“Há carência principalmente de pilotos com experiência. Muitos, após a paralisação das atividades da Vasp, Transbrasil, Varig, Rio Sul, Nordeste e BRA, optaram por trabalhar no exterior, onde os salários e benefícios são mais atrativos”, explica Graziella Baggio, presidente do Sindicato Nacional dos Aeronautas.
Juliano Noman, superintendente de Serviços Aéreos da Anac, discorda. Para ele, o problema não é a falta de mão de obra, mas a dificuldade de formar gente em um curto prazo. “Temos profissionais suficientes. Mas precisamos treinar pessoas para suportar o crescimento que esperamos da aviação civil brasileira nos próximos anos”, pondera.
Segundo o superintendente, é possível formar técnicos entre 12 meses e 18 meses. Porém, fazer com que a carreira decole no setor da aviação nem sempre é tarefa fácil de ser executada. Os cursos são caros para todos os cargos. Um piloto, por exemplo, precisa fazer pelo menos seis meses de curso. Sem contar as horas de voo obrigatórias, em média 200. Um pacote que pode custar cerca de R$ 50 mil. “O investimento no aprendizado é alto. E os salários não atraem mais”, destaca Graziella Baggio.
Em início de carreira, a remuneração para comissários varia entre R$ 1.200 e R$ 1.500, enquanto para os pilotos, a média é de R$ 4 mil a R$ 6 mil. Além disso, muitas companhias aéreas — embora sejam obrigadas pela Anac a realizar programas de treinamento e reciclagem de funcionários — não estão dispostas a investir em formação.
Luiz Augusto Jaborandy, 23 anos, sabe que o retorno do alto investimento para começar a carreira muitas vezes só começa a aparecer a partir do terceiro ano de profissão, segundo estimativas de especialistas. Mesmo assim, ele não pensou duas vezes antes de acompanhar o pai militar em uma missão nos Estados Unidos e, na carona, realizar o sonho de criança. Em 2007, seguiu para Flórida, onde adquiriu as habilitações americanas de piloto privado, privado de helicóptero, voo por instrumento, comercial (de linhas áreas e táxi aéreo) e bimotor.
“Com certeza é um diferencial para a carreira. O inglês é muito valorizado, principalmente a linguagem técnica. Sem contar a experiência adquirida em aviões cuja tecnologia é muitas vezes superior à nossa. Não tenho dúvidas de que vou conseguir algo aqui”, diz otimista. De volta a Brasília há seis meses, o estudante do curso superior de aviação civil comemora a aprovação da experiência pela Anac. Isso porque, para validar a formação americana no Brasil, ele passou por provas teóricas e práticas elaboradas pelo órgão.
Bolsa de formação
Para fomentar o mercado, a Anac contribui com o Programa de Desenvolvimento da Aviação Civil, do Ministério da Defesa, que, neste ano, vai oferecer 240 bolsas de estudos e terá um orçamento de R$ 3 milhões. Até 9 de outubro, estão abertas as inscrições para aeroclubes de todo o país que queiram participar e fechar convênio com a agência. Depois dessa etapa, o órgão iniciará as inscrições para os candidatos a bolsas de piloto privado — primeira fase para se tornar profissional — e piloto comercial. O programa vai custear 75% do valor das aulas práticas.
“Como a procura é grande, os candidatos vão passar por um processo de seleção com exames preparados pela Anac, previstos para o início de 2010”, avisa Juliana Noman, superintendente de Serviços Aéreos da agência. Portanto, é preciso correr, já que os interessados deverão ter entre 18 anos e 35 anos e pelo menos 25% das horas de voo concluídas, além da aprovação no curso teórico. Os locais onde as aulas serão ministradas ainda não foram definidos.
Selma Balbino, secretária geral do Sindicato Nacional dos Aeroviários, reconhece a importância da iniciativa. No entanto, cobra que a medida seja estendida a outras categorias. “É um absurdo a Anac liberar recursos para formar pilotos e privilegiá-los em detrimento de outros profissionais. É preciso investir também na formação de mecânicos. Um erro pode acabar com várias vidas”, critica. Segundo Selma Balbino, o curso técnico de formação de mecânicos varia de R$ 400 a R$ 450. A Agência Nacional de Aviação informou que ampliar o programa é “um objetivo para o futuro.”
A bordo
No Brasil, há:
5,3 mil
Pilotos de linhas aéreas.
6,1 mil
Pilotos comerciais, que podem trabalhar em táxi aéreo ou como piloto particular, por exemplo.
1 mil
Pilotos comerciais de helicópteros, sendo mais de 650 com capacitação específica para linha aérea de helicópteros, ainda não oferecida no Brasil.
9 mil
Comissários de bordo
9,4 mil
Mecânicos de manutenção
* No Brasil, cerca de 300 pilotos de linha aérea e 700 mecânicos de aviação ingressam no setor por ano. Hoje, há 20 companhias com voos regulares operando no país.
Fonte: Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).
http://noticias.admite-se.com.br/empregos_..._noticias.shtml
Minha pergunta é, será que vai rolar de novo em 2011?



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