Caros,
In PressTur:
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Luiz Mór, administrador da TAP (3)
“O Brasil é a China de Portugal”
Presstur 21-10-2010 (14h42)
“O que nós temos é que investir nas nossas ‘Chinas’”, desde logo no Brasil, mas também em Angola e Rússia — é a tese que defende Luiz Mór, administrador da TAP, que diz compreender que as apostas do Turismo de Portugal tenham sido na resposta à crise dos mercados tradicionais, mas que na actualidade o desafio é ir “buscar mercados novos que possam reagir, e aí não tem mercado nenhum como o Brasil. O que a China está a ser para os outros países, o Brasil tem que ser para Portugal”.
Hoteleiros presentes aqui na ABAV responderam-nos com expressões tipo “finalmente” e “vale mais tarde do que nunca” quando perguntados o que achavam de o Brasil passar a ser considerado mercado estratégico/prioritário para o turismo em Portugal. No fundo, que já deveria ter sido há mais tempo...
Luiz Mór: Isso é um facto que até os organismos oficiais reconhecem. Portugal perdeu algum tempo, mas eu compreendo. Os recursos são pequenos e Portugal tem os seus mercados tradicionais que não podia descurar e que estavam em queda. Uma Inglaterra que estava com um problema sério, uma Alemanha que já estava em queda... Portugal precisava de dar respostas imediatas. E Portugal precisa muito do shortbreak, e portanto investiu muito nisso. Não é que a pessoas não percebessem o que se estava a passar com o Brasil. E a impressão que me dava é que até se intimidavam com a dimensão do Brasil e havia um certo desconhecimento, não sabendo muito bem como lidar com isso.
E agora?
Luiz Mór: Penso que isso está superado, que hoje as acções são coerentes com o discurso. Partimos atrasados, mas agora penso que está na hora de irmos buscar mercados novos que possam reagir e aí não tem mercado nenhum como o Brasil. O Brasil é a China de Portugal. O que a China está a ser para os outros países, o Brasil tem que ser para Portugal.
É evidente que a Rússia está a crescer e pode crescer mais, e penso que mais cedo ou mais tarde a TAP vai ter que trocar de avião e passar a voar com um A330 para a Rússia...
Quando?
Luiz Mór: Ainda não é possível neste momento, mas penso que é uma inevitabilidade, que em algum momento vamos ter que fazer isso.
O que penso é que temos que olhar esses mercados não tradicionais... Quais são os grandes países novos no panorama mundial? São a Rússia, a Índia, a China e o Brasil.
E Angola?
Luiz Mór: Sim e Angola, mas Angola ainda não tem essa dimensão. Angola tem para Portugal uma dimensão até maior do que a China... Mas o que nós temos é que investir nas nossas ‘Chinas’, em primeiro lugar no Brasil, depois em África de um modo geral e Angola principalmente e depois é a Rússia. Nós temos chances com a Rússia. Está a crescer, eles estão respondendo, estamos com um tráfego muito bom para Lisboa e Funchal e que é de ano todo... Vamos lá
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Luiz Mór, administrador da TAP (2)
“É inexorável os brasileiros viajarem cada vez mais para Portugal”
Presstur 21-10-2010 (14h51)
Portugal é o mercado europeu da TAP que “pode conviver durante bastante tempo” com o ‘problema’ das altas taxas de ocupação que a companhia regista nas linhas do Brasil — defende Luiz Mór, para quem é a oportunidade de os destinos turísticos portugueses captarem o grande número de brasileiros que voa na companhia para outros destinos europeus, fazendo escala em Lisboa. “Este deve ser agora o objectivo”, sublinha.
Mas sendo o Brasil um país de dimensão continental fazer promoção num mercado tão grande implica muito dinheiro...
