Reportagem: Alberto Komatsu
A Golcogita ampliar a quantidade de voos sem escalas ou conexões como forma de driblar as deficiências de infraestrutura nos principais aeroportos do país, principalmente em São Paulo. Quem revela a estratégia é o presidente da empresa, Constantino de Oliveira Jr.
De acordo com ele, esse plano será posto em prática se o governo não fizer sua parte e investir na melhoria e ampliação de aeroportos nos próximos três ou quatro anos.
"Se os investimentos que estamos esperando não vierem, e a indicação é a de que a demanda vai continuar crescendo, temos condições de oferecer voos diretos sem passar por São Paulo", diz Constantino.
Segundo ele, atualmente cerca de 40% dos passageiros da Gol fazem conexão ou escala. A ideia, acrescenta o executivo, é oferecer voos diretos entre cidades que num raio de 200 quilômetros acumulem entre 800 mil e 1 milhão de habitantes.
A Gol já tem utilizado aeroportos menos congestionados para escapar do descompasso entre a necessidade de investimentos em infraestrutura aeroportuária e crescimento da demanda, que até novembro acumula expansão de 24,3%.
Constantino cita como exemplo os aeroportos de Campinas, Confins e Galeão, atualmente o principal centro de distribuição de voos ("hub", no jargão do setor aéreo) da companhia.
A Gol também planeja aumentar a utilização das aeronaves no ano que vem, dentro do seu objetivo de aumentar a rentabilidade da operação e diluir custos. Atualmente, os aviões da empresa voam, em média, 12,7 horas por dia. Em 2011, a meta é ter capacidade para chegar a operar uma aeronave até 14 horas, caso seja necessário.
"Vocês não vão ver da gente aventura em termos de oferta", diz o vice-presidente financeiro da Gol, Leonardo Pereira.
No ano que vem, a Gol vai trazer só quatro novas aeronaves para a frota, atualmente composta por 112 aviões.
A Gol acredita em crescimento da demanda por voos domésticos em 2011, mas não informou um percentual porque ainda não fechou suas projeções. Isso só deve acontecer após o conselho de administração da companhia aprovar o orçamento para o ano que vem.
Por enquanto, a Gol só informou seu desejo de obter uma margem operacional de 15% nos próximos anos, diante dos atuais 8%. A Gol também pretende aumentar a participação de serviços adicionais, como venda de lanches a bordo, na receita total. Atualmente essa a contribuição é de 11%, mas deve alcançar até 15% em 2011.
Hoje, a empresa vende lanches em 78 voos, mas esse total deve ser ampliado para 84 frequências por dia até o fim deste ano.



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