Fonte: Valor Econômico, 30/01/2009 (Caderno B; pág.4)
Reportagem: Kevin Done, Financial Times
O fim do ano mostrou uma queda "sem precedentes e surpreendente" do transporte aéreo de cargas mundial. O transporte de cargas responde por 35% do valor dos bens vendidos internacionalmente e a International Air Transport Association (Iata) disse que os volumes transportados caíram 22,6% em dezembro, sobre igual mês de 2007. O tráfego de passageiros caiu 4,6% em dezembro.
Giovanni Bisignani, diretor-geral da Iata, disse que "não há uma descrição clara da desaceleração do comércio mundial. Mesmo em setembro de 2001 (depois dos atentados terroristas aos EUA), quando grande parte da frota mundial ficou em terra, o declínio foi de apenas 13,9%". A Iata disse que a queda de 4,6% nos passageiros foi menos dramática devido às viagens de lazer de fim de ano (reservadas antecipadamente).
Mas, as empresas aéreas ainda lutam para reduzir a capacidade de acordo com a queda da demanda e estão voando com mais assentos vazios. A capacidade foi reduzida em 1,5% em dezembro (sobre o mesmo período de 2007), e como resultado as companhias aéreas ocuparam apenas 73,8% dos assentos disponíveis. Há um ano, a fatia era de 76,2%. "Enquanto isso não for equilibrado, nem mesmo a grande queda nos preços dos combustíveis conseguirá impedir o setor de mergulhar no vermelho."
A British Airways alertou no começo desta semana que deverá ter um prejuízo operacional de cerca de 150 milhões de libras no atual exercício, que se encerra em março, anúncio feito pouco depois que a Air France-KLM, a maior companhia aérea da Europa, revelou um prejuízo de cerca de 200 milhões de euros para o quarto trimestre.
Bisignani disse que os preços das passagens também estão sob pressão. O transporte de passageiros de primeira classe, segmento em que a maioria das companhias aéreas consegue grande parte de seus lucros, caiu bastante.
O número de passagens de primeira classe emitidos no mundo caiu 11,5% em novembro, especialmente em resposta às turbulências nos serviços financeiros.
Para o ano de 2008 como um todo, a Iata disse que o transporte aéreo internacional de cargas caiu 4% e o número de passageiros transportados cresceu 1,6%, uma desaceleração significativa em relação ao crescimento de 7,4% obtido em 2007. A maior queda no tráfego de passageiros em dezembro ocorreu na região do Pacífico-Asiático - de 9,7% em relação a dezembro de 2007. As européias anunciaram queda de 2,7% na demanda por viagens internacionais e as norte-americanas uma queda de 4,3%.
Bisignani disse que "2009 está evoluindo para ser o ano mais difícil já registrado pela aviação internacional. A queda de 22,6% no transporte internacional de carga em dezembro nos coloca num território desconhecido e o fundo do poço não está à vista".
Em termos mundiais, as aéreas tiveram um prejuízo de US$ 5 bilhões em 2008, e a IATA prevê uma perda adicional de US$ 2,5 bilhões para este ano, com base numa previsão de US$ 60 o barril de petróleo. A IATA espera ainda uma queda de 3% no número de passageiros transportados e uma queda de 5% no volume de carga. As receitas do setor da aviação deverão cair este ano US$ 35 bilhões, para US$ 501 bilhões.
As companhias aéreas estão pedindo aos governos que relaxem as regras internacionais, para facilitar a consolidação mundial no setor, que ainda continua altamente fragmentado. A maioria dos países ainda permite que estrangeiros tenham apenas participações minoritárias em suas companhias aéreas. "Não queremos ajuda, mas precisamos mudar as regras de controle", disse Bisignani. "Quase todos os outros setores têm liberdade de acesso ao capital global e capacidade de realizar fusões internacionais, onde elas fazem sentido. Para as companhias aéreas serem administradas nesta crise, elas precisam das mesmas ferramentas administrativas."
