
Caroneiros dos ares...
#61
Postado 10 de maio de 2011 - 11:25
#62
Postado 10 de maio de 2011 - 11:29
Pela ótica de muitos, o correto seria a empresa mandar chamar todos os coitados que foram atendidos no assento do meio e anunciar que, enfim, caíram as reservas e sobraram XX assentos de corredor e YY de janela. E, assim, acomodar os reclamantes. Não seriam empresas, né? Seriam ONG's... imagina! A TAM seria IFRA Instituto Filantrópico Rolim Amaro... a GOL seria INCH Instituto Nenê Constantino de Humanidade... e por aí vai.
Tenho várias lembranças do tempo de check-in na Varig (e olha que nessa época a aviação era AVIAÇÃO e os passageiros não eram esses monstros pós-caos aéreo de hoje). Uma delas era ver passageiro chegar no check-in faltando 3 minutos pra encerrar o voo, sem reserva de assento, e ainda ficar muito pau da vida de saber que não tem mais janela e corredor. Ou aquele da ponte aérea reservado e atendido pras 16:00 (naquela janelinha do lado direito longe da asa pra admirar a decolagem do SDU) chegar correndo no embarque do 15:30 implorando por uma antecipação "na faixa" e querendo destruir o aeroporto ao descobrir que no 15:30 até tem vaga e dá pra antecipar, mas não tem janela ou corredor.
#63
Postado 10 de maio de 2011 - 14:02
Quote
Velho
Vamos lá: o "vocês" de hoje, é o " nós" de amanhã.
Segundo, temos situações, e situações. Jamais vi tripulante extra, nas mais diversas situações, embarcando antes dos passageiros. Por mais que alguns tenham comportamentos nefastos, é senso comum que, só entramos nos aviões, seja Cat I, II, ou raia 8, depois de embarcados os pax. Sobrou vaga? Ótimo, vam'bora! Não sobrou? Fica aonde está, paciência, e esperamos o próximo voo. Isso , repito, é senso comum. Agora, existem tripulantes, deslocando-se a serviço da empresa, que tem vaga reservada no voo, mas ainda assim, esperam um lugar vago para embarcar. Percebeu que existem situações, e situações? Nem sempre todo tripulante em cabine de passageiros é um vagal aproveitador da condição de funcionário....tem um universo todo particular naquele camarada, ou naquela bela moça uniformizada. E normalmente, via de regra, tripulante quando tá viajando por interesse particular, vai sem uniforme, apenas portando o crachá......
Terceiro: um dia ser pedra, é ótimo; noutro, ser vidraça, não costuma ser tão glorioso quanto.... Conforme disse o Airbus FA, sabemos sim, das privações inerentes á profissão aérea. Não somos nenhuma categoria de coitadinhos, pobrezinhos, e afins. Apenas somos merecedores do tratamento correto que a empresa DEVE destinar a seus funcionários. Disponibilizam a volta para a minha casa, SUJEITO À DISPONIBILIDADE DE ASSENTO? Sim, estou ciente, assino e dou fé. Foi uma concessão, que sabemos fazer bom uso. Dentro de um contexto, isso é uma ferramenta, quando usada com parcimônia, muito útil. Às vezes, o cara está voltando para casa, porque a esposa trabalha e o filho está mal de saúde, ou o cidadão é filho único, e os pais estão velhinhos....necessitando de cuidados......reparou que, apenas dois exemplos toscos, já dão uma ideia do quão amplo é o motivo daquele cara estar ali.
Ninguém reinvindica um luxo, quando em necessidade.
Hay que tener uma visão mais ampla do contexto.
E, assim: talvez quando tiveres do "lado de cá" do circo, você tenha acesso aos bastidores, faça parte deles, e misture tudo com as suas necessidades pessoais. Verás como o teu ponto de vista vai mudar, e muito,
Um abraço.
#64
Postado 10 de maio de 2011 - 14:08
#65
Postado 10 de maio de 2011 - 19:40
Superlotação de preconceitos
O Sindicato Nacional dos Aeronautas vem a público manifestar sua contrariedade e indignação frente ao artigo publicado pelo colunista Eduardo Tessler no portal Terra Magazine, em 4 de maio. Intitulado "Os caroneiros dos ares", o artigo transforma em privilégio uma situação prevista e garantida em lei (o transporte gratuito dos aeronautas quando não estão em serviço no voo), e relata um descontentamento pessoal de forma preconceituosa e ofensiva.
