Leirbag, em 02 de dezembro de 2011 - 19:04 , disse:
Benito, a Infraero nunca foi uma empresa eficiente. A questão é que há 10, 20, 30 anos atrás, a estrutura dos aeroportos (que é quase a mesma de hoje em dia) era plenamente capaz de lidar com o movimento que a aviação brasileira tinha. Tínhamos poucos problemas de infra-estrutura.
Só que a aviação brasileira vem crescendo a passos largos há 5 anos pelo menos e não conseguiu se ver praticamente nada de eficiente ser feito nesse tempo. A Infraero não se mostrou capaz de fornecer a estrutura necessária para acompanhar um ritmo de crescimento elevado, que é o que acontece agora. Nossa aviação nunca cresceu tanto quanto nesse momento.
Já foram dadas inúmeras chances de a Infraero corrigir seus erros e melhorar a infra-estrutura aeroportuária brasileira, mas só vemos desastre atrás de desastre, superfaturamento atrás de superfaturamento, puxadinhos atrás de puxadinhos. Enfim, não dá mais pra esperar a morosidade dessa empresa. É preciso que entre algum administrador eficiente já, pois estamos arriscados a passar (mais) vergonha do que já passamos.
Concordo parcialmente com o que você colocou Leirbag.
Discordo que ela nunca foi eficiênte, como você memso disse, durante 30 anos ela foi capaz de suprir as demandas de infraestrutura e levar desenvolvimento aeroportuário aonde ele não existia, resultado que não seria conseguido com a iniciativa privada, nem mesmo com a administração direta, ou seja durante este período ela foi eficiênte!
Agora que ela parou no tempo e não deu conta do aumento de demanda isso é fato inegável, nem poderia acontecer de outra forma dada a sua estrutura jurídica, que passou a ser obsoleta desde do final dos anos 90.
Primeiro é preciso contextualizar o tamanho do problema, estudo detalhado de demanda feito pelo IAC em 2005, determinava que, por exemplo, em Guarulhos, numa previsão otimista, uma demanda em 2010 em torno de 26 milhões de passageiros, mantida a média a demanda seria em torno de 22 milhões de passageiros isso para um aeroporto que em 2004 movimentou 12 milhões de passageiros!
Em suma ainda que estivessemos diante de uma empresa extremamente agil, eficiênte e dotada de todos os recursos disponíveis necessários, já estarimos diante de um quadro caótico, de uma demanda que mais que dobrou em 5 anos e cuja as perspectivas mais otimistas foram superadas, não há planejamento que de conta disso! Um planejamento de 10 anos (razoavelmente curto) feito em 2005, inicio do grande boom de nossa aviação, neste caso deveria ser feito para uma demanda de 35 milhões de passageiros (prevista para 2015 segundo o estudo) e teria ido por agua a abaixo quase 5 anos antes, sem falar no evento Copa e Olimpiada.
Para gerir este quadro nada agradável, esta uma empresa pública que apesar de execer um semi-monopólio, é regulada por uma agência, subordina a um ministério, que era quem definia as tarifas que a Infraero poderia cobrar, por exemplo.
Uma empresa que apesar de atuar na esfera privada, não podia definir sua área comercial diante de um estudo de damanda, cobrando praticamente a mesma coisa para se utilizar o Aeroporto de Cruzeiro do Sul ou o de Guarulhos, evidentemente que não poderia dar conta do recado.
Ai surgem as anomalias, como por exemplo a opção por aeroshoppings, do ponto de vista de infraestrutura aeroportuária (sua missão) é um desastre, do ponto de vista de gestão, é aceitãvel, pois era uma empres aque vivia de renda não operacional, para não falar que é uma opção mais rentável também para interesses escusos!
Soma-se a isso um forte componente político, ao interesse das e,presas aéreas que por muito tempo lucraram com a desordem e a uma letargia impar, mesmo se comparado a outros setores do poder público e o que já era ruim ficou ainda pior.
Mas este quadro, esta mudando, ainda que tardiamente, as tarifas foram liberadas, as concessões estão sendo feitas conforme a peculariedade de cada aeroporto e parece estar havendo um realinhamento da função da Infraero de administradora, para formentadora de infraestrura (operando diretamente apenas aonde e por quanto tempo for necessário para prestar o servço público), coisa que já deveria ter ocorrido faz tempo.
Dentro de um quadro maior algumas transições são necessárias, é preciso sim utilizar-se de medidas paleativas, bem como inumeras adequações das mais simples e formais, as mais complicadas e de estrutura fisíca.
Os MOP´s são destas medidas controvérsas!
Neste caso específico, até que provem que houve faturamento, desvio, desperdício, falta de conforto, ineficiência, má qualidade da obra, acho que este de Guarulhos foi uma medida salutar, pois responde bem ao trinômio necessidade/adequação/preço!
Abnraços!,