Reportagem: Kevin Done, Financial Times
O fim do ano mostrou uma queda "sem precedentes e surpreendente" do transporte aéreo de cargas mundial. O transporte de cargas responde por 35% do valor dos bens vendidos internacionalmente e a International Air Transport Association (Iata) disse que os volumes transportados caíram 22,6% em dezembro, sobre igual mês de 2007. O tráfego de passageiros caiu 4,6% em dezembro.
Giovanni Bisignani, diretor-geral da Iata, disse que "não há uma descrição clara da desaceleração do comércio mundial. Mesmo em setembro de 2001 (depois dos atentados terroristas aos EUA), quando grande parte da frota mundial ficou em terra, o declínio foi de apenas 13,9%". A Iata disse que a queda de 4,6% nos passageiros foi menos dramática devido às viagens de lazer de fim de ano (reservadas antecipadamente).
Mas, as empresas aéreas ainda lutam para reduzir a capacidade de acordo com a queda da demanda e estão voando com mais assentos vazios. A capacidade foi reduzida em 1,5% em dezembro (sobre o mesmo período de 2007), e como resultado as companhias aéreas ocuparam apenas 73,8% dos assentos disponíveis. Há um ano, a fatia era de 76,2%. "Enquanto isso não for equilibrado, nem mesmo a grande queda nos preços dos combustíveis conseguirá impedir o setor de mergulhar no vermelho."
A British Airways alertou no começo desta semana que deverá ter um prejuízo operacional de cerca de 150 milhões de libras no atual exercício, que se encerra em março, anúncio feito pouco depois que a Air France-KLM, a maior companhia aérea da Europa, revelou um prejuízo de cerca de 200 milhões de euros para o quarto trimestre.
Bisignani disse que os preços das passagens também estão sob pressão. O transporte de passageiros de primeira classe, segmento em que a maioria das companhias aéreas consegue grande parte de seus lucros, caiu bastante.
O número de passagens de primeira classe emitidos no mundo caiu 11,5% em novembro, especialmente em resposta às turbulências nos serviços financeiros.
Para o ano de 2008 como um todo, a Iata disse que o transporte aéreo internacional de cargas caiu 4% e o número de passageiros transportados cresceu 1,6%, uma desaceleração significativa em relação ao crescimento de 7,4% obtido em 2007. A maior queda no tráfego de passageiros em dezembro ocorreu na região do Pacífico-Asiático - de 9,7% em relação a dezembro de 2007. As européias anunciaram queda de 2,7% na demanda por viagens internacionais e as norte-americanas uma queda de 4,3%.
Bisignani disse que "2009 está evoluindo para ser o ano mais difícil já registrado pela aviação internacional. A queda de 22,6% no transporte internacional de carga em dezembro nos coloca num território desconhecido e o fundo do poço não está à vista".
Em termos mundiais, as aéreas tiveram um prejuízo de US$ 5 bilhões em 2008, e a IATA prevê uma perda adicional de US$ 2,5 bilhões para este ano, com base numa previsão de US$ 60 o barril de petróleo. A IATA espera ainda uma queda de 3% no número de passageiros transportados e uma queda de 5% no volume de carga. As receitas do setor da aviação deverão cair este ano US$ 35 bilhões, para US$ 501 bilhões.
As companhias aéreas estão pedindo aos governos que relaxem as regras internacionais, para facilitar a consolidação mundial no setor, que ainda continua altamente fragmentado. A maioria dos países ainda permite que estrangeiros tenham apenas participações minoritárias em suas companhias aéreas. "Não queremos ajuda, mas precisamos mudar as regras de controle", disse Bisignani. "Quase todos os outros setores têm liberdade de acesso ao capital global e capacidade de realizar fusões internacionais, onde elas fazem sentido. Para as companhias aéreas serem administradas nesta crise, elas precisam das mesmas ferramentas administrativas."



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