Aeroporto Brasil, sim, com relação às opções de vôos para passageiros, você está certo (sobre o movimento "desconcentrado", é outra conversa). Recentemente ainda era possivel encontrar CWB-GRU por R$ 69,00, e estando em GRU, pode-se para ir a qualquer capital e para o exterior. A duplicação completa da Régis-Bittencourt sai do papel e isso também facilita o acesso e a integração econômica com São Paulo.
Porém a questão é mais ampla, e o Paraná, assim como todos os demais estados, também tem vida própria. Acho que pode-se dividir a questão em 2 partes:
1) Carga: Quando me refiro a ser "refém", me refiro especialmente a essa questão, já discutida aqui também: transporte de cargas. O fato de não ser possível descer em Curitiba com um WB cargueiro cheio é prejudicial a cidade. Na região há indústrias como Audi/Volkswagen, Renault, Volvo, Siemens, Bosch. Das 100 maiores empresas da América Latina, 38 tem instalações na região de Curitiba. Enquanto a pista não for alongada, não será possível descer ou decolar com um cargueiro lotado, e sempre será preciso dividir em 2-3 vôos ou transportar tudo por terra, o que encarece, e ainda aumenta o número de mortos em acidentes nas estradas. Quem vem investir e abrir fábricas no Brasil leva isso em consideração, e sem compensações (fiscais, principalmente, mas outras também), prefere se instalar em SP mesmo.
Em outro tópico está se discutindo o Brasil da Copa 2014. Ora, no relatório que a FIFA divulgou consta claramente as limitações de pista do Afonso Pena. É um exemplo cristalino de que como a falta de infraestrutura pode prejudicar uma cidade, ainda que estando próximo a um centro maior.
2) Passageiros: Quem vai ao Brasil visitar Foz, Curitiba ou outras cidades, tem que parar em São Paulo para fazer a conexão, quando poderia bem descer no próprio estado, o qual deveria também arrecadar com a movimentação aeroportuária daqueles turistas que o tem como destino. A TAP já demonstrou ter interesse em voar para Curitiba, e isso talvez não aconteça por falta de estrutura (pista curta para um A332, falta de CAT III).
Mas veja, estamos falando aqui de Curitiba, mas na verdade é uma praga que aflige TODO o país: falta de infraestrutura. Não estou dizendo que exista um "complô maquiavélico" de paulistanos para controlar o universo, nada disso. Ocorre que em terra de cego, quem tem um olho é rei. Enquanto todos os aeroportos deveriam ter excedentes de infraestrutura, o que todos têm mesmo é falta, e com isso São Paulo e Rio, apesar de estarem precários também, sobressaltam aos demais e atraem investimentos, crescem. O resto... bem, o resto fica comendo poeira. Fica como refém dos grandes. Acho que ficou mais claro agora.
Quanto à matéria que abre o tópico: me chama a atenção retirarem do PAC a ampliação em 300 metros, para "recolocar depois que terminarem os estudos". Acho que a FIEP corre o risco de negociar a troca de 1 na mão por 2 voando.
E por falar em infraestrutura: o que o Requião fez com o porto de Paranaguá! Me dá um mal estar só de pensar em quantos empregos e receita o estado perdeu com a politização do porto. Nem dragagem de rotina estavam fazendo mais. Não sei como está agora.
Stratocruiser,
Como eu imaginava, a sua intenção não era efetivamente afirmar que Curitiba é refém de São Paulo, mas sim que a grande maioria das cidades do Brasil é refém da Infraero e de certas autoridades. Até porque os problemas de Curitiba se repetem, na minha opinião em maior escala, também em São Paulo.
Aliás, se existe alguma cidade que foi mais prejudicada em matéria de infra-estrutura aeroportuária essa cidade sem dúvida foi São Paulo, que foi a última grande cidade do mundo a receber um aeroporto internacional. Cumpre lembrar aqui que durante décadas São Paulo não dispunha de um aeroporto international e seus moradores eram obrigados invariavelmente a fazer uma escala em GIG. Até BH, que possui uma fração dos habitantes de São Paulo, teve o seu aeroporto internacional antes de São Paulo!
Em relação ao Requião, só posso concordar com você. Não apenas em relação à Paranaguá, mas em muitas outras questões, como por exemplo a disputa com as concessionárias das estradas estaduais. O problema do Paraná e do Brasil é ter essa classe de políticos que não resistem a um tipo de demagogia barata, que pode parecer benéfica para o povo em um primeiro momento, mas cujo custo acaba sendo repassado para gerações futuras.