LipeGIG, em 06 de novembro de 2011 - 11:37 , disse:
E é o tipo de união onde ganha o muito pequeno e o muito grande.
O Uruguai tem conseguido bons investimentos, o Brasil cresce como o principal do bloco... a Argentina patina...
Concordo com relação aos pequenos, mas cada um com suas peculiaridades:
- Uruguai: situado exatamente entre os dois gigantes (Brasil e Argentina) e tentando se desvinciliar um pouco da Argentina, da qual tem relação muito forte (inclusive com a óbvia proximidade de Buenos Aires), notadamente após a crise argentina da década passada (que teve reflexos negativos muito profundos no Uruguai), além das "escaramuças" menores, como o caso das "papeleras".
Comparativamente ao Paraguai, tem nível educacional e de desenvolvimento mais adequados (por vezes, os melhores da América do Sul, após o Chile) e saída para o mar. Uma característica positiva, digamos assim, é a pequena população (3,4 milhões para 176.215km
2, concentrados em Montevideo e arredores, como o Depto. de Canelones), que confere menor grau de complexidade comparativa para administrar o país - em contraponto, exatamente por ser "pequeno", muitas vezes não se pode valer dos benefícios de escala (maior), como os "gigantes hermanos" o fazem, principalmente Brasil.
Sabiamente, tem tentado mostrar-se "independente dos dois gigantes" e, ao mesmo tempo, valer-se de tê-los em seus arredores.
- Paraguai - este país carrega algumas características, como: o peso real e histórico da Guerra do Paraguai (1864-1870); o peso das ditaduras (José Gaspar Rodríguez de Francia logo após a independência e Alfredo Stroessner, no período 1954-1989); certa desorganização institucional (acarretando, em relação especificamente ao Brasil, em problemas conhecidos associados a contrabando e, mais recentemente, a instabilidade jurídica a brasileiros que moram lá, nas áreas de fronteiras - os "brasiguaios"; bem, tem ainda as tais mil e uma potenciais mulheres e seus filhos, do atual presidente e ex-bispo

, que fazem as delícias de qualquer dramalhão bananeiro

); posição privilegiada, geográfica e de recursos, que o confere como grande gerador de energia (notadamente hidrelétrica, mas também com potencial de expansão para biomassa/biocombustíveis) e possuidor de valiosos recursos hídricos (rios como Paraná e Paraguai, além do Pilcomayo, e o aquífero transfronteiriço Guarani), ainda mais se considerarmos seu baixo consumo interno (de energia e água), colocando-o como fornecedor destes recursos.
Se o Paraguai tem, infelizmente, muitos pontos negativos em relação comparativa ao Uruguai (aí precisa trabalhá-los, para melhorar), tem outros positivos também que, se souber explorar melhor (e parece que está começando a fazê-lo), farão uma bela diferença, como exatamente a questão energética, a partir de duas características: uma interna, que é sua disponibilidade (real e potencial) de geração de energia (e os muito generosos 50% de Itaipu, inclusive) e outra, externa, que cai de bandeja vinda do Brasil, este um "campeão"

pelo seu caos jurídico-burocrático-fiscal-tributário (

). Isso faz com que a energia paraguaia tenha um custo muito mais barato que o Brasil (aliás, o Brasil, com uma matriz atual predominantemente hídrica e de obras de investimento em boa parte já pagas, deveria realmente reavaliar-se seriamente e perguntar-se por que

tem um dos custos mais elevados do mundo - adivinhem se não tem aí o dedo do custo-Brasil, de certa ganância de alguns atores e das idiossincrasias típicas que "só tem no Brasil"?!

). Neste sentido, se conseguir melhorar sua malha logística (além de seu arcabouço institucional), o Paraguai pode atrair indústrias, que certamente farão a diferença em sua economia.
- Argentina: costuma ter um certo "comportamento arredio" em relação ao comércio com o "hermano" Brasil e não parece que o Brasil seja o principal favorecido nas disputas (e a diplomacia brasileira frequentemente não age firmemente, pelo menos não o fazia até 2010, com a velocidade necessária a evitar estrago$$$ a empresas brasileiras). Ademais, a Argentina tem problemas internos que terão que ser enfrentados em breve, como inflação real (não a oficial, duvidosa). Não parece que seja pelo Mercosul que esteja em dificuldade e sim mais por problemas internos. Por outro lado, é realmente incrível que a Argentina esteja "em decadência desde a década de 1920"

e mesmo assim ainda tenha níveis (educacional, de desenvolvimento etc.) no mínimo comparáveis e mesmo hoje, alguns deles até superiores aos do Brasil (daí se nota o quanto o Brasil ainda é atrasado, inclusive - não precisa ir para uma Europa Ocidental para ver isso; aliás, ir ao Chile já é covardia também...). No limite, sempre haverá entre Brasil e Argentina uma relação típica de "jogo de futebol", de certa rivalidade. Se ambos conseguirem transcender isso, relegando ao futebol e a brincadeiras, tanto melhor para ambos, crescendo juntos e auxiliando-se mutuamente.
O Brasil? Um gigante, assim visto inclusive pelos vizinhos. Felizmente, começou a mudar a história de falta de integração com vizinhos na década de 1980, começando por aqueles do Mercosul original (Argentina, Uruguai e Paraguai) - oficializado na década de 1990 -, além do Chile (este, de "outra liga"

) e, mais recentemente, os demais (Bolívia e indo ao norte, até a Venezuela). Com ou sem Mercosul, pelo seu tamanho (economia, população, extensão, recursos diversos etc.), tem a vantagem da escala a seu favor (inclusive mercado interno). Mas claro que tanto melhor, se for com mais relação com países vizinhos.
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Voltando à Pluna, LDB já tinha ouvido falar (e também MGF), mas CGR e CXJ foram surpresas, principalmente CXJ (bela cidade a de Caxias do Sul, mas aquele aeroporto é bem limitado...

). De fato, com aviões menores, apropriados para o que se propõe a fazer em termos de expansão dos mercados brasileiros fora de Rio-SP, mostra-se com estratégia muito adequada e bem-vinda para muitas cidades que carecem de ligações diretas com Mercosul, ou na base de 1 escala (conexão, em MVD - aliás, um belo projeto de terminal), para se chegar aos principais destinos (Buenos Aires e Santiago). De fato, um tapa na cara nas brasileiras, que poderia ter, digamos, uma TRIP, uma Passaredo ou uma Azul também fazendo certas ligações diretas (e não só ao Mercosul, mas também a outros países, como Bolívia).
Aí fica a pergunta: quanto da não ação das brasileiras deve-se a falta de garra/apetite/ambição (no bom sentido), e quanto se deve aos travamentos típicos de Brasil? Claro que sempre há um quê de tudo, mas enquanto ignoram as desvantagens do Brasil, as estrangeiras deitam e rolam, pelas mais variadas portas, rotas e locais (TP, CM, TA, PU, AA etc.)...