Caros amigos do fórum Contato Radar, hoje escrevo sobre uma aventura que fiz na Avianca Brasil recentemente. Desde que a Avianca era OceanAir, tinha curiosidade de voar por ela, em especial, nos Fokker 100 da companhia. Meu pai viajava muito a trabalho, e vivia falando mal dos Fokker 100 da TAM e dos 737 da VASP, sempre optando por VARIG, e mais recentemente pela Gol quando era possivel. Vivia dizendo que o Fokker só caía, que a VASP não tinha manutenção, enfim, hoje conhecendo melhor do assunto, sei que grande parte disso era mito. Ainda assim, a vontade de viajar no F100 era grande.
Quando disseram aqui no fórum que a Avianca estava cortando alguns vôos em Curitiba, lamentei muito, achando que a chance de voar no Fokker 100 tinha ido pelos ares, literalmente, pois os destinos mais próximos daqui são Brasília e Cuiabá, não muito atrativos para alguém que só viaja para Sul e Sudeste. Bom, já que a esperança é a ultima que morre, continuei fazendo buscas esporádicas por um vôo para Guarulhos no site da empresa e tive uma grata surpresa. Tinha um vôo com duas conexões, custando R$ 275, disponível apenas no dia 8 de janeiro, pois era o último domingo sem restrições no Afonso Pena.
Vamos lá, quem em sã consciência pagaria quase trezentos reais, para sair de Curitiba pela manhã, chegar a São Paulo no final da tarde, passando por Brasília e Salvador, sendo que até a Itapemirim que tem fama de lerda chegaria antes? Bom, já vou avisando que estou em pleno gozo das faculdades mentais, e ainda assim, fiz essa loucura. Afinal, chegando a Guarulhos às 17h ainda dava tempo de ir à Avenida Paulista comer o verdadeiro Bauru e tomar um café na Starbucks, certo? Era a oportunidade perfeita para testar o bem falado serviço da Avianca, e de quebra, os novos A320, então comprei a passagem, apenas dois dias antes do vôo e já fiz o check in pela web, pois não queria nenhum agente de check-in pensando que sou louco na hora de imprimir os tickets. Apesar do site bastante simples e um pouco obsoleto em quesito design, tanto a compra como o check-in procederam sem problemas, ponto para a Avianca.
Comecei minha jornada as 6h30 daquele dia, arrumando a mala, quer dizer, colocando a câmera, o casaco e a escova de dente dentro dela, porque para uma viagem dessas, não precisaria de mais do que isso... As 7h40 já estava entrando no terminal do Afonso Pena, como não há mais a sala Itaucard, onde o pão de queijo era uma delicia, fui direto para a sala de embarque, me dirigindo ao portão 4, onde a primeira aeronave do dia me aguardava na ponte 2.
O primeiro trecho dessa jornada seria CWB-BSB, no vôo O6 6240, que tinha o embarque previsto para as 7h57 e decolaria as 8h38. Somente as 8h12 começo o embarque, pois o numero de passageiros era pequeno, não havendo atraso na partida. Assim que a habitual fila de passageiros apressadinhos acabou, quando eram 8h25, me levantei e fui um dos últimos a embarcar no Fokker 100, de matricula PR-OAJ, e procurei pelo meu assento, o 18A. Eis que uma passageira estava ocupando meu lugar, tive que esperar ela desligar o telefone e informar que aquele era o meu assento. Contratempo resolvido, era essa a visão que eu tinha do meu assento.

Apesar de já ser um veterano, o Oscar Alpha Juliet não aparentava os quase 20 anos de uso. Essa aeronave, que começou sua vida útil em 1992, na American Airlines como N1433B, também esteve estocada em Mojave por três anos, chegou a OceanAir em 2006 como PR-OAJ, onde voa até hoje, como Avianca Brasil. O espaçamento entre as poltronas era fenomenal, com certeza foi a melhor viagem na econômica que eu já fiz, muito confortável mesmo.
Portas fechadas, e assim que se deu inicio o push-back os dois motores Rolls Royce já foram acionados, iniciando-se o taxi logo em seguida. O procedimento de taxi foi incomum, pois todas as vezes que decolei pela 15 no SBCT, o procedimento era seguir pelas taxiways desde o terminal, passando pelo terminal de cargas, cruzando a cabeceira 11 e ingressando apenas na ultima entrada, quase na cabeceira para enfim fazer o back-track e decolar. Dessa vez foi diferente, provavelmente devido ao baixo volume de trafego, ingressamos na pista antes da intersecção com a pista 11/29, perdendo menos tempo taxiando.
Avianca 6240 decolado aos 39, e seguimos sobrevoando os estados de São Paulo, Minas Gerais e Goiás, no nível 330, até chegarmos ao Distrito Federal, pela seguinte rota, que utiliza as aerovias UW6 e UW48, sobrevoando Bauru.

Flaps em cima, assim que estabilizamos se deu inicio o serviço de bordo, que neste vôo era um sanduiche quente de frango, acompanhado de refrigerantes Pepsi, Guaraná Antarctica, sucos e café.

O safety card chama a atenção, achei muito bem feito, destacando o nome MK28. Curiosamente, as janelas mostram Fokker 100, espero que os passageiros mais medrosos não reparem nesse detalhe.

Em rota, haviam muitas nuvens, então as fotos ficaram quase todas iguais

Alguém aí já viu um arco íris? E visto de cima?

