Fonte: Gazeta Mercantil, 27/10/2008 (Caderno C; pág.2)
Cláudio Magnavita*
Um dos maiores ativos da Varig, o programa de milhagem Smiles, volta com força máxima e terá capacidade de criar musculatura para consolidar a posição de 40% da Gol no mercado nacional. A notícia é parte do pacote de decisões anunciado nos últimos dias pela empresa e que passou relativamente despercebida. É decisão histórica, que reposiciona a Gol no mercado doméstico como a segunda maior aérea do País.
Na prática, a Gol tem aquilo que foi, por muitos anos, a base do sucesso da Varig. São mais de cinco milhões de usuários do Smiles, que passam a contar com 794 vôos diários e frota de 110 aviões. Em outubro os vôos realizados começam a ser pontuados. Os clientes que se recadastrarem poderão sacar as milhas acumuladas a partir de 16 novembro. A adoção do Smiles diminui, assim, a diferença do produto Gol e TAM.
A decisão de aplicar de forma plena todo os recursos do maior programa de milhagem do Brasil possibilitará, em curto prazo, que a Gol recupere todo investimento realizado na compra da Varig. Na pratica, é como se a empresa estivesse comprando a carteira de clientes da Varig, o que, neste caso, transforma o investimento realizado em um grande negócio.
No mercado financeiro é comum que bancos paguem fortunas para compra de carteiras de clientes. O GDF (Governo do Distrito Federal) vendeu por R$ 800 milhões ao BRB o direito de ser a instituição financeira que abriga a sua folha de pagamento. O Santander, que dividia com o Banco do Brasil a conta dos salários da Prefeitura de São Paulo, perdeu o filão para o Itaú, que pagou R$ 510 milhões ao município para ficar com carteira de 220 mil pessoas.
Se o raciocínio for aplicado na aviação, o que a Gol pagou pela Varig só para ter a sua carteira de clientes é uma ínfima parte da movimentação do sistema financeiro na compra de carteiras de clientes. Para que isso ocorresse seria necessário que a Gol reformulasse sua posição de mercado e aceitasse o programa de fidelização de forma plena. O que aparentemente teria sido um ‘péssimo’ negócio, transforma-se em gol de placa. Porém, para que o efeito fosse completo, a metamorfose tinha que ser absoluta: a saída da marca Varig e a transferência desses clientes para a nova Gol. O Smiles é agora o programa de milhagem da Gol.A base dos clientes Smiles é superior a 5 milhões de usuários, dos quais 12 mil diamantes, 50 mil ouros e 200 mil pratas. São passageiros que se mantiveram fiéis ao programa, mesmo na época critica da velha Varig. Só essa unidade de negócios, vitalizada pelos vôos da Gol e transformada em negócio à parte, poderá valer, isoladamente, a curto prazo, mais de US$ 400 milhões - além do valor pago pela aquisição da Varig.
Quando a Air Canada, via Aeroplan, prestou consultoria, nos primeiros dias da nova Varig, seus executivos ficaram surpresos com a força do programa de milhagem brasileiro. Em meio a todos problemas da companhia aérea, o Smiles gerava receita mensal superior de R$ 8 milhões.
No período áureo da velha Varig, só em milhas vendidas para os 114 parceiros, a companhia chegava arrecadar anualmente mais de R$ 100 milhões. Em 2006, foi a receita do Smiles que serviu de lastro para uma antecipação de receita, que garantiu a sobrevida da empresa até o leilão.
Entre os maiores clientes estavam as instituições financeiras que hoje representam os grandes concorrentes aos próprios programas de milhagens. Os bancos descobriram o mundo de negócios que podem ser gerados a partir de um programa de fidelização. Foi o programa de milhagem que ajudou a Air Canada a sair da crise pela qual passou recentemente.
Não só o Smiles passa a ter um valor milionário no mercado como uma empresa independente. Seguindo os passos de outros programas de fidelização, o Programa de Fidelidade TAM também ganhará vôo solo.
A Gol, além do nicho original de mercado - o de companhia com tarifas baixas e baixo custo de operação, que no máximo representa 26% do mercado brasileiro - , entra de forma consolidada como transportadora nacional com universo de passageiros que prezam check-in diferenciado, sala Vip, prioridade de embarque e até serviço de bordo. No filé mignon da aviação, a ponte aérea, a Gol será empresa nobre e trará o famoso hambúrguer de picanha da Varig.
O vice-presidente comercial e de marketing da Gol, Tarcísio Gargioni, revela que o programa ressurge de forma plena. "Iremos realizar um recadastramento pela internet de todos os associados. Teremos reforço de 440 operadores de telemarketing exclusivos para o Smiles".
