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[LEILÃO] Safety Cards

O leilão de Safety Cards da TRANSBRASIL e da VASP foi encerrado. Em breve teremos novos leilões! Portanto aguardem pelas novidades!

Artigo sobre o acidente com o MD-11 da Fedex em Tóquio.


Já existem 45 respostas neste tópico, contribua você também!

#1 Diniz Júnior

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Postado 18 de abril de 2010 - 15:57

Colegas, foi publicado no Aviation Herald, um artigo MUITO interessante sobre o acidente com o MD-11 (N526FE) da Fedex em Tóquio no ano passado. Segue o link:

http://avherald.com/h?article=416e7619/0013&opt=0

Editado por Diniz Júnior, 18 de abril de 2010 - 15:58 .


#2 HFJ

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Postado 18 de abril de 2010 - 19:28

O que me chama atenção nesses acidentes com MD11, é que muitos deles (se não me falha a memória apenas o SR111 e PR-LGD excluem-se) têm caracteristicas bastante semelhantes.
Primeiro foi o Fedex de Newark, depois o Mandarim e esse Fedex. Mesma situação: Bounce landing por conta de Windshear.
Tudo bem que com WS não se brinca, mas o que me chama atenção nos 3 acidentes, é que todos eles terminaram exatamente da mesma forma, com os aviões de cabeça para baixo.
Ahh, vale lembrar do grande susto vivido pelos tripulantes do PP-VTU (ou foi o VTH?) na Cidade do México, que por sorte não passou de um tail strike, mas poderia ter sido o 4° acidente do gênero..
Engraçado é lembrar que até mesmo nos pousos "normais" do MD11, várias foram as vezes em que eu vi bounce landings..
Pergunto portanto aos que já voaram essa supermáquina que é o MD11, se existe algum aspecto em particular desse modelo, em que a tripulação pode "comer bola" numa situação de WindShear por estar em avião deste tipo e não em qualquer outro..

Abraços ..

HFJ thumbsup.gif

#3 Stratocruiser

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Postado 18 de abril de 2010 - 19:40

HFJ, isso é algo notável e bem interessante, e dentre nossos usuários temos comandantes que já operaram MD-11 e podem comentar a respeito. É possível que a tendência catastrófica em virar de dorso seja decorrência do centro de gravidade mais alto em virtude do motor montado na cauda, coisa que outros trijatos como o 727, Tristar, H-S Trident e outros com duto em S não tinham.

O incidente no México, se estivermos falando do mesmo, teria sido com o VTF.

#4 Diniz Júnior

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Postado 18 de abril de 2010 - 19:59

Inclusive temos/tínhamos (?) um colega aqui no CR (acho que Sidney) que estava no cockpit do MD-11 nesse caso do México... Nesse link que postei, percebemos que realmente existiu o colapso de uma das pernas do trem de pouso. Aqui vai o link do tópico sobre a discussão na época do acidente:

http://forum.contatoradar.com.br/index.php...1&hl=N526FE

Nossos colegas que foram tripulantes dessa máquina esclareceram muitas dúvidas, vale a pena ler wink.gif

Editado por Diniz Júnior, 18 de abril de 2010 - 20:00 .


#5 3Setão

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Postado 18 de abril de 2010 - 20:54

No caso específico do FEDEX, o colapso do trem, adicionado a um CG mais elevado padrão dos MD11 também acredito ter contribuído para que ele virasse de dorso...Concordo com o Stratocruiser de que o MD11, com seu CG mais elevado, tenha a tendencia de virar de dorso, mas gostaria de saber de alguém que já voou a máquina quais são as peculiaridades desse avião fantástico.

Adicionalmente, parece que a posição do trem de pouso dele em relação ao CG leva a uma pilotagem mais diferenciada.

