Bom,
Acho que, todos aqui conhecem a parábola pedra X vidraça. E conforme acontece um evento do gênero na aviação (incidente), eu vejo o tanto que, essa parábola é retroalimentada, principalmente por aqueles que gostam de se posicionar na função de pedra. E normalmente, "as pedras" , costumam se posicionar de tal maneira, que promulgam a verdade conforme as palavras vão surgindo.
Conceitos como "certo", "errado", "adequado", "inadequado", "erro", "culpa" , "paradoxo", entre outros são elencados com tanta cátedra, com tanta autoridade, que me sinto menos do que um pardal. ISSO, não sabendo exatamente do que se passou , ali no calor da contenda, de quais foram os elementos que compunham o contexto.
Pois bem, nestes momentos, de acordo com minhas convicções pessoais, evito sempre de elaborar qualquer hipótese. Primeiramente acho que seria extremamente presunçoso de minha parte, elaborar um exercício de adivinhação baseado em uma percepção muito superficial das coisas. Segundo, que isso não acrescentaria EM NADA à investigação, real interessada nos fatores que concorreram para o evento. E terceiro, evitaria que eu cometa qualquer injustiça com colegas. Normalmente, a injustiça é irmã da precipitação, e prima da falta de informação.
Dizer que "pilotos que voaram EMB120 Brasilia, estão tentando voar o EMB145 do mesmo jeito" é de um absurdo tamanho ,que só revela como funciona a mente de alguém com capacidade de análise pouco maior do que a ponta do nariz, e menos profunda que um prato de sopa. Declaração infeliz, que não merece ser reverberada. Todo nosso treinamento é aprovado pela ANAC, e não é feito "na bangu", como alguns ungidos dos deuses da aviação podem achar (e manifestar por aqui). Mas, quem sou eu né?
Deixemos de bobagem: Não operamos o jato como operamos o Brasilia. Isso é uma tremenda duma bobagem. Cada avião possui sua especificidade de operação, é não é porque que um piloto veio de um turboélice, vai operar dessa maneira pro resto da vida.
Peço apenas aos colegas, a mesma coisa que peço quando ocorre um evento com qualquer colega de qualquer empresa, ou qualquer tipo de avião da aviação geral: Esperemos a avaliação do FDR, esperemos o DIVOP do CENIPA, e esperemos as recomendações. Apenas isso. O risco de se cometer uma injustiça é muito grande, e baseada na parábola da pedra X vidraça, os papéis se invertem com muita facilidade.
E a aeronave já foi vistoriada , inspecionada por técnicos da Embraer, e não foi constatada nenhuma anormalidade, foi efetuada a limpeza dos trens de pouso, e a mesma já voltou a voar hoje.
Ensinamentos virão, e que estes ensinamentos venham para acrescentar à segurança das operações, tanto nossas , quanto de todos os colegas que operam na aviação comercial.
Entretanto, reitero: Aguardemos o CENIPA.