O trecho transpacífico (SCL-AKL) foi realizado durante a noite e, portanto, quase sem fotos. Farei então um FR do voo da volta que incluirá, além do trecho AKL-SCL, o trecho SYD-AKL.
Introdução
A Nova Zelândia é um país pequeno mas com bastante diversidade de paisagens, além de ser desenvolvido e com uma ótima infra-estrutura para o turismo que é uma das principais fontes de renda do país.
A infra-estrutura perfeita, a pontualidade absoluta e o fato de tudo parecer funcionar como um relógio podem fazer o leitor pensar que se trata mais um daqueles países com um povo frio e inflexível, hordas de turistas em cada ponto turístico e seguranças nos aeroportos que viram você de ponta cabeça. Ledo engano. Apesar de todas as qualidades mencionadas acima, todos com quem conversei eram bastante receptivos e sempre fui muito bem tratado em todos os lugares. As cidades são tranquilas (para não dizer pacatas), e mesmo a maior, Auckland, parece bucólica se comparada a qualquer cidade brasileira do mesmo tamanho. E apesar do turismo ser uma das peças-chave da economia do pequeno país, pelo menos na época em que eu fui (início da alta estação) todos os lugares estavam bastante tranquilos, sem aquele monte de turista que se vê nos destinos mais 'tradicionais' mundo afora.
Finalmente, a segurança nos aeroportos (visitei três) é bem mais "relax" que nos aeroportos brasileiros, e nem se comparam aos paranoicos agentes do Tio Sam. Para se ter uma ideia, nos voos internos os pax não precisam mostrar qualquer identificação para embarcar
Enfim, vamos ao que interessa...

NZ5001 ROT-CHC
ATR 72-500 (ZK-MCW)
31OUT2011
Horários estimados: 09:15/11:00
Horários reais (solo a solo): 09:18/10:55
Duração total: 1:37
Assento: 4D
Ocupação: >90%
Mapa do trecho realizado (Rotorua-Christchurch-Queenstown)

Rotorua é um dos destinos turísticos da Nova Zelândia por estar no centro de uma área de intensa atividade geotérmica. A própria cidade fica numa caldeira de vulcão extinta, à beira de um lago que foi se formando com as chuvas ao longo de milhares de anos. Existem parques de atividade geotérmica próximos à cidade, com lagos de água fervente e ricos em minerais (arsênio, enxofre, ferro etc) que lhes dão várias cores. A cidade em si é pequena, com cerca de 60.000 habitantes, e quando fui as ruas estavam praticamente desertas.
“Champagne pool”

Vapor saindo das lagoas. A cor amarelada da lama é devida ao enxofre.

O aeroporto internacional da cidade, aberto em 1963, fica às margens do lago e tem uma pista de 1762 x 30 m, numerada 18/36, e outra pequena pista paralela de grama. A principal empresa que opera é a Air New Zealand e suas subsidiárias.
O aeroporto é bem pequeno e quase não há o que fazer. Nesse aeroporto é preciso pagar a taxa aeroportuária à parte, e existe um guichê específico para isso.
Cheguei por volta das 08:15 no aeroporto, fiz o check-in e paguei a taxa. A área de embarque fica ao lado dos guichês de check-in, e não há nenhuma checagem de bagagem (raio-X) nem dos próprios pax.
Saguão de embarque


Lá fora, um Beech 1900 chegava de Auckland.


Logo depois chegava o meu avião, vindo de Christchurch.


Fomos chamados para o embarque pela “porta 3” (não sei por que o número, porque só tem uma porta de embarque
No avião, fomos recebidos por uma simpática tripulação mista. Ainda em solo, a co-piloto nos informou que voaríamos a 18.000 pés, e passaríamos sobre a região de Wellington e depois, ao longo da costa da ilha sul, para chegar então a Christchurch onde fazia um dia lindo, “a lovely day” segundo ela.
Vista do terminal de Rotorua

Acionamos os motores às 09:09 e quatro minutos depois iniciamos o táxi, antes mesmo do horário previsto. O avião estava praticamente lotado, com ocupação > 90%. O aeroporto não tem taxiway até as cabeceiras, então aguardamos um jumbolino decolar...

O vento estava calmo, e os aviões estavam decolando e pousando por onde melhor lhes conviesse. Fizemos back-track e alinhamos na cabeceira 18.

Às 09:18, manetes à frente e decolamos. Sentado do lado direito, pude ver a cidade de Rotorua do alto...

Logo depois entramos nas nuvens.
O serviço de bordo consistiu em bebidas + cookie + chá/café + bala em homenagem ao time de rúgbi (a Nova Zelândia havia acabado de ganhar a Copa do Mundo de Rúgbi) e, mais tarde, passaram dando outras balas.

