RIO - Em plena Semana Santa, a construção de um Terminal Pesqueiro Público (TPP) de cerca 30 mil metros quadrados na Ribeira, na Ilha do Governador, provoca revolta. Temendo aumento do tráfego, riscos ambientais e mau cheiro, cerca de 40 moradores entraram com uma ação no Ministério Público Estadual e vão realizar no próximo dia 14 uma audiência pública na Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). As obras do terminal, orçadas em R$ 80 milhões, devem começar até junho, e ser concluídas em 25 meses.
Segundo um dos líderes do movimento, Manoel Marcos da Silva, de 45 anos, o local escolhido é uma Zona Residencial (ZR3), na qual não é permitido construir fábricas.
- Além do mau cheiro, há a questão do trânsito. A estimativa é de 400 caminhões de peixe entrando e saindo da Ilha diariamente - reclama Manoel.
Outro problema é que o terminal ficaria a menos de 20 quilômetros de um aeroporto e os restos de peixes podem atrair mais aves para a região, aumentando o risco para os aviões. Segundo Manoel, já existe um parecer negativo à construção, elaborado pelo Comitê Nacional de Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CNPAA), do Ministério da Defesa.
Infraero já se manifestou contra a construção A preocupação com as aves é confirmada pela Infraero, também contrária à construção do terminal. Segundo o coordenador de meio ambiente da regional Rio da empresa, Fued Abraão, uma resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) não permite a implantação de atividades que atraiam pássaros num raio de 20 quilômetros de aeroportos.
O Ministério da Pesca e Aquicultura, responsável pelo projeto, minimiza os riscos, informando quo terminal será feito "com as mais modernas técnicas de engenharia, totalmente mecanizado e inodoro". De acordo com o Superintendente Federal de Pesca e Aquicultura-RJ, Jayme Tavares Filho, o terminal vai retirar da informalidade 50 mil trabalhadores e gerar, na fase de obras, 130 mil empregos diretos e indiretos.
- O projeto vai beneficiar mais de 12 milhões de pessoas no Rio de Janeiro, que passarão a consumir um pescado mais fresco e mais barato, uma vez que acabaremos com a cadeia de intermediação - explicou Tavares, por e-mail.



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