Fonte: Valor Econômico, 16/12/2009 (Caderno B; pág.7)
Plano é ter mais pontos de venda em regiões de comércio popular como o Largo 13 de Maio
Reportagem: Altamiro Silva Júnior
Há pouco mais de quatro anos, o cartão Voe Fácil não passava de um projeto dentro da Gol. A ideia era vender passagens aéreas para o público de baixa renda em condições financeiras melhores que outros meios de pagamentos. O plano deu certo. O cartão já tem 1,8 milhão de usuários e a partir de amanhã terá uma loja para ele.
A Gol inaugura amanhã no Largo 13 de Maio, centro comercial popular no bairro de Santo Amaro, em São Paulo, sua primeira loja Voe Fácil. Ela vai aceitar todos os meios de pagamento, mas quem tiver o cartão da Gol vai poder pagar em até 36 vezes (em promoções específicas, sem juros). Nos outros plásticos, o prazo vai até seis vezes.
Diferente de outras empresas do setor aéreo, a Gol faz tudo sozinha e assume o risco de crédito. O funding para financiar o parcelamento é próprio. Para se capitalizar, recorre a diferentes fontes. Fez este ano oferta de ações (R$ 602 milhões), lançou debêntures (R$ 400 milhões) e tem gerado caixa há cinco trimestres consecutivos.
A gestão do Voe Fácil também é própria e a Gol não tem planos de colocar uma bandeira internacional no cartão, diz Eduardo Bernardes, diretor comercial da Gol. "Isso não impede a possibilidade de ter acordo com bancos", diz. Ontem, a empresa anunciou parceria com Bradesco e Banco do Brasil para lançar um cartão de crédito da MasterCard com milhas para o programa Smiles. A Gol tem parceria com o Banco do Brasil para um cartão de crédito corporativo.
O financiamento médio do cartão Voe Fácil é de 11 meses e o juro mensal, de 5%. Dos 1,8 milhão de portadores, 70% são da classe C e 20% da classe D. Cada transação costuma ser para o pagamento de mais de uma passagem, o que indica que o portador compra passagens não só pra si, mas também para a família. A renda mínima exigida é a de um salário mínimo. No financiamento, a parcela mínima é de R$ 15.
A empresa não divulga outros dados do Voe Fácil, considerados "estratégicos", como participação nas vendas de passagens e volume movimentado. O cartão responde por 4% das receitas com passageiros da empresa (R$ 1,27 bilhão no terceiro trimestre), segundo dados divulgados na apresentação para analistas na Apimec, em novembro. Isso equivale a R$ 51 milhões.
A taxa de inadimplência também não é divulgada. Bernardes diz que ela está "em linha com o mercado de varejo".
A loja da Gol no Largo 13, por onde passam um milhão de pessoas por dia, vai ter pipoca e gente com alto-falante o tempo todo na porta, anunciando ofertas de passagens aéreas, principalmente para destinos do Nordeste. Estrategicamente, está localizada a poucos metros de lojas que vendem passagens rodoviárias de companhias como Itapemirim, Gontijo e São Geraldo, conhecidas por terem destinos para as principais cidades do Nordeste.
"A diferença é que a gente financia em até 36 vezes e as passagens rodoviárias, não. Dependendo do destino e da antecedência da compra, fica mais barato que uma passagem de ônibus", diz Bernardes.
A estratégia da Gol é estimular quem entrar dentro da loja a fazer a adesão ao cartão da empresa e conseguir crédito imediato. A partir de 2010, a aprovação da proposta de adesão e concessão dos limites de crédito vai demorar cinco minutos - hoje ainda demora uma semana. Com a loja, a empresa espera aumentar a base de cartões. Pesquisas próprias indicam que 11 milhões de pessoas da "nova classe média" têm "possibilidades imediatas" de serem clientes da Gol.
Para 2010, a empresa vai abrir mais duas lojas Voe Fácil. Ambas serão em São Paulo, em regiões de grande comércio popular. Também para 2010 estão previstas mudanças no Voe Fácil. Entre elas, a possibilidade de o consumidor dar uma entrada e financiar o restante ou fazer pagamentos antecipados e depois voar, a exemplo do que a WebJet já está fazendo.
