Isaac,
Eu também acho que Campinas tenha demanda para mais vôos e torço para que as companhias abram mais rotas e frequências de/para VCP. Eu só não concordo com a intenção do governo de tornar VCP o principal aeroporto da área do Terminal São Paulo, dada a distância do principal mercado (mesmo com o trem de alta velocidade, será uma verdadeira odisséia chegar em VCP). Aliás, eu não consigo entender mais nada, pois cada hora falam uma coisa: primeiro que VCP em 2030 será o principal aeroporto do Terminal São Paulo e um grande hub para o Cone Sul, com capacidade para 80 milhões de pax/ano, 3 pistas e com ligação por trem de alta velocidade com a Estação da Luz e descartam o novo aeroporto; depois, retomam o projeto da construção do terceiro aeroporto (que, nesse caso, seria o quarto), mas mantém essa projeção de VCP atender 80 milhões de pax/ano. Nenhum dos 4 aeroportos conseguirá ser hub com tamanha desconcentração de tráfego. Acho que nenhuma grande megalópole do mundo tem 4 aeroportos, nem em país desenvolvido! Imaginem isso aqui no Brasil! Haverá uma capacidade ociosa imensa!
O que eu acho que deve ser feito é racionalizar a utilização dos dois aeroportos da RMSP e fomentar uma maior utilização de VCP, com mais vôos e frequências, mas mirando principalmente na demanda regional e na função de mini-hub, sem focar no passageiro paulistano, descartando, assim, esse projeto megalomaníaco de 80 milhões de pax/ano e trem de alta velocidade. Acho que uma capacidade de 25 milhões de pax/ano para VCP em 2030 está de bom tamanho. Quanto a CGH e GRU, deve-se procurar otimizar a utilização.
No caso de CGH, por exemplo, dizem que a maior limitação é o comprimento da pista e a ausência de áreas de escape. 1800 metros é uma boa dimensão, que já permitiu, no passado, pousos e decolagens de widebodies (quem não se lembra dos A300 da Vasp e dos CGH-MCO da Transbrasil?). Eu diria que a grande limitação está no terminal. Onde já se viu a capacidade do aeroporto central de uma região metropolitana com 18 milhões de habitantes e principal centro econômico do continente ficar limitada a pouco mais de uma dezena de milhões de passageiros? E ampliar o Terminal seria a coisa mais fácil de resolver. Eu, particularmente, acredito que CGH possa ter uma capacidade para 25 milhões de pax/ano. Basta que seja melhor utilizado. Apenas para citar um exemplo, neste ano são esperados 180 mil pousos/decolagens e 13,6 milhões de embarques/desembarques. Isso dá, aproximadamente, 76 pax/vôo, um verdadeiro desperdício de capacidade! Eu acho que deveria-se transferir toda a aviação executiva para Campo de Marte e Jundiaí, para desocupar alguns slots, pois o interesse público deve prevalecer sobre o de alguns poucos endinheirados. Isso seria segregação? Lógico que não! Ninguém estaria impedindo essas pessoas de terem a comodidade de embarcar/desembarcar em CGH, desde que o fizessem com avião de carreira. Um avião executivo com 5 passageiros tira a possibilidade de outros 100-150 poderem embarcar no aeroporto central.
