LV-LEO, em 26 de outubro de 2011 - 12:23 , disse:
Corretíssimo. Acrescento um exemplo de como as generalizações são perigosas:
Meu amigo é concursado da Anatel e, em parceria com um colega, desenvolveu uma solução de TI que agilizaria a tramitação dos processos na Agência e evitaria a eventual contratação de uma empresa para fazer a mesma coisa. Levou a ideia ao superior (ocupante de cargo em comissão; indicação política, portanto) que prometeu "avaliar". Segundo meu amigo, o envelope pardo repousa na mesma pilha onde foi deixado e ele simplesmente desanimou de tomar qualquer atitude pró-ativa em favor do serviço público. Diz que o que se espera deles é trabalho puramente mecânico e que não atrapalhem as ações políticas da e dentro da autarquia.
Isso poderia ser resolvido se existisse um órgão de "Inovação na Gestão Pública", para onde qualquer servidor graduado ou não poderia enviar ideias, sugestões e proposições, para que fossem implantadas de cima para baixo, sem depender do superior imediato daquele servidor. Mas pergunta se alguém tem interesse nisso?
Um outro exemplo fiquei sabendo numa lista de discussões, onde o sujeito afirma que na divisão do Ministério onde trabalha, há 10% de servidores concursados e todo o restante é formado por terceirizados e indicados políticos. Antes houvesse mais concursos públicos para preencher 50% desses cargos 'partidários'. Já estaria de bom tamanho e a qualidade certamente melhoraria.
Infelizmente casos assim acontecem diariamente em nossas repartições públicas, a iniciativa de um concursado recem-chegado esbarra nos impedimentos de ordem extra-institucional dos que ocupam cargos "políticos".
Não é regra, mas esta longe de ser exceção, por óbvio que qualquer órgão público vai ter forte influência política, não dá para negar isso, o que é lamentável é que no Brasil este tipo de influência parece estar acima da própria funcionabilidade do órgão, uma coisa é fazer política em um órgão eficiênte (ex: Banco Central), outra coisa é fazer de um órgão mero instrumento de política, e relegar sua função institucional a segundo plano.
Veja 50% dos cargos em comissão pela constituição deveriam ser preenchidos por funcionários de carreira.
Ai o que faz o governante, infla o órgão para acomodar todas as indicações políticas, distribuindo cargos de confiança em locais chaves para os apadrinhados políticos, e criando na mesma proporção cargos de confiança "técnicos" para os funcionários de carreira.
Colocam o cara que não entende nada para comandar e o que entende do riscado para não fazer nada em desvio de função.
Na pior das hipóteses deveria ser o contrário.
Rafaelguimaraes, em 26 de outubro de 2011 - 12:33 , disse:
Só para comparar, No Reino Unido, Cameron nomeou, direta ou inderetamente, cerca de 500 funcionários para todos os gabinetes. Lulla em 8 anos inchou em mais de 30.000 a máquina federal, sendo a maioria de filiados ao PT e isso fez as receitas do partido engordarem enormemente!
Por quê eles são ricos e nós não? Por quê são desenvolvidos e nós não? Esse é apenas um dos inúmeros motivos. A voracidade da máquina pública não tem limites! Precisamos de MENOS Estado onde não precisa, para que este Estado tenha foco ONDE precisa.
GRU ainda não explodiu e nem vai explodir porque somos pacíficos, melhor dizendo, domesticados e a maioria ignóbil que frequenta os aeroportos acha que TODOS os problemas são culpa das empresas aéreas. Não há uma clara percepção da divisão das responsabilidade, que diluída, favorece o governo (escondido nos bastidores) e expõe as cias aéreas, que estão nas lojas, nos check-ins, nas salas de embarque e desembarque e afins, com a cara ao vento e à tapa.
Rafael
Basicamente a frase que eu destaquei no seu comentário é a essencia de um Estado moderno!
Por isso que lamentei a reforma administrativa pela metade, no plano original só seriam servidores públicos os agentes de Estado com poder de polícia (Policias, Fiscais, etc) todo o resto seria no máximo empregado publico (CLT que poderia ser mandado embora em certos casos) em carreiras únicas para os setores meio da área federal.
Veja no mundo inteiro inclusive na Inglaterra muitas das funções públicas são escolhidas políticamente.
Só que existe uma distribuição linear, conforme aspectos técnicos políticos, com a participação ainda que indireta dos envolvidos (ex: o gerente do aeroporto é indicado político, mas escolhido pela comunidade aeroportuária, claro que com alguma influência política).
O problema brasileiro é que existe uma distribuição verticalizada (centralizada no cargo executivo) que virou moeda de troca para garantir a governabilidade.
bearshare, em 26 de outubro de 2011 - 12:33 , disse:
As nomeações políticas para cargos de direção ou chefia em empresas estatais, certamente é um dos maiores problemas da máquina pública no Brasil. Acho que disto ninguém tem dúvidas. Porém, eu não acho que este é um problema exclusivo do Brasil.
Em relação a "atitudes pró-ativa" em favor do serviço público, não se pode generalizar, isto depende muito de vários fatores, sendo um deles a esfera da administração (federal, estadual ou municipal). Eu sou concursado (não federal) e onde eu trabalho, qualquer sugestão ou atitude que beneficie as finanças públicas, o bom serviço e atendimento ao público, é sempre bem-vinda, analisada e se for caso, colocada em prática.
De fato não é um problema exclusivo do Brasil mas em outros páises mais desenvolvidos existe um pouco mais de coerência e transparência neste processo! Claro há exceções dos dois lado, como você disse, mas países que escancaram suas indicações políticas e tornam este processo público e por isso sofrem maior pressão da sociedade, acabam diminuindo a probabilidade de erro, ou ao menos um criam uma política mais clara para a sua população interessada!
Abraços!