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Pirata do ar' provoca queda de aeronave
Coronel obriga ocupantes a saltar e mata-se após avião estar já no solo
00h21m NUNO MIGUEL ROPIO, COM CARLOS VARELA
Um antigo oficial do Exército provocou a queda de uma aeronave no aeródromo de Tires, após ameaçar o piloto e obrigado dois ocupantes a lançarem-se das alturas. O pirata do ar, um coronel na reforma, matou-se com um tiro depois de o avião se ter despenhado.
Todos a serem interrogados na Polícia Judiciária (PJ), em Lisboa: a responsável pela empresa de pára-quedismo Get High, o piloto da aeronave sequestrada e os dois pára-quedistas que seguiam a bordo. À hora de fecho desta edição, o objectivo dos inspectores passava por perceber o que terá levado, ontem à tarde, o septuagenário Coronel J. Oliveira a fretar a aeronave no aeródromo de Évora, pertencente àquela empresa, para as 15.30 horas, alegadamente com destino a Ponte de Sor e, nem uma hora depois, forçar dois tripulantes a saltarem ainda em pleno voo e obrigar o piloto a projectar o avião PAC 750 XL para a pista de Tires, em Cascais.
Tendo acabado por se matar com um tiro na cabeça, pelas 16.57 horas, após a queda da aeronave, o antigo oficial deixou ainda no estacionamento do aeródromo de Évora um rasto de destruição, logo que levantou voo, pelas 16. 25 horas. Já se encontrava dentro do avião quando terá detonado dois engenhos explosivos, de fabrico artesanal, dentro de um Hyundai Matrix, com o qual se deslocou até ali. O veículo pertencente a uma empresa de leasing em Lisboa ficou em escombros.
Apresentou-se como fotógrafo
Segundo a responsável da empresa Get High, que não quis referir o nome, o septuagenário requisitou uma viagem para fotografar a paisagem alentejana - concretamente, "a zona de Ponte de Sor". [ver infografia], "exigindo passar por Cascais". "O senhor marcou às 15.30 horas. Chegou atrasado e esteve na conversa até ao voo, com o piloto e os pára-quedistas, que acompanham sempre as viagens", disse, ao JN, ao entrar nas instalações da PJ.
Antes do voo, J. Oliveira tirou um saco da viatura, que o piloto sueco Michi Reich e um dos pára-quedistas, Hélder Sousa, julgaram ser material fotográfico. Cinco minutos depois, a viatura do pirata do ar explodiu. "Ouvi três estrondos, pareciam de uma caçadeira. Como estava junto à rede da pista, percebi que era o carro dele que tinha explodido. Chamei logo os funcionários da empresa Agroar", explicou José Batista, instrutor em Évora. Extintas as chamas, estas revelaram duas bombas de fabrico artesanal na bagageira do carro.
Dali a 150 quilómetros, J. Oliveira terá ameaçado com uma arma de fogo os dois ocupantes, que aproveitaram os pára-quedas e lançaram-se quando sobrevoavam Tires. Já Michi, apontou a aeronave para o aeródromo, tendo embatido no solo com a asa esquerda e perdido o trem de aterragem. Em plena relva, junto à pista 3.5 de Cascais, o piloto saltou e fugiu do pirata do ar. Quando os bombeiros da Parede chegaram ao local, o suspeito tinha disparado sobre si e acabado com uma tarde de pesadelo a bordo do PAC 750 XL.