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Panair resiste na memória e na Justiça


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#1 jambock

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Postado 16 de novembro de 2010 - 18:52

Meus prezados:
Panair resiste na memória e na Justiça

Ex-funcionários da aérea mantêm encontros anuais e ainda buscam indenização

Mais de 45 anos depois do fim das operações da Panair do Brasil, uma das maiores companhias aéreas que o País já teve, a história da empresa continua sendo escrita por parte dos cinco mil funcionários que empregava. Anualmente, ex-comissários, ex-pilotos e familiares reúnem-se em um almoço no Clube da Aeronáutica, às margens da Baía de Guanabara, no Rio.

Longe de apenas criar ocasiões para relembrar fatos marcantes da Panair, o movimento tem força política. A empresa conseguiu manter viva na Justiça a busca de indenização da União pelo confisco de ativos que detinha em aeroportos do Norte e Nordeste. Depois de se arrastarem por anos, os processos agora chegam a uma etapa decisiva e uma definição da Justiça é esperada em até seis meses, diz a empresa, que existe até hoje como pessoa jurídica.

Além do ressarcimento, o presidente da companhia, Rodolfo da Rocha Miranda, cobra uma retratação formal da União pelo fechamento abrupto da empresa no governo militar. "É preciso que se reconheça que pessoas jurídicas também foram perseguidas pela ditadura. Essa história não se encerra enquanto não se revelar a verdade sobre os fatos", defende.

Rodolfo é filho de Celso da Rocha Miranda, que controlava a companhia ao lado do empresário Mário Wallace Simonsen. Segundo Daniel Sasaki, autor do livro Pouso Forçado, sobre o fim da Panair, o motivo da cassação da concessão da empresa foi a ligação de seus controladores com Juscelino Kubitschek.

"Os militares achavam que eles iriam financiar a campanha de Juscelino em 1965, já que Castelo Branco assumiu o poder dizendo que um ano depois o devolveria aos civis", acredita.

O argumento usado pelo governo de que a empresa enfrentava graves problemas financeiros é contestado por Sasaki. "A Panair não tinha dívidas em protesto. A empresa tinha patrimônio que superava o seu passivo, e os funcionários eram pagos em dia", explica. "O juiz transformou a concordata em falência sem que o credor pedisse."

Último voo. O dia em que a Panair foi impedida de voar ficou marcado na memória de ex-funcionários. "Foi uma tragédia", resume Lucas Monteiro de Barros Bastos, 86, que acumulava as funções de comandante e diretor da oficina de manutenção de motores da Panair em Petrópolis (RJ), que pertence hoje à GE.

"Recebi um comunicado da Panair dizendo que o governo tinha cassado nosso avião DC-8 que deveria decolar para a Europa e colocado um Boeing da Varig para substituí-lo. Não pude acreditar até chegar à Celma e encontrar o 1º Batalhão de Caçadores ocupando a empresa", conta. Com a cassação da concessão da Panair pelo governo, os rotas internacionais foram imediatamente assumidas pela Varig e as domésticas pela concorrente Cruzeiro.

Os encontros anuais dos ex-funcionários trazem à tona uma época em que voar era privilégio de poucos e as profissões de comissários e pilotos eram vistas como glamourosas. Nas conversas, o orgulho de ter trabalhado em uma empresa que voava para diversos destinos na Europa e na Ásia não é escondido.

No último encontro, que reuniu cerca de 200 pessoas no fim de outubro, o piloto Georg Bungner, 91, era apresentado em um dos grupos como o comandante que trouxe de volta as seleções campeãs de 1958 e 1962. "Fui escolhido por João Havelange, que fora meu colega de natação - ele no Fluminense e eu no Flamengo", conta, orgulhoso. "Eles vieram alegres, mas não extrapolaram. Em 1958, o destaque era o Pelé, embora fosse o mais quieto", diz.

Relembrando fatos entre uma mesa e outra, a ex-comissária Carola Gudin, 73, é repreendida por um senhor que passa. "Uma comissária deveria saber que corredor não é lugar para ficar parado", brinca. "Comissária é de Justiça. Eu fui aeromoça", corrige Carola. Casada com um ex-comandante da companhia, ela conta que estava prestes a sair de casa para tomar um voo para a Europa quando soube do fechamento da empresa pelo Repórter Esso. "Naquela hora, não acreditei."
fonte: O Estado de São Paulo, via CECOMSAER 15 de novembro de 2010







#2 Forgiven722

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Postado 16 de novembro de 2010 - 19:02

Um viva aos guerreiros da Panair!

