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No primeiro semestre
TAM passa de lucro a prejuízo operacional mas resultados financeiros duplicam lucros
Presstur 14-08-2009 (12h46) A TAM, maior companhia aérea brasileira, teve um resultado operacional negativo de 69,59 milhões de reais, quando há um ano tinha lucro de 128,33 milhões, mas o seu resultado final mostra uma duplicação do lucro líquido, para 556,65 milhões, pela duplicação da receita financeira, que atingiu 1.486,85 milhões.
O balanço (pelas normas internacionais IFRS) mostra que este quadro foi especialmente no segundo trimestre, no qual a perda operacional atingiu 142,49 milhões de reais, face a lucros de 74,53 milhões no ano passado, mas um aumento de 100,3% da receita financeira, para 1.224,78 milhões, levou ao aumento do lucro líquido em 123,5%, para 539,6 milhões.
A companhia explica o aumento da receita financeira, “principalmente em função do impacto positivo da variação cambial em relação ao 1T09 que afectou nosso balanço e a marcação a mercado de nossas posições futuras de hedge de combustível”.
De resto, no segundo trimestre a TAM teve uma queda da receita líquida operacional em 9%, para 2.269,6 milhões de reais, o que se traduz num decréscimo de 21,3% quando a receita é ponderada pela capacidade colocada no mercado (em ASK = lugares x quilómetros percorridos).
A queda da receita líquida ocorreu por um decréscimo em 12,7% das receitas de voo, para 2.085,1 milhões de reais, embora tenha aumentado a sua capacidade (em ASK) em 15,6%, tendo uma queda de 25,2% (de 17,66 centavos do real para 13,21 centavos) da receita por ASK em voos regulares colocados no mercado.
Esta queda incorpora uma queda da taxa de ocupação dos voos em 6,7 pontos, para 61,4%, uma vez que o crescimento do tráfego (em RPK = passageiros x quilómetros) foi de 5,8% (apesar de um decréscimo de 6% em número de passageiros transportados, para 7,086 milhões), e uma queda em 17% do preço que cobrou por passageiro x quilómetro (RPK), de 27,23 centavos do real para 22,6 centavos.
As contas indicam que a queda das receitas de voo ocorreu principalmente no mercado doméstico, onde os proveitos de voos regulares baixaram 15,8%, para 1.267,37 milhões de reais, e os proveitos de fretamentos caíram 26%, para 80,1 milhões, enquanto nas ligações internacionais os proveitos de voos regulares baixaram 3,5%, para 580,79 milhões de reais, e os fretamento aumentaram a facturação em 280,4%, para três milhões.
No transporte de carga, a companhia teve no segundo trimestre uma queda da receita em 16% (que compara com –2,8% no primeiro trimestre), para 214,89 milhões de reais, com quedas de 6,5% nos voos domésticos, para 110 milhões, e de 24% nos internacionais, para 104,86 milhões.
O balanço para o conjunto do primeiro semestre indica que a TAM tem neste período um aumento da receita líquida operacional de 3,2%, para 4.887,4 milhões de reais, apesar de uma estagnação em baixa (-0,1%) das receitas de voo (4.532,8 milhões de reais), com queda de 4,3% nos voos domésticos, para 2.728,8 milhões, e um aumento de 13,6% nos internacionais, para 1.380,8 milhões.
A carga tem uma queda média no semestre de 10%, para 423,3 milhões.
A informação da TAM mostra que a estagnação em baixa das receitas de voo se deu face a um aumento de capacidade em 16,1%, com aumentos de 13,1% nas ligações domésticas (+14,9% em voos regulares) e de 20,9% nas internacionais (+21% em voos regulares).
A procura (em RPK), porém, cresceu em média 6,4% — tendo mesmo um decréscimo de 4,5% em número de passageiros transportados, para 14,41 milhões —, com aumentos de 2% nas ligações domésticas (+3,8% em voos regulares) e de 12,7% nas internacionais (+12,9% em voos regulares).