#6 Air Force One

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Postado 18 de abril de 2010 - 22:57

QUOTE(HFJ @ Apr 18 2010, 07:28 PM) <{POST_SNAPBACK}>
O que me chama atenção nesses acidentes com MD11, é que muitos deles (se não me falha a memória apenas o SR111 e PR-LGD excluem-se) têm caracteristicas bastante semelhantes.
Primeiro foi o Fedex de Newark, depois o Mandarim e esse Fedex. Mesma situação: Bounce landing por conta de Windshear.
Tudo bem que com WS não se brinca, mas o que me chama atenção nos 3 acidentes, é que todos eles terminaram exatamente da mesma forma, com os aviões de cabeça para baixo.
Ahh, vale lembrar do grande susto vivido pelos tripulantes do PP-VTU (ou foi o VTH?) na Cidade do México, que por sorte não passou de um tail strike, mas poderia ter sido o 4° acidente do gênero..
Engraçado é lembrar que até mesmo nos pousos "normais" do MD11, várias foram as vezes em que eu vi bounce landings..
Pergunto portanto aos que já voaram essa supermáquina que é o MD11, se existe algum aspecto em particular desse modelo, em que a tripulação pode "comer bola" numa situação de WindShear por estar em avião deste tipo e não em qualquer outro..

Abraços ..

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Uma vez em um tópico falei isso e levei pedrada de tudo que é lado!
Acredito exatamente em todo o seu post.

#7 Zemoita

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Postado 19 de abril de 2010 - 00:01

Oi Pessoal,

A Fedex fez um estudo depois do acidente de Newark sobre os Bounced Landings... Teve de tudo. Flap 35 e 50, CG dianteiro e traseiro, Aeronave Leve e Pesada, Vento de través e vento calmo, aproximaçòes estabilizadas ou não... O que vcs imaginarem.

A partir disso foi criado um treinamento de bounced landing no simulador. Na verdade a "entrada" na manobra era fake, pois o instrutor ia para frente, fazia uma espécie de Canyon Approach (mergulhando o avião na final curta) e deixava porrar. O aluno tinha que recuperar.

Falavam de 7,5 graus de pitch... abaixo disso tentava pousar, acima arremetia. Na verdade, a referência para a maioria dos aviadores era a pista. Se vc ainda a via, dava motor e tentarva pousar, se não via, arremetia...

Depois de algum tempo, a conclusão da maioria dos aviadores era de arremeter. É bem mais seguro.

Só para acrescentar. O MD11 tem o conceito de "unstabilized flare". O cara faz uma aproximação excelente e erra o arredondamento. O avião não perdoa.

No caso do VTF, aconteceu em 26 de janeiro de 2004. Eram dois comantes e um co-piloto. A sorte deles é que depois de 3 toques (bounces) na pista, arremeteram e fizeram nova aproximação... O resto é história da carochinha...

O que relatam (quem já teve em um) é que o troço é violentíssimo.

Sorte para os que saíram e uma pena para os que tombaram...

Abração,

Zé.

Editado por Zemoita, 19 de abril de 2010 - 00:03 .


#8 Mastercaptain

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Postado 19 de abril de 2010 - 00:16

Coloquem um aeroporto crítico, México, por exemplo. Acrescentem uma aeronave complexa, o MD-11, por exemplo, alia se a isto, um aluno em seu primeiro pouso em instrução, num a aeronave complexa em um aeroporto complexo. Pronto a receita para dar caca esta pronta. Mas falta um ingrediente nesta história, um piloto de alto nível, atento aos fatos, e que apesar de não estar ocupando um posto na pilotagem, esta com sua consciência situacional a pleno. E que graças a sua intervenção induz o cmte máster a fazer a melhor decisão de sua vida, arremeter após esta aeronave complexa, em um aeroporto complexo, em um cenário complexo,com um piloto de experiência complexa, entrar em uma atitude anormal de pouso, ARREMETER!

#9 Thales Coelho

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Postado 19 de abril de 2010 - 00:50

Aos que já voaram tanto o DC-10-30 quanto o MD-11. Ambos possuem seus motores instalados nas mesmas posições, portanto, o DC-10 também sofre com o CG mais alto. A operação do DC-10 também tem essas particularidades do MD-11?

