Um dos aviões mais comentados do 48º Paris Air Show – Le Bourget vem mexer justamente com um dos mais importantes queijos brasileiros: o dos E-Jets da Embraer. O russo Sukhoi Superjet 100 veio ao ocidente mostrar que está pronto para brigar pela fatia de mercado no qual reina a companhia nacional, o dos jatos regionais de 80 a 120 lugares.
Afetada pela crise no mercado aeronáutico global, a fabricante brasileira buscou mostrar austeridade na exposição francesa. Não expôs nenhum avião e procurou divulgar seus novos projetos, caso dos Legacy 450 e 500, além do KC-390, modelo de transporte militar em desenvolvimento conjunto com a FAB. E, por conta disso, teve de assistir – de camarote, diga-se – o novo competidor alçar voo nas programações do show aéreo.
Na falta de lançamentos das marcas tradicionais, os russos se viram alçados à condição de vedete. E, se não chegaram a surpreender, também não decepcionaram. A tecnologia é de ponta e vem, além da Sukhoi, conhecida pelos jatos de combate, da italiana Finmeccanica, através de sua subsidiária Alenia. O turbofan PowerJet SaM146, da PowerJet (leia-se Snecma), traz materiais compostos e um boa dose de inovações técnicas, que lhe permitem entrar em linha com a nova geração de motores “verdes”, ou seja, econômicos sem perder a performance.
Em uma apresentação/coletiva para a imprensa, o presidente da Sukhoi, Victor Soubbotin, afirmou que a certificação do jato sai neste ano. E a meta é vender 1,4 mil aeronaves até 2028. A aeronave já conta com 122 pedidos firmes. Em Le Bourget, a Superjet assinou dois contratos: um de 24 aviões para a empresa russa de leasing Avia e outro para duas unidades, com opção de mais duas, para a companhia espanhola Gadair European Airlines.
Na cola dos brasileiros, além dos russos, os japoneses da Mitubishi Aircraft também vêm aproveitando Le Bourget para tentar deslanchar seu projeto MRJ (Mitsubishi Regional Jet). E ao longo da apresentação para a mídia, o CEO da Mitsubishi Aircraft, Hideo Egawa, e o Vice-presidente Comercial e de Serviços, Yosuke Tokigawa, deixaram explícita a intenção de ficar com um naco do bolo da Embraer e, em menor grau, da Bombardier. Os grandes argumentos de venda utilizados foram uma comparação direta de performance e economia entre os MRJs 90 e 70, os E-Jets 170 e 190, e os CRJs 700 e 900.
Mais modesto que o presidente da Sukhoi, o CEO da MA, Hideo Egawa, estima o mercado dos MRJs em mil unidades para as próximas duas décadas. Entre pedidos firmes e opções, o (por enquanto) virtual rival dos E-Jets tem modestas 25 encomendas. E todas da japonesa ANA (All Nippon Airways). Questionado sobre novos contratos, o VP da Mitsubishi, Yosuke Tokigawa, foi evasivo: “temos tido muitas consultas, mas não podemos revelar os envolvidos nas negociações”.




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