Plano é ter mais pontos de venda em regiões de comércio popular como o Largo 13 de Maio
Reportagem: Altamiro Silva Júnior
Há pouco mais de quatro anos, o cartão Voe Fácil não passava de um projeto dentro da Gol. A ideia era vender passagens aéreas para o público de baixa renda em condições financeiras melhores que outros meios de pagamentos. O plano deu certo. O cartão já tem 1,8 milhão de usuários e a partir de amanhã terá uma loja para ele.
A Gol inaugura amanhã no Largo 13 de Maio, centro comercial popular no bairro de Santo Amaro, em São Paulo, sua primeira loja Voe Fácil. Ela vai aceitar todos os meios de pagamento, mas quem tiver o cartão da Gol vai poder pagar em até 36 vezes (em promoções específicas, sem juros). Nos outros plásticos, o prazo vai até seis vezes.
Diferente de outras empresas do setor aéreo, a Gol faz tudo sozinha e assume o risco de crédito. O funding para financiar o parcelamento é próprio. Para se capitalizar, recorre a diferentes fontes. Fez este ano oferta de ações (R$ 602 milhões), lançou debêntures (R$ 400 milhões) e tem gerado caixa há cinco trimestres consecutivos.
A gestão do Voe Fácil também é própria e a Gol não tem planos de colocar uma bandeira internacional no cartão, diz Eduardo Bernardes, diretor comercial da Gol. "Isso não impede a possibilidade de ter acordo com bancos", diz. Ontem, a empresa anunciou parceria com Bradesco e Banco do Brasil para lançar um cartão de crédito da MasterCard com milhas para o programa Smiles. A Gol tem parceria com o Banco do Brasil para um cartão de crédito corporativo.
O financiamento médio do cartão Voe Fácil é de 11 meses e o juro mensal, de 5%. Dos 1,8 milhão de portadores, 70% são da classe C e 20% da classe D. Cada transação costuma ser para o pagamento de mais de uma passagem, o que indica que o portador compra passagens não só pra si, mas também para a família. A renda mínima exigida é a de um salário mínimo. No financiamento, a parcela mínima é de R$ 15.
A empresa não divulga outros dados do Voe Fácil, considerados "estratégicos", como participação nas vendas de passagens e volume movimentado. O cartão responde por 4% das receitas com passageiros da empresa (R$ 1,27 bilhão no terceiro trimestre), segundo dados divulgados na apresentação para analistas na Apimec, em novembro. Isso equivale a R$ 51 milhões.
A taxa de inadimplência também não é divulgada. Bernardes diz que ela está "em linha com o mercado de varejo".
A loja da Gol no Largo 13, por onde passam um milhão de pessoas por dia, vai ter pipoca e gente com alto-falante o tempo todo na porta, anunciando ofertas de passagens aéreas, principalmente para destinos do Nordeste. Estrategicamente, está localizada a poucos metros de lojas que vendem passagens rodoviárias de companhias como Itapemirim, Gontijo e São Geraldo, conhecidas por terem destinos para as principais cidades do Nordeste.
"A diferença é que a gente financia em até 36 vezes e as passagens rodoviárias, não. Dependendo do destino e da antecedência da compra, fica mais barato que uma passagem de ônibus", diz Bernardes.
A estratégia da Gol é estimular quem entrar dentro da loja a fazer a adesão ao cartão da empresa e conseguir crédito imediato. A partir de 2010, a aprovação da proposta de adesão e concessão dos limites de crédito vai demorar cinco minutos - hoje ainda demora uma semana. Com a loja, a empresa espera aumentar a base de cartões. Pesquisas próprias indicam que 11 milhões de pessoas da "nova classe média" têm "possibilidades imediatas" de serem clientes da Gol.
Para 2010, a empresa vai abrir mais duas lojas Voe Fácil. Ambas serão em São Paulo, em regiões de grande comércio popular. Também para 2010 estão previstas mudanças no Voe Fácil. Entre elas, a possibilidade de o consumidor dar uma entrada e financiar o restante ou fazer pagamentos antecipados e depois voar, a exemplo do que a WebJet já está fazendo.



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