Em primeiro lugar, para quem não conhece, o kiwi do título do tópico não é aquela fruta verde e sim uma ave que só existe na Nova Zelândia, do tamanho de uma galinha, desajeitado, não voa e tem um bico fino e comprido. Os neozelandeses se autodenominam kiwis, em homenagem a esse animal em extinção. Esclarecimentos feitos, vamos lá:

NZ 887 CHC-SYD
A320-232 (ZK-OJF)
04NOV2011
Horários estimados: 07:00/08:30
Horários reais (solo a solo): 07:15/08:23
Duração total: 3:08
Assento: 20A
Ocupação: >90%
Existem várias maneiras de se chegar a Sydney sem escalas partindo de Christchurch: com a Emirates, voando 77W; com a Jetstar e Air New Zealand, voando 320; e com a Qantas, voando 738.
Por questão de horário, a escolhida foi a Air New Zealand. Eu precisava sair bem cedo para poder aproveitar o dia em Sydney, já que a duração da minha viagem (18 dias) exigia aproveitar o máximo de tempo possível em cada destino.
No final das contas, fiquei contente por estar pela quarta vez entrando numa aeronave da NZ: depois de ter voado a ponte aérea Auckland-Wellington-Auckland, que liga a cidade mais importante à capital do país, e conhecido os trechos “regionais” com um ATR72 ROT-CHC-ZQN (vide parte 2), era hora de conferir como a NZ se sairia num vôo “internacional” (NZ-Austrália é internacional, mas "mais ou menos": os dois países são praticamente irmãos e ambos os países chamam esses vôos de “Transtasman flights”, ou seja, vôos através do Mar da Tasmânia, que separa os países). Assim eles diferenciam esses vôos daqueles de longa distância como Nova Zelândia-EUA ou NZ-Japão. Existem classes diferentes nos vôos Transtasman e nos vôos “de fato” internacionais.
Aliás, alguém aí sabe o que significa o logotipo da NZ?
Meu hotel ficava ao lado do aeroporto, o Sudima Christchurch Airport Hotel. Mobília antiga, colchões deformados, colchas que remetiam aos anos 70-80
No dia anterior à viagem, fui jantar no aeroporto e aproveitei para tirar algumas fotos:

Torre

Praça de alimentação do aeroporto

Mostrador indicando meu vôo no dia seguinte:

Acordei, peguei a caixinha com o café-da-manhã na recepção (o restaurante do hotel ainda não havia aberto) e fui ao aeroporto com a van do hotel, já que tinha malas (pelo menos esse serviço funciona bem).
Tentei fazer o check-in pelos totens de auto-atendimento mas tinha que escanear a página da foto do passaporte e por algum motivo não deu certo.
O tempo passava, o horário do meu vôo chegava e finalmente ela apareceu, toda sorrisos
No meu portão, logo em frente, entrei na fila que já estava andando e já quase no final. Mal tive tempo de tirar essa foto:

O avião era o ZK-OJF, com 8 anos voando nos céus da Oceania nas cores da NZ e da Freedom Air.
Recebido com sorrisos sinceros da tripulação
Voltando de volta ao avião, então era essa a explicação do porquê da água e dos fones de ouvido: eu era o teimoso da classe “superior” que quis porque quis ficar lá no fundo.

Ao nosso lado esquerdo, um B763 da Uzbekistan Airlines. Não sei o que fazia do outro lado do mundo, já que a cia não voa na Oceania.


Cabine de passageiros durante o embarque:

