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"O precioso dinheiro que vem de fora
Indy chega para confirmar vocação turística de São Paulo
São Paulo é a capital brasileira dos grandes eventos. Segundo a União Brasileira dos Promotores de Feiras (Ubrafe), 120 das 170 feiras realizadas por seus associados pelo País ocorrem na metrópole. Desse total, seis eventos faturam acima de R$ 100 milhões com turistas. Outros seis recebem mais de 100 mil visitantes de fora. "Esses são nossos maiores atrativos", afirma Caio Luiz de Carvalho, presidente da São Paulo Turismo (SPTuris). "Uma pessoa que vem à Virada Cultural ou ao Salão do Automóvel, a trabalho ou a lazer, também frequenta restaurantes, faz compras, ocupa hotéis e, dessa forma, deixa dinheiro aqui."
Março não costumava ser um bom mês para o turismo paulistano. Faltava um grande evento. "Não tínhamos algo do porte de uma Parada GLBT ou de um Grande Prêmio de Fórmula 1", analisa Frederico Nogueira, vice-presidente do Grupo Bandeirantes, que promove no domingo que vem a corrida da Fórmula Indy nas ruas da cidade. "Esse é um dos motivos por optarmos por este mês para realizar a disputa."
A Indy estreia seu circuito paulistano já emplacando o quinto lugar entre os maiores eventos de São Paulo. De acordo com a SPTuris, os 31 mil turistas que devem assistir à corrida movimentarão R$ 118,2 milhões. Isso sem contar o que o restante do público (cerca de 20 mil paulistanos) pretende desembolsar durante o evento.
Donos de hotéis, bares, restaurantes e lojas sorriem com a chegada desse novo gigante ao calendário. "Muitos estabelecimentos dependem de feiras, campeonatos e afins para fechar as contas no fim do mês", conta Joaquim Saraiva de Almeida, diretor da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) e sócio de uma rede de pizzarias. Segundo a instituição, um evento do porte de uma Indy aumenta cerca de 20% o faturamento do setor.
Por causa de tamanha representatividade, a SPTuris usa feiras, salões e companhia como estratégia para movimentar o mercado. A meta do órgão é ter ao menos um grande evento por semana na capital paulista.
Tal manobra tem tido resultado. Hoje, são quase 30 atrativos de grande dimensão ao ano. Eles ajudam a lotar os hotéis paulistanos. A taxa de ocupação dos cerca de 42 mil quartos para hospedagem em São Paulo foi acima de 60% em 2009. Em época de Fórmula 1 e Salão do Automóvel, esse índice aumenta em mais de 10%.
Os gigantes do turismo não trazem apenas consequências internas. "Transmitiremos a Indy para quase 200 países e, antes, passaremos um clipe sobre a metrópole", explica Frederico Nogueira, da promotora da corrida. "O público norte-americano, por exemplo, não tem noção do polo cultural, de compras e de negócios que somos. Precisamos mostrar nosso potencial no exterior para atrair futuros visitantes dispostos a gastar aqui."
"São Paulo é tida como a Miami dos brasileiros", acrescenta Armando Campos Mello, presidente executivo da Ubrafe. Para ele, a capital, além de ser referência para estrangeiros, também serve como atrativo para turistas de outras cidades do País. "O empresário do interior vem à cidade por negócios, mas sempre resolve comprar algo para a mulher na Rua Oscar Freire ou em algum shopping e come em restaurantes diferentes de sua terra."
O surgimento e aprimoramento de novos marcos na agenda paulistana fez com que o turismo crescesse. Em 2009, São Paulo recebeu 11,3 milhões de visitantes. O número é 2,7% maior do que em 2008. Se comparado com 2004, o crescimento foi de 37,8%. A receita com os gastos dos turistas também subiu. No ano passado, foram R$ 8,5 bilhões, um aumento de 3,5% em relação a 2008 e de 34,3% comparado com cinco anos atrás. São quase 500 mil empregos (diretos e indiretos) gerados por essa indústria, que movimenta 52 setores da economia.
''A meta é ter um grande evento por semana''
Números mostram bom momento do setor na cidade e estimulam planos para manter São Paulo sempre movimentada
Filipe Vilicic e Edison Veiga
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Componentes.montarControleTexto("ctrl_texto")Professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV), ex-ministro de Esportes e Turismo e à frente da SPTuris desde 2005, Caio Luiz de Carvalho e sua equipe administram um bom momento para o turismo da cidade. Só essa empresa realizou em torno de 1.070 eventos em 2009. A capital paulista ficou em 72º lugar entre os destinos que mais receberam turistas internacionais no mundo em 2008 - o terceiro que mais cresceu na lista. Entre 2004 e 2009, o número de turistas cresceu 37,8%. O tempo de permanência do visitante aumentou de 2,7 para 3,5 dias. Para Carvalho, os principais motores desse crescimento são os grandes eventos.
De que maneira marcos da agenda, como a Fórmula 1 e a Parada GLBT, influenciam a economia paulistana?
O dinheiro que o turista gasta fica aqui. E ele frequenta restaurantes, shoppings, shows. Esse movimento gera novos empregos e garante os que já existem. A ideia é elevar cada vez mais o número de eventos para atrair os visitantes.
Como se posiciona a Indy no calendário turístico?
A corrida foi bem colocada em março - época de pós-carnaval em que não tínhamos algo de tal porte. Se fosse em outubro, não interessaria tanto, pois entraria em conflito com outros eventos de dimensão. A disputa ainda atrairá o norte-americano para cá, que é o principal público - e tem alto poder aquisitivo e costume de gastar. Pela TV, promoverá a nossa imagem. E seremos a única cidade do mundo a ter a Fórmula 1 e a Indy.
De que forma a SPTuris promove a integração entre os eventos e outros ramos da economia?
Para a Indy, por exemplo, nos reunimos com taxistas, empresários, representantes de setores do mercado, como os da hotelaria e donos de restaurantes. Mostramos o que significa a prova, sua estrutura e como podemos aproveitar tudo isso. É importante nos unirmos para ter consciência de como usufruir do evento e ajudar na integração. Também costumamos programar ações alinhadas e focadas em cada evento. Como pratos com os nomes dos pilotos no Mercado Municipal durante a Fórmula 1.
Qual é a meta para alimentar o turismo paulistano?
Queremos ter um evento por semana. Essa é a estratégia e o ideal. Assim, a cidade sempre estaria bem movimentada.
São Paulo já é vista como polo do turismo?
Somos um centro, sim. Temos 42 mil quartos em hotéis. É, por exemplo, quase o dobro do que há no Rio de Janeiro. Mesmo com a crise da economia mundial no ano passado, mantivemos a ocupação hoteleira acima de 60% no ano passado. Quando coincide de ter Fórmula 1 e Salão do Automóvel ao mesmo tempo, como será neste ano, esse índice beira os 100%. Hoje, além dos grandes eventos, ainda oferecemos espetáculos da Broadway e o Restaurant Week."var keywords = "";