Por qual motivo os estabilizadores do MD-11 são bastante menores que os do DC-10, mesmo ele sendo uma aeronave maior que o seu antecessor? Esses novos estabilizadores seriam ineficientes, levando o MD-11 a sofrer quando a sua atitude sai do padrão?

#10 Zemoita

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Postado 19 de abril de 2010 - 01:11

QUOTE(Thales Coelho @ Apr 19 2010, 12:50 AM) <{POST_SNAPBACK}>
Aos que já voaram tanto o DC-10-30 quanto o MD-11. Ambos possuem seus motores instalados nas mesmas posições, portanto, o DC-10 também sofre com o CG mais alto. A operação do DC-10 também tem essas particularidades do MD-11?

Por qual motivo os estabilizadores do MD-11 são bastante menores que os do DC-10, mesmo ele sendo uma aeronave maior que o seu antecessor? Esses novos estabilizadores seriam ineficientes, levando o MD-11 a sofrer quando a sua atitude sai do padrão?


Oi Thales,

O DC-10 não vendeu bem como a Douglas esperava, andou tendo problemas com portas do porões de carga e acabou encalhando. O MD-11 era um "upgrade" do DC-10, mas prometendo uma performance muito superior, Alongaram a fuselagem em 6 metros e para diminuir a área molhada (área que o ar impacta diretamente) acabaram por diminuir o profundor em 30%.

Outra coisa que fizeram foi utilizar o estabilizador horizontal como tanque de combustível (dá até 6.000kg) nele. Ele seria utilizado como ferramenta para gerenciar o CG. O ideal era ter um cg a 32%, o que trazia muita economia em cruzeiro. O limíte era 34%. A Fedex preferia (e esse era o default dos aviões dela) um CG de 28%. Lembre-se que CG traseiro gera instabilidade e CG dianteiro gera estabilidade.

Vários colegas que voaram os dois sempre diziam que eram incomparáveis e que o DC-10 era muito mais estável que o MD-11.

Durante o bounced landing há perda total de atuação dos profundores e o único modo de sair é com motor, muito motor.

Espero que tenha te respondido de uma forma simples e completa.

Abração,

Zé.

#11 KC-767

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Postado 19 de abril de 2010 - 09:22

QUOTE(Zemoita @ Apr 19 2010, 01:11 AM) <{POST_SNAPBACK}>
Oi Thales,

O DC-10 não vendeu bem como a Douglas esperava, andou tendo problemas com portas do porões de carga e acabou encalhando. O MD-11 era um "upgrade" do DC-10, mas prometendo uma performance muito superior, Alongaram a fuselagem em 6 metros e para diminuir a área molhada (área que o ar impacta diretamente) acabaram por diminuir o profundor em 30%.

Outra coisa que fizeram foi utilizar o estabilizador horizontal como tanque de combustível (dá até 6.000kg) nele. Ele seria utilizado como ferramenta para gerenciar o CG. O ideal era ter um cg a 32%, o que trazia muita economia em cruzeiro. O limíte era 34%. A Fedex preferia (e esse era o default dos aviões dela) um CG de 28%. Lembre-se que CG traseiro gera instabilidade e CG dianteiro gera estabilidade.

Vários colegas que voaram os dois sempre diziam que eram incomparáveis e que o DC-10 era muito mais estável que o MD-11.

Durante o bounced landing há perda total de atuação dos profundores e o único modo de sair é com motor, muito motor.

Espero que tenha te respondido de uma forma simples e completa.

Abração,

Zé.


Poxa, interessante esses dados!

Eu sabia que o MD-11 teve o profundor reduzido em relação ao DC-10. Isto, que eu me lembro, é alvo de críticas, justamente por se reduzir a área de uma superfície de comando, o que pode reduzir a velocidade de resposta da aeronave. Tudo bem, isto vai depender bastante do projeto de dinâmica da aeronave também.

