In PressTur:
Presstur 05-01-2010 (12h30)
O Brasil ressurgiu em Novembro no Aeroporto de Lisboa como uma das “estrelas”, ao apresentar o primeiro crescimento a dois dígitos do número de passageiros desde Agosto de 2008 e cotar-se como a segunda origem/destino de voos que mais cresce em valor absoluto, depois de Espanha.
O relatório de tráfego do Aeroporto de Lisboa a que o PressTUR teve acesso indica que em Novembro 97.568 passageiros chegaram e partiram de Lisboa em voos de e para o Brasil, mais 10,6% ou mais aproximadamente 9,3 mil que no mês homólogo de 2008.
O Brasil subiu assim em Novembro a terceira principal origem/destino de voos internacionais em Lisboa, depois da vizinha Espanha, com 146 mil (+10,5% ou mais quase 14 mil que no ano passado), e do segundo país mais próximo, França, com 99,6 mil (+1,4% ou mais cerca de 1,4 mil).
Nos dez meses de Janeiro a Outubro, o Brasil estava na quinta posição em número de passageiros embarcados e desembarcados em Lisboa, com 892.791, em queda de 8,2% ou cerca de 80 mil face ao ano passado.
À frente estavam, além de Espanha, com 1,514 milhões (-6,5% ou menos cerca de 105 mil), e França, com 1,244 milhões (+4,5% ou mais cerca de 53,6 mil), também o Reino Unido, com 941,28 mil (-8,5% ou menos cerca de 87 mil), e a Alemanha, com 932,46 mil (-12,3% ou menos cerca de 131 mil).
A evolução no mês de Novembro não chegou para que o Brasil subisse algumas posições no ranking das origens/destinos com mais passageiros este ano no Aeroporto de Lisboa, mas deu para encurtar expressivamente a distância em relação à Alemanha (de 39,67 mil em Outubro para 13,1 mil em Novembro) e ao Reino Unido (de 48,5 mil para 20,4 mil).
Nos onze meses de Janeiro a Novembro, os voos de e para o Brasil transportaram 990.359 passageiros e têm uma queda de 6,6% ou cerca de 70 mil em relação ao período homólogo de 2008.
À frente estão Espanha, com 1,66 milhões (-5,2% ou menos cerca de 91 mil que no ano passado), França, com 1,344 milhões (+4,3% ou mais cerca de 55,5 mil), Reino Unido, com 1,01 milhões (-8,3% ou menos cerca de 91,5 mil), e Alemanha, com 1,003 milhões (-11,8% ou menos cerca de 134 mil).
No mês de Novembro, enquanto o tráfego de e para o Brasil cresceu 10,6%, nas ligações com a Alemanha houve uma queda de 4,5% ou cerca de 3,3 mil, para 71 mil passageiros, e nos voos de e para o Reino Unido a queda foi de 5,6% ou cerca de quatro mil, para 69,47 mil.
Desde Agosto de 2008 que o Aeroporto de Lisboa não registava um aumento a dois dígitos do tráfego como origem/destino na América do Sul, que ainda assim registou no ano passado um crescimento médio de 11,9%, para 1,16 milhões de passageiros.
Em Dezembro do ano passado e em Janeiro deste ano, os voos de e para o Brasil apresentaram magros crescimentos, de 0,2% e 0,7%, respectivamente.
Desde então, foi uma sucessão de quedas, levando a que no final do primeiro quadrimestre (primeiro período em que as comparações não são distorcidas por efeitos de calendário) se verificasse uma queda média de 9%, para 340.577 passageiros, que se agravou em Maio e Junho, levando a que no final do primeiro semestre a queda estivesse em 11,5%, para 484.867 passageiros.
Julho e Agosto, meses mais fortes de férias em Portugal, as quedas atenuaram-se expressivamente (-2,9% e –4,5%, respectivamente), e ainda que em Setembro se tenha agravado para os 8,3%, no final dos nove meses desde o início do ano a queda média regredia para 9,2% (790.102 passageiros).