Além disso, poderiam cobrar uma taxa extra de cerca R$ 2000 por cada pouso/decolagem. Se as companhias fossem repassar os custos para os passageiros, a passagem ficaria cerca de R$ 20 reais mais cara no caso de aviões de 150 passageiros e R$ 60 no caso de aviões com capacidade para 50 passageiros, considerando uma ocupação de 67%. Isso fomentaria a utilização de aviões maiores e inviabilizaria a aviação regional em CGH, com dois efeitos imediatos, ambos positivos: 1) deslocando a aviação regional para GRU, seriam liberados slots para B737 e A320 em CGH; 2) a possibilidade de uma cidade do interior ter vôos para a São Paulo aumentaria muito, pois ao O&D agregaria-se maiores opções de conexões nacionais e também internacionais. Assim, ao invés de desestimular a aviação regional, estaria-se, na verdade, impulsionando-a. Paralelamente, poderia-se ampliar o número de operações para 42 por hora (CGH já operou com 54 vôos/hora e nunca deu problema!), o que seria suficiente para manter a separação de segurança entre as aeronaves. Considerando o horário entre 7h00 e 22h00, seriam 630 operações/dia ou cerca de 200 mil/ano (considerando que no sábado e no domingo o movimento cai pela metade. Se apenas B73G e A319 fizessem as operações seriam 20 milhões de pax/ano (considerando 70% de ocupação). Se fossem feitas apenas com B738 e A320 seriam 24 milhões de pax/ano, ou quase 90% a mais do que o esperado para este ano. O dinheiro extra arrecadado seria de R$400 milhões/ano. Se quisessem resolver o problema das áreas de escape, em 4-5 anos seria possível desapropriar 250x300 = 75.000 m² posterior a cada cabeceira da pista principal e construir um elevado com concreto poroso, com as avenidas passando subterraneamente. Sem falar que seria uma bela grana para ampliar o terminal, como disse antes, o maior problema de CGH.
Quanto a GRU, o Terceiro terminal deve certamente ser construído e, assim a capacidade do aeroporto seria ampliada para 30 milhões de pax/ano, mas não deve demorar muito para que as pistas se tornem saturadas, mesmo com a construção de mais saídas rápidas. É por isso que a terceira pista é essencial. Quanto a isso, só tenho uma coisa a dizer: o custo econômico que seria necessário para desapropriar os invasores (parece até metáfora!) seria inferior a R$ 1 bilhão. O custo do trem Luz-VCP será superior a R$ 2 bilhões, sem falar no que será gasto posteriormente, seja para subsidiá-lo, seja do bolso dos passageiros. O custo que inviabiliza a terceira pista de GRU é outro e atende pelo nome de "custo político", algo que no Brasil, infelizmente, sempre transpõe a racionalidade econômica.
Portanto, acredito que a construção do terceiro aeroporto não é necessária, nem a ampliação de VCP para 80 milhões de pax/ano. Basta que se aproveite melhor a infra-estrutura já existente, ampliando-a. Com isso, poderíamos ter uma capacidade de 25 milhões de pax/ano em CGH, 30 milhões de pax/ano em GRU e 20 milhões de pax/ano em VCP, totalizando 75 milhões de pax/ano ou mais do que o dobro da capacidade atual do Terminal São Paulo. Se considerarmos, ainda, o TPS4 de GRU (que só é viável com a terceira pista), com capacidade para 12 milhões de pax/ano, a capacidade total do sistema subiria para incríveis 87 milhões de pax/ano!!!
Abraços.
Bela explicação Thiago. Só gostaria de lembrar que em nenhum momento aqui no tópico , disse que sou a favor do projeto maluco de 80 milhões de pax/ano em VCP , confesso que pensava assim , mas depois de muito ler , vi que é totalmente irreal. Só disse que VCP merece uma ampliação , possibilitando assim um maior escoamento da demanda da RMC , facilitando as coisas até pra CGH e GRU. Quanto ao trem rápido , eu digo , porque não ? Talvez trazer pax de SP pra VCP não seja a principal função dele , talvez não precise ser "agora", mas é até um projeto interessante para todo o estado , e também para o País , mas sem a função de escoar pax de SP pra Campinas , é ou não é ? SP-Campinas-SP é um trecho pequeno (100KM) e muito movimentado , uma ligação rápida não seria má idéia. Diferente do FalcãoBr , você sugeriu 20 milhões de pax/ano em VCP , eu acho um nº bom , que deixaria VCP sem maiores problemas por muito tempo , e claro , não podemos esquecer da ampliação da capacidade do TECA , até porque a carga sem dúvida o carro-chefe do aeroporto , talvez com uma capacidade maior , possamos receber ainda mais cargas , não esquecendo da 2ª pista. No mais , concordo plenamente Thiago. Abraço
Editado por Isaac - futuro piloto, 10 de outubro de 2008 - 13:51 .