Segue o link: http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20...imp640095,0.php

#3 A345_Leadership

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Postado 16 de novembro de 2010 - 20:11

Torço muito que a PB consiga reaver a posse dos aeroportos, é o mínimo que se pode exigir do Estado que detonou uma empresa que era exemplo na aviação mundial.

#4 philoclimber

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Postado 16 de novembro de 2010 - 21:37

ta vendo..."nunca antes na história desse país não existe"..melhor falar "sempre antesna história desse país"....hj odiamos o duopólio que pode se transformar mais pra frente em oligopólio, como se o gov. lula tivesse sido o único gov. que protegeu ou favoreceu empresas aéreas. há bem mais tempo na ditadura militar isso tb ocorreu e de forma mais violenta e desonesta. na miha opinião não deveria ser a união que deveria se retratar - eu sei isso é a norma legal - mas sim os cidadãos - que não mereciam ser tratados como tal - que serviram a ditadura e que estão aí na política: sr. jarbas passarinho, dornelles, bolsonaro, marco maciel, sarney, delfim netto e curriola...

é por isso que apoio todo o esforço da OAB para que não se perca o PNDH 3: se não há punição no Brasil para os agenets do Estado que torturaram e mataram - e isso é a causa da nossa impunidade de hj, que pelo menos as pessoas físicas e jurídicas como a panair que desapareceram (como foi bem lembrado pelo ex-funcionário da empresa), deveriam ter suas histórias esclarecidas e publicizadas, sobretudo, nas escolas públicas e privadas de todo o país. devemos realmente saber como aqueles covardes a mando da direita empresarial torturaram e massacraram um país. é necessário que as pessoas saibam o quão corruptos foram os militares em 64 e o quão covardes eles foram!

ah..e essa presidentazinha aí e seu governo tb são covardes de não levarem a frente uam coisa que argentina, chile, uruguai estão fazendo. vergonha!

desculpem o desabafo.

pergunta: se a panair consegue retomar os aeroportos ela pode renascer com o emmso nome e etc? seus ex-funcionários podem pensar em reativar a cia? seria uma bela vingança....e a varig hj morrrendo hein..que ironia..

Editado por philoclimber, 16 de novembro de 2010 - 21:41 .


#5 A345_Leadership

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Postado 16 de novembro de 2010 - 21:53

QUOTE(philoclimber @ Nov 16 2010, 10:37 PM) <{POST_SNAPBACK}>
pergunta: se a panair consegue retomar os aeroportos ela pode renascer com o emmso nome e etc? seus ex-funcionários podem pensar em reativar a cia? seria uma bela vingança....e a varig hj morrrendo hein..que ironia..

Ela ainda existe, porém sem ativos. E os próprios donos da Panair preferem manter assim e se receber os aeroportos, a PB seria apenas uma empresa de investimentos. O que eles alegam é a pura verdade e que deveria ser seguida. Pra que ressucitar um nome sagrado, operando com poucas aeronaves, sem o brilho de outrora e que mais tarde seria fadada ao fracasso ou a compra por outra empresa. Deixe a descansando em paz . . .

#6 Thiago

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Postado 17 de novembro de 2010 - 17:34

Segundo o herdeiro dos Rocha Miranda, já houve ocasião em que solicitaram o uso do nome Panair, entretanto é consenso que mesmo só o nome não será cedido para "reavivar" a Panair.

Eles estão bem cientes que a Panair vai ficar apenas nas lembranças de todos, muito embora ainda permaneça viva como personalidade jurídica.

Portanto, não existe o risco da Panair ter uma exumação à la Varig.

A maior companhia aérea brasileira foi essa, na minha rastaquera opinião.

#7 J.Leo

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Postado 18 de novembro de 2010 - 00:51

Quando leio o nome Panair, não consigo deixar de pensar em meu pai, tivemos deliciosas conversas sobre a pioneira da aviação nacional. Dizia ele que a empresa foi criada no mesmo ano de seu nascimento, na década de 20, do século passado, pelas mãos de dois nova-iorquinos que faziam a rota Nova Iorque-Rio-B.Aires, quando a Pan Am enxergou uma boa viabilidade financeira, e incorporou a pequena empresa, adotando o nome como o conhecemos hoje. Durante a 2ª Grande Guerra, com problemas de logística e financeiros, começaram a repassar suas ações à brasileiros. O resto é contado em versos e prosas até 1965, ano que foi decretado pelo governo militar o encerramento de suas operações.








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