
AEROPORTO DE BRASÍLIA: só os maiores terminais são lucrativos, o que dificultaria uma eventual privatização
(Existe alguma Brasília em Pernambuco?)
NO EMBATE INTERNO DO governo, prevaleceu a posição de Dilma Rousseff. A ministra da Casa Civil definiu que a Infraero, responsável pela gestão dos aeroportos, continuará estatal. A solução para levantar recursos será a abertura de capital. Decisão tomada, a hora agora é de arrumar a casa, porque hoje a empresa não é nada, ou quase nada, atraente para investidores privados. Nos últimos cinco anos, ela só teve lucro em 2008. Ganhou R$ 372 milhões, com uma receita bruta de R$ 2,5 bilhões. Mas o sistema de pistas, pátios e terminais não é da Infraero. Eles pertencem à União, e aparecem no balanço da empresa como despesa. A companhia precisa ainda resgatar sua imagem, depois das notícias de superfaturamento em obras de aeroportos, e adotar boas práticas de governança. Na quinta-feira 5, o BNDES lançou o edital para a contratação da consultoria que irá elaborar esse projeto de reestruturação para transformá-la em companhia aberta. "A União manterá o controle", garantiu o presidente da estatal, Cleonilson Nicácio.
Na modelagem que se desenha, há pouco espaço para a concessão de aeroportos, principalmente do Galeão e de Viracopos, como quer o ministro da Defesa, Nelson Jobim. Ele mandou sua pupila, a diretora-presidente da Agência Nacional de Aviação Civil, Solange Vieira, para a Alemanha aprender mais sobre o modelo de concessão de aeroportos à iniciativa privada. Solange entrega a Jobim um estudo com o marco regulatório sobre o tema até julho. Mas há um conflito de interesses entre a abertura de capital e as concessões. "Se o governo resolveu abrir o capital da Infraero, não faz sentido a estatal se livrar de dois dos principais aeroportos do País", diz o analista de aviação do Santander, Caio Dias. Segundo ele, se a estatal não mostrar a intenção de mexer na sua estrutura, ela será um ativo de alto risco, com grandes chances de um fracasso num eventual lançamento de ações. A analista de aviação da SLW, Kelly Trentin, lembra que no momento da abertura de capital o mercado olhará para o passado financeiro da empresa, fará projeção do fluxo de caixa para o futuro e calculará a taxa de desconto conforme o risco. "A Infraero não tem bons números para mostrar", avalia Trentin. "O governo pode enfrentar resistências, mas talvez os estrangeiros mostrem interesse." O brigadeiro Nicácio está otimista: "Queremos uma Infraero competitiva que possa até gerir aeroportos em outros países. Já recebemos muitas consultas, só não fomos porque a legislação não permite."
IstoÉ Dinheiro




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