Em Outubro, o tráfego de e para o Brasil já praticamente tinha atingido o mesmo nível do mês homólogo de 2008, tendo um decréscimo de apenas 0,2%, para 102.689 passageiros.
Presstur 05-01-2010 (12h23)
Apesar de o voo mais curto entre Portugal e o Brasil ter que cobrir 5,6 mil quilómetros e o mais longo quase oito mil, em Novembro seis cidades brasileiras figuram no Top30 das cidades com voos de e para Aeroporto de Lisboa, mais do que qualquer outro País, inclusive Portugal.
São Paulo é a primeira cidade no Brasil e a 17ª em número de passageiros de todas as origens/destinos do Aeroporto de Lisboa em Novembro, com 19.866 passageiros, e depois estão Rio de Janeiro, na 19ª, com 18.815, Fortaleza, na 21ª, com 12.708, Salvador, na 23ª, com 11.663, Recife, na 26ª, com 10.549, e Brasília, na 27ª, com 10.114.
Desta forma, apenas Belo Horizonte e Natal, para onde a TAP também tem voos de e para Lisboa, não figuram na lista das 30 principais ligações em Novembro.
Mais expressivo, é que em Novembro São Paulo foi a quarta rota que mais cresceu em Lisboa em número absoluto de passageiros, com mais cerca de 3,4 mil que no mês homólogo de 2008, o Rio de Janeiro foi a 6ª, com mais quase 2,5 mil, Recife foi a 10ª, com mais cerca de 1,6 mil, Salvador foi a 14ª, com mais cerca de 900, e Brasília foi a 15ª, com mais cerca de seiscentos.
A excepção foi Fortaleza, que teve menos cerca de 300 passageiros (-2,4%) que em Novembro de 2008.
Em percentagem, São Paulo teve a terceira cidade com o maior crescimento do tráfego em Novembro, com um aumento de 20,5%, Recife foi a 5ª, com +18%, Rio de Janeiro foi a 8ª, com +15,2%, Salvador foi a 10ª, com +8,4%, e Brasília foi a 11ª, com +6,5%.
Apesar desta evolução em Novembro, no conjunto dos onze meses desde Janeiro face ao período homólogo de 2008, só Salvador, com 120,3 mil passageiros, +5,8% ou mais cerca de 6,6 mil passageiros, e Brasília, com 111,25 mil passageiros, +5,2% ou mais cerca de 5,5 mil passageiros, têm mais tráfego que em 2008.
São Paulo estava no fim de Novembro com 194,6 mil passageiros, -8,1% ou menos cerca de 17,2 mil que em 2008, o Rio de Janeiro estava com 186,9 mil (-12,2% ou menos cerca de 26 mil), Fortaleza estava com 122,18 mil (-5% ou menos cerca de 6,4 mil) e Recife estava com 106 mil (-6,4% ou menos cerca de 7,3 mil.
Presstur 05-01-2010 (12h20)
“É claramente o mercado brasileiro”, disse ao PressTUR fonte da TAP sobre o que motivou a súbita inversão de tendência no tráfego entre Lisboa e o Brasil, para a qual disse ter também contribuído um acréscimo das viagens de europeus, incluindo os portugueses, para os destinos brasileiros.
Para os destinos portugueses, e especialmente para Lisboa, são boas notícias — dizem por sua vez responsáveis de grupos hoteleiros, para os quais o Brasil foi em 2008 um “amortecedor” do arrefecimentos dos mercados emissores, nomeadamente do britânico, pela desvalorização da libra face ao euro.
O mercado emissor brasileiro ganhou sucessivamente mais peso no turismo português ao longo de 2008, embora a partir de Outubro desse ano tenha entrado em “depressão”, com a desvalorização do real.