#12 HFJ

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Postado 19 de abril de 2010 - 10:49

Outro detalhe interessante somente visto (pelo menos por mim) no MD11. Os spoillers abrem parcialmente na hora do toque, e quando a triquilha toca a pista, eles finalmente se estendem por completo..

PS-> Linda a sombra do bichão se aproximando na pista!! wub_anim.gif wub_anim.gif wub_anim.gif



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#13 Zemoita

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Postado 19 de abril de 2010 - 11:23

QUOTE(HFJ @ Apr 19 2010, 10:49 AM) <{POST_SNAPBACK}>
Outro detalhe interessante somente visto (pelo menos por mim) no MD11. Os spoillers abrem parcialmente na hora do toque, e quando a triquilha toca a pista, eles finalmente se estendem por completo..
HFJ thumbsup.gif


Oi Haroldo,

Eles vinham parcialmente após o toque, até a posição Flight Spoiler, e depois defletiam por completo quando o nose gear tocava. A Alavanca ia para as posiçõed correspondentes e fazia um barulho característico... A gente sabia quando ele operava corretamente ou não só pelo som.

O MD-11 é uma máquina maravilhosa, mas só se dava bem nela quem a estudava bastante.

Not for Amateurs ou Not for Beginners são os ditados que mais ouvíamos.

PS: Saudades daqueles nossos almoços ai em FOR na churrascaria (com direito a camarão pacas) e com o ogro do Fábio comendo até estourar!!! Se bem que não ficávamos atrás! thumbsup.gif

Grande abraço,

Zé...

#14 HFJ

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Postado 19 de abril de 2010 - 11:40

QUOTE(Zemoita @ Apr 19 2010, 11:23 AM) <{POST_SNAPBACK}>
Oi Haroldo,

Eles vinham parcialmente após o toque, até a posição Flight Spoiler, e depois defletiam por completo quando o nose gear tocava. A Alavanca ia para as posiçõed correspondentes e fazia um barulho característico... A gente sabia quando ele operava corretamente ou não só pelo som.

O MD-11 é uma máquina maravilhosa, mas só se dava bem nela quem a estudava bastante.

Not for Amateurs ou Not for Beginners são os ditados que mais ouvíamos.

PS: Saudades daqueles nossos almoços ai em FOR na churrascaria (com direito a camarão pacas) e com o ogro do Fábio comendo até estourar!!! Se bem que não ficávamos atrás! thumbsup.gif

Grande abraço,

Zé...


Hmmm.. Sabia que era um sistema automatizado... Mas imaginei que o piloto puxava toda a alavanca e o sistema ia abrindo o spoiller aos poucos... Não imaginava que a alavanca se movia tipo um auto throttle...

Quanto os nossos almoços, um dia a montanha vai até Maomé e a gente vai matar picanha ou camarões por aí !!

Grande abraço Joseph Moita! reverencia.gif

HFJ

#15 Mastercaptain

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Postado 19 de abril de 2010 - 11:49

A Douglas , quando concebeu o projeto do MD11, feito em cima da plataforma do DC10, prometia uma performance e uma diminuição de consumo de combustível espetacular, tendo em vista as soluções que os engenheiros encontraram .
Uma destas soluções foi a drástica diminuição do estabilizador vertical mesmo tendo o ‘’DC11’’ ganhado vários metros a mais de comprimento em relação com seu irmão mais velho.
Para contornar esta diminuição do estabilizador horizontal, foi desenvolvido um artifício eletrônico chamado de: Longitudinal Stability Augmentation System (LSAS), e o Auto Pitch Trim,com a função de auxiliar a pilotagem em seu eixo longitudinal.No entanto, em baixas velocidades, o desempenho da aeronave na questão de manobrabilidade foi comprometida deixando, portanto esta aeronave a riscos de entrar no fatídico “’Bounced Landing’’
O MD11 possuia tambem o''Automatic Ground Spoiler Control'' que foi explicado pelo zemoita.

