Dennis K. Berman
The Wall Street Journal
Um ano, dois diretores-presidentes e US$ 82 bilhões depois do socorro da American International Group Inc. pelo governo americano, monstros ainda estão inquietos no armário.
De fora não dá para ver, com o novo diretor-presidente, Robert Benmosche, irradiando confiança em sua casa de praia na Croácia e a ação da AIG em alta de mais de 70% nas últimas quatro semanas. Mas nos escritórios da AIG e de seus fiscalizadores governamentais ganha corpo a movimentação para resgatar uma das filiais mais importantes da seguradora. É a maior empresa de leasing e financiamento de aviões do mundo, conhecida como International Lease Finance Corp., e, como boa parte dos EUA, também não tem como pagar as dívidas.
A AIG precisa salvar a ILFC sem prejudicar seus negócios centrais de seguro, que têm participação na divisão. E tem que fazer isso sem causar a ira de contribuintes e do Congresso americano. Em outras palavras, a AIG tem que descobrir como alimentar o monstro sem ser devorada por ele.
Não se sabe se há vontade política, sagacidade financeira e simples sorte suficientes para se alcançar esses objetivos. Mas os contribuintes devem ficar de olho porque o cenário mais provável é que eles mesmos paguem por mais esse resgate da iniciativa privada.
Todo mundo já concorda que a presente ILFC não faz sentido financeiramente. A filial, que tem um balanço de US$ 47 bilhões e uns 1.000 aviões, costumava pegar carona na excelente avaliação de risco da AIG. Assim, ela podia emitir títulos a juros camaradas de 4% ou 5%, comprando aviões e alugando-os a margens maiores. O negócio era tão sólido que a AIG chegou a investir parte do capital excedente de uma subsidiária de seguros — usada para garantir apólices — diretamente na ILFC.
A crise de crédito aumentou quase três vezes o custo da ILFC para obter empréstimos, segundo um relatório recente da CreditSights. E há uma onda de dívidas a vencer. O montante é de uns US$ 18 bilhões nos próximos três anos e o total é US$ 30 bilhões. O problema é que os investidores em renda fixa não estão interessados em rolar essa dívida.
Embora a ILFC ainda gere um fluxo de caixa anual respeitável — e contará com o apoio explícito da AIG ainda por mais 11 meses — é evidente que a empresa está numa crise de liquidez e enfrenta um rombo de US$ 5 bilhões a US$ 6 bilhões, segundo pessoas a par da situação.
A concordata geralmente é o caminho seguido pelas empresas que enfrentam esse tipo de problema. Mas nem a AIG nem o governo americano abandonaram a ILFC, na esperança de faturar alguma coisa com a subsidiária, que já foi considerada a jóia da coroa da AIG.
"A AIG está trabalhando para encontrar a estratégia de negócios que melhor posicione a ILFC no longo prazo, forneça benefícios contínuos aos clientes e a vários investidores da ILFC, e alcance um incremento do valor de sua carteira", disse a porta-voz Christina Pretto.
O Federal Reserve, o banco central americano, assim como o Departamento do Tesouro, podem refinanciar dezenas de bilhões das dívidas da ILFC a juros abaixo do mercado, o que pode aumentar ainda mais o risco do governo e motivar mais manchetes sobre a seguradora. Desde que foi socorrida no ano passado a AIG já recebeu US$ 82 bilhões em injeções e empréstimos, e tem mais US$ 48 bilhões à disposição.
Autoridades do Fed e do Tesouro já deixaram claro que não pretendem seguir esse caminho, disseram pessoas a par da questão.
O governo "reconhece o valor da ILFC, mas dar dinheiro à AIG também é algo politicamente impopular. Eles vão descobrir alguma maneira de preservá-la. Seria burrice não fazer isso", disse uma pessoa envolvida na questão.
De acordo com pessoas a par dos detalhes, o plano envolve desmembrar a ILFC, agrupar os contratos de leasing em carteiras diferentes e reservar os melhores para veículos separados que seriam abertos a investidores.
A AIG planeja incrementar uma dessas ofertas com uma iniciativa do atual diretor-presidente da ILFC, Steven Udvar-Hazy, para atrair mais capital, segundo pessoas a par do plano. Os investidores não querem só aviões, é o argumento. Eles querem uma empresa nova. Udvar-Hazy não respondeu a pedidos de entrevista.
A ILFC tem que ser alimentada de algum jeito. E é certo que o contribuinte terá que saciar parte dessa fome.
Feliz aniversário, AIG.




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