Se fosse uma obra literária ficcional e fosse a fala de um personagem grosseiro e amargo, talvez o texto não ofendesse tanto a categoria. Mas como não é, e sim um artigo que pretende descrever a realidade, é essencial que seja oportunizada uma retratação aos aeronautas, uma vez que, mesmo sendo um artigo de opinião, ele não faz juz a verdade e, por isso, publicita uma ideia que precisa ser corrigida, sob pena de a população que lê essa coluna considerar equivocadamente essas afirmações como corretas, prejudicando assim toda uma categoria de trabalhadores.
O texto recebeu mais de 600 comentários. Os aeronautas estão chocados, indignados, aviltados com o artigo publicado pelo jornalista.
Aquele que ele chama caroneiro é na verdade tripulante extra do voo, condição garantida no item 65 da Convenção Coletiva de Trabalho, firmada há décadas entre o Sindicato Nacional dos Aeronautas e o Sindicato Nacional das Empresas Aeroviárias, e na regulamentação profissional do aeronauta (Lei 7.183/1984). O aeronauta, pela norma, tem direito a assento na cabine de passageiros para viajar, desde que haja disponibilidade de lugar, e aí incluem-se muitos trabalhadores que estão voltando para casa depois de vários dias de longas jornadas de até 11 horas de trabalho.
Na maioria das vezes, esses tripulantes extras também estão indo assumir voos em outras localidades, por ordem da companhia, conforme prevê a regulamentação profissional.
O que o autor chama de superlotação da aeronave é, na verdade, uma alta taxa de ocupação dos assentos, um reflexo do crescimento do país e da inclusão das camadas mais populares no transporte aéreo. Ela é excelente para o setor: reduz o valor das passagens e democratiza mais ainda o transporte aéreo para os brasileiros.
Nenhum avião decola com mais passageiros que a capacidade da aeronave e os passageiros pagantes são sempre priorizados, o que demonstra mais uma leviandade no texto do autor da coluna. Não há mágica: se aeronautas ingressaram como tripulação extra no voo é porque havia assentos disponíveis.
O overbooking é uma prática lesiva ao consumidor e ocorre quando as empresas vendem mais bilhetes do que o número de assentos disponível, e não precisa ser especialista na área para perceber que não são nem pilotos, nem comissários, que efetuam essas vendas.
Já as enormes filas nos aeroportos são um problema de fato: o próprio Ipea em recente relatório afirmou que a maioria dos grandes aeroportos extrapolaram sua capacidade de atendimento a passageiros. Um problema, no entanto, da alçada da Anac, Infraero, governo; não dos aeronautas. Os tripulantes se comportam exatamente como regem as normas da aviação e das empresas: após os passageiros serem embarcados, conforme o número de assentos disponíveis no voo.
Formar filas, na cultura ocidental, ao que sabemos, é uma questão de educação e cordialidade. Crianças, idosos, portadores de deficiências, gestantes têm prioridade, diz a boa educação e a lei. Já o mercado privilegia também os mais afortunados, da classe executiva, dos cartões de crédito classe A.
Nenhum problema quanto à prosa do colunista, ao seu relato sobre um dia cansativo em que teve que pegar um voo lotado para voltar para casa, ou ir trabalhar. Não fosse o desrespeito aos aeronautas, que não são caroneiros, não estão lá para tirar o lugar do passageiro pagante, não lhe privaram do assento no corredor. Nenhuma mágica, tampouco. E muito menos uma praga.
O escárnio do autor vai tomando corpo e o "nobre" jornalista, então, relata uma situação prosaica que poderia acontecer com qualquer pessoa sentada ao lado de outra que tem um conhecido no mesmo avião e gosta de bebida alcoólica. Mas essa pessoa, é claro, é um "caroneiro gordo e risonho" - um aeronauta, um co-piloto - amigo de um comissário. Assim, ele conclui que voar perdeu o glamour e que, em função dos aeronautas, voar é ainda pior. Ou seja, para o jornalista, os aeronautas são caroneiros (voam de graça indevidamente), gordos e risonhos, bêbados, barulhentos e atrasam os voos. Qualquer trabalhador de qualquer profissão que fosse assim classificado ficaria revoltado com essas colocações.
