimos.
Questões culturais explicam isso, Lipe. A quantidade de imigrantes e estudantes angolanos no país é surpreendente. Aqui mesmo na Unicamp é possível encontrar com vários intercambistas todos os dias e imagino que deva ser assim também na USP, UFRJ, etc. Sem falar nos fortes laços econômicos constituídos (vide Oderbrecht e Petrobrás), derivados também do passado comum que une os dois países. Não é à toa que Angola tenha mais vôos internacontinentais para Portugal (um país minúsculo!) do que para qualquer outro país. Agora, eu não consigo enxergar fortes laços culturais como esse entre Brasil e África do Sul.
Os laços culturais explicam boa parte da relação Brasil x Angola, mas conforme citei, a Africa do Sul tem uma população muito superior a de Angola, e tem na ligação com o Brasil o seu melhor acesso a América do Sul, e muitas vezes uma forma de se chegar a América do Norte. Se Angola tem laços culturais, a Africa do Sul tem a seu favor a posição geográfica do Brasil e o mercado. Assim como o Brasil, a AFrica do Sul é emergente, enfrenta crescente industrialização e passa a ter mais vinculos que Angola pode ter.
Basta ver que Portugal só recentemente subiu na lista de investidores.
Quando eu digo que a rota está saturada, isso quer dizer que a demanda está estagnada (você mesmo escreveu num post mais antigo que após a entrada da Emirates em GRU os pobs da SAA diminuíram consideravelmente).
Obrigado por tornar a questão mais clara. Saturado é algo em excesso, e pode ser tanto oferta quanto demanda.
E continuo achando que não existe demanda para vôos GIG-JNB no momento. E digo mais: o Rio de Janeiro não é o "umbigo do mundo".
Nenhum lugar é o umbigo do mundo e ninguém aqui disse o contrário. Eu só acredito que exista demanda para GIG-JNB e pronto.
Ah, e nem São Paulo é o único lugar que se faz negócios.