#16 Clipper

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Postado 19 de abril de 2010 - 15:34

QUOTE
É possível que a tendência catastrófica em virar de dorso seja decorrência do centro de gravidade mais alto em virtude do motor montado na cauda, coisa que outros trijatos como o 727, Tristar, H-S Trident e outros com duto em S não tinham.


Strato, após os comentários muito pertinentes do Master e do ZM, de rápida passagem por aqui, seguem algumas breves observações, para tentar esclarecer o que ocorreu com os dois MD-11 que se acidentaram de forma semelhante com o episódio em NRT, e para apresentar alguns dados do fabricante relacionados com a técnica de pouso recomendada, com a intenção de desmistificar certos mistérios (muitos infundados) que rondam esse avião:

- N611FE, em EWR: a aeronave tocou na pista com uma razão de descida de 7.6 pés por segundo (fps), com aceleração vertical de 1.67g. Ocorreu um bounced landing (esse termo refere-se a uma condição na qual o avião toca no solo, mas que volta não intencionalmente a voar), a aeronave girou para a direita e voltou a tocar no solo, mas, nesse instante, com uma razão de descida de 13.5 fps. O motor 3 bateu no chão e foi arrastado por 238 pés. A energia absorvida pelo trem de pouso direito foi 3.2 vezes maior do que o limite previsto e certificado para o MD-11, durante o pouso, e foi o suficiente para comprimir por completo o amortecedor daquela perna do trem de pouso e, como conseqüência, causar falha estrutural na longarina da asa direita.

Causa provável: overcontrol (i.e. atuação excessiva de comando e além do que seria necessário) e falha na execução de uma arremetida a partir de um arredondamento desestabilizado.

- B-150, em HKG: havia uma severa tempestade tropical nas proximidades do aeroporto. Havia combustível suficiente para prosseguir para a alternativa, que era TPE. As condições meteorológicas no momento do pouso eram: vento de 320 graus com 28 nós (kt) e rajada de 36 kt. O limite de vento de través era de 25 kt, para pista molhada (o componente do vento era de 70 graus pela direita). O piloto em comando durante a aproximação desconectou o piloto automático e manteve o controle automático dos manetes engatado. O peso de pouso estava próximo do limite máximo permitido. A 50 pés (ft) acima da pista houve redução de potência para a marcha lenta (idle) e a velocidade caiu de 170 kt para 152 kt. A asa direita foi baixada na tentativa de compensar o efeito do vento lateral, mas, como conseqüência, houve um toque violento no solo, com uma razão de descida de 18 fps. Conseqüentemente, o motor 3 tocou na pista e a perna direita do trem de pouso se rompeu.

Obs 1: num pouso normal a razão de descida de um MD-11 deverá ficar entre 2-4 fps.

Obs 2: o que foi citado é apenas um resumo do relatório oficial, e não o meu julgamento do que pode ter ocorrido de errado.

- Técnica de pouso recomendada pelo fabricante e outras informações:

1. O comando automático dos manetes de potência dos motores pode ser usado durante o pouso. Nesse caso, haverá redução automática para idle a partir de 50 ft acima do solo (AGL). Um gradual arredondamento (flare) deve começar a ser feito entre 30 a 40 ft AGL. Essa técnica resultará num toque na pista levemente abaixo da Vref. Abaixo de 10 ft, com a aeronave já no seu flare completo e com um razão de descida aproximada entre 2 a 4 fps, a orientação básica é manter a atitude do avião, aplicando a força necessária no manche. Em caso de bounced landing, existe uma instrução a respeito de evitar grandes movimentos da coluna do manche, para trás ou para frente, pois, nessa circunstância, poderá existir risco de batida da cauda ou de danos estruturais do trem de pouso do nariz.

2. Com a incorporação de uma atualização nos sistemas do MD-11, o LSAS (que é um mecanismo que aumenta a capacidade de estabilidade longitudinal da aeronave em vôo) auxilia o piloto para que seja evitada uma tendência de levantar o nariz do avião após o toque na pista.