Apesar de nenhuma retratação atender de fato ao sentimento de injúria provocado por esse artigo, a mesma é fundamental para tornar público o direito desses trabalhadores de voarem nas aeronaves que não estiverem tripulando, sem sofrer constrangimentos, e esclarecer sua condição como profissionais, sua dignidade e função. E para pedir desculpas públicas pela atitude preconceituosa do autor da coluna com os aeronautas e com os passageiros. Porque ele registrou sua revolta com a lotação dos aviões, deixando subentendido que preferia uma outra época em que somente pessoas abastadas ou privilegiadas podiam voar, de modo que ele usa os comissários e co-pilotos como bode expiatório para achincalhar todos os passageiros modestos, as pessoas gordas ou risonhas.
A atitude difamatória é muito expressiva e fere a dignidade e a reputação de uma categoria inteira. Não fosse isso, o texto não teria tido tamanha repercussão.
Segundo o art. 3º da Constituição Federal, em seu item IV, cabe ao País promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação. Da mesma forma, cabe ao jornalista respeitar esse princípio.
O Sindicato Nacional dos Aeronautas espera que a equipe de jornalismo do Portal Terra, do Terra Magazine e o editor Bob Fernandes estejam cientes desses fatos e argumentos e atendam ao anseio dos aeronautas, dando-lhes retratação com mesmo destaque e espaço da coluna mencionada.
#66
Postado 10 de maio de 2011 - 22:02
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http://terramagazine...o+educacao.html
Eduardo Tessler
De Porto Alegre (RS)
Uma mania tomou conta dos passageiros nos voos no Brasil e no mundo: carregar a bagagem dentro do avião.
Talvez motivada pelos sucessivos erros no manuseio das malas pelas companhias aéreas - perda, quebra, roubo -, os passageiros começaram a preferir levar a bagagem dentro, naquele porta-coisas, acima dos assentos. O espaço que historicamente servia para as bolsas e as maletas tipo 007, também para casacos e sacolas, precisou crescer. E acomoda muito mais peso do que a engenharia sadia recomenda.
A mania pegou tanto que as fábricas de malas lançaram o modelo "cabine", na dimensão do bagageiro. Levar dentro do avião significa segurança e 5 minutos de tempo precioso por não precisar esperar a bagagem no destino - exceto nos aeroportos de São Paulo, onde esse tempo costuma, pelo menos, triplicar.
Mas aí os passageiros começaram a exagerar. Bagagens enormes, bem maiores que o espaço, passaram a incomodar os demais passageiros. Até que criou-se uma regra, inspirada na aviação civil europeia: há uma dimensão máxima para os volumes de mão e de nenhuma forma eles devem exceder 5 quilos.
Só que as companhias relaxam na hora de fiscalizar. E qualquer bagagem passa, ainda que as máquinas de Raio-X tenham um tamanho-limite, antes do embarque. E situações embaraçosas, como a mala ser tão grande que ultrapassa o tamanho da esteira de R-X acontecem todos os dias em São Paulo. Mas aí funciona o jeitinho. Vai levando.
Hoje os passageiros que não querem esperar pela bagagem no destino carregam enormes volumes e nem se preocupam se isso atrapalha todos os demais passageiros do mesmo voo. Azar. Ele vai dar um jeito de acomodar a mala que mais parece um contêiner. E dane-se quem não gostar, quem ficar sem espaço para colocar um simples casaco no porta-bagagens.
Chega a ser cômico o comportamento desses "malandros" antes dos voos. Com as constantes mudanças de portão de embarque, lá vão eles com as bagagens, carregando escada acima, suando para levantar no degrau do ônibus que o leva até o avião, sofrendo para coloca-la sobre o assento. Mas em nenhum momento o esperto dá-se por vencido, nem mesmo quando encontra todo o bagageiro interno do avião lotado.
- Onde eu coloco? - pergunta sorrateiro à aeromoça incrédula. Pelo tamanho da mala não há qualquer hipótese de acomodá-la, a não ser no porta-malas. Mas como o cliente tem sempre razão, tenta-se acomodá-la.
O sujeito que não se importa em atrapalhar a comodidade dos demais passageiros é o mesmo que, apesar dos apelos da aeromoça desde o momento em que as portas foram fechadas, segue conversando com a esposa ou a mão pelo celular. É proibido? E daí? O jeitinho fala mais alto.
Se esses dois problemas já foram assimilados pelos passageiros frequentes, que respeitam as normas e até já não dão bola para a má criação desses malandros, um novo tipo de incômodo está crescendo assustadoramente nos voos: os caroneiros. Funcionários das companhias aéreas querem dormir em suas cidades de origem. E antes de a porta fechar, invadem o avião em busca de assentos vazios. Na hora do check-in, o passageiro pagante é informado que já não há corredores ou janelas disponíveis. Só o assento do meio. Mas os caroneiros sempre conseguem um bom lugar, por mais estranho que possa parecer.