Luiz Mór: Não necessariamente. Podemos fazer por etapas. Por exemplo, o Brasil turístico está todo aqui, na ABAV. Portanto, através desta ABAV atingimos o Brasil inteiro. Como podemos, através dos diversos medias, mesmo na internet, que não é muito cara, atingir o Brasil inteiro. E depois temos é que nos focar em algumas regiões, principalmente São Paulo, interior de São Paulo, Rio de Janeiro, depois Belo Horizonte e Brasília. Com isso conseguimos atingir muita gente. E é um trabalho que cresce sempre. A dimensão não pode intimidar. A dimensão tem que criar em nós um sentimento de disciplina. Não podemos parar de trabalhar, temos que aprender e ampliar, porque tudo o que for feito está feito e o que for feito a mais vai ser em adição. Então, se formos fazendo, mesmo que seja pouco a pouco, desde que seja de uma forma coerente e com um discurso certo, nos canais certos para as pessoas certas, esse bolo vai crescer e vai criando uma massa. Nunca nos esqueçamos que o consumidor tem hoje um comportamento muito diferente do que tinha no passado. Ele trabalha muito mais com o ‘boca a boca’ do que antes, porque as redes sociais assim o permitem. Muitos dos brasileiros que estão indo para Portugal estão indo porque alguém amigo deles já foi e disse que é ‘uma boa’. Então, tratarmos bem os turistas brasileiros, em todos os momentos de contacto, tanto nós TAP quanto o destino em si, faz com que isso se multiplique. Eu penso que é inexorável os brasileiros viajarem cada vez mais para Portugal.
Mas aí vai surgir um problema. Como vai ser isso possível quando a TAP já está com os aviões todos cheios?
Luiz Mór: Esse é um problema, mas Portugal até é o único destino que pode conviver durante bastante tempo sem esse problema, porque uma parte importante dos brasileiros que estão indo de TAP para a Europa não estão a parar em Portugal. Então, como não temos mais espaço neste momento, o que temos é que convencer é os que estão indo para outros destinos europeus a pararem cada vez mais em Portugal. Este deve ser agora o objectivo.
Por outro lado, nós não podemos trabalhar só para o curto prazo. No curto prazo é isto, mas no médio e longo prazo é crescer. Nós temos que crescer. Eu espero que Portugal supere este momento até dramático que a economia está a viver para permitir que se crie uma consciência de investimento e crescimento.
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Luiz Mór, administrador da TAP (1)
“Esta vai ser a ABAV da virada do destino Portugal para brasileiros”
Presstur 21-10-2010 (15h00)
A presença do secretário de Estado Bernardo Trindade na mesa de honra da abertura, ontem, da edição 2010 da ABAV – Feira das Américas é o exemplo mais marcante, mas longe de ser único, de que o turismo português encara o mercado brasileiro com ‘outra disposição’. Luiz Mór, administrador da TAP, ‘veterano das ABAVs’ e que em vários momentos no passado recente não escondeu a desilusão por não ver uma presença portuguesa mais numerosa e activa, ontem tinha motivos bastantes para acreditar numa mudança. “Eu acho que esta vai ser a ABAV da virada do destino Portugal para brasileiros”, disse ao PressTUR.
Os números falam mais alto. Nos primeiros oito meses de 2010, face ao período homólogo de 2009, as receitas turísticas geradas pelas visitas de turistas brasileiros a Portugal cresceram 58,2%, o que equivale a um aumento de 73,48 milhões de euros, para praticamente 200 milhões (199,7 milhões). Para a hotelaria portuguesa, o mercado brasileiro significou 240,5 mil hóspedes, mais 41,6% ou mais 70,7 mil que nos primeiros oito meses de 2009, e 533,3 mil dormidas, mais 45,2% ou mais quase 166 mil que há um ano.
Em tempos de crise, crescimentos desta dimensão obviamente destacam-se. Mas eventualmente o que seja mais saliente é que apesar de o Brasil ser um mercado distante, em que os turistas para chegarem a Portugal têm que fazer viagens acima dos sete mil quilómetros, os brasileiros são o 3º mercado em dormidas na hotelaria do Norte (102,5 mil pernoitas, +43,5% que nos primeiros oito meses de 2009), o 4º em Lisboa (343,3 mil dormidas, +48,7%), 5º no Centro (42,9 mil dormidas, +49,4%) e o 6º no Alentejo (10,6 mil dormidas, +47%).
