aproveitando o off-topic sobre carga tributária:
a carga tributária é uma estimativa, uma comparação entre a arrecadação de tributos (um número concreto) e o PIB anual que é um cálculo complexo mas ainda assim não deixa de ser uma "aproximação". para mais sobre esse cálculo, consultem a página da receita federal. lembrar também que deve ser considerada a arrecadação total de tributos federais, estaduais e municipais.
mais importante do que compará-la com a de outros países é perceber que o problema não é a carga em si mas o sistema tributário em geral pelo que tem de complexo com o excesso de tributos e de burocracia e pelas excrescências que são as cobranças em cascata, ou seja, pagar imposto sobre imposto. qd trabalhei com planejamento tributário vi estudos sobre vários setores cuja "carga" incidente chegava fácil, fácil à casa dos 50%, tudo graças a esse sistema desvairado e que explica porque quem pode recorre a advogados pra fazer elisão fiscal e como essa pode representar a sobrevivência ou não de muitas empresas.
me arrisco a dizer que o grande entrave à economia brasileira é o sistema tributário kafkiano que a gente tem, que torna tudo aqui mais caro do que em qualquer parte do mundo (minimamente) civilizado. e, claro, ainda tem a imoralidade da ausência de retorno desse dinheiro na forma dos serviços mais básicos (educação, saúde, transporte), que voltam para nós somente como nova obrigação, ou seja, os privilegiados que possam fazê-lo têm que pagar (muito caro) pra educar os filhos, pra ir ao médico, pra se locomover etc.
em suma, mesmo que se compare nossa carga tributária à de outros países enfocando o retorno desse dinheiro como serviços públicos, mais importante é saber que aqui no cotidiano esse número frio não é suficiente para demonstrar realidades possivelmente piores, nem como um sistema desse em que não temos como manter minimamente o controle do dinheiro, saber quanto existe nem pra onde vai, como isso só pode determinar nesse Estado inchado e corrupto e que depende completamente desse tipo de coisa pra se perpetuar.
back to topic:
não sei se estou mal acostumado com os cálculos de capacidade da infraZero mas também fiquei inicialmente surpreso com essa informação de que PEK já está saturado. da última vez que li a respeito, havia até partes ociosas no T3. por outro lado, claro que certos estão eles em estar preparados para o futuro e não correndo atrás de tapar buracos.
só mais um detalhe: temos que ter cuidado com essa percepção de "atraso" da China quanto a condições de trabalho e defasagem tecnológica. o trabalhador chinês ainda recebe comparativamente pouco e aquilo ainda é uma ditadura onde não há nenhum lugar para discordar mesmo do maior dos absurdos, mas isso vem se transformando aos poucos. não só o chinês vem ganhando cada vez mais como o governo tem investido pesadamente em educação e estrutura para inovação tecnológica. enquanto nós nos apegamos à imagem de suas usinas a carvão, hoje são os chineses quem detêm o monopólio do material para a produção de placas de energia solar de segunda geração! enquanto a gente ri do HiPhone, está voltando à China e trabalhando a pleno vapor a primeira geração de milhares de cientistas formados nas melhores universidades do mundo com incentivo do governo chinês.
já a ditadura, bem, essa ainda vai durar bastante mas "the joke is on us".
Editado por hugo bellini, 18 de setembro de 2011 - 12:52 .