Barcelona, 10 - Depois de anos fora de alianças, uma empresa brasileira voltará a fazer parte de um grupo de companhias
aéreas. Na quinta-feira, a TAM anunciará sua participação na Star Alliance, que conta com a Spanair, Continental, Lufthansa,
Shanghai Airlines e outras 15 empresas. A Varig fazia parte do grupo antes dos problemas financeiros que a levaram a ser
vendida para a Gol.
A estimativa da Star Alliance é que, com a adesão da TAM, passageiros brasileiros terão conexão para mais de mil
aeroportos pelo mundo. O interesse da companhia pela volta a uma aliança não é apenas da TAM. O retorno ao circuito
também interessa às gigantes do setor, muitas de olho no mercado brasileiro.
A Spanair, por exemplo, colocou o Brasil como a prioridade de sua expansão e negocia com a TAM um acordo para servir
novas cidades entre Brasil e Espanha. A informação é do próprio presidente da Spanair, Ferran Soriano. "Decidimos colocar
o Brasil como a prioridade para nossa empresa", disse em entrevista exclusiva ao Estado.
A Spanair tenta buscar novos rumos depois que uma nova direção tomou conta da companhia ha um ano e adquiriu a
empresa em um estado financeiro desesperador. "Compramos a empresa por 1 euro", lembrou o presidente.
A empresa surgiu em 1986, em um acordo entre SAS e Teinver, mas os problemas econômicos vividos pela SAS e as
dividas da Spainair acabaram obrigando os acionistas a entregar a empresa e repassar seu déficit. A primeira etapa da
expansão é a abrir novas rotas ligando a Europa e o Brasil. Uma das rotas será entre Barcelona, sede da empresa, e São
Paulo. "Há muito espaço para a expansão das conexões entre os dois países e vamos explorar esse caminho", disse.
Soriano também indica a possibilidade do estabelecimento de rotas que vão além do aeroporto de São Paulo ou do Rio de
Janeiro. As capitais do Nordeste são as metas da empresa. O executivo indica que Fortaleza e as cidades do Nordeste
apresentam um mercado com "grande potencial" para a empresa. "Nossa expansão no Brasil começará a partir de 2012",
explicou.
A Europa está interessada em negociar um acordo de liberalização da atividade de linhas aéreas entre os países europeus e
o Brasil. Parte do interesse está relacionado com a Copa do Mundo em 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016. "Há sem dúvida
um déficit de conexões entre a Europa e o Brasil", afirmou Soriano.
A própria Fifa já indicou que tem interesse em garantir essa novas ligações entre a Europa e o Brasil para assegurar que o
Mundial não repita os mesmos erros da África do Sul, em poucas semanas. A falta de ligações entre a Europa e o país sede
acabou se transformando em um dos obstáculos para os torcedores estrangeiros. Já as empresas aproveitaram para elevar
os preços. O resultado foi uma redução substancial no numero de estrangeiros chegando em junho ao Mundial. Da previsão
inicial de 450 mil turistas na África do Sul, a Fifa estima que apenas 360 mil farão a viagem até o país. Há quatro anos, eram
2 milhões de turistas que invadiram a Alemanha para a Copa.




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