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As empresas estão fulas da vida com essa situação absurda e já estão procurando uma forma de acabar com isso. Elas não concordam com essa política estapafúrdia e reconhecem os riscos que isso representa. Na realidade, essa política seja de quem for a responsabilidade (ANAC, CENIPA e etc) está subvertendo tudo o que agregamos por décadas em matéria de segurança aérea.
Paralelamente ao tema do tópico, porém, honestamente, isso para mim é novidade, uma inacreditável novidade.
Opa, existem pilotos que não informam os órgãos ATC a respeito de uma condição que deve ser compulsoriamente reportada, porque ficam preocupados com os desdobramentos, como a necessidade de ter de passar por inspeção médica, preencher relatórios, falar com a chefia, fornecer informações diversas às autoridades, etc.? Como se não bastasse tudo que vem cercando a vida de um tripulante de um tempo para cá, alguns ainda reservam um espaço na mente pensando o que acontecerá depois de botar os pés no chão, enquanto seus aviões ficam cambaleando pelo céu, em condição clara de emergência? Como e onde ficam os preparativos em solo, por exemplo, que existem para evitar ou amenizar situações de riscos? Onde fica a consciência de todos, no caso de uma situação que pode perfeitamente fugir do controle, mas que poderia ter sido antecipada?
Não, não concordo. Podem alegar o que for a respeito da troca dos pés pelas mãos das nossas autoridades alopradas (e isso não é novidade), mas por pior que seja a burocracia com as obrigações pós-vôo, os interesses pessoais jamais podem prevalecer enquanto a responsabilidade maior, que é
conduzir uma aeronave com total segurança, da saída até a chegada, estiver em andamento. Podem espernear, mas o que vale, sob qualquer aspecto, é o que está em vigor, não o que todos pensam o que seria o melhor. A regra do jogo é essa, e o direito de voar não é uma democracia, mas, antes de tudo, é a obediência e o cumprimento de um conjunto de regras, em condições normais ou não, e nada disso impede, no meio de todo imbróglio, mas no momento apropriado, a análise das mudanças, que pode e deve ser discutida.
Pessoal, a partir do momento que um piloto de linha aérea se propõe a ocupar um assento na cabine de comando, ele deve ter plena consciência a respeito do que é prioritário. São centenas (ou milhares, porque quem está no solo também deve ser considerado) de vidas humanas, reputação de empresas, valiosos patrimônios e mais uma infinidade de coisas que estão em jogo, e enquanto não houver alteração dessa norma, quem está comprometendo a segurança de vôo são os tripulantes que eventualmente não usam de todos os recursos para lidar com uma situação, não os excessos das autoridades tupiniquins, que por sinal não ficam atrás, com seus regulamentos, do que existem de regras mundo afora, sendo que muitas podem comprometer a carreira de qualquer piloto, principalmente por omissão.
Bons vôos, mas plenamente seguros e responsáveis.