Folha de São Paulo
São Paulo, terça-feira, 10 de maio de 2011
Empresas aéreas querem mais voos em 4 aeroportos
Comitê da Anac fará estudo para aumentar frequências em Cumbica (SP), Brasília, Confins (MG) e Viracopos (SP)
Proposta principal é reduzir a distância entre os aviões que pousam, sem depender de obras de melhoria
RICARDO GALLO
DE SÃO PAULO
Por iniciativa das companhias aéreas, um comitê da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) propôs aumentar a quantidade de voos em quatro dos maiores aeroportos brasileiros, sem depender necessariamente de obras de melhoria.
Os alvos são Cumbica, em Guarulhos (SP), o mais movimentado do país, Brasília, Confins (MG) e Viracopos (SP), importantes centros de conexões da malha aérea.
Os quatro já operam atualmente acima da sua capacidade de abrigar passageiros -embora, em relação à pista, haja espaço disponível.
A proposta saiu semana passada em reunião da Câmara Técnica de Infraestrutura do Conselho Consultivo da Anac. O grupo fará um estudo, a ser concluído em três meses, para identificar de que modo ampliar as operações nos aeroportos. A aplicação, se efetivada pela Anac, fica para 2012.
Integram a câmara a Infraero (estatal que administra os aeroportos) e associações de companhias aéreas, entre outros. As resoluções são submetidas à Anac.
A proposta principal é reduzir a distância entre os aviões que aterrissam, de cerca de 18,5 km para 10 km.
"No mundo se pratica separação de 5 milhas náuticas [9,2 km], até menos, com segurança", diz Ronaldo Jenkins, diretor do Snea, o sindicato das empresas aéreas.
As empresas estão de olho em aproveitar a demanda -o movimento de passageiros subiu 21% em 2010.
Adotar a medida implicará, mais cedo ou mais tarde, contratar mais controladores de voo. Em outubro, a Folha mostrou que faltavam 900 controladores no país.
Hoje, Cumbica tem em média 30 operações por hora; o limite definido pela Aeronáutica é de 44 -uma folga de até 20% é necessária para atenuar atrasos.
Quem estabelece a capacidade de cada pista é o Decea (Departamento do Controle do Espaço Aéreo), da Aeronáutica. Procurado, o órgão não respondeu à Folha.
A câmara técnica buscará ainda soluções para otimizar o tempo que os aviões ficam em solo e o espaço que ocupam em cada aeroporto.
"Se obtivermos um aumento de eficiência, poderemos mitigar o problema de capacidade nesses aeroportos", diz o coordenador da câmara técnica Victor Celestino, diretor da Abetar (associação das companhias de transporte aéreo regional) e da Trip Linhas Aéreas














