Empresário é assassinado a tiros em frente à pizzaria
VANEZA TARGINO
O empresário Francisco Mesquita, dono da empresa aérea Meta Mesquita, foi morto a tiros na noite de ontem, por volta das 20h30, no bairro Aparecida, na saída de uma pizzaria. A Folha teve acesso à informação extraoficial que Mesquita teria levado oito tiros, sendo seis na região do tórax e dois nas costelas.
Os suspeitos do crime são dois homens e um deles também é empresário da aviação civil em Roraima, Vibaldo Nogueira Barros, mais conhecido por Vivi. Ele é dono da empresa Paramazônia Táxi Aéreo. O outro suspeito é Cirilo Barros Pereira, de 63 anos, primo de Vivi.
Ambos foram detidos pela Polícia Militar numa casa na rua Souza Júnior, no bairro São Francisco. Eles foram levados para o Plantão Central, que fica no 4º Distrito Policial (DP), no bairro Pintolândia, para serem ouvidos e responderem aos procedimentos legais. A polícia ainda suspeita de um terceiro envolvido, chamado de Edivaldo Carvalho Silva. Ele teria fugido numa motocicleta modelo Titan, cor preta.
O crime aconteceu na rua Governador Aquilino Mota Duarte, no bairro Aparecida, em frente a uma pizzaria. A Folha apurou junto às testemunhas que o empresário jantou sozinho e por volta das 20h30 saiu em direção a sua caminhonete Hilux, branca, de placas NOP-2907, estacionada do outro lado da rua, quando foi abordado por dois homens que faziam campana em frente à pizzaria, embaixo de uma árvore. As testemunhas da pizzaria ouviram pelo menos cinco disparos. A polícia não divulgou nenhuma versão para o crime.
Francisco Mesquita morreu na hora. Não houve nem tempo de ser socorrido. Ele caiu do lado da caminhonete. A carteira e a chave do veículo, que ele carregava nas mãos, ficaram espalhadas perto do corpo.
“Achei estranho os dois homens lá [do outro lado da rua], porque fiquei com receio deles estarem querendo roubar alguma motocicleta dos funcionários. Mas eles faziam tocaia para matar o empresário, pois quase toda noite ele jantava aqui”, disse um garçom da pizzaria, ao comentar que na hora dos disparos os clientes ficaram apavorados e logo acionaram a PM, que chegou ao local em menos de cinco minutos. Testemunhas observaram ainda que os disparos só não atingiram outras pessoas porque no momento do crime chovia e todas as mesas estavam dentro da pizzaria e não do lado de fora, como costuma ocorrer.
Após os disparos, os suspeitos fugiram num Celta preto, de placas JXG-5294, em direção à Escola Penha Brasil, empreendendo fuga. Um motociclista de um supermercado próximo seguiu o carro até a rua Souza Júnior, no São Francisco, e acionou a PM, que prendeu os dois suspeitos. Na casa, ainda foram apreendidas duas armas de fogo, sendo um revólver 357 e uma pistola 380 e também o veículo usado no crime.
O corpo do empresário foi liberado por volta da meia-noite para a família providenciar o velório, mas o laudo só será expedido hoje. (Colaborou Nonato Sousa)
Depoimentos entraram pela madrugada
Embora os suspeitos do crime tenham sido detidos minutos após os disparos, os depoimentos só tiveram início na madrugada desta sexta-feira, depois que a Polícia Militar entregou o Relatório de Ocorrência Policial (ROP) ao delegado Juraci Rocha, titular da Delegacia Geral de Homicídios (DGH), que assumiu a investigação.
A Folha acompanhou o desenrolar do caso no 4ºDP até a 00h31, quando o delegado começou a tomar o depoimento de Cirilo Barros Pereira, que pode ter sido o autor dos disparos. Somente após a conclusão de sua oitiva é que o empresário Vibaldo Nogueira seria ouvido.
Os dois ficaram isolados na carceragem do 4º DP por questões de segurança e também para evitar o contato entre eles antes dos depoimentos. Somente nesta sexta-feira será possível saber se os dois serão autuados pelo crime, se permanecerão presos ou se serão liberados.
A Polícia Militar isolou a área para conter os curiosos
Logo a notícia se espalhou em Boa Vista e a família do empresário foi para o local do crime. Os familiares estavam inconformados com a morte do empresário. O corpo ficou ao lado da caminhonete e foi coberto por um lençol branco. Dezenas de curiosos lotaram a rua, que ficou interditada. Uma fita de contenção foi utilizada pela Polícia Civil para evitar o acesso de pessoas no local do crime.
Mais de dez delegados e vários secretários estaduais estavam acompanhando a perícia da Polícia Civil. O secretário de Segurança Pública, Eliezer Monteiro, esteve no local acompanhando as investigações e ressaltou a importância da colaboração da população na elucidação do crime. O corpo do empresário foi retirado do local por volta das 21h57 e em seguida foi levado para o Instituto Médico Legal (IML), onde passaria por exame de necropsia, que vai apontar exatamente quantos tiros o atingiram.
A vítima e os suspeitos eram muito conhecidos na cidade, razão pela qual também mobilizou o alto escalão da PM e Polícia Civil no 4º DP, além de muitos advogados. Por volta das 23h50, um dos suspeitos passou mal e o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU 192) foi acionado para atendê-lo. Os médicos passaram meia hora na delegacia. A informação é de que um deles apresentou problemas com pressão alta.
Suspeitos foram detidos em casa do bairro São Francisco
Os suspeitos do crime foram detidos na rua Souza Júnior, no bairro São Francisco, por volta das 21h. Os delegados Paulo Henrique, da Inteligência da Polícia Civil, Juseilton Costa e Silva, do Departamento de Operação Especiais, estavam conduzindo as investigações no local junto com policiais militares, que foram acionados para efetuar a prisão.
Segundo eles, os suspeitos, o empresário conhecido como Vibaldo Nogueira, e o primo dele Cirilo Barros Pereira, foram levados para o 4º DP (Distrito Policial), onde iriam prestar depoimento. Para não atrapalhar as investigações, os delegados não quiseram adiantar informações do que foi verificado no local da prisão.
Durante o procedimento, várias pessoas da vizinhança e curiosos se aglomeram no local, surpresos com a ação policial. Segundo os moradores, a casa onde a prisão foi feita sempre permanecia fechada e eles nem sabiam a quem pertencia.
“Nunca vi quem era o dono dessa casa, que vivia fechada. Muito estranho o que aconteceu. Nem tinha movimentação nesse local”, comentou um morador da rua onde os suspeitos foram detidos, que não quis se identificar.
Na internet, a casa aparece em vários sites como um dos endereços para contato com a Paramazônia Táxi Aéreo, da qual Vivaldo é um dos sócios. (S.A.)
http://www.folhabv.c...a.php?id=108680
Na cidade comenta-se que a execução tem relação com licitações que a Meta sempre "ganhava".