Ontem a tarde eu voei no trecho NVT-CGH e no trecho CGH-SDU, e no primeiro teve turbulencia severa. Teve pax assustado durante o voo.
A grande verdade é que a maioria das pessoas tem medo, mas se mantem sob controle. Neste momentos de turbulencia mais forte as vezes dá pra se "ouvir" o silencio a bordo...
Eu, como pax, já passei por situações em que as pessoas se desesperaram:
1 - numa proximação em CGH, provavelmente sob condição de "micro burst", com um 735, o cara tomou tanta porrada na final sobre Moema, e teve de arremeter, já bem baixo, quase em cima da pista. O avião custou pra conseguir ganhar altura, assumindo grandes inclinações (ainda baixo) pra ambos os lados durante a subida (deve ter sido parecido com o filmete do A320 da TAP arremetendo, que rola no You Tube e no FL350). Houve uma enorme gritaria a bordo. Eu fiquei com um ##### medo !!! a senhora elegante que estava do meu lado, uns 65-70 anos falou: "#####, me desculpe meu filho, mas na hora eu pensei - agora fodeu" !!!! Dai a uns 3 minutos, quando já etava estabilizado, o Cmte entrou na fonia da cabine e avisou que a arremetida foi por fortes ventos, que a pista tinha sido invertida, e que ele iria fazer nova tentativa. Silencio total a bordo. Ele veio, mas ainda alto, sobre o Jabaquara, arremteu de novo. Só que ai, passou numa parte pesada do provavel CB que estava sobre o aeroporto. Nova porradaria, só que em maior altitude. Silencio total a bordo. Quando ele falou que iria tentar uma terceira vez, foi um escandalo: todo mundo gritando pra ele alternar outro aeroporto. E acabou acontecendo: fomos pousar em GRU, em condições quase normais. Chegando lá decobrimos que o nosso Cmte fora o unico a tentar pousar naquelas condições em CGH, e que todos os voos para CGH, daquele horario, tinham alternado GRU.
2 - no SDU, dia lindo, voo de EMB 145 para VIX. Tinha um afamilia, pai, mãe e dois filhos pequenos, em que a mãe estava com muito medo. A tripulação convenceu ela a se acalmar, o dia estava lindo, o voo ia ser tranquilo, etc. Ela tentou, mas não deu: quando chegou na cabeceira, avião alinhado, ela começõu a gritar, deu um piti total e o Cmte. foi obrigado a retornar ao patio para a familia descer.
3 - Vindo de NAT-FOR para GIG, com MD11 da RG, na executiva, ceu de brigadeiro em quase todo o voo. Daí, passando por BH para tomar a proa do Rio, na metade da descida tinha um ##### mal tempo. De repente só deu tempo do CMTE avisar "Srs comissarios aos seus lugares" e começõu a pauleira: foi a pior que eu já tive em todos os meus voos !!! a fase forte deve ter durado cerca de 15 a 20 segundos, mas pareceu uma eternidade. O MD sacudiu e se torceu todo, fazendo barulhos fortes (gelo ???) que pareciam vir de porradas no tubo de aluminio...A chefe de cabine, já uma senhora, sentou numa potrona vazia e começou a rezar em voz baixa. Muitos pax gritaram. Um minuto depois o Cmte apagou o sinal de atar cintos, e os comissários começaram a andar pelo avião para ver o estado dos pax..a velha comissária me disse que em quase 30 anos de voo nunca tinha visto nada igual !!! Apesar do voo ter seguido sem problemas até o pouso no GIG, cerca de 15 minutos depois, a tensão a bordo era visivel. A minha namorada quase não conseguia andar, na hora de sair do avião no GIG !!!
Estes são apenas alguns exemplos de como as pessoas podem reagir sob condição de panico. Então consigo entender que algumas pessoas percam o controle e reajam de forma unusual, sob condiçoes extremas.
Eu mesmo já tive situações em que tive de tomar calmante, pois estava com muito medo, e tive receio do meu coração. Especificamente , no primeiro caso acima, entre a primeira e a segunda arremetida, eu tomei um Valium, para diminuir o ritmo cardiaco.
Outra situação esquisista que eu presenciei foi com um 767 da RG, pousando em POA, sob mau tempo. Ja bem baixo, em cima das casas e logo antes de cruzar a estrada que passa em frente ao aeroporto, o WB tomou uma pancada do vento (wind shear ??), deu uma afundada forte, com grande inclinação, e alguns pax cehgaram a gritar. Pousou normalmente. No desmbarque, o Cmte da RG veio pra porta da cabine, pedir desculpas aos pax pelo ocorrido, quase que pessoa a pessoa, justificando que foi um vento cruzado, inesperado.
Então, não acredito que estes tipo de chilique tenha sido pra aparecer na midia. Deve ter sido panico, mesmo.
Antonio