E a bagagem do caroneiro? Dentro do avião, é claro. Malas de proporções avantajadas tentam se encaixar nos mínimos espaços disponíveis nos porta-maletas. E aí os "malandros do jeitinho" comemoram o desespero dos tripulantes caroneiros. Não há lugar. Não há o que fazer. Um tenta empilhar casacos e maletas dos passageiros-pagantes, para que sobre lugar para sua malona. Outro força daqui, tenta dali e termina pedindo ao comandante que acomode sua bagagem na cabine de comando.
O jeitinho vale também para os caroneiros.
Andar de avião está a cada dia mais parecido com ônibus.
Quarta, 26 de janeiro de 2011, 08h25
http://terramagazine...o+educacao.html
#67
Postado 10 de maio de 2011 - 22:03
Todo funcionario viaja mediante disponibilidade.
#68
Postado 11 de maio de 2011 - 14:27
LV-LEO, em 06 de maio de 2011 - 01:11 , disse:
Concordo que o rapaz ta completamente errado , mas sua resposta nao e melhor . Posso te responder que uma empresa vive graca aos clientes , e falar que se a gente comum viaja so pq vc existe : e uma besteira .
Mas que existe uma amizade para upgrade , isso e a realidad .
#69
Postado 11 de maio de 2011 - 18:19
#70
Postado 11 de maio de 2011 - 22:34
topodidi, em 11 de maio de 2011 - 14:27 , disse:
Já existe avião comercial não-tripulado no Brasil? Corram para as montanhas!
#71
Postado 12 de maio de 2011 - 10:53
Não temos prioridade, e todos sabem, é mais do que justo que os passageiros que compraram sua passagem escolham os melhores lugares.
O cara é um banana!
Imagino que ele é que tenta se privilegiar da profissão entrando em lugares onde não deve e pegando informações que não deveria saber. Pronto, falei!
#72
Postado 12 de maio de 2011 - 10:56
Penso que o que fica deste infeliz episódio é o quanto existe de falta de comunicação entre passageiros e funcionários de empresas, um definitivamente não entende a visão do outro e não se preocupa em tentar entender.
A vida de passageiros e tripulantes não anda muito fácil, ambos são vítimas do mesmo mal, uma espécie de ditadura das empresas que acabam fazendo o que bem entendem em nome da lucratividade.
Se ao invés de se degladirem eles unissem forças contra a causa do problema e não contra os seus efeitos.
Se os passageriros ao invés de se unirem para brigar com o funcionário do check-in se unissem para tomar as medidas cabíveis jurídicas e administrativamente, eles ganhariam sinergia e força para obter resultados bem melhores em relação a suas reclamações contra as empresas!
Se a categoria se mostra-se tão unida e indignada com relação as injustiças perpetradas pelas empresas, como foi neste episódio, provavelmente teria resultados melhores nas negociações coletivas.
Abraços!
#73
Postado 12 de maio de 2011 - 11:13
#74
Postado 12 de maio de 2011 - 11:26
benitorbp, em 12 de maio de 2011 - 10:56 , disse:
Penso que o que fica deste infeliz episódio é o quanto existe de falta de comunicação entre passageiros e funcionários de empresas, um definitivamente não entende a visão do outro e não se preocupa em tentar entender.
A vida de passageiros e tripulantes não anda muito fácil, ambos são vítimas do mesmo mal, uma espécie de ditadura das empresas que acabam fazendo o que bem entendem em nome da lucratividade.
Se ao invés de se degladirem eles unissem forças contra a causa do problema e não contra os seus efeitos.
Se os passageriros ao invés de se unirem para brigar com o funcionário do check-in se unissem para tomar as medidas cabíveis jurídicas e administrativamente, eles ganhariam sinergia e força para obter resultados bem melhores em relação a suas reclamações contra as empresas!
Se a categoria se mostra-se tão unida e indignada com relação as injustiças perpetradas pelas empresas, como foi neste episódio, provavelmente teria resultados melhores nas negociações coletivas.
Abraços!
Enfim, a luz da razão começa a aparecer...
Editado por Reineves, 12 de maio de 2011 - 11:26 .
#75
Postado 12 de maio de 2011 - 16:42
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