Diferença entre o Bolsa Escola e o Bolsa Familia
O presidente Lula "destruiu o Bolsa-Escola quando fez o Bolsa-Família", porque o programa teria "tirado a escola da cabeça das pessoas". "Antes a mãe recebia e pensava: 'Eu estou recebendo essa bolsa porque meu filho vai à escola e indo à escola, ele vai sair da pobreza'. Hoje ela recebe a bolsa e diz: 'Eu recebo essa bolsa porque sou pobre. E se eu sair da pobreza, eu perco esse dinheirinho'".
Cristovam Buarque
Resumindo: antes era obrigatorio a crianca na escola para receber o dimdim, hj e uma fabrica de filho pra ganhar dinheiro sem fazer nada!
Nada a ver.
O Bolsa Família foi a unificação de vários programas sociais, como o Bolsa Escola, Bolsa Alimentação, Cartão Alimentação e Auxílio Gás. A centralização num único programa permitiu cortar custos com avaliação socioeconômica (é melhor fazer apenas uma do que quatro), facilitou a fiscalização do destino e aplicação dos recursos, unificou cadastros, etc. A exigência da frequência escolar continua. Se apenas uma criança não freqüentar as aular a família toda perde o benefício. Anteriormente apenas a parte correspondente a cada criança deixava de ser creditada, caso essa não freqüentasse a escola. É mais um estímulo para evitar baixa freqüência e evasão escolar, já que não se perde mais apenas R$ 15. A perda pode chegar até a R$ 156. Aliás, o próprio controle de frequência escolar evoluiu, já que agora é informatizado e ligado em rede com Brasília.
Sem falar nos inúmeros outros benefícios socioeconômicos da existência do Bolsa Família, como o grande estímulo econômico que empreende nas regiões carentes, como no Sertão e nas periferias das grandes metrópoles. Além disso. não é verdade que o programa desestimula a busca pelo ganhar a vida por meios próprios. Nenhuma família consegue viver com R$ 156, valor máximo do benefício, sem que tenha outras fontes de renda. Agora R$ 156 ou até menos, no caso das famílias com menor número de filhos e que tenham outras fonntes de renda, esse complemento pode ser a diferença entre a pobreza e a miséria, entre a fome e o mínimo de nutrição, entre a doença e o tratamento. A Revista Exame já relatou numa matéria vários casos de pessoas que usaram o dinheiro do programa como válvula de escape para não precisar mais dele. Caso de donas-de-casa que antes não tinham perspectiva nenhuma de trabalho e puderam comprar barraquinhas de cachorro quente, começaram a vender cocada, a costurar, com a ajuda do dinheiro governamental.
Acho engraçada a hipocrisia cultivada aqui no fórum. Criticam um programa social que atinge mais de 11 milhões de famílias pobres e que consome R$ 12 bilhões por ano, mas não se vê ninguém falando dos R$ 145 bilhões de juros da dívida pública que foram distribuidos a bancos e mais alguns poucos afortunados. Se não fossem as taxas de juros imorais podem ter certeza de que esse montante não teria passado dos R$ 100 bilhões. Mas o fato de a FEBRABAN (Federação Brasileira de Bancos) deter uma bancada no Senado federal maior do que qualquer partido político ninguém lembra!? Nem o fato de o presidente do Banco Central ter sido presidente mundial do Bank Boston anteriormente!? Portanto, se vocês estão sendo roubados por alguem, podem ter certeza de que não é o Bolsa Família.
Querem criticar esse programa? Por favor, critiquem o uso político que é feito dele, a associação da figura do Presidente da República e, consequente confusão de identidade, que é feita a ele. Afinal, se até aqui no fórum, onde as pessoas parecem ter um nível de instrução melhor, confundem Governo com Estado, imaginem a confusão que deve ser para as pessoas beneficiadas pelo programa. Mas, por favor, não critiquem o programa em si, pois seus benefícios superam e muito eventuais problemas.
Abraços.