Reproduzo aqui um trecho da reportagem sobre a Aeroeletrônica da última revista Força Aérea - edição n. 60, o qual fala um pouco sobre a modernização dos Bandeirante:
C-95M: o primeiro de muitos desafios
Quando ainda estava em Israel, a equipe da ASH (Avionics Software House, uma "divisão" da Aeroeletrônica) recebeu uma importante notícia: a Aeroeletrônica havia sido escolhida para executar a modernização da frota de Embraer EMB-110 Bandeirante e EMB-111 Bandeirulha da Força Aérea Brasileira.
Todo o trabalho será desenvolvido na sede da AEL, em Porto Alegre, e integrado no Rio de Janeiro, no Parque de Material Aeronáutico do Campo de Afonsos (PAMA-AF), unidade responsável pelo projeto Bandeirante na FAB.
"Nós estávamos em Israel quando soubemos que a Aeroeletrônica havia fechado o contrato com o C-95. Todos os brasileiros vibraram e sentiram muito orgulho e, na mesma hora, batemos pé para vir trabalhar nesse projeto, e não em outro. Para nós, além do desafio e da responsabilidade, existe um sentimento de orgulho de colocarmos um pouco de nossa cara em uma aeronave nossa", lembra o engenheiro Leonardo Vegini.
A confirmação da assinatura do contrato de modernização do Bandeirante antecipou a vinda de parte do grupo para o Brasil, justamente para capitanear o trabalho de desenvolvimento do software aviônico e da ingração, que teve seu start ainda em solo israelense.
O projeto do C-95M já está bastante adiantado e é muito bem resolvido, com um layout moderno e funcional. O novo painel será todo glass cockpit, sendo dominado por quatro telas de cristal líquido do tipo MFD, que serão responsáveis por apresentar aos pilotos, em telas e subtelas, todos os instrumentos básicos de voo, navegação, sistemas da aeronave, situação dos motores e radar metereológico, entre outros. Dos mais de 30 itens presentes no painel dos C-95A/B/C, apenas nove vão permanecer. Os demais serão modernizados ou substituídos por novos aviônicos. O c-95M passará a contar, também, com piloto automático (PA), um novo sistema de controle de combustível, novos rádios VHF/HF, dois GPSs, um moderno AHRS (Attitude Heading and Reference System) de referência de altitude e proa e um EFB integrado aos MFDs.
"A tecnologia que trouxemos de Israel para o C-95M é considerada no estado da arte. A linguagem gráfica e o arranjo dos aviônicos do C-95M/P-95M utilizam o mesmo conceito empregado no Airbus A380, ou seja, é o que há de mais moderno no mercado" explica o engenheiro José Eduardo Klippel.
O trabalho de desenvolvimento segue a passos firmes, e a previsão é que em 2010 as primeiras aeronaves modernizadas comecem a ser entregues. Com a modernização, a FAB passará a contar com vetores equipados com uma aviônica de primeiro mundo, capazer de manter em serviço operacional por mais 25 anos, com excelente razão custo-benefício.
PS: será que as células aguentam mais 25 anos de serviço?