No speech, a co-piloto disse que decolaríamos no sentido nordeste e curvaríamos à esquerda em direção a Sydney. Cruzaríamos a 34000-36000 pés e a duração prevista era de 3h01. Em Sydney, os ventos sopravam de sul/sudoeste.
O voo estava quase lotado, com uma ocupação superior a 90%.
Uma agradável surpresa para quem voa NZ é o filme que mostra as tradicionais instruções de segurança a bordo. Enquanto na imensa maioria das companhias aéreas é aquela coisa monótona, na NZ não é. Aliás, nada na NZ é monótono e tudo parece estar sempre se inovando. Como havia acabado de terminar a Copa do Mundo de rúgbi na Nova Zelândia (o equivalente à Copa do Mundo no Brasil), as instruções de segurança foram refeitas com base no evento, e utilizando os jogadores de rúgbi e comissários/pilotos como atores. Por exemplo, ao invés de simplesmente dizerem “guardem seus pertences nos compartimentos superiores” e mostrarem um bonequinho guardando, o filme mostrava uma senhora com seus 80 e poucos anos tentando guardar um pôster de... um cara todo sarado de shorts. Aí vêm dois comissários e a levantam, um de cada lado, e ela consegue guardar. Para o item “despressurização”, uma comissária passa do lado de um jogador de rúgbi e fica tão “emocionada”, digamos, que acaba ficando sem ar, aí a máscara cai e ela a coloca da maneira correta. Quem quiser ver está no youtube:
Push-back, acionamento dos motores, flaps baixados para decolagem.

Iniciamos então o táxi para a pista 02. Dessa vez não dava para decolar da interseção como o ATR72 em que eu estava poucos dias antes...

Fomos até a cabeceira, alinhamos...

Alguns instantes depois, começávamos a corrida.

Decolados!


Durante a subida tivemos turbulência de leve a moderada, curvamos à esquerda e logo a planície de Canterbury dava lugar aos alpes neozelandeses... cobertos de nuvens!

Minutos depois, entre as nuvens foi possível avistar a costa oeste da Nova Zelândia, sempre assolada pelo tempestuoso Mar da Tasmânia e pelos ventos úmidos que trazem tanta chuva à região (6.000 mm de chuva por ano). Dei adeus a esse pequeno país fascinante
Então agora era água e mais água por todos os lados. Hora de conferir o sistema de entretenimento, ou AVOD. Como muitos de vcs já sabem, AVOD para mim se resume unica e exclusivamente ao Air Show, ou seja, o mapa com o avião e os dados de voo.

A Austrália ainda estava às escuras quando decolamos da Nova Zelândia.

As informações de voo incluíam número Mach e a proa, que normalmente não aparecem na maioria dos Air Shows.

Nunca tinha visto a apresentação dos dados como num painel da cabine... Mas bem que seria melhor se fosse em pés e nós!


Aqui uma paisagem teórica de como os pilotos estariam enxergando lá fora (totalmente fora da realidade, mas é só para passar o tempo mesmo).

Eu nunca tinha visto Air Show parecido, até ler o FR do Canteras (Qatar EZE-GRU).
Para ler, havia a revista Kia Ora (que significa “olá!” em maori). Não achei nada demais: cheia de propagandas e visualmente poluída, assim como a enorme maioria das revistas de avião atualmente.

Destinos da Air New Zealand, em azul claro.

O serviço de bordo foi então servido: frutas, um tipo de mingau de aveia e musli (que estava ótimo!), além de um gostoso muffin e das tradicionais bebidas (refrigerante, sucos etc). Dependendo da classe que vc voa, o serviço é pago. Ouvi dizer que a NZ está implantando nos aviões um sistema que permite a vc solicitar bebidas através da tela individual. Interessante, né?

Mas o que encanta de fato voar Air New Zealand é o atendimento a bordo. Era meu quarto voo e, pela quarta vez, encontrei comissários que sorriam não só para os passageiros, mas também entre eles mesmos. Inclusive, num dos vôos ponte-aérea que fiz alguns dias antes, a impressão que se tinha é que os comissários eram amigos de longa data, e pareciam estar se divertindo ao trabalhar
Quando veio me servir, a simpática comissária de uma “certa idade” perguntou de onde eu era, e após eu responder ela disse, em português

A essa altura do campeonato já havíamos deixado o espaço aéreo da Auckland Oceanic e ingressado na FIR Brisbane. Seguíamos um Boeing 767-300 da companhia que fazia a rota Auckland-Sydney, no voo NZ101. A controladora já informava tanto o NZ101 quanto o nosso voo que havia previsão de espera sobre o fixo SHARK, que o nosso horário de pouso previsto era para as 08:23 LT e que a redução de velocidade estava autorizada. Nesse instante, às 07:35LT, senti a aeronave desacelerar e, no meu assento sem saber o que se passava, pensei que tínhamos começado a descer.
Na verdade, a descida só começou cerca de 15 minutos depois, quando a controladora pediu para descermos ao FL310. Depois, fomos vetorados com curvas para a esquerda na proa 310 e depois 270, descemos para o FL270 e outras curvas para a esquerda nas proas 240 e 210.
Trajetória do voo

