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[LEILÃO] Safety Cards

O leilão de Safety Cards da TRANSBRASIL e da VASP foi encerrado. Em breve teremos novos leilões! Portanto aguardem pelas novidades!

Número de acidentes aéreos no Brasil cresce desde 2005


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Postado 15 de setembro de 2008 - 22:53

Plantão | Publicada em 15/09/2008 às 19h33m
Fabiana Parajara, O Globo Online

SÃO PAULO - Nos últimos três anos, o número de acidentes aéreos registrados no país está crescendo. Em 2005, foram registrados pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáutico (Cenipa) 58 acidentes. Em 2006, o número subiu para 66 e em 2007 foi registrado o maior número dos últimos dez anos: 97 acidentes. O brigadeiro Jorge Kersul Filho, que comanda o Cenipa e divulgou os números nesta segunda-feira, em São Paulo, disse que aeronaves pequenas são as que mais se envolvem com acidentes. Os helicópteros representaram quase 20% dos acidentes do ano passado.

Nos últimos 10 anos, segundo o Cenipa, pelo menos 991 pessoas morreram em acidentes aéreos no país. Desse total, quase a metade das vítimas (48,9%) morreram entre 2006 e 2007, a maioria em decorrência dos acidentes com vôos da Gol e da TAM, que tiveram 154 e 199 vítimas respectivamente. Ao todo, foram 654 acidentes nesse período, sendo 255 com vítimas fatais.

A categoria aviação geral, que exclui os vôos comerciais, concentra 41,1% dos acidentes, seguida por táxi aéreo, com 24%; agrícola, com 13,9%; e serviços de instrução, com 10,2%. Os vôos comerciais representam 4,3% dos acidentes, seguido por vôos de segurança pública, 4%, publicidade, 2,1% e 0,5% que não são aviões regulares.

- Apesar da aviação comercial representar uma parte muita pequena dos acidentes, a crise aérea e os dois grandes acidentes (Gol e TAM, em 2006 e 2007) em um curto espaço de tempo acabaram deixando a população temerosa - diz Jorge Kersul Filho, que reconhece que o medo não é de todo infundado.

- Os aviões comerciais são cada vez maiores e acabam fazendo um número maior de vítimas em caso de acidente. Antes, eles tinham 100 lugares, agora são 200 - afirmou.

Exatamente por isso, o número de vítimas neste segmento é maior entre as categorias analisadas, foram 398 mortes nos últimos 10 anos, contra 300 vítimas em acidentes de aviação geral, 176 em táxi aéreo, 37 em instrução e 31 em agrícola. Sobre os acidentes com vítimas fatais, o Cenipa ainda destaca que houve um aumento significativo no último ano, com envolvimento de 0,27% dos aviões registrados e ativos em 2007, contra um índice de 0,18% em 2006.

De acordo com Kersul Filho, para reduzir esses índices haverá investimento na preparação dos profissionais. Ele ainda pede maior fiscalização em aeroportos e aeroclubes, para coibir desobediências aos códigos da aviação.

- Obviamente não dá para ter um fiscal com cada piloto, mas essa área tem de ser reforçada - afirmou o brigadeiro, sem citar quanto o governo deveria investir na área.

Segundo ele, o investimento em pilotos, controladores e pessoal técnico também é fundamental para reduzir acidentes.

- Em aviação, um acidente nunca ocorre por uma causa específica. Em geral, são um conjunto de fatores - explicou.

Entre os fatores que mais contribuíram para acidentes, nos últimos 10 anos, estão erros de julgamento (seja de comandantes ou controladores) que aparecem em 52,7% dos acidentes analisados; seguidos por problemas de supervisão (48,7%); aspectos psicológicos, que afetariam o desempenho do profissional (44,5%); planejamento de vôo que inclui a revisão da aeronave (43%) e indisciplina em vôo (25,9%).

As falhas mecânicas também são motivo de preocupação, já que a incidência desse tipo de ocorrência vem aumentando desde 2004. No ano passado, nos 35 acidentes de aviação geral, 31,4% tiveram ocorrência de falha mecânica. Em 2006, esse percentual foi de 30,4%. Nos anos anteriores, eles não passavam de 29%.

Helicópteros

O tráfego de helicópteros é outro ponto de preocupação para a Aeronáutica. A cidade de São Paulo tem 500 em operação na cidade e conta com uma das maiores frotas do mundo. Foram 139 acidentes de helicópteros em 10 anos, sendo 44 deles na região de São Paulo e outros 40 na região 3 do Cenipa, que abrange os estados do Rio de Janeiro, Espírito Santo e Minas Gerais.

- Em São Paulo, conforme o trânsito piora embaixo, mais gente apela para os helicópteros. No Rio de Janeiro, as operações off-shore, por causa das plataformas de petróleo, tendem a aumentar e temos de estar preparados para essa demanda - disse Kersul Filho.

De acordo com ele, a fiscalização no setor, no entanto, tende a ser melhor, porque é feita pelos próprios pilotos.

- Eles se conhecem e sabem quem têm condições de voar. Aqueles que não têm nem chegam a conseguir trabalho - afirmou o brigadeiro.

Aviação geral e táxi aéreo

Os dois segmentos que lideram em número de acidentes também estão entre os mais difíceis de fiscalizar, já que incluem aeronaves de pequeno porte, que nem sempre usam os aeroportos para decolar e aterrizar.

- É aquele dono de aeronave que não tem tanta experiência ou mesmo aquele fazendeiro que pousa em sua fazenda, muitas vezes em pistas sem boas condições, sem a mesma infra-estrutura da aviação comercial - afirmou Kersul Filho.

Incidentes de vôo

De acordo com os dados do Cenipa, os índices de incidentes de vôo estão em queda (derrapagens, colisão com aves), passaram de 1.189 em 2005, para 751 em 2006 e para 491 em 2007. Mas esses números também podem esconder a falta de notificação. Segundo Kersul Filho, o Brasil é signatário do International Confidential Aviation Safety Systems (ICASS), grupo de 13 países, que permite a notificação confidencial de incidentes.

- Pelo sistema, o profissional pode preencher o relatório e enviá-lo pelo correio, anonimamente. Os dados são apurados, mas são usados para punição. Eles servem como um sistema para prevenção de novos acidentes - explicou o brigadeiro. No entanto, desde que a Justiça determinou a entrega desses dados para a apuração dos acidentes da TAM e da Gol, os número de relatórios caiu.

- Passou de 90 no ano passado para apenas 9 neste ano. Há informações nos relatórios que muitas vezes permitem chegar a quem enviou - disse o brigadeiro, que defende uma apuração independente de acidentes, pelo Cenipa e pela Justiça. .

De acordo com o brigadeiro Jorge Kersul Filho, por ser signatário desse grupo, o Brasil ainda tem de seguir uma série de recomendações para prevenção de acidentes, além de ter projetos específicos para o Brasil, como os que reduzem colisões com pássaros ou com balões.





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