O Brasil, que era o décimo mercado em receitas turísticas para Portugal em 2007, com 175,96 milhões de euros, em 2008 saltou para sétimo, com 230,92 milhões (+31,2% ou mais 54,96 milhões que no ano anterior), embora em Outubro o crescimento o último trimestre já tivesse mostrado um panorama diferente dos primeiros nove meses (+3,4% em Outubro, -10,3% em Novembro e +9,7% em Dezembro)
Os dados publicados pelo Banco Central do Brasil mostram que essa evolução espelha o que se passa no mercado outgoing brasileiro, que no último trimestre de 2008, com a desvalorização do real, passou de fortes crescimentos a quedas acentuadas.
A despesa dos brasileiros em viagens e turismo no estrangeiro caiu 15,3% em Outubro de 2008, 29,5% em Novembro e 19,7% em Dezembro, quando até então o mínimo que tinha crescido tinha sido 44,1%, em Março, e os aumentos tinham chegado aos 69,9%, em Janeiro.
A tendência de queda manteve-se ao longo deste ano e no conjunto dos primeiros nove meses estava em 17%, com –10,5% em Agosto e –6,5% em Setembro.
A evolução nestes últimos meses já evidenciava uma nova e igualmente acentuada variação do câmbio do real, mas desta vez no sentido da valorização, bem como o aprofundamento da tendência de aumento do rendimento médio das famílias, pelo bom desempenho da economia brasileira.
O reflexo destes dois factores foi o aumento em 59,5% da despesa dos brasileiros em viagens e turismo no estrangeiro em Outubro, a que se seguiu em Novembro a variação recorde de +72,5%, para 983 milhões de dólares.
Os dados do Banco Central do Brasil não levam a que se perspectiva em 2009 um novo recorde da despesa dos brasileiros em viagens e turismo no estrangeiro, superando os 10.962 milhões de dólares de 2008, mesmo que em Dezembro se repita uma variação próxima da que ocorreu em Novembro, embora a queda até Novembro se tenha atenuado para 6,3%.
Mas a evolução nos últimos meses, segundo notícia da Agência Brasil, já levou a que o Banco Central revisse em alta a previsão de défice da conta das viagens e turismo no estrangeiro, de três mil milhões para 5,5 mil milhões de dólares, e a avançar que a previsão para 2010 é de que atinja sete mil milhões, mais dois mil milhões do que previra anteriormente.
A informação não especifica previsões para a evolução das receitas (de Janeiro a Novembro estão em queda de 8,9%, para 4.788 milhões de dólares) e das despesas (-6,3%, para 9.686 milhões de dólares), mas deixam claro que o Banco Central antecipa que se mantenha o forte crescimento da despesa dos brasileiros em viagens e turismo no estrangeiro, em que a Europa é um dos destinos mais procurados e Lisboa é, senão a primeira “porta de entrada”, pelo menos a segunda, depois de Paris, dada a dimensão da operação da TAP, que em 2008 foi a companhia estrangeira líder no mercado brasileiro.
Os dados mais recentes sobre o turismo brasileiro em Portugal (informação do INE publicada pelo Turismo de Portugal) são relativos a hóspedes e dormidas na hotelaria até Setembro e receitas turísticas até Julho, em ambos os casos, portanto, anteriores à inversão da tendência do outgoing brasileiro, bem como à campanha que TAP e Turismo de Portugal estão a desenvolver no Brasil.
De acordo com estes dados, nos primeiros nove meses deste ano a hotelaria portuguesa tinha uma queda do número de dormidas de clientes brasileiros em 16,4%, para 446.014 (nono principal mercado internacional em número de pernoitas), mas com Agosto a igualar os níveis de 2008 (49.596) e em Setembro a queda a atenuar-se para 6,7% (68.965).
Em número de hóspedes, a queda estava em 15,8% nos nove meses, para 207.166 (sétimo principal mercado internacional), mas em Agosto tinha ocorrido um ligeiro aumento (+0,4%, para 23.370) e em Setembro a queda tinha sido de 7%, para 33.150.