Notas:

1. Os manetes de potência reduzem para idle a partir de 50 ft AGL. No entanto, a aeronave (e/ou seu automatismo) é incapaz de fazer correções ou de alertar o piloto durante o flare caso ocorra um aumento de razão de descida, além da recomendada, ou se o vento mudar de direção e/ou intensidade. Portanto, se o avião está indevidamente posicionado, caberá ao piloto fazer as correções devidas, entre elas, iniciar uma arremetida, caso seja imprescindível.

2. Abaixo da Vref – que é a velocidade de referência que deve ser usada durante o pouso, em função da configuração de flaps e do peso da aeronave, e é equivalente a aproximadamente a 1.3 da velocidade de estol –, qualquer aeronave perderá significantemente sua capacidade de comando de profundor. No caso do MD-11, essa condição torna-se mais crítica ainda.

3. Ao romper uma das asas, haverá um óbvio desequilíbrio da aeronave, com uma tendência natural de elevar a asa que permanece, por eventualmente apresentar sustentação. Se acrescentarmos alguns fatores adicionais, como a tração positiva do motor da asa que ainda está intacta, mais a alavanca causada pela quebra do trem de pouso, o arrasto das partes danificadas, etc., é mais do que natural observar o giro e a conseqüentemente a inversão, como nos acidentes citados.

4. Os limites operacionais de qualquer aeronave merecem ser respeitados. No caso do MD-11, por ele apresentar algumas características peculiares – como a sua configuração de motores, seu passeio de centro de gravidade (C.G.), sua diminuta superfície de profundor e estabilizador, a sua alta velocidade de pouso, sua incapacidade de aceitar pousos com o trem de pouso desalinhado com o eixo da pista, sua tendência natural de elevar o nariz no arredondamento e na extensão dos spoilers após o toque na pista, o movimento curto dos manetes de potência, entre o valor correspondente para a aproximação e a marcha lenta, o silêncio dos motores na cabine de comando, e assim por diante – fazem com que esse tri-reator da Douglas seja considerado um avião que obriga uma dedicação extra na sua operação e no aprofundamento de certos conhecimentos que são essenciais para que os pilotos não sejam pegos de surpresa, por maior ou menor experiência de vôo que eles possuam. É, certamente, um avião fantástico, mas sua tolerância para perdoar certos erros em determinadas fases do vôo é muitas vezes desprezível.

5. Geralmente, durante o pouso, o C.G. do MD-11 é dianteiro.

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#17 yaw damper

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Postado 19 de abril de 2010 - 15:56

QUOTE(Mastercaptain @ Apr 19 2010, 12:16 AM) <{POST_SNAPBACK}>
Coloquem um aeroporto crítico, México, por exemplo. Acrescentem uma aeronave complexa, o MD-11, por exemplo, alia se a isto, um aluno em seu primeiro pouso em instrução, num a aeronave complexa em um aeroporto complexo. Pronto a receita para dar caca esta pronta. Mas falta um ingrediente nesta história, um piloto de alto nível, atento aos fatos, e que apesar de não estar ocupando um posto na pilotagem, esta com sua consciência situacional a pleno. E que graças a sua intervenção induz o cmte máster a fazer a melhor decisão de sua vida, arremeter após esta aeronave complexa, em um aeroporto complexo, em um cenário complexo,com um piloto de experiência complexa, entrar em uma atitude anormal de pouso, ARREMETER!



Lembrando que o acft em questão tinha motorização PW, o que certamente foi decisivo no sucesso da arremetida, dada a altitude do aeroporto. Lembro que os comentários na época eram de exceedance nos 3 motores. Tenho minhas dúvidas se teriam conseguido com motores GE.

Abçs

#18 Zemoita

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Postado 19 de abril de 2010 - 16:06

QUOTE(yaw damper @ Apr 19 2010, 03:56 PM) <{POST_SNAPBACK}>
Lembrando que o acft em questão tinha motorização PW, o que certamente foi decisivo no sucesso da arremetida, dada a altitude do aeroporto. Lembro que os comentários na época eram de exceedance nos 3 motores. Tenho minhas dúvidas se teriam conseguido com motores GE.

