- Funcionários do aeroporto de Viracopos encerram greve
- Trabalhadores cruzaram os braços para protestar contra privatizações
Os funcionários do Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas (SP), decidiram hoje (24), em assembleia, encerrar a greve inciada na última quarta-feira (19). A informação foi dada pelo Sina (Sindicato Nacional dos Aeroviários).
Na semana passada, os funcionários da Infraero (Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária) nos aeroportos de Viracopos, Galeão e Guarulhos entraram em greve para protestar contra a privatização dos três terminais, definida pelo governo da presidente Dilma Rousseff.
No Rio e em Guarulhos, a paralisação terminou na sexta-feira (21). Na próxima quarta-feira (26), lideranças sindicais discutirão as privatizações com representantes do governo.
Reivindicação
Os aeroportuários decidiram cruzar os braços para dizer não às privatizações do Aeroporto Internacional de Guarulhos, Viracopos e de Brasília anunciadas pelo governo. Entre as reivindicações da categoria, também estão a aceitação das garantias de trabalho como a inclusão com representação sindical, além da participação dos funcionários nas negociações para privatização dos terminais aéreos.
De acordo com os aeroportuários, a administração dosterminais nas mãos da iniciativa privada “pode sucatear o setor”. Segundo José Carlos Domingos, representante do Sina, diz que “passar [os aeroportos] para a iniciativa privada não é garantia de investimento”.
- A preocupação não é só com os empregos e garantias do setor, mas também com a precarização do sistema. O que a gente tem visto em todas as privatizações que ocorreram é que não houve investimentos. E, se não houver investimento no setor aéreo, se um equipamento ficar fora do ar em dia de nevoeiro, a aeronave pode receber uma comunicação como se estivesse pousando em um dia normal.
Para ele, essa questão é importante porque “95% dos acidentes aéreos ocorrem entre o pouso e a decolagem. Em pleno voo, somente 5%”. E os investimentos devem ser mantidos para que a segurança seja a prioridade.
Ele diz temer ainda o encarecimento do preço das passagens.
- Pode ter certeza que vai haver aumento das taxas de embarque, o custo das viagens vai aumentar. O que o setor privado quer é ver o rico voando, não o pobre, porque o rico consome nos aeroportos, o pobre vem simplesmente para embarcar e desembarcar. E as empresas privadas querem receita e não é a classe C e D que traz.
Domingos citou o caso da Argentina para reclamar da privatização dos aeroportos.
- O governo terceirizou o aeroporto de Buenos Aires e depois teve que pegar de volta por falta de investimentos e assim muitas companhias aéreas pararam de voar.
O Aeroporto Internacional de Viracopos foi o mais prejudicado pela paralisação dos funcionários da Infraero. O setor de carga do terminal aéreo de Campinas, que despacha e recebe cerca de 800 toneladas por dia, transportou durante todo o período da greve apenas cargas perecíveis, como alimentos e remédios, e animais.
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