Em Lisboa, que é o primeiro destino em Portugal dos turistas brasileiros, até Setembro a queda em número de hóspedes estava em 12,9%, para 124.745 (quinto principal mercado internacional), com um aumento de 7,3% em Agosto, para 14.859, e uma queda de 2,6% em Setembro, para 19.083.
Em dormidas na hotelaria de Lisboa, a queda do mercado brasileiro nos nove meses até Setembro estava em 15,1%, para 278.798 (sexto principal mercado), tendo ocorrido um aumento de 6% em Agosto (31.376) e uma atenuação da queda em Setembro para 2,2% (42.965).
Relativamente a receitas para Portugal geradas pelas visitas de turistas brasileiros, os dados até Julho indicavam uma queda média de 20,2%, para 112,784 milhões de euros, o que colocava o Brasil na sexta posição entre os mercados que mais receitas propiciam.
Presstur 05-01-2010 (12h18)
A quase lotação esgotada nos charters de Lisboa para Natal e Salvador neste fim do ano, a par da venda, também praticamente a 100%, dos lugares que tinham em voos TAP, são sinais do que operadores turísticos portugueses ouvidos pelo PressTUR classificaram como uma “boa procura” no mercado português dos destinos turísticos brasileiros.
Da parte dos operadores ouvidos pelo PressTUR não há euforias, quer porque o mercado vive tempos de crise quer porque o destino Brasil ainda vive na “ressaca” da euforia das férias no Brasil, em que mais de 350 mil turistas portugueses viajavam por ano para os destinos brasileiros.
Por outro lado, na avaliação da programação do Brasil há uma forte tendência para “ver” pelo lado dos resultados económicos, mais do que pelo volume de passageiros, e desde que os operadores concentraram os seus programas em voos TAP, deixando apenas para períodos de “pico” os charters, em que tiveram prejuízos nos últimos anos em que mantiveram os voos semanais, a rentabilidade melhorou expressivamente.
Ainda assim, esses operadores destacam que mesmo em condições adversas, pela crise económica, como pela valorização do real, que torna os destinos turísticos brasileiros mais caros, a procura do Brasil “respondeu” e especialmente em períodos de “pico”, o mais forte dos quais foi o revéillon, com os dois voos charter praticamente cheios.
“O mercado absorveu a oferta em voos TAP e o reforço dos charters”, salientou um desses operadores ouvido pelo PressTUR, para quem, o Brasil se cotou como um dos destinos mais procurados no revéillon, depois do Funchal e do Algarve.
Não há dados que permitam avaliar a evolução da procura do Brasil no mercado português, uma vez que a informação publicada pelo Aeroporto de Lisboa não permite distinguir entre o que são passageiros oriundos do Brasil, oriundos do mercado português e com origem em outros países europeus, e o INE deixou de publicar as estatísticas das viagens dos residentes.
As informações da TAP indicam que o mercado brasileiro passou a ser a sua primeira origem de passageiros nos voos de e para o Brasil, que depois estão os outros países europeus sem Portugal e só depois o mercado português.
Era uma tendência que já era esperada por responsáveis da companhia aérea, tendo em conta a dimensão dos mercados e as perspectivas de evolução das respectivas economias.
Ainda assim, fonte da TAP disse ao PressTUR que nos nove meses de Janeiro a Setembro, as vendas no mercado português de voos para o nordeste brasileiro, que concentra a maior procura de viagens de férias, estavam em crescimento.
Natal tinha um aumento de 34,5%, Salvador crescia 21,5% e Fortaleza tinha um aumento de 3%.
Recife era a excepção com uma queda de 2,3%.
Esta fonte salientou que no entanto é preciso atender que nos primeiros nove meses de 2009 os operadores portugueses já tinham concentrado a sua programação em voos TAP, enquanto no período homólogo de 2008 o faziam em operações charter.
Um abraço,
Jopeg




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