Abçs


Oi YawDamper,

Sei de alguns detalhes sobre esse negócio do motor do VTF. Os Swiss tinham acabado de chegar e o pessoal estava ainda se acostumando de novo com EPR. GE era sempre baseado em N1...

Cheguei a ver as exceedances que deram. Foram todas de N1 (apesar do motor usar EPR). Duas foram de 0,1% e outra de 0,2%, o que foi considerado insignificante. Na arremetida a barra de overboost foi "quebrada", como tinha que ser nesse caso. Eu lembro de um engenheiro de motores falar numa reunião que valeria à pena "queimar" os três motores para não perder a asa e virar um FEDEX ou Mandarim... Acho que ele tinha razão. No final das contas os motores foram o menor dos problemas pra colocar o avião pra voar de novo.

Em vários outros casos, colegas sairam de Bounced Landing com motores GE. Acredito que não teria problema.

Grande abraço,



#19 KC-767

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Postado 19 de abril de 2010 - 16:09

QUOTE
5. Geralmente, durante o pouso, o C.G. do MD-11 é dianteiro.


Airframe, isto tem a ver com esta tendência de "bounced landing" e mesmo da tendência do MD-11 levantar o nariz durante o flare? Digo, colocando o CG para frente, a tendência de momento seria o de baixar o nariz da aeronave.

O ZeMoita citou do tanque extra traseiro, com capacidade de 6000 kilos. Há algum aviso na cabine, checklist específico para esvaziamento deste tanque antes do pouso? Vamos dizer que 6 toneladas na traseira é um baita peso, ainda mais na extremidade de um avião com estas tendências. Bom, por ele ser algo para controlar o CG, durante a fase de cruzeiro creio que vá se esvaziando gradualmente, mas eu acredito que não seria interessante deixá-lo com peso extra lá atrás durante o pouso.

Agora, algo meio off-topic, mas que acho bem interessante a respeito do MD-11: Ele foi o primeiro avião comercial de passageiros que pousou com sucesso utilizando-se apenas de uma programação nos computadores de bordo e de seu sistema de propulsão. Este é um dispositivo backup para uma eventual perda de comandos hidráulicos.

http://www.dfrc.nasa.gov/Gallery/Photo/MD-...HTML/index.html

Tinha um vídeo deste pouso, mas não encontrei. Até queria ver, para encontrar alguma coisa relacionada ao "bounced landing".

Mas encontrei um video de pouso de um MD-11, da VARIG por sinal. Seria este um pouso padrão? Dá para ver uma leve "quicada" dele. Ao menos, pareceu um belo pouso.



Mais uma vez, senhores, muito grato pelas aulas a respeito desta grande ave! reverencia.gif

#20 yaw damper

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Postado 19 de abril de 2010 - 16:39

QUOTE(Zemoita @ Apr 19 2010, 04:06 PM) <{POST_SNAPBACK}>
Oi YawDamper,

Sei de alguns detalhes sobre esse negócio do motor do VTF. Os Swiss tinham acabado de chegar e o pessoal estava ainda se acostumando de novo com EPR. GE era sempre baseado em N1...

Cheguei a ver as exceedances que deram. Foram todas de N1 (apesar do motor usar EPR). Duas foram de 0,1% e outra de 0,2%, o que foi considerado insignificante. Na arremetida a barra de overboost foi "quebrada", como tinha que ser nesse caso. Eu lembro de um engenheiro de motores falar numa reunião que valeria à pena "queimar" os três motores para não perder a asa e virar um FEDEX ou Mandarim... Acho que ele tinha razão. No final das contas os motores foram o menor dos problemas pra colocar o avião pra voar de novo.

Em vários outros casos, colegas sairam de Bounced Landing com motores GE. Acredito que não teria problema.

Grande abraço,




Zé,

Obrigado pelos comentários.

Abçs





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