In Lusa:
Pilotos falam em «descontentamento insustentável»
O Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil (SPAC) anunciou esta terça-feira a convocação de uma greve para os dias 24 e 25 de Setembro, devido ao «descontentamento insustentável manifestado pelos pilotos da TAP», revela a Lusa.
A decisão de avançar para a greve foi tomada esta tarde durante a assembleia-geral do SPAC, em que 85 por cento dos pilotos presentes na reunião votaram a favor da convocação dos dois dias de paralisação, de acordo com um comunicado da estrutura sindical.
Num extenso comunicado, os pilotos da TAP acusam a administração da empresa, liderada por Fernando Pinto, de cometer «vários erros» e de não levar em conta as «inúmeras e substanciais concessões» feitas pelos pilotos à empresa, quer em termos de remunerações, quer em termos de horários.
«Ou seja, os contributos dos Pilotos foram decisivos para a recuperação da Empresa e para a formação dos seus lucros. Os mesmos lucros que estiveram na origem da atribuição de prémios aos Administradores da TAP e aos demais gestores e trabalhadores. Mas não aos Pilotos», referem, em comunicado.
Os pilotos recusam «continuar a subsidiar indefinidamente um modelo de gestão baseado na contínua compressão dos salários reais e no aumento da produtividade». Para o SPAC, «a crise externa não é um argumento válido para conter as exigências dos Pilotos da TAP».
Além da degradação da situação financeira da empresa, o sindicato atribui também à administração «a degradação do serviço prestado aos clientes, com uma pontualidade e um índice de extravio de bagagens que é o segundo pior da Europa, amplificando as indemnizações aos passageiros (especialmente de ligação) para 31 milhões de euros em 2008».
E acusam ainda: «Tudo indica que o Eng. Fernando Pinto se prepara para diferir custos relativos a 2009 para exercícios subsequentes e antecipar receitas para camuflar o descalabro da gestão e continuar a receber prémios de gestão indevidos».
«Assim, no actual contexto de impasse negocial e perante o descontentamento insustentável manifestado pelos Pilotos da TAP na Assembleia-Geral de empresa realizada hoje, dia 8 de Setembro, a Direcção do SPAC foi mandatada, pela esmagadora maioria dos Pilotos presentes na AG (85% dos votos a favor), para convocar uma greve para os próximos dias 24 e 25 de Setembro de 2009», pode ler-se no final do documento.
In PressTur:
Presstur 09-09-2009 (00h48)
O yield (receita por passageiro x quilómetro) das ligações da TAP com o Brasil foi de 5,6 cêntimos em 2008, mas o respectivo custo foi de 8,3 cêntimos — é uma das críticas que o SPAC fez ontem à Administração da TAP liderada por Fernando Pinto, que acusou de ter promovido uma expansão “insustentável” e concentrada em “mercados deficitários”.
Estas acusações constam do comunicado divulgado pelo SPAC no qual anuncia que 85% dos presentes na sua Assembleia Geral realizada ontem mandatou a Direcção para convocar uma greve de dois dias, a 24 e 25 de Setembro.
Do comunicado consta a afirmação de que “em causa está o impasse nas negociações da revisão do Acordo de Empresa (AE) em conformidade com os benefícios de produtividade que os Pilotos trouxeram à companhia nos últimos dez anos”, mas praticamente todo o conteúdo é sobre alegadas “decisões erróneas ou omissões graves” da gestão, personificada em Fernando Pinto, que o SPAC diz terem conduzido ao “descalabro financeiro”.
Entre essas “decisões erróneas”, o SPAC aponta designadamente o “insustentável aumento da capacidade em 22% em 2008, especialmente no longo curso, (o mercado e a indústria cresceram a apenas 6%) e a sua concentração em mercados deficitários”.
O SPAC especifica as rotas do Brasil, nas quais diz que o yield (receita por passageiro x quilómetro) foi de apenas 5,6 cêntimos do euro, enquanto o custo ascendia a 8,3 cêntimos, sem especificar se se refere ao custo unitário, ou seja por lugar x quilómetro.
O SPAC diz ainda que a estratégia levou a uma subsidiação do tráfego de ligação pelo ponto a ponto, o que acarretou “custos de irregularidades elevados”, e contesta o que apelida de “abertura de linhas marginais”, nas quais inclui Brasília ou Belo Horizonte, que diz terem “tarifas que não cobrem os custos variáveis (margem bruta negativa)”.
A crítica do Sindicato diz ainda que a expansão da TAP “produziu resultados sem qualidade”, invocando nomeadamente a queda da taxa de ocupação para 63%, “que compara desfavoravelmente com a média da indústria de 77%” e, designadamente, com os 76% que o sindicato diz ser a taxa break-even da TAP (ocupação necessária para o equilíbrio de exploração).
Esta situação precipitou “o colapso das tarifas médias, que são as mais baixas da Association of European Airlines”, prossegue o SPAC que acusa que essa descida visou “ocultar o excesso de capacidade criado em 2007 pela gestão do Eng. Fernando Pinto”.
