Achei esse comentário em um post sobre a matéria, achei bastante pertinente! Parece que o Sr. Ivan Sant'anna foi um pouco tendencioso.
Basta lembrar que ainda hoje as comunicações são bastante precárias entre as posições TERES/NABOL, ou seja, nada mudou!
http://veja.abril.com.br/blog/ricardo-setti/dica-de-leitura/como-e-por-que-o-legacy-da-embraer-bateu-no-boeing-da-gol-e-matou-154-pessoas-ilustrada/"
"Setti,
Sou visitante e comentarista assíduo do seu blog. Por motivos profissionais, eu evitarei me identificar. Trabalho com aviação e, inclusive, trabalhava na Embraer na época do acidente da Gol. Conheço algumas das pessoas envolvidas, como um dos que estavam a bordo do Legacy e um dos que trabalharam no despacho do fatídico vôo em São José dos Campos. Antes de comentar, quero que fique bastante claro que a minha opinião não tem relação com o fato de ter trabalhado no fabricante do avião envolvido no acidente. Meu comentário é tão somente baseado na minha experiência na aviação.
Acho descabido afirmar que a Embraer liberou o avião prematuramente ou que um piloto da Embraer deveria acompanhar a tripulação. Em que pese a pouca experiência dos pilotos no Legacy, ambos possuiam a necessária experiência para operar uma aeronave daquele porte. Não devemos nos esquecer que ambos eram detentores de uma licença de piloto de linha aérea fornecida pela FAA. Além disso, efetuaram o treinamento junto à Flight Safety International (FSI) e na Embraer e foram considerados proficientes. O manuseio inadequado do transponder, um dos fatores contribuintes do acidente, foi causado pela pouca experiência no emprego deste equipamento mas não pode ser creditado ao fabricante da aeronave. Se os pilotos tinham pouca experiência em operar um Legacy, isto não poderia ser remediado pela Embraer durante a entrega da aeronave. O processo de recebimento de uma aeronave pelo cliente foi alvo de uma série de recomendações feitas pelo CENIPA no relatório final do acidente, mas nunca foi mencionado explicitamente neste documento que um piloto brasileiro deveria fazer parte da tripulação.
A afobação no processo de entrega também não deve ser atribuída à Embraer. Os aviadores não tinham consciência do caráter não-rotineiro de um vôo de translado em um país desconhecido e, por conta de pressão exercida pela empresa, não realizaram um planejamento adequado para o vôo. O fabricante efetuou a entrega da aeronave de acordo com a disponibilidade dos clientes. Se houve afobação, certamente não foi por culpa da Embraer.
Dentre as várias ausências no post, que espero não ver no livro do Ivan SantAnna, chama a atenção o papel atribuído à instrução realizada na FSI. Os pilotos tinham deficiências na compreensão de sistemas do avião, o que propiciou desvios na atenção necessária ao vôo. Além disso, deveriam ter sido treinados quanto a diferenças de procedimentos entre os sistemas de controle aéreo entre os EUA e do Brasil (inclusive as suas deficiências). Este importantíssimo fator foi completamente negligenciado no post.
Porém, o mais importante mesmo foi omitido no texto. O autor preferiu centrar fogo nas responsabilidades dos indivíduos (como os pilotos e controladores) e de empresas privadas no acidente, mas ignorou completamente as gritantes deficiências de formação de pessoal e gestão do espaço aéreo brasileiro que contribuíram para este acidente. Só para lembrar, outros acidentes devido as falhas de controladores de tráfego aéreo já aconteceram no Brasil antes, como a colisão com o solo do vôo Lufthansa LH527, em 26 de julho de 1979, e o acidente com um Brasília em São José dos Campos em 19 de setembro de 1986 (coincidentemente, durante um vôo de entrega partindo da Embraer). Isto se torna mais importante quando nos lembramos das quase colisões que aconteceram e ainda acontecem ultimamente, triste evidência das mazelas que afligem o transporte aéreo no Brasil como um todo."
Obs: Existem alguns erros do autor no texto sobre o TCAS (área verde no modo resolution do TCAS) e algumas outras imprecisões técnicas menores.
Editado por GLE, 04 de julho de 2011 - 19:42 .