A taxa de ocupação caiu assim 6,0 pontos em média, para 65,8%, reflectindo quedas de 6,8 pontos nos voos domésticos, para 62,9% (-6,7 pontos nos voos regulares, para 62,2%), e de 5,1 pontos nos voos internacionais, para 70% (-5,0 pontos nos voos regulares, para 70,1%).
Além de taxas de ocupação mais baixas, a TAM indica ainda queno semestre o yield (receita por passageiro x quilómetro) dos seus voos regulares domésticos baixou 8,2%, para 23,10 centavos do real, o que leva a um decréscimo médio da receita unitária (yiled ponderado pela taxa de ocupação) em 17%, para 13,71 centavos.
Para os internacionais, indica uma subida do yield em 0,5%, para 15,30 centavos do real, mas insuficiente para compensar a queda da taxa de ocupação, pelo que a receita unitária cai 6,2%, para 10,72 centavos (em dólares a receita unitária caiu 23,5%, para 5,49 cêntimos, com uma queda do yield em 18%, para 7,84 cêntimos).
Em relação às despesas operacionais, a TAM indica que no primeiro semestre tem um aumento médio de 7,4%, para 4.904,5 milhões de reais, apesar dos decréscimos em 28,3% da despesa de combustíveis, para 1.315 milhões, e em 12,9% das despesas de comercialização e marketing, para 404,9 milhões, porque, entre outros, a factura de pessoal subiu 25,3%, para 1.027,5 milhões de reais, os custos de manutenção e reparação (sem pessoal) mais do duplicaram (+102,3%), para 398,9 milhões, os custos de serviços de terceiros subiram 25,2%, para 389,5 milhões, os arrendamentos de aviões, motores e equipamentos subiram 36,4%, para 309,1 milhões, os encargos com aeroportos (aterragens e descolagens) e navegação aérea aumentaram 23,3%, para 301,8 milhões e as amortizações e provisões subiram 93,8%, para 348,8 milhões.
Desta forma, enquanto os proveitos líquidos por lugar x quilómetro baixaram 11,2%, os custos por lugar x quilómetros decresceram apenas 7,5%, para 15,38 centavos do real, apesar de reduções de 38,3% nos combustíveis, para 4,12 centavos, e em 24,9% nas despesas de comercialização e marketing, para 1,27 centavos, pelos aumentos em 18,3%, para 0,97 centavos, com arrendamento de aviões, motores e equipamentos, em 7,7%, para 3,22 centavos, com pessoal, em 73,6%, para 1,25 centavos, com manutenção e reparações (sem pessoal), em 8%, para 1,22 centavos, nos serviços prestados por terceiros, em 6,7%, para 0,95 centavos, nas tarifas de aterragens e descolagens e navegação aérea e em 65,2%, para 1,09 centavos, nas amortizações e provisões.
Em relação ao segundo trimestre, as contras da TAM indicam que a queda das despesas operacionais por ASK foi de 11,7%, para 15,34 centavos do real, face ao decréscimo em 21,3% da receita operacional líquida.
A queda do custo unitário deu-se pelos decréscimos em 45,6%, para 3,93 centavos do real, nos combustíveis (cuja factura baixou 37,3%, para 619,9 milhões de reais), em 4,3%, para 1,57 centavos, nas despesas de comercialização e marketing (embora neste caso o montante tenha aumentado 10,6%, para 247,3 milhões de reais) e em 6,3%, para 1,18 centavos, nos serviços prestados por terceiros (embora também neste caso com aumento da despesa em 8,4%, para 186,1 milhões).
Em alta evoluíram os custos unitários com arrendamento de aviões, motores e equipamentos (+16,2%, para 0,86 centavos, com um aumento da despesa em 34,9%, para 136,1 milhões), com pessoal (+5,6%, para 3,20 centavos, com um aumento da despesa em 22,1%, para 506,1 milhões), com manutenção e reparações (+63%, para 1,19 centavos, com um aumento da despesa em 88,4%, para 188,6 milhões), com as tarifas de aterragem e descolagem e navegação aérea (+11,2%, para 0,99 centavos, com um aumento da factura em 28,5%, para 156,1 milhões) e com amortizações e provisões (+98,3%, para 1,15 centavos, com um aumento de 128%, para 181 milhões).
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