A seleção de rúgbi estava por toda a parte, desde as ruas até no copo do avião. Considerando-se as proporções, suspeito que os kiwis (como os neozelandeses se auto-denominam) sejam até mais fanáticos que nós com a seleção brasileira de futebol.

Cerca de uma hora após decolar, passamos sobre uma Wellington nublada, mas foi possível ver a ponta sul da ilha norte com várias turbinas de energia eólica.

Voando ao longo da costa leste da ilha sul, a paisagem ficou magnífica com o mar e as montanhas com picos nevados tão pertos um do outro. Por algum motivo, as fotos não chegam nem perto de mostrar a beleza que se vê ao vivo.

Península de Kaikoura, com a cidade homônima, um dos melhores lugares para avistar baleias.

Mais próximos de Christchurch, a co-piloto nos informa que estávamos voando a 18 mil pés e pousaríamos em direção ao norte; fazia 15°C em Christchurch.
Iniciamos a descida fazendo uma perna do vento pela direita e sobrevoando a cidade.

De base para a final

Final

Desacelerando na pista 02


Pousamos na pista 02 às 10:55, saímos pela taxiway A4 e taxiamos via A e F até o gate 48, na área do aeroporto reservada aos turboélices.

A tripulação se despediu, uma vez que a próxima perna do voo seria feita com outra tripulação. Todos deveriam descer do avião e aguardar a chamada no terminal, mas quem continuasse no voo poderia deixar os pertences de mão dentro do avião.

NZ5001 CHC-ZQN
ATR 72-500 (ZK-MCW)
31OUT2011
Horários estimados: 11:25/12:30
Horários reais (solo a solo): 11:28/12:25
Duração total: 0:57
Assento: 4D
Ocupação: >80%
O voo com destino a Queenstown sairia dali a 25 minutos, e assim que chegamos na área de embarque do terminal os mostradores já indicavam que o embarque havia iniciado.


Voltamos então pelo mesmo caminho e reembarcamos.
O avião estava um pouco menos cheio, mas mesmo assim a ocupação era de mais de 80%.
A tripulação mudou mas a simpatia não
No speech, dessa vez um co-piloto, que nos informou que a duração de voo seria de 1 hora.

Um Dash-8, avião STOL que admiro...

Exatamente às 11:25 iniciamos o táxi via pátio e A5. Decolamos da 02 da própria interseção A5, o que nos deixava cerca de 1860 m de pista.

Aqui moram os pobres de Christchurch

A planície de Canterbury, onde fica Christchurch, é cheia de fazendas cujos limites são demarcados por árvores do tipo ciprestes. Motivo? A região é frequentemente assolada por ventos fortes, e as árvores servem para proteção das fazendas contra o vento, quase sempre gélido.


A paisagem ficava cada vez mais bela à medida que as montanhas se aproximavam.



Iniciamos a descida e o co-piloto fez o speech nos informando que Queenstown nos aguardava com 10°C. As montanhas ficavam cada vez mais perto de nós, e já estávamos abaixo de algumas pistas de esqui. A turbulência aumentava à medida que descíamos, e em certo momento “caímos” e fomos jogados para cima em menos de um segundo, uma verdadeira montanha-russa. Felizmente já estávamos todos com os cintos apertados, e depois dessa não teve mais turbulência até o pouso.

Encravado entre as montanhas, o aeroporto conta com uma pista de asfalto (05/23, 1777 x 30 m) e dispõe apenas de aproximações VOR não alinhadas com a pista, exigindo mínimos de 5000 m de visibilidade e teto de 2600 pés. O tempo naquela região não costuma ser as mil maravilhas, e imagino que vira e mexe o aeroporto fecha.
Curta final

O vento soprava de sudoeste e, margeando uma montanha à nossa esquerda (à la Funchal/Tegucigalpa), pousamos suavemente na pista 23 às 12:25, encerrando o voo de 57 minutos.

Saímos pela A3 e paramos em frente, no box R2.
Queenstown é uma das cidades mais turísticas (senão a mais turística) da Nova Zelândia. Em meio a montanhas e próxima a paisagens espetaculares, atrai gente de todas as idades, interesses e bolsos, e não faltam esportes radicais como o bungee jumping que nasceu perto dali. As paisagens são de cartão-postal e naquela região foi filmada parte do Senhor dos Aneis.
Cruzeiro pelo Milford Sound.

Espero que tenham gostado!
Editado por DanielVS, 03 de dezembro de 2011 - 23:44 .