* Jornalista especializado em aviação
Cláudio Magnavita*
Um dos maiores ativos da Varig, o programa de milhagem Smiles, volta com força máxima e terá capacidade de criar musculatura para consolidar a posição de 40% da Gol no mercado nacional. A notícia é parte do pacote de decisões anunciado nos últimos dias pela empresa e que passou relativamente despercebida. É decisão histórica, que reposiciona a Gol no mercado doméstico como a segunda maior aérea do País.
Na prática, a Gol tem aquilo que foi, por muitos anos, a base do sucesso da Varig. São mais de cinco milhões de usuários do Smiles, que passam a contar com 794 vôos diários e frota de 110 aviões. Em outubro os vôos realizados começam a ser pontuados. Os clientes que se recadastrarem poderão sacar as milhas acumuladas a partir de 16 novembro. A adoção do Smiles diminui, assim, a diferença do produto Gol e TAM.
A decisão de aplicar de forma plena todo os recursos do maior programa de milhagem do Brasil possibilitará, em curto prazo, que a Gol recupere todo investimento realizado na compra da Varig. Na pratica, é como se a empresa estivesse comprando a carteira de clientes da Varig, o que, neste caso, transforma o investimento realizado em um grande negócio.
No mercado financeiro é comum que bancos paguem fortunas para compra de carteiras de clientes. O GDF (Governo do Distrito Federal) vendeu por R$ 800 milhões ao BRB o direito de ser a instituição financeira que abriga a sua folha de pagamento. O Santander, que dividia com o Banco do Brasil a conta dos salários da Prefeitura de São Paulo, perdeu o filão para o Itaú, que pagou R$ 510 milhões ao município para ficar com carteira de 220 mil pessoas.
Se o raciocínio for aplicado na aviação, o que a Gol pagou pela Varig só para ter a sua carteira de clientes é uma ínfima parte da movimentação do sistema financeiro na compra de carteiras de clientes. Para que isso ocorresse seria necessário que a Gol reformulasse sua posição de mercado e aceitasse o programa de fidelização de forma plena. O que aparentemente teria sido um ‘péssimo’ negócio, transforma-se em gol de placa. Porém, para que o efeito fosse completo, a metamorfose tinha que ser absoluta: a saída da marca Varig e a transferência desses clientes para a nova Gol. O Smiles é agora o programa de milhagem da Gol.A base dos clientes Smiles é superior a 5 milhões de usuários, dos quais 12 mil diamantes, 50 mil ouros e 200 mil pratas. São passageiros que se mantiveram fiéis ao programa, mesmo na época critica da velha Varig. Só essa unidade de negócios, vitalizada pelos vôos da Gol e transformada em negócio à parte, poderá valer, isoladamente, a curto prazo, mais de US$ 400 milhões - além do valor pago pela aquisição da Varig.
Quando a Air Canada, via Aeroplan, prestou consultoria, nos primeiros dias da nova Varig, seus executivos ficaram surpresos com a força do programa de milhagem brasileiro. Em meio a todos problemas da companhia aérea, o Smiles gerava receita mensal superior de R$ 8 milhões.
No período áureo da velha Varig, só em milhas vendidas para os 114 parceiros, a companhia chegava arrecadar anualmente mais de R$ 100 milhões. Em 2006, foi a receita do Smiles que serviu de lastro para uma antecipação de receita, que garantiu a sobrevida da empresa até o leilão.
Entre os maiores clientes estavam as instituições financeiras que hoje representam os grandes concorrentes aos próprios programas de milhagens. Os bancos descobriram o mundo de negócios que podem ser gerados a partir de um programa de fidelização. Foi o programa de milhagem que ajudou a Air Canada a sair da crise pela qual passou recentemente.
Não só o Smiles passa a ter um valor milionário no mercado como uma empresa independente. Seguindo os passos de outros programas de fidelização, o Programa de Fidelidade TAM também ganhará vôo solo.
A Gol, além do nicho original de mercado - o de companhia com tarifas baixas e baixo custo de operação, que no máximo representa 26% do mercado brasileiro - , entra de forma consolidada como transportadora nacional com universo de passageiros que prezam check-in diferenciado, sala Vip, prioridade de embarque e até serviço de bordo. No filé mignon da aviação, a ponte aérea, a Gol será empresa nobre e trará o famoso hambúrguer de picanha da Varig.
O vice-presidente comercial e de marketing da Gol, Tarcísio Gargioni, revela que o programa ressurge de forma plena. "Iremos realizar um recadastramento pela internet de todos os associados. Teremos reforço de 440 operadores de telemarketing exclusivos para o Smiles".
* Jornalista especializado em aviação



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