Ainda neste domínio, o SPAC também acusa a gestão de ter levado a uma “degradação do serviço prestado aos clientes, com uma pontualidade e um índice de extravio de bagagens que é o segundo pior da Europa, amplificando as indemnizações aos passageiros (especialmente de ligação)”, que o sindicato diz terem atingido os 31 milhões de euros em 2008.
Outro aspecto da gestão criticado pelo SPAC é o que caracteriza como “aquisições financiadas por dívida de empresas deficitárias e tecnicamente falidas”, referindo-se à VEM, que o sindicato diz ter “prejuízos acumulados desde a sua compra em 2005 de 300 milhões de euros”, e à PGA, que “apresentava prejuízos de 50 milhões em 2007”, a que junta “prejuízos da Groundforce de 36 milhões produzidos pela expansão e venda de 51% do seu capital à Globalia”.
Por último, o SPAC acusa a gestão de insuficiência ou ausência dos programas de hedging do combustível, como a sua execução no apogeu do preço em Julho de 2009, com prejuízos para a TAP de 12 milhões”.
Além destes aspectos operacionais, o SPAC também acusa a Administração da TAP de ter promovido uma situação em que, “na prática, o esforço e o sacrifício dos Pilotos foram consumidos em actos de gestão que precipitaram a TAP para a situação actual”.
As críticas estendem-se aos prémios de gestão relativos a 2006 e 2007, em relação aos quais o SPAC evidencia contestar a sua atribuição, ao dizer que se a TAP tivesse consolidado os prejuízos da VEM “os resultados seriam negativos e logo não dariam direito a prémios”, bem como deixa uma acusação de discriminação, ao afirmar que “num acto de gestão ainda por explicar, o Eng. Fernando Pinto esqueceu-se do contributo dos Pilotos quando, em 2008, decide distribuir um prémio pelos trabalhadores da TAP o qual não contemplou os Pilotos”.
Aliás, o SPAC inventaria o que descreve como “inúmeras e substanciais concessões à Empresa” por parte dos pilotos, desde 1999, com as quais, diz, apesar de um aumento de produtividade em 10% em horas de voo e 30% em PKO (unidade de capacidade = lugares x quilómetros), os seus salários reais “reduziram-se num valor não inferior a 23%, dado que as suas tabelas salariais não foram actualizadas e quando a inflação acumulada desde 2000 atingiu os 27%, segundo o INE”.
“Ou seja, os contributos dos Pilotos foram decisivos para a recuperação da Empresa e para a formação dos seus lucros. Os mesmos lucros que estiveram na origem da atribuição de prémios aos Administradores da TAP e aos demais gestores e trabalhadores. Mas não aos Pilotos” — acusa ainda o SPAC, que também diz que desde 1999 “o custo real com os Pilotos, por hora voada, declinou 47%, enquanto o peso do custo dos Pilotos nas vendas de passagens sofreu uma redução de 27%”.
“Assim, os Pilotos não vão continuar a subsidiar indefinidamente um modelo de gestão baseado na contínua compressão dos salários reais e no aumento da produtividade”, acrescenta o comunicado do SPAC a anunciar ter sido mandato para convocar a greve na TAP, no qual também acusa a gestão de camuflar resultados com a crise internacional.
“O Grupo TAP apresentou em 2008 um prejuízo de cerca de 13% das vendas consolidadas, ou seja, 6 vezes superior ao indicador homólogo da média da indústria, representada no plano mundial pela IATA”, acusa o SPAC, que também diz que “ao contrário do que tem sido difundido, a indústria na Europa apresentou um lucro agregado de 400 milhões de euros, em 2008, conforme estatísticas da IATA” e que “se não fossem os prejuízos da TAP, o lucro da indústria quase que duplicaria”.
O SPAC também diz que os prejuízos de 2008 “ascenderam a 289 milhões de euros, sendo os mais elevados da história da TAP, representando um agravamento de 240% face aos prejuízos evidenciados em 2000, ano da admissão do Eng. Fernando Pinto na TAP”, e que, “no mesmo período, o passivo total da empresa aumentou de 1.200 para 2.500 milhões de euros, aumentando mais do que as vendas, hipotecando as vendas futuras através de operações de titularização”.
Outra acusação do SPAC é que o quadro de pessoal aumentou de 8.200 trabalhadores para 13.845, com as aquisições da VEM e da PGA.
Além destas críticas, o SPAC faz ainda a acusação de que “tudo indica” que a Administração “se prepara para diferir custos relativos a 2009 para exercícios subsequentes e antecipar receitas para camuflar o descalabro da gestão e continuar a receber prémios de gestão indevidos”, concretizando que “exemplo desta prática” ocorreu em 2007, ano em que segundo diz a TAP teve 22 milhões de euros de lucros, “e não 33 [milhões] como foi anunciado”, e porque não foram consolidados os 46 milhões de prejuízos da VEM, “com o argumento de que a VEM iria ser vendida, o que não veio a acontecer porque não tem viabilidade económica”.
Um abraço português,
Jopeg



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