Até Julho as posições que o Brasil ocupava nos rankings dos mercados superiores eram melhores, mas Agosto, época alta na Europa, provocou uma recuperação das posições relativas dos emissores europeus, ainda que nenhum deles tenha conseguido as taxas de crescimento do mercado brasileiro.
Perante uma realidade como esta não é de estranhar que a ABAV – Feira das Américas tenha este ano um apelo especial para o turismo português, expresso quer em número de participantes quer no dinamismo de que dão mostras, como o testemunha o administrador da TAP Luiz Mór, ‘frequentador’ assíduo desde que era quadro superior da antiga companhia de bandeira brasileira, a Varig, e que assim se manteve quando se mudou para Portugal para a TAP.
“O pessoal está cá e está cá fazendo planos para fazer mais coisas ainda. Eu acho que esta vai ser a ABAV da virada do destino Portugal para brasileiros”, comentou Luiz Mór, em declarações ao PressTUR no final da habitual ‘colectiva’ da TAP no evento, e em que as notícias que a companhia trouxe foram o crescimento que regista nos seus 70 voos por semana entre Portugal (Lisboa e Porto) e o Brasil (São Paulo, Campinas, Rio de Janeiro, Brasília, Belo Horizonte, Salvador, Recife, Natal e Fortaleza), apesar de o mercado começar a despertar ‘cobiças’ que já eram de esperar (clique para ler: TAP já tem garantido recorde de passageiros nos voos de e para o Brasil).
“Agora é um outro campeonato completamente diferente”
Este ano há uma maior presença de portugueses na ABAV e, mais do que isso, percebe-se uma atitude diferente, designadamente ao nível das autoridades do Turismo. Também tem essa percepção?
Luiz Mór: Nós já tivemos uma sinalização no ano passado. Em 2008 foi o fim, nunca tínhamos chegado tão baixo [o stand de Portugal foi muito criticado; clique para ler: Forte presença portuguesa na ABAV 2008. Excepção foi mesmo o stand de Portugal]. Mas como os poucos portugueses que vieram [à ABAV] reclamaram, acendeu-se uma luz e o Turismo de Portugal deu um primeiro passo no ano passado, que já foi uma evolução importante. Mas agora é um outro campeonato completamente diferente.
Como?
Luiz Mór: Os portugueses tomaram conta da ABAV, estão sabendo aproveitar tudo. A presença activa do secretário de Estado Bernardo Trindade, conversando com todo o mundo, a alta cúpula do turismo está aqui, vejo gente das regiões de turismo que não costumava ver, conversei agora o presidente da Região do Centro, conversei com o pessoal da região do Minho, com o Francisco Calheiros dos Solares... o pessoal está cá e está cá fazendo planos para fazer mais coisas ainda. Eu acho que esta vai ser a ABAV da virada do destino Portugal para brasileiros.
Reflexo do peso que o turismo brasileiro já tem em Portugal...
Luiz Mór: Sim, eu sei que já é grande, que tem crescido muito, que os números de brasileiros em Portugal são bonitos, mas o potencial é muito grande. E é relativamente simples. É muito mais difícil pegar um passageiro por exemplo da Air France que está indo para Paris e convencê-lo a ir para Portugal, do que convencer um passageiro que viaja para Paris pela TAP fazendo conexão em Lisboa. Este passageiro já está connosco, já está em casa, e o que temos que fazer é com que ele queira ficar em Portugal. Como fazer com que aquele que já fica queira ficar mais tempo. Então, cada vez mais temos que trabalhar esse universo de passageiros já existentes. Penso o Turismo de Portugal percebeu isso e estou com muita esperança do que vou ver amanhã [hoje, lançamento da campanha de promoção turística de Portugal no Brasil]. Até agora tive só um relance de um cartaz e achei uma coisa jovem, nova. Amanhã veremos, mas acho que já dá para dizer que esta é a ABAV da virada.
Jopeg