Aí veio o speech da co-piloto: estávamos cruzando 26.000 pés, Sydney nos aguardava com 17°C com uma brisa soprando do oeste e nuvens com base a 10.000 pés. Estimava pouso às 08:23 e chegada no portão às 08:30. Explicou que após o pouso levaríamos cerca de 10 minutos para chegar ao portão por causa da pista que o controle nos havia atribuído para pousar, mais distante do terminal.
A cerca de meia hora para o pouso, a controladora pediu: “NZ887, programe cruzar MARLN aos :07 com 250 nós”. Dois minutos depois, estávamos autorizados a descer a 10.000 pés com altímetro em 1018.
Como solicitado, cruzamos MARLN aos 07 minutos da hora e prosseguimos na chegada MARLN 8, cruzamos WHALE e, logo antes de PRAWN, curvamos à esquerda para sermos vetorados para a final.
A título de curiosidade: como vocês devem ter percebido, vários fixos nessa chegada pelo mar têm nomes alusivos a criaturas de mar aberto: SHARK (tubarão), MARLN (marlin ou peixe-espada) e, mais à frente na chegada MARLN 8, mais dois seres marítimos: WHALE (baleia) e PRAWN (camarão).

Já ouvindo o controle de aproximação, fomos autorizados para 8.000 pés e o controlador avisou: pista 34R, aproximação visual independente com circuito pela direita. (Sydney tem duas pistas paralelas, as 16/34, que tem 1000m de distância entre elas e permite operações simultâneas).
Após sermos vetorados para a final, a tripulação chamou a torre, mas ela estava ocupada com outros tráfegos.

Nova tentativa, dessa vez a resposta: “NZ887, bom dia, continue aproximação, vento calmo do oeste”. A torre autorizou uma aeronave a decolar e aí voltou para nós: “NZ 887, vento na cabeceira de 250 graus, 5 nós, pista 34R, livre pouso”.

Pouso suave na 34R, um A330 da QF iniciava a rolagem da 34L.

Olhei o relógio, como sempre faço, e que horas eram? 08:23!!! Lembram-se quando eu ainda estávamos nivelados em cruzeiro e o centro Brisbane havia estimado nossa chegada (considerando a redução de velocidade e eventuais vetorações/órbitas) aos 23 minutos? Incrível, não é?
“NZ887, continue táxi em direção à L, chame solo em 126.5”.
Aguardamos para cruzar a 34L, onde pousava um 744 da Singapore Air Cargo (voo 7292).

Taxiamos via A, Y e H, até o portão 56.


Lá no fundo, o 767-300 da NZ que chegava de Auckland e que esteve à nossa frente durante a viagem.

Calçado no box 56, exatos dez minutos depois do pouso, exatamente como a co-piloto havia previsto!

Trajetória do táxi

Enfim, estava na terra dos cangurus, coalas e muitos dos animais mais letais do planeta!
A Air New Zealand foi certamente a empresa que mais me impressionou com seu ótimo serviço de todas que eu já voei até hoje. Ela está com 4 estrelas no Skytrax, empresa que avalia aeroportos e empresas aéreas. Já voei internacional com BA, LH, AF, SA e NH, todas também com 4 estrelas, mas achei a NZ sem dúvida superior: tudo parece ser feito sem esforço, e tudo flui sem estresse. Atendimento de primeira e consistente em todos os voos. Em resumo, o atendimento da NZ reflete o atendimento que os turistas recebem no país que a empresa representa: serviço muito simpático, "caliente", informal e sem as neuras e paranoias que encontramos do outro lado da linha do Equador. Provam que tudo isso é possível sem deixar de lado o profissionalismo e a seriedade que a aviação exige.
Espero que tenham gostado!
No próximo FR, o canguru voador (Qantas)!
Editado por DanielVS, 19 de dezembro de 2011 - 01:18 .