Perto das 10h, veio o speech da cabine informando que iniciaríamos logo o procedimento de descida para Brasília, onde estava um tempo agradável, com nuvens esparsas, e era essa a visão que tinha da janela, nuvens, nuvens e mais nuvens:

Estimei o pouso para 10h25, e tocamos na pista 29R as 10h29, dois minutos antes do previsto 10h31, num pouso muito bem executado pelo comandante Davi. Eu filmei toda a aproximação, inclusive em meio as nuvens, mas acredito que muitos queiram ver só o pouso, então está aí:
O desembarque em Brasilia foi pela remota, então segue foto do Golf, só para ilustrar, pois as fotos do OAJ ficaram horríveis, bem piores do que essa aí. Inclusive, ao fazer as fotos do OAJ, de dentro do ônibus da Infraero, um funcionário da Avianca, assim que percebeu que eu estava tirando fotos, veio me dizer que era proibido, e guardei a câmera. Quando o ônibus saiu, o motorista falou pra mim: Ele tá doido, todo mundo tira foto, da onde que é proibido?

Assim que cheguei no terminal Brasília, fui direto para o terraço, de onde pude ver o pouso do 757 da American Airlines, fazer algumas fotos e comer alguma coisa. Do terraço também pude ver os Boeing da TransBrasil e VASP canibalizados e abandonados ao tempo, uma cena muito triste, ainda mais pra mim, que tendo nascido em 1994, não conheci a TransBrasil e só vi a época de agonia da VASP, uma pena.

O magnífico 757 da American Airlines, apesar de nunca ter voado num 757, tenho um carinho por esse belo pássaro, é um dos Boeing mais bonitos já fabricados. E pensar que meu primeiro vôo quase foi feito por um 757, só que da VARIG, em 2005, mas por um infeliz acaso, acabaram me mandando no PT-MZA da TAM. Após um salgado almoço no Viena, composto por uma sfiha de ricota, um cheesecake e uma Coca-Cola, já era hora de embarcar para o segundo trecho desta aventura.
Agora seria a vez do voo O6 6320, que liga a capital federal a Salvador, operado por um A318, o baby bus. Outra aeronave que eu já gostava muito antes de voar, assim como o B757. As 11 horas desci do terraço para o terminal, indo para o portão previsto nas telas informativas, o portão 6, por onde o embarque se iniciaria as 11h07, com partida prevista para 11h48. Pois bem, somente as 11h24 que os passageiros foram chamados, primeiro as prioridades e depois os demais passageiros, lembrando que em Curitiba não houve embarque prioritario, talvez até pelo baixo numero de passageiros. Novamente esperei que a fila se dissolvesse e embarquei as 11h30 no PR-AVL.
Ao contrário do Fokker 100 do vôo anterior, esse baby bus ainda é um bebê, está praticamente novo, tendo entrado em serviço pela LAN em 2007, como CC-CVH, chegando em junho de 2011 à Avianca Brasil. Inclusive ainda tem as poltronas azuis do seu antigo operador, que eu já conhecia (e gostava) desde que voei no A320 CC-BAH, e que são muito confortáveis, além do pitch agradar bastante. Desta vez o meu assento era o 5K, e não foi uma boa escolha, pois ele estava com defeito, mas nada muito grave. Assim que entrei, reparei que ele estava reclinado, e voltei para a posição normal. Na hora de decolar, a comissaria pediu que eu retornasse com ele a vertical, e já estava me achando meio louco, pois tinha certeza que havia retornado, e lá estava ele reclinado. Não demorou muito para cair a ficha de que o assento estava com defeito, e acabei decolando com ele reclinado mesmo, mas não podia fazer nada... Sem duvida, nesses três voos, foi o maior deslize encontrado.
Iniciamos o taxi logo atras do PR-MYD da TAM e do irmão maior, PR-AVU, que cumpria o voo O6 6300 para Recife.
Assim que o AVU se foi, era a nossa vez de decolar, eram 12h11, 22 minutos após o estimado, e portanto, estavamos atrasados. Alinhamos na cabeceira 29L e partimos.

Rapidamente o baby bus ganhou os céus, olha aí Brasília ficando para trás

A bela vista do Lago Paranoá

O guia de bordo da Avianca era bem completo, continha toda a programação dos Airbus da empresa, seja a de áudio ou a de vídeo. Nas telas de LCD, como a capa sugere, passava um show do Djavan, então escolhi um dos canais de áudio e comecei a ler uma das revistas que havia comprado na Laselva, pois durante toda a rota pela aerovia UZ17 fomos acompanhados por uma camada de nuvens.

O serviço de bordo foi o melhor dos tres vôos, esse delicioso sanduiche de peito de peru, cream cheese e abacaxi, aprovado com sobras, ou melhor, provado sem deixar sobras, e claro, as bebidas de sempre.

As nuvens só nos deixaram quando já estávamos próximos do pouso, e tive essa bela visão da capital baiana

E por fim, o pouso em Salvador, ocorrido as 13h43, seis minutos antes do estimado 13h49, até agora, pontualidade 100%, apesar do atraso na partida em Brasília
Adeus PR-AVL, até outra hora quem sabe, foi ótimo vôo. Dessa vez, foto de dentro do ônibus em movimento, pra ninguém achar ruim. A qualidade fica aquém novamente, mas fazer o que...

Finalmente estava em Salvador, onde fazia um calorzinho de mais de 30º, para quem tinha saído de Curitiba naquela manhã, um verdadeiro inferno. Para não me alongar mais do que já me alonguei, a volta vocês conferem na segunda parte, espero que tenham apreciado!
Editado por Lucas Pereira, 22 de